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Conhecendo o Machu Picchu dos Incas

13/06/2009 15:35:18

Estamos pertinho das férias. Isso para o povo todo que "só estuda", o que - definitivamente - não é o meu caso. Porém, contudo, entretanto... Eu dei uma paradinha com meus afazeres bloguísticos nas últimas semanas justamente por esse motivo: férias! Não foi nada se comparado com férias escolares onde você tem 31 dias para fazer absolutamente NADA, mas já deu para arejar a cabeça. Aliás, na verdade, faltou ar para arejar a cabeça.

Eu explico, estive acariciando lhamas e alpacas no Peru onde, devido as grandes altitudes, falta ar. Não vou contar tintin-por-tintin como foi a viagem, só pontuar algumas coisinhas que podem te ajudar a escolher sua próxima viagem a um território sagrado ou simplesmente uma opção diferente do que passar as férias enclausurado na casa da vovó, tendo que cuidar daquele priminho chato.

peru1

Primeiro, o Peru é pertinho. Dá para ir e vir sem muitas horas perdidas. De São Paulo para Lima são 4 horas de avião, menos do que ir de carro de São Paulo para o Rio. Vale a pena visitar e conhecer, é um país muito diferente do nosso aqui. Mas não aconselho perder muito tempo em Lima não, é uma cidade urbana feia e pobre basicamente. Tem uma ou outra coisa interessante para fazer (sítio arqueológico de Pachacamac), um ou outro museu, restaurante, mas nada que valha tanto a pena assim.

Pachacamac

Pachacamac

Sendo assim, partimos para Cusco, há 1 hora de voo de Lima. Uma cidade absurdamente impressionante. Quase parece que o tempo parou há exatos 477 anos, se não fosse pelos automóveis atravessando as ruas de pedras. Tudo são pedras por lá. Uma mistura de Paraty e Ouro Preto, a cidade abriga um passado de glórias, seguida por uma dominação espanhola não-beneficiente.

Cusco 1

Sua altitude também não é brincadeira, pega-nóis desprevenidos. O jeito é chegar, tomar chá de coca, remédines e deitar. 3 horinhas deitada e a tontura, mal estar e dor de cabeça por conta da falta de ar, começam a passar. Apenas começam, pois só no segundo ou terceiro dia que você realmente não sentirá mais a "falta de ar".

Cholla servindo chá de coca 1

Criança peruana servindo chá de coca.

Mesmo com esse primeiro desconforto, a capital do Império Inca é uma cidade deliciosa de ser descoberta a cada detalhe da sua história, suas construções, seus habitantes, produtos e estilo. E é gostoso se perder pelas ruas de Cusco, ruas de pedra da época dos Incas. Aliás, visitar a cidade e não conhecer a hitória dos Incas é como visitar a Disney e não tirar foto com o Mickey.

Gosto de chegar no lugar e saber onde buscar a história. Rodar a cidade procurando uma pedra de 12 ângulos em um muro da igreja que passaria despercebida por qualquer um, mas que um dia teve um forte significado para uma civilização extinta. Além de artigos da internet, eu guiei meu olhar por esse livro (Macchu Picchu - na trilha dos Incas). Se você entende bem espanhol, também vale a pena comprar um bom livro por lá mesmo, mas eles são mais caros do que os brasileiros.

Cusco também é o começo do caminho para conhecer Machu Picchu, a cidade esquecida. A história de Machu Picchu é tão bizarra quanto fascinante. Não se tem certeza de nada por lá, isso porque os Incas foram exterminados pelos espanhóis e por não possuirem nenhuma "escrita" (além dos quipos), toda sua história passou como lendas & mitos de boca-em-boca por gerações. Machu Picchu é então tida como uma cidade muito importante para a nobreza Inca (era como o nosso Fernando de Noronha), onde descansavam e decidiam os rumos do Império. Poucos sabiam da sua existência real e menos ainda da sua verdadeira localização. Machu Picchu já era uma lenda nos tempos incaicos. E com os Incas (imperadores, não o povo) exterminados, Machu Picchu foi esquecida e só re-descoberta em 1911 pelo americano Hiram Bingham.

machupicchu2

Consegue ver um rosto nas montanhas? Se não, clique Aqui!

Centenas de anos lá, esquecida, imóvel, magnífica. São 3h30 de trêm para chegar até o monte sagrado, mas é algo extremamente surreal estar lá. Você fica paralisado com a beleza do local e enquanto isso, seu cérebro jorra milhares de perguntas sobre como algo tão divino foi criado e esquecido, o que realmente acontecia por ali e o que realmente aconteceu com as pessoas que viviam ali. Perguntas que nunca serão respondidas e isso só torna a cidade ainda mais fascinante.

feira inca

Voltei da viagem realmente feliz por ter ido. E triste por não ter passado ainda mais tempo para desbravar Cusco como gostaria. Existem dezenas de sítios arqueológicos nas redondezas da cidade, todos com basicamente as mesmas lendas. Existem dezenas de museus um do-ladim-do-otro pelas ruas de Cusco. A cidade é recheada de cafés, restaurantes (comidas típicas!) e uma agitada vida noturna. As feiras incas de artesanato também são ótimas. Tem muita tralha típica lá, mas depois de um tempo, seus olhos acostumam e você consegue caçar no meio das bugigangas "necessidades" reais para se trazer de recordação. Um pingente de prata, uma lhama de pelúcia, uma echarpe de alpaca, um pisco (bebida típica) em forma de ídolo, um tabuleiro de xadrez onde os incas enfrentam os espanhóis e nessa luta... quem sabe... os incas podem até vencer.

postado por Baunilha