Fechou ontem a última loja da Virgin nos EUA. No dia do funeral, a megastore da Union Square, em Nova York, promoveu um saldão total com descontos de até 90% e fez a festa dos poucos, muito poucos, que ainda tem algum apreço pelos discos.
Mariah Carey, Avril Lavigne, Clay Aiken, Faith Hill e outros artistas escolheram a rede para lançar seus trabalhos. Eram sessões de autógrafos e shows que seguiam noite adentro, muitas vezes ultrapassando o horário de funcionamento das lojas. Richard Branson, o dono, também tinha paixão pelo que fazia. Uma vez, na inauguração da Virgin Hollywood, ele apareceu vestido de Axl Rose e fez uma performance hilária.
São episódios como esse que transformaram a marca em um símbolo. A Virgin ainda tem algumas lojas na Europa e no Oriente Médio, mas como os Estados Unidos sempre foram o principal alicerce desse símbolo e das lojas de varejo musical em geral, a extinção da Virgin representa também a morte dessa indústria. O fim de uma era.

A crise financeira mundial foi um potencializador desse processo. A Virgin estudava o fechamento de suas lojas já há algum tempo – desde 2000, as vendas de discos sofreram uma amarga queda de 45% - e foi com o baque nas bolsas de valores que a idéia deixou de ser uma opção para se tornar a única saída. Por outro lado, as lojas físicas não têm a menor condição de concorrer em preço com a Amazon nem com o ascendente mercado de música digital.
Para mim, a notícia foi devastadora. Vagar pelos intermináveis corredores de uma Virgin era uma experiência única. Perdia facilmente 3 ou 4 horas olhando capas e ouvindo as melhores bandas dos últimos tempos da última semana, relíquias, desconhecidos e sucessos passados... Foi assim que aprendi a gostar de algumas bandas. Na verdade, foi assim que eu descobri que o universo da música vai muito além das coisas que a gente ouve no rádio. É um mundo infinito.

R.I.P.
por Bel Marcondes












