Garota teen de classe média alta, canta em inglês, toca violão direitinho. É descoberta por críticos musicais. Pai esperto investe na carreira da filha, contrata empresário experiente, publicitários compram o hype e patrocinam a mocinha, que lança seu disquinho fraquito e arruma namorado mala e has-been, para desespero da família e fãs.
Prefiro Celli, Ju and Duda. A amiga Ana Luisa me recomendou: "você não é fã de Killers? Tem um trio de carioquinhas que fazem Mr.Brightside no violão, no YouTube, você vai gostar. "
Gosto de Killers. Porque são caipiras, pensam grande, têm a coleção de discos certa e entucham pelo menos três boas melodias em cada canção. Vi ao vivo em 2006, tour do primeiro disco, e já pisavam firme no palco. Made in Las Vegas: entertainers profissionais, nada desse amadorismo de bandinha estreante britânica disfarçado de espontaneidade.
Gostei das meninas, 17, 16 e 15 anos. O repertório é perfeito para a faixa etária. Killers é o que há de mais maduro (essa canção fala de sexo a três, o que as garotas talvez tenham percebido). A versão é a do McFly. Tem mais de 18 mil visualizações no YouTube.
O mundo das meninas é "Crespúsculo", covers de Paramore etc. Só rock pop. Melhor que essa modinha besta de folk gringo de Ms. Magalhães, folk reciclado de Clube da Esquina etc. Me chame de punk velho - não sou nenhum dos dois, claro - mas para mim folk é música de hippie. Pré-elétrica, ou elétrica envergonhada. Rock com violão, gosto de Victor & Leo.
As três mandam bem, mas Duda é a óbvia estrela. A versão de "Decode" demonstra voz poderosa e inglês mais que decente. Bronzeada, sorriso sedutor, falta ser adotada por um produtor rocker que saiba lidar com estreantes. Está quase pronta para a trilha de "Malhação" e, torço, além. Miranda, acho que é você, velho.
Alternativamente, as três podem seguir como trio; ou, mais sensato, prestar vestibular, estudar, trabalhar, casar e ter fofos filhinhos saudáveis e cariocas, que embalarão ao violão com lindos lullabies.
Eu também sempre vejo as coisas pelo lado positivo. Call me Mr. Brightside.
por André Forastieri



















