

Quer saber tudo sobre o samba de raiz? Fica ligado aqui, um espaço dedicado inteiramente a ele.
“..Boa Noite pra quem é de Boa Noite...”
Salve gente boa! Hoje, eu vou falar um pouco sobre mais um sambista da nova geração: Pedro Miranda. Ele era conhecido pela sua parceria com Teresa Cristina e logo começou a despontar como sambista, chegando com o elogiado álbum “Pimenteira”.
Na verdade, hoje não vou falar quase nada. Eu li um release sobre o trabalho de Pedro Miranda, escrito por nada mais que Caetano Veloso... Então, fico até constrangido de querer falar qualquer coisa. Segue abaixo texto escrito por Caetano:
“Há muito tempo não ouço um disco inteiro com tanto entusiasmo no coração quanto esse 'Pimenteira'. Acho que ouvi Pedro Miranda pela primeira vez numa faixa do CD de Teresa Cristina e fiquei maravilhado com a musicalidade, a cultura entranhada, a naturalidade, o frescor. Comuniquei meu entusiasmo a Moreno e ele me disse que conhecia Pedro: logo eu estava com o primeiro CD de Pedro nas mãos. O CD confirmava a muito boa impressão causada pela faixa no disco de Teresa. De modo que, agora, quando ele me entregou uma cópia do seu novo disco, eu já me pus em alta expectativa. Mas não imaginava que estivesse diante de um trabalho de tamanho fôlego. Considero este um disco de grande artista. É um disco fácil de ouvir, maneiro, agradável, porém tem força histórica intensa e convida a reflexões complexas e tão profundas que nem a deliciosa paródia de texto acadêmico que vem no encarte (a respeito da alegoria deliberadamente ingênua de Edu Krieger, Coluna Social), poderia satirizar. Para começar, o estilo despojado do cantor, sem afetação, sem tiques nenhuns, dá conta de toda a possível cultura crítica atual relativa ao canto popular brasileiro. Voz maleável, incrivelmente confortável nas regiões agudas, ele mostra destreza e agilidade sem que se perceba esforço de sua parte. E o fraseado revela reverência e familiaridade com a história do samba. Mas é a escolha do repertório que ilumina as virtudes do seu estilo. Esse repertório (para cuja feitura ele agradece a colaboração de Cristina Buarque e Paulão 7 Cordas) diz tudo sobre o que deve ser dito a respeito do que vem acontecendo com o samba, desde que este se tornou emblema da musicalidade brasileira (O mito é o nada que é tudo), passando pelo furacão camuflado que foi a bossa nova, e pela sua recolocação no ambiente que o forjou: a boemia que transita entre certos morros e certas áreas do asfalto carioca.
Essa recolocação teve como marco inicial a virada que significou, no meio dos anos 1960, coincidirem as insatisfações de Nara Leão com o surgimento do Zicartola, o início das atividades de compositor de Chico Buarque em São Paulo e o estrelato conjunto de Paulinho da Viola e Clementina de Jesus no Rosa de Ouro. Todos os desdobramentos de Beth Carvalho ao Art Popular, de Zeca Pagodinho ao Psirico, de Arlindo Cruz a Roberta Sá estão homenageados nesse álbum coeso, sincero e de grande visão. O arco de compositores vai de Nelson Cavaquinho a Rubinho Jacobina e, no entanto, a unidade de visão faz de 'Pimenteira' uma obra autoral de Pedro Miranda. As melodias, em geral com sabor de choro a caminho da gafieira (mas sem deixar de fora nem a chula baiana nem o coco nordestino), sustentam um virtuosismo poético que, por força da perspectiva da escolha do material (e da ordem em que ele vem), sugere um gosto pessoal, a um tempo apurado, exigente e espontâneo, que atravessa todo o disco. Dos versos elegantes de Paulo César Pinheiro para a música rica de Mauricio Carrilho (com ecos de Bororó) ao fascinante jogo embaralhado de imagens atuais no samba de Moyseis Marques, passando pela Imagem, de Trambique e Wilson das Neves, e pelo show de bola de Elton Medeiros e Afonso Machado, tudo em 'Pimenteira' transpira grande talento guiado por grande inteligência. O disco fala de tudo o que fala como Nei Lopes fala (na única nota de encarte que não foi escrita por Pedro e Luís Filipe) da série de mulatos que compõem a figura de Compadre Bento: com admiração e intimidade. Terminei citando muitos dos sambas do disco, mas não é por os achar menos interessantes que não citei alguns: todos são de alta extração, todos fazem o CD soar como uma coleção de obras-primas. O que faz com que esse disco ao mesmo tempo pareça o lançamento de um novo autor e uma antologia de clássicos. Na verdade é o disco que já nasce antológico. A colaboração de Luís Filipe de Lima é decisiva na definição dos arranjos e da sonoridade. Sobre ele (e os demais colaboradores musicais e técnicos) Pedro fala melhor do que eu poderia, nas palavras de agradecimento que escreveu.
Quanto a mim, sou mais levado a considerar que a oportunidade foi uma dádiva que Pedro lhes fez. Eu sempre sou citado como elogiador fácil de moças jovens bonitas que cantam samba. Nunca as elogiei sem que achasse justo fazê-lo. Dizer aqui que o CD de um marmanjo, que nem tipo gatinho é, é algo muito mais importante do que o que essas ninfas têm, em conjunto, alcançado deve dar uma ideia do quanto considero Pimenteira um evento especial em nossa música. E, de quebra, pode dar mais credibilidade aos elogios que faço às moças.” (Caetano Veloso).
Gente Boa, estou terminando de montar uma discografia básica sobre samba. Logo, coloco aqui no blog os discos que, na minha opinião, não podem faltar na coleção de qualquer brasileiro.
Forte Abraço e Bom Samba!!
“..Boa Noite pra quem é de Boa Noite...”
Boa Noite pra quem é de Boa Noite...

