
Baunilha é o blog da... Baunilha! A moça é blogueira desde sempre e celebridade crescente na internet brazuca. Aqui, ela divide com você o que passa por seus pensamentos. Aproveite!

Falar o que pensa nunca é algo simples. Ainda mais em situações em que precisamos nos sair bem, que nos pressionam. Um simples bate-papo com uma pessoa que você admira pode se tornar no seu pior pesadelo. O que falar? Como agir? Tenho que parecer natural... mas ao mesmo tempo não posso revelar que sou uma idiota completa apaixonada por Beavis & Butthead.
Algumas pessoas acabam se dando muito mal por simplesmente serem elas mesmas, na hora errada. Chandler Bing é uma delas. Ou aquele freakman (olha só o apelido que você ganha por falar o que pensa!) do "Foi apenas um sonho". John Givings (Michael Shannon) o filho da vizinha que foi até internado e tachado de louco por seu comportamento (ou porque ele também não era tão normal assim).
De um lado ficam essas pressõezinhas da sociedade dizendo "Seja você mesmo, a real beleza é o que importa, pague micos e o escambau", mas todo mundo sabe que ser você mesmo só é bacana se você é um puuuuuta cara maneeeero, bro! Ser você mesmo em algumas situações pode ser ULTRA arriscado. Imagina só resolver "ser você mesmo” ao falar com um policial que bateu na sua porta em plena madrugada por conta do barulho. No way! Isso nunca daria certo.
É bacana ser essa pessoa maravilhosa que você é no seu inconsciente com sua namorada, namorado, amigos. Mas até mesmo com eles não dá para forçar tanto a barra, afinal, no fundo todos somos lunáticos. Talvez se todos - o mundo - não fosse tão preconceituoso e todos – o mundo - conseguissem ligar o bom e grande "foda-se", seríamos todos – o mundo - mais feliz. Ou pelo menos os psicólogos estariam faturando ainda mais.
As crianças conseguem fazer isso muito bem. E as crianças conseguem ser bem más as vezes (80% do tempo), deixando seqüelas em outras crianças que só serão curadas depois de 15 anos de sessões com um bom psicólogo ($$). Ou não são curadas, ligam o foda-se e viram uma espécie de Michael Jackson sem o dinheiro para construir o parque temático que sempre sonhou.
Mas uma pessoa em especial - e que eu invejo por ter realmente ligado o botão do foda-se - não é (tão) tachado de louco e consegue ser especialmente exótico é o Skylab. Rogério Skylab. Ele fala o que quer, escreve o que quer, canta o que quer e pronto! Está além do nível Paris Hilton de foda-se. E por mais caótico e dark ele consegue ser cantando "Mario Covas, Câncer no cú; Ana Maria Braga, Câncer no cú", ele ainda tem a beleza do sempre bom humor-negro dizendo logo em seguida "Rogério Skylab, Câncer no cú". É o poeta da sociedade moderna que consegue sintetizar tudo (e muito mais) que passa nas nossas cabeças, de cidadãos comuns, em um desabafo musical.
Não sei o quanto seria perigoso para as pessoas se todos resolvêssemos revelar o Skylab que existe dentro de nós, acabando com as politicagens e as puxações de saco. Mas com certeza seria muito mais divertido e relaxante. Uma nova forma de fazer terapia. A terapia do desabafo.