Beats & Bits é um Blog escrito por Spiceee, sobre novas tecnologias para djs e produtores.
| dom | seg | ter | qua | qui | sex | sab |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |
| 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 |
| 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 |
| 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 |
| 29 | 30 |
Beats & Bits é um Blog escrito por Spiceee, sobre novas tecnologias para djs e produtores.
Muito antes de colocar-se frente a uma pista e comandar o som da festa, o resultado do trabalho de um DJ é determinado por tarefas a serem realizadas bem antes de sua apresentação na cabine. Seja você um profissional ou alguém que encara a discotecagem como mero hobby, seu trabalho de pesquisa será tão essencial quanto o treinamento de suas habilidades em mixagem, auxiliando-o na escolha do seu repertório, e determinando seu bom desepenho no comando de uma pista.
Quando comecei na área, apesar de já possuir algum conhecimento no gênero musical que escolhi (techno), não imaginava a avalanche de nomes de faixas, álbuns e produtores que seria preciso conhecer. Confesso que inicialmente parecia uma tarefa impossível, mas com o tempo percebe-se que o processo não implica em segredo maior que possuir ouvidos atentos e muita disposição para se escutar música.
A utilização de sites como o Beatport (já citado em posts anteriores) é um bom começo para esta pesquisa, principalmente se você utilizar o recurso que alguns sites dispõem, de conferir faixas sugeridas quando acessamos alguma outra que já conhecemos. Esta é uma das maneiras mais rápidas de chegar até os trabalhos de produtores menos conhecidos.
Geralmente, após escutar tantas faixas, aprende-se também a diferenciar a maneira que cada produtor trabalha seu som e o estilo musical com o qual você mais se identifica. Isso é muito gratificante quando você percebe que está levando seu repertório muito além das faixas mais conhecidas e criando uma identidade como DJ.
Além disso, se você optou por uma plataforma de discotecagem digital, a pesquisa estende-se muito além da tarefa de conhecer novas faixas e produtores. Mesmo que você pense ter esgotado as possibilidades em suas técnicas, todos os dias são publicadas novas informações na internet, com dicas e tutoriais para que você possa utilizar seu setup de maneiras diferentes. Se você é usuário do Traktor ou Ableton Live e tem conhecimentos em inglês, sugiro o site DjTechTools como uma boa fonte de informações sobre técnicas de discotecagem digital. Pesquise estas novas possibilidades também nos fóruns dos equipamentos e programas que você utiliza, geralmente hospedados no site dos fabricantes dos mesmos.
Enquanto esitver aceso seu objetivo aprimorar seu case e técnica, tenha em mente que e este processo de pesquisa e aprendizado é uma tarefa praticamente infinita. Ainda assim, tantas buscas lhe renderá bons frutos, e até mesmo muita diversão.
Quando eu comecei a tocar, em 96, DJ tocava com disco e ponto. Já existiam os kits de dois CD players com pitch da Denon, mas todo mundo, e eu me incluo na patota, olhava meio atravessado para DJ de CD. Passados alguns anos, eu posso dizer que não tenho nenhum tipo de preconceito quanto à forma de se mixar e já experimentei todas.
Há uns 2 anos atrás, decidi partir para os mp3 e abandonar os discos por uma questão de praticidade: discos tomam muito espaço, é caro importar e pesados de se carregar. Na época, muitas distribuidoras de vinil faliram e os artistas estavam migrando para lojas de venda de música digital, como Beatport. Só que há um ano voltei a comprar disco. O maior motivo foi que o mercado de vinil deu uma melhorada, as pessoas estão comprando discos cada vez mais, e os artistas que eu curto voltaram a lançar discos. Mas esse não foi o único motivo. Uma coisa que falta ao mercado de música digital é a figura do masterizador.
O masterizador é o cara que acerta o mix final dos canais para achar o melhor som que a música pode ter na mídia que ela sai. O vinil, por exemplo, tem umas peculiaridades. Algumas frequências de graves não podem ser estéreo e deve se tomar cuidado com agudos que possam fazer a agulha pular em algum trecho da música. O masterizador no mundo da música eletrônica é tão importante que geralmente o nome dele vem escrito no vinil, no espaço entre a última faixa de um lado do disco e o selo. Essa "limitação" física do vinil ajudou a desenhar o próprio som da música eletrônica e é essencial para que uma música soe bem nas pistas (muitos clubes no mundo tem som somente mono, por exemplo). Com as lojas de música digital, os serviços de masterização foram deixados de lado, o próprio artista mandava a música em formato digital direto para a loja, que vendia para o DJ. Só que 9 entre 10 produtores de música eletrônica são péssimos na hora de dar a última acertada no som, o que faz com que muitos dos mp3s sendo vendidos nessas lojas soem bem no headphone ligado no computador mas não tão bem num sound system potente de um clube. Isso sem falar que o vinil, sendo algo físico, com uma capa, um selo, a posição dos sulcos, me dá uma noção melhor do que eu posso tocar e aonde achar a próxima música que eu preciso tocar. Mas isso é só uma questão de costume mesmo.