Este mês que passou, tive a oportunidade de acompanhar dois shows de Diogo Nogueira. Sempre admirei muito o trabalho de João Nogueira e, quando comecei a ver o Diogo cantando, era inevitável fazer a comparação com o pai. Acho que por esse motivo sempre tive um “pé atrás” com relação ao seu trabalho, digo pé atrás no que diz respeito a conhecer a fundo suas músicas e tudo o mais.
Acabava por ouvir algumas de suas canções, mas nunca havia prestado muita atenção. Erro meu, claro! Gostava muito de uma música de seu DVD ao vivo, “Vazio”, ue foi sucesso na voz de Roberto Ribeiro, de quem sou fã. Bom, era mais ou menos isso que eu sabia sobre Diogo Nogueira. Quando tive a oportunidade de acompanhar seus shows, fiquei feliz, pois sabia que seriam ótimos, só não sabia que seriam tão bons.

Realmente o show que Diogo fez no Citibank Hall me fez mudar completamente meus conceitos sobre ele. Foi sensacional, muito bom mesmo. Na minha antiga concepção, seria complicado para Diogo desvincular a imagem de seu pai no que diz respeito a seu trabalho, mas percebi que isso era coisa da minha cabeça. Ele é um artista completo! Um cantor excepcional e tem uma presença de palco que poucos conseguem ter. É extremamente carismático, bem humorado e, ainda, um Sambista completo.
Hoje tenho orgulho em dizer que errei feio. A apresentação foi excelente, são só no que diz respeito à música, mas a produção foi irretocável, o cenário, os músicos, a iluminação, toda a composição de palco... Resumindo, eu recomendo a todos e me arrependo de ter virado fã incondicional de Diogo só agora.

Durante o show do Citibank Hall, tive a maravilhosa companhia de Cintia Ferreira, minha amiga e excelente fotógrafa, que fez questão de registrar muito bem o espetáculo. Para quem quiser ver todas as fotos fica aqui o endereço do Flickr da Cintia!
Até o fim desta semana, volto com mais Samba!!
Forte Abraço e Bom Samba!
“Boa Noite pra quem é de boa noite...”

