Cresce venda de singles no Reino Unido

Parece incrível que num ano de acentuada recessão econômica que tem afetado com particular gravidade a economia do Reino Unido – se tenha registado um novo recorde nas vendas de singles de música nas ilhas britânicas.

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Segundo um estudo da Official Charts Company – a empresa responsável pela publicação das tabelas oficiais de vendas de música -, divulgado pela British Phonographic Industry (BPI), até esta altura do ano as vendas de singles já ultrapassaram as 117,6 milhões de unidades. Um crescimento nada menosprezável face às 115,1 milhões de unidades comercializadas durante o mesmo período de 2008.

Mas muito de longo de ser um mero fenómeno súbito e extemporâneo, esta subida não passa da continuação de uma tendência que se tem vindo a verificar no Reino Unido desde 2003, quando se venderam 30,8 milhões de singles. Em apenas seis anos, as vendas subiram para quatro vezes mais. Muito por graça da loja do iTunes, diga-se de passagem. De acordo com a BPI, o número de singles adquiridos em lojas online desde o seu surgimento no Reino Unido em 2004 ascende aos 389,2 milhões.

Mas o que poderia ser para muitos encarado como um sinal evidente da inutilidade das medidas contra a partilha não autorizada de ficheiros que o governo pretende apresentar acaba de uma forma inusitada por ser usado pela indústria discográfica para alegar precisamente o contrário.

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Mesmo assim, tudo indica que as vendas digitais deverão estar prestes a atingir o seu limite de crescimento: se de 2007 para 2008 as vendas subiram 42 por cento, do ano passado para este ano o crescimento verificado já só foi de apenas cinco por cento. De qualquer forma, talvez esta travagem do ritmo se tenha ficado a dever em grande parte à crise económica.

Uma outra coisas que estes dados revelam é que desse total de 117,6 milhões de singles vendidos até esta altura do ano, 116 milhões referem-se a formatos digitais (MP3/AAC/WMA) e 1,6 milhões ao formato físico. Actualmente, o digital já representa 98,6 por cento das vendas de singles.

Perante este balanço que certamente deixará satisfeitos muitos executivos de outras indústrias, Geoff Taylor, o presidente da BPI, tem a desfaçatez de aproveitar a ocasião para solicitar ao governo que tome medidas contra a partilha não autorizada de ficheiros:

O facto dos singles terem atingido estes números ao mesmo tempo em que por ano se realizam mais de mil milhões de downloads ilegais no Reino Unido demonstra a dinâmica do mercado de downloads. Os consumidores estão a responder ao valor e à inovação oferecidos pelos serviços legais e estes novos números revelam que o mercado poderá explodir caso o governo actue no combate à partilha ilegal de ficheiros via peer-to-peer.

Já viram algum responsável por alguma associação industrial invocar o bom desempenho do seu sector para reivindicar medidas proteccionistas? Eu não tinha visto – até hoje. É extremamente lamentável que as grandes editoras continuem a agarrar-se que nem um caranguejo a uma rocha a um monopólio legal originalmente concebido no início do século XVIII para se arrogar ao direito de ignorar a realidade tecnológica de milhões de pessoas em todo o mundo.

Por Miguel Caetano, do blog português Remixtures

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