O ponto que eu quero abordar é o seguinte: você tá aí, querendo aprender a mixar, como começar? O meu set-up digital é uma controladora UC-33, uma interface midi/audio Audio Kontrol 1 da Native Instruments, um Macbook rodando o software Ableton Live com 7 canais mapeados. Ou seja, eu posso tocar até 7 músicas ao mesmo tempo. Eu não acho que isso seja um bom começo pra qualquer um, porque eu levo pro digital o que eu aprendi com 2 pick-ups e um mixer fulero, o básico. Acho que qualquer pessoa que comece direto com todo o leque que o digital oferece vai se perder e vai cometer o pecado de fazer muita coisa ao mesmo tempo e confundir quem está na pista, e o objetivo de qualquer DJ é fazer o povo dançar.
Qual o caminho então? Eu acho que o caminho é aprender o beabá primeiro e ele é: 1 música tocando, acerta a batida da próxima e mixa. Isso é o básico. Como aprender então? O custo de 2 toca-discos profissionais e um mixer é bem alto, mas não precisa se desesperar porque existem bom cursos de DJ em todas as grandes cidades do país, isso se você não tiver um colega que tem um equipo em casa e é brother o bastante pra te deixar dar umas treinadinhas. O lance é, tente e veja se é a sua. Entrando num curso básico, dá pra ver se você curte a parte técnica sem empatar uma grana absurda num equipamento que vai ficar parado enferrujando na sua casa.
Depois de aprender a mixar um pouco, o estilo que você aprende no analógico, o lance de equalizar, tirar o grave de uma música e talar o da outra, vai se refletir em qualquer ferramenta digital. O problema é que os gadgets digitais te dão tanta possibilidades assim de cara que é muito fácil se perder nelas e achar que você tá arrasando, quando todo mundo na festa está se perguntando que horas entra o outro DJ.
A primeira vez que eu toquei e ganhei como DJ (não sei se em espécie, mas rolou breja de graça!) foi em 96.

Passei anos depois disso comprando discos de vinil, muitos, e com um equipamento clássico de um DJ: toca-discos MK2 da Technics (foto) e um mixer Numark. O primeiro acessório digital a entrar no meio foi uma caixa de efeitos Korg, a primeira geração do Kaos Pad. A evolução num set de um DJ com um brinquedo desses saltava aos olhos (ou aos ouvidos) e não demorou muito pra todos os DJs começarem a acrescentar uma ou outra caixinha digital ao seu set, caixas de efeitos, loopers, etc.
Daí veio a Stanton e lançou o FinalScratch, uma tecnologia que transforma o vinil em interface e que permite que mp3 seja tocado com a mesma pegada do velho disco de vinil. Os DJs começaram a levar seus notebooks pra balada e apenas 2 discos, que, como disse, são as interfaces que deixam o DJ acertar a batida pelo disco e mandar a informação pro mp3 player no computador. Com o computador à tira-colo, e todo um mundo de possibilidades que ele traz, faz sentido que o lance de ser DJ fosse cada vez mais migrando pra ele e muitos DJs abriram mão do próprio disco, sendo ele normal ou como uma interface pra mp3, para poder fazer com ferramentas puramente software como o Ableton Live coisas antes impossíveis como criar mash-ups de músicas ao vivo e controlar mais de 5 canais de música ao mesmo tempo.

A diferença entre o que se pode fazer num estúdio ou na balada foi diminuindo e se você pensa que esse arsenal digital deixa as coisas mais simples para o DJ está enganado: as possibilidades são muitas, as ferramentas se multiplicam e cada um está sempre procurando um setup que mais se adapte ao seu estilo de música. O equipamento clássico toca-disco e mixer não vai encontrar um equivalente digital tão cedo: a cada 6 meses sai uma nova maneira de mixar música, um novo jeito de alterar as batidas enquanto o DJ toca.
Todo mundo tá perdido nessa, não encontrei nenhum DJ totalmente satisfeito com o software que usa. É por isso que esse blog existe, pra ir compartilhando essas dicas de como se divertir mais tocando, e possivelmente, ser um DJ melhor no fim do processo.
Se você não entendeu metade dos nomes neste post, esse blog é pra você. Vamos debulhar essas paradas uma a uma nas próximas semanas!
