Se Deus é 10, Satanás é 666

A fé move montanhas (de dinheiro, é claro).

Com o pretexto da salvação a qualquer custo, nem que seja por uns míseros trocados, a gente pode ver de tudo na TVs e rádios hoje em dia. De pastor pregando com os trajes do Superman, passando por igreja evangélica que celebra seus cultos e os intermedeia (nos intervalos) com lutas de vale-tudo dentro do templo, ou até o habitual e clássico chororô dos fiéis em auto-flagelação pedindo a intervenção do Senhor. Se você ver isso com uma visão desencanada dá pra se mijar de tanto rir ao assistir tais programas.

Padre Zezinho

Mas o assunto destas mal batucadas linhas não diz respeito as igreja evangélicas e sim a mais antiga multinacional do mundo: a Igreja Católica. Como boa empresa que se preze, ela encontrou um nicho de mercado a ser explorado por inteiro. Uma oportunidade única e um nicho de mercado que ela ainda não havia se apropriado adequadamente.

As primeiras tentativas mercadológicas foram tímidas, muito restritas à própria comunidade católica ou você vai querer me dizer que já tinha ouvido falar dos grandes sucessos do Padre Zezinho?

Isso começou a se modificar na segunda metade dos anos 90 com o surgimento do feliz, saltitante e onipresente Padre Marcelo que nos brindou com versos surreais e com uma dança que mais parecia uma aeróbica divina.

Ele era presença constante nos programas dominicais da TV. Era um total contra-senso ver rebolativas e voluptuosas dançarinas dos programas em trajes minúsculos fazendo parte daquela "micareta-pudica-celeste" do padre orelhudo.

A ordem era se purificar e louvar o Senhor, mesmo que para isso fosse necessário lavar os pecados de nossa alma numa banheira cheia de sabonetes.
Acho que nem preciso dizer que o Padre Marcelo vendeu muitos discos. Fez fortuna, dou seu cachê para obras da Igreja.

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Depois dele, claro, vieram outros padres metidos a cantores. O talento destes era algo tão evidente quanto o os dotes vocais do MC Créu. E dá-lhe padre Antônio Maria, aquele barbudinho que anda com a imagem de uma santa a tiracolo e só faz casamento de celebridades como Ronaldinho e Cicarelli (mas a Igreja não é contra se separar e casar novamente?), padre Zeca, aquele que dizia, "Deus é dez!!!" (e que inspirou o nome da música do Gangrena Gasosa e que dá título a este texto) e até umas freiras cantando rap divino no programa da Hebe.

Mas já houve música advinda de "inspiração" divina de altíssima qualidade. É impossível não se emocionar ao ouvir artistas que compuseram ou gravaram boa parte de sua obra para Deus (seja lá qual o credo que você, leitor, tenha) gente como Vivaldi, Bach, Haendel, as cantoras gospel do sul dos EUA que influenciaram e muito o rock and roll, o próprio Elvis Presley em certo momento da carreira, Sinéad O´Connor, etc.

Bem, tudo isso é passado. Falemos de presente. Como poderemos notar, as coisas não mudaram tanto assim...
Hoje temos o axé evangélico - seja lá que diabos (ops) isso signifique - com uma feliz e sorridente moçoila pregando as vantagens de se entrar pro rebanho divino ao som de um ritmo reconhecidamente "profano" que movimentas promíscuas micaretas Brasil afora.

Mas quem mais chama a atenção e vende discos, sem sombra de dúvida, é o onipresente padre Fábio de Melo. Imagino que seja impossível alguém não conhecê-lo a essa altura do campeonato, mas para aqueles que não o conhecem, tentem imaginar como seria o cantor brega-romântico Fábio Jr se este cantasse louvores ao Senhor. O padre Fábio de Melo dificilmente é visto de batina ou em trajes "sacrossantos", preferindo um visual à la "metrossexual peão caipira", com corte de cabelo meio moderno, braços torneados em academia e pose de vendedor-galã da loja de departamentos Marisa.

O padreco em questão é figurinha carimbada nos programas de maior audiência da TV "secular" (uso aqui um termo preconceituoso pelo qual a Igreja se refere a quem não faz parte dela) e nos das TVs católicas (Rede Vida, Canção Nova, Século 21) onde celebra missas, profere palestras, sermões e o caralho a quatro.

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Nem é preciso dizer que ele arrebata multidões acéfalas por onde passa e desperta a libido de algumas loucas beatas galinholas dispostas a perder a virgindade aos 40 anos.

Sua música traz arranjos dignos de tecladista de churrascaria, com uma interpretação pretensiosa e entendiante. Posso imaginar no inferno a cena onde satanás se atira ao chão e rola de tanto de rir, "Tudo está correndo como o planejado. Com esse rapaz, Jesus vai querer voltar rapidinho para Terra pra evitar o fim do mundo".

Com um pouquinho de dinheiro e fé (lembrem-se, só a fé nos salvará) pode-se comprar CDs, DVDs, livros, pôsteres e se bobearmos conseguimos até salvação divina com um autógrafo. Mas ao final o que sobra disso tudo?

Muito pouco.

Primeiro porque brasileiro não tem o menor senso crítico do que venha ser música de verdade e segundo porque ele é tudo que as gravadoras mais queriam pra se investir: alguém que fosse bom moço, não entendesse nada de música e que propagasse a idéia ultrapassada de que CD pirata é algo ruim e que Jesus não vai aceitar no céu quem venha a baixar música ilegamente na web ou comprar CD do camelô.

A Igreja Católica na parada de sucesso explica em parte o porque esse país é tão atrasado em vários aspectos. Digamos que é uma "contra-reforma musical". Muda-se pra continuar na mesma.

O padre Fábio de Melo é apenas uma marionete. Logo o povo cansa. Já aconteceu com o padre Marcelo. Depois vem outro. É a vida. Infelizmente.
E pensar que esse povo chato fica querendo nos livrar do diabo... Se isso for o paraíso, putz, eu prefiro a minha "Highway to Hell".

Por Marcelo Almeida

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4 comentários
É ameu caro Lucas e demais ... espero que leve gelo tbm pq
se vc continuar assim vai precisar quer diser...se não
derreter!

Se vc acha que eles fazem algo errado, é sua
opnião mas uma coisa é certa: Todos vamos prestar contas a
Deus por tudo que fazemos!
Agora vc deveria deixar a vida
dos outros e cuidar de sua salvação pois eles não aceitam
dinheiro lá no inferno!
leide // 12.11.09 às 14h35
Se o paraíso está cheio dessas figuras, então já tô no
inferno, fazendo um lanchinho com o cão. hahahahah
Lucas // 16.10.09 às 15h35
Se os cristãos (sejam catolicos ou evangelicos ), CRITICAM
A MUSICA em geral são alvos de critica, se não se tentam
usar esta mesma musica que vocês escutam (e eu também
particucarmente) também são alvos de criticas. E
aí´pegam qualquer ze mané para fazer comparação com
"musica de qualidade" sendo que nem conhecem os artistas
bons do "meio cristão". Depois dizem que só nós somos
preconceituosos. São todos Hipócritas.
Caio // 13.10.09 às 08h16
Caras, outro dia me deparei com o PAGOD GOSP zapeando na
tevê. Caraca, parecia o pessoal do Hermes e Renato fazendo
pagode humorístico em seu programa. RI PARA CARÁLEO!
hihihi
Strato // 06.10.09 às 08h10