

Quem toma conta do Blog Belém é Bernie Walbenny, agitador cultural, roqueiro e produtor musical. Aqui você sempre verá as novas bandas, mixtapes, festivais e muito mais!
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Falamos bastante durante os últimos meses do Festival Se Rasgum, que aconteceu no último fim de semana em Belém. Infelizmente não pude ir, então fiquei sabendo das coisas pelo comentário das pessoas no twitter, orkut e em resenhas na web. Apesar de quase nunca as opiniões serem unânimes, uma conseguiu ser: a qualidade técnica. Som e luz estavam impecáveis, e isso pode ser verificado em alguns vídeos que saíram na web. Ponto positivo para o Festival, que pecou aí em edições anteriores. Outro ponto positivo foi a divulgação. Parece que o festival está saindo do underground e chegando a outra camada da sociedade paraense, tinha até coluna social e programas da highsociety cobrindo o evento. E isso é ótimo para a cena. Sem contar na imprensa nacional que sempre esteve presente.
Dessa vez o patrocinador, Conexão Vivo via Lei Semear, foi também um grande parceiro, somando ao projeto a expertise da Cria Cultura, responsável por gerir nacionalmente o projeto cultural da Vivo. Ao contrário dos anos anteriores, em que o patrocinador era só o patrocinador. Ponto positivo!

Até agora a gente falou de algumas coisas que foram quase unanimidade. Por outro lado, algumas outras dividiram opiniões, até porque se trata de arte. Como as escalações de Comunidade Ninjitsu, que pra alguns foi “um pé nos colhões”, e o Bonde Do Rolê, com “Excesso de apelos e a total falta de carisma”. Outras foram tiros certos: Nação Zumbi e Pato Fu. Mas confesso que minha grande felicidade foi ver que as bandas locais brilharam de igual, ou até mais, que as bandas “de fora”. E olha que a maioria foi escalada em horários não muito favoráveis. Esse é um ponto a se olhar com carinho para o próximo ano, se as bandas locais forem o foco, claro.
O que fica pra mim, que não estive lá, é que o festival evolui tecnicamente. Artisticamente cada um sempre vai ter seu ponto de vista. Diferente! Graças a Deus! Parabéns, Se Rasgum.
Você também pode ler mais resenhas nos seguintes links:
Convidei o Diego Fadul, blogueiro e guitarrista da Aeroplano, para dar uma geral no que conferiu por lá. Palavras dele:
Este ano o Festival Se Rasgum ganhou contornos de um evento realmente grande, com pelo menos 2 headlines de peso nacional incontestável. Com o nome e a logomarca do evento passeando por toda a cidade em propagandas em ônibus e vários carros adesivados rodando por aí, além de milhares de notas sassaricando no twitter sobre o evento, já se tem uma idéia do que o festival será no futuro: não mais um nicho específico de vertente de produção cultural, mas a certeza que Belém terá sobre este festival que acontece aqui, e não num universo paralelo dissociado desta realidade. O Se Rasgum se tornará uma data no calendário da Belém real.
Mistureba cultural

Techoshow, Bonde do Rolê, Marku Ribas, Pinduca e Música Magneta, entre outras, deram o tom de mistureba popular cultural ao evento. Particularmente, Pio, Dj Dolores e Vieira (que formavam o M. Magneta) e Pinduca foram interessantíssimos de se assistir. Ambos fizeram apresentações memoráveis e que mexeram muito com o público, principalmente Pinduca que se mostrou um showman bastante profissional. Não tem nada de rústico ali no regional não.
Além da música

Outro ponto que merece destaque na edição de 2009 foi a preocupação em inserir um conceito de responsabilidade ecológica no evento, com a coleta seletiva e separação do lixo produzido no evento. Além disto, foi fascinante ver a profusão de diferentes tipos de pessoas e de músicas, de roupas, de comida, de discos, de tatuagem, de piercing; com wi fi livre, com workshops e palestras da I Semana de Profissionalização da Música Paraense; com grafite e com um ralf e uns skatistas que não se cansavam de ficar pra lá e pra cá a noite toda.
Headlines

Nação Zumbi é uma excelente banda, não tem nem como dizer que não. Jorge Du Peixe, Lucio Maia e companhia driblaram os problemas no som no início do show e ainda assim fizeram uma grande apresentação, desfilando um mix de canções do disco Fome de Tudo e dos sucessos anteriores.

No sábado, segundo dia de festival, o Pato Fu afastou completamente a idéia que se podia ter de apresentação monótona e meteu ficha na simpatia e na perfeição do áudio e do timing com a programação midi, que disparava efeitos e backing vocals no tempo certo; sem falar na iluminação super bem feita. Admirável pela disciplina e pela técnica.

Não vi o Velhas Virgens, mas todo mundo diz que foi um showzão. Sei que no Matanza as pessoas ficaram loucas. Eu nem sabia que essa banda era grande. Um ruivo com o cabelo todo cheio de pontas duplas e quebrado, um filhinho de papai metido a cantar hinos que lembram muito aquele personagem do Tom Cavalcante, o Pit Bicha. Sabe? Um lance meio de "sou muito macho, até debaixo de outro macho". Bom, eu acho a banda uma merda, mas muita gente gostou, gritou, esperneou...
Os melhores shows

Vou começar pelas exceções: 1) AMP, de Pernambuco, que deve signifcar Alto Mesmo, Porra!, ou coisa do tipo. É pra quem gosta de guitarra, stonner, captação EMG, tudo grave, pegada forte, porrada na cabeça e de ROCK no seu sentido mais puro. Bem legal. Só tinha ouvido as músicas no Myspace meses antes de eles serem anunciados no Se Rasgum, mas é como Fernando Rosa diz, sobre termos que ver as bandas ao vivo pra saber o que elas realmente são. E 2) GORK. Convesando com o próprio Jesus Sanchez, baixista do Gork e do Los Pirata, eu disse "showzão ontem" e ele "é só putaria, né, cara" e sorriu. É muito fácil fazer uma boa apresentação com guitarra com timbre lindo e perfeitinho, letras edificantes e vocais melodiosos, mas usar uma Gibson Black Beauty e tirar um som horrível, numa métrica toda cortada, numa música falada, vestido de um jeito ridículo, com letras do tipo "Pode parecer mentira, mas eu sou um vampiro. Minha mãe é uma cigana, meu pai é o Biro-Biro!" é só pros melhores. Abujamra é o cara!

Agora vamos para a regra: sem querer ser pedante ou bairrista, duvido que alguém discorde do fato de que as bandas paraenses fizeram os melhores shows do festival todo. Vou na ordem: a interessantíssima apresentação do The Baudelaires, desfilando uma coleção de temas de grande qualidade abriu o festival; Ataque Fantasma foi embananado pelo som do palco grande, mas mesmo assim foi bastante competente; Aeroplano fez uma apresentação condizente com quem está afiado o suficiente para entrar em estúdio; Juca Culatra é o showman de Belém; Johny Rockstar fez um dos três melhores shows do festival inteiro; o outro foi do Sincera; e o outro foi do Delinquentes, que chamou o terceiro dia de 'noite do caos'. Jayme Katarro é o rei do rock em Belém.

Este é Diego Fadul, nosso colaborador e guitarrista da Aeroplano:

Fotos de divulgação, crédito nas legendas.
Veja vídeos no canal do Hugo Goés.
beijo, me segue!
@walbenny