Parabéns, Jorginho Cebion!!
Na última segunda-feira, foi aniversário de uma das figuras mais conhecidas no mundo do samba, o bom humor em pessoa, Jorginho Cebion, um dos maiores percussionistas do Brasil.
Pra quem não conhece, uma figura, a personificação do sambista malandro, de fala mansa, sorriso fácil e contagiante, simpático, carismático, galanteador, xavequeeeiro... Resumindo, uma figura.
E como não podia deixar de ser, uma data como essa não pode passar em branco, e não passou.
Muito samba, muito chope, muitas risadas.
No Bar do Alemão, reduto do samba paulista (bar esse que merece um post só sobre sua história), aconteceu a comemoração: Cebion chegou cedo e fez questão de cumprimentar todos que estavam no bar, e assim foi de mesa em mesa, de chope em chope.
Por volta das 22h, Serginho Arruda começava a dedilhar o violão, chamando os músicos para começar.
Metade do bar acabou participando da roda, mas eles ficaram por mais tempo tocando Serginho Arruda no violão, Paulinho também no violão e na percussão, Bré na percussão e Mapiu também na percussão. Quando eu digo percussão, eu quero dizer pandeiro, agogô, chocalho, bongo, ganzá, tamborim, etc.
Mas é claro que quem não parou de tocar um segundo foi o homenageado da noite, Cebion. Só parou de tocar o pandeiro quando pegou o tamborim e, entre uma música e outra, ele levantava para cumprimentar quem chegava, isso quando ele esperava a música acabar. Ele levantou por várias vezes para ver quem estava chegando, e isso sem parar de tocar, demostrando que seu inigualável talento continua a todo o vapor no auge dos seus 72 anos.
Música boa foi o que não faltou, um dos momentos mais marcantes foi quando dona Inah cantava “Ainda Mais” e Eduardo Gudin, compositor da música, entrava no bar. Gudin que não se segurou e em menos de 20 minutos já estava com um tamborim na mão.
E assim foi, em clima de descontração total, em meio aos amigos, que Cebion completou seus 72 anos de vida dedicada ao samba.
Por volta de meia-noite Serginho Arruda entoava o “parabéns a você”.
Bolo partido, Cebion era só sorrisos e, do lado de fora do bar, acendia seu cigarro de palha, enquanto Paulinho Arruda contava “causos” da carreira de Cebion.
Tive um muito bem-humorada conversa com o homenageado da noite, entre um chope e outro:
Cebion - “Hiii mermãoo, faz tempo hein, (Risos) acho que comecei com 14, é foi com 14”
”Mas já toquei com gente demais. Teve uma época, nos anos 60, acho, que era mais fácil contar quem eu não tinha gravado, do que com quem eu tinha gravado.”
“Já gravei com Ataúlfo Alves, Beth Carvalho, Nélson Sargento, Clementina de Jesus, Nélson Cavaquinho, Vânia Bastos, muita gente, pra você ter uma ideia eu comecei com o Gudin. Ele tinha 16 anos, ele já tem quase 60 acho, só não fala isso pra ele (risos).”
“Teve uma época que era assim, eu saia da RCA, ia direto pra Gazeta e de lá pra Odeon, nesse ritmo, às vezes, nem ia pra casa, arrumava um canto por ali mesmo e ficava.”
Perguntado sobre as mulheres...
“Ah você sabe, né, velho volta a ser criança, então me arrumei com uma pediatra né?!(RISOS)”
“Ela tem 39 anos, fala que me ama, e não fala só pra mim não, fala pra todo mundo” (Risos)
“Esses dias, eu e ela andando de mão dada, me passa umas velhas e ficam cochichando, tive que falar alguma coisa né, falei assim: A senhora não liga não, que até Deus duvida. (Muitos Risos).”
E foi assim, rindo muito, contando histórias e com muito samba, o aniversário de um dos melhores percussionistas do Brasil, Jorginho Cebion!
Cebion, meus parabéns e muito obrigado por existir.
Forte Abraço.
Boa noite pra quem é de boa noite...

Salve gente boa!
Hoje, volto um pouco a falar sobre a nova “safra” de sambistas.
Nova safra entre aspas, literalmente, pois nem todos os nomes que eu irei citar durante essa série de posts são novos no samba, mas ainda não apareceram para o “grande público”. Por isso, eu cito como novos nomes.
Ok?
Então vamos lá.
Hoje eu falo um pouco do trabalho de uma genuína sambista de talento: Adriana Moreira.
Eu sempre acompanhei o trabalho de Eduardo Gudin, que eu tenho como um ídolo, inclusive tenho tatuada uma de suas músicas “Sempre se Pode Sonhar”. Há algum tempo ouvindo o CD “Um jeito de fazer Samba”, de Gudin, me deparei com uma música chamada “Desprevenido”.
Música linda, linda mesmo. Mas o que mais me chamou a atenção foi a voz que entoava a canção.
De ouvido não consegui descobrir de quem era aquela voz, e só sosseguei depois que descobri. Essa voz pertence a nada mais, nada menos, que Adriana Moreira.
Voz linda, doce e ao mesmo tempo forte e marcante, daquelas que qualquer um pode ficar por horas e horas ouvindo a mesma música sem enjoar!
Descoberta a dona da voz, fui então atrás de mais!
E encontrei mais, muito mais. Entre outras coisas, um disco, “Direito de Sambar”, disco esse inteiramente dedicado à obra de Batatinha. Com certeza um obra-prima, no que se diz respeito à valorização e dedicação à nossa cultura. E, é claro, um espetáculo de voz e interpretação musical.
Não tenho palavras e acho que nem existe alguma definição exata para o talento de uma pessoa, principalmente quando falamos de pessoas que transbordam talento, como é o caso de Adriana Moreira, então... Sem mais enrolação e bla bla bla. Com vocês:
Adriana Moreira canta Eduardo Gudin - “Desprevenido”:
Seguem abaixo dois links para os sites da cantora, onde se encontram mais informações sobre sua carreira e também para contato.
http://myspace.com/adrianamorera
http://adrianamoreira.blogspot.com
Forte Abraço a todos e bom samba!
“Boa noite pra quem é de boa noite...”

Sensacional , uma palavra resume bem, Sensacional.
Assim eu descrevo o show de Paulinho da Viola, que aconteceu sábado passado, no Credicard Hall, aqui em SP.
Paulinho encantou a todos com os seus excessos, dois na verdade, excesso de Talento e de Humildade.
Calmo, tranquilo e com um semblante sereno, cabelo branquinho, terno bem alinhado, foi assim que se apresentou Paulinho.
Não cabem palavras para descrever com exatidão o show, mas eu vou tentar.
Por todo o auditório nada se ouvia, só se sentia um silêncio apreensivo. Quando Paulinho entrou no palco, sobravam palmas e euforia. Euforia essa que foi se acalmando pelo sincero sorriso que Paulinho a todos mostrou.
E assim foi. Intimista, Paulinho cativou a todos na plateia, fez questão de lembrar de parceiras, comentou sobre a história de muitas músicas, o que tornou ainda mais interessante escutar e não só ouvir as canções.
Muito à vontade, falou da “União de Jacarepaguá”, escola que já defendeu. Falou de parcerias, como a com Eduardo Gudin, que gerou a música 'Ainda Mais'.
Resumindo, entre uma música e outra ele explicava um pouco sobre seu modo de compor, suas experiências, suas parcerias, e até “reclamou” que lhe serviam água de coco, em vez de “um bom whisky”.
Acompanhado de músicos que individualmente já fariam um belo show e que Paulinho apresentou um a um, eu destaco dois: Cristina Buarque, no backing vocal; e Esguleba, na percussão, que Paulinho disse ter “roubado” de Zeca Pagodinho.
Entre risos e descontração, teve um momento que me chamou a atenção.
Quando Paulinho começou a dedilhar em seu violão 'Sinal Fechado', nada se ouvia, nada mesmo, ninguém ousava respirar um pouco mais forte. Foi um momento ímpar, eram só Paulinho e um silêncio absoluto. Esse momento é com certeza o que mais ficou marcado na minha memória, espero algum dia ter oportunidade de passar por isso de novo.
Podeira ficar horas e horas falando sobre o show, mas com certeza não conseguiria descrevê-lo por completo, só posso repetir que foi SENSACIONAL !
Gostaria de agradecer a Carol Tavares, o Brunno Constante e ao Rafael Frank, pelo