Recebo todo dia convites para entrar nesta ou aquela rede social. Agora é o Facebook. Os amigos vendem o peixe: é divertido, tá todo mundo lá etc.
Sei. O Facebook é 99% igual ao Orkut. A única diferença que importa é que as turbas ainda não invadiram o Facebook. Se e quando chegarem, minha turma já vai ter mudado para outra alternativa, mais moderninha e espaçosa e 99% igual às redes sociais anteriores.
Hoje, surpresa: a maioria das pessoas com quem divido meu espaço de trabalho não eram nascidas quando Thriller estourou.
Ninguém tem muita certeza sobre a sexualidade do moço. Sempre achei que Michael Jackson era gay. Os gays não reinvindicaram Michael para a comunidade, que eu tenha percebido, ainda.
Não tenho problema nenhum com homossexuais. Cada um cai do bonde como quer, como dizia Seu Fiore.
Michael Jackson aprendeu a cantar como um anjo e dançar como um cafetão fazendo shows em puteiros aos oito anos de idade. Levava surra do pai, Joseph, se não se apresentasse bem, se não ensaiasse o suficiente -qualquer razão era boa. Os irmãos Jackson entravam todos no couro.
Michael, o sétimo filho e óbvia estrela do grupo, apanhava mais. Na casa dos Jackson era Deus no céu -Jeová, eram Testemunhas- e Joseph na terra.
Toca o telefone.
Scot - quer almoçar?
Quero.
Ninguém me convida para almoçar. E mal conheço o diretor de redação da Bizz. Scot, José Augusto Lemos, saberei depois, é um homem de gostos refinados. Combino no self-service do Viena, três quarteirões de casa.
A brodagem está em todos os lugares. Até na "Veja", onde meu velho colega de redação Celso Masson, outro dia, definiu "brodagem" de uma maneira meio limitada.
Ele estava falando da qualidade dos novos clipes, e explicou que um clipe lá tinha sido feito na base da brodagem, querendo dizer que foi feito sem grana. Todo mundo se ajudou, trabalhou na faixa e o clipe saiu.
É fácil ver seu primeiro show dos Stones e decretar: "Eles ainda são a maior banda de todos os tempos", etc. É mais fácil ainda relegar os velhinhos ao papel de banda cover mais cara do mundo.
É fácil porque ambas as alternativas são verdadeiras. Especialmente a segunda, se você assistir "Voodoo Lounge" duas noites seguidas.
Sei que um monte de gente de gente que me lê trabalha na área musical. Não só músicos, mas também gente de gravadora, de rádio, de casa noturna, de TV e tal. E sei que tem um monte de gente que lê esta coluna e gostaria de trabalhar na área musical.
Quem gosta de música é, por definição, metido a besta. Não quem gosta de qualquer coisa, ou do que está fazendo sucesso no momento. Quem gosta de música mesmo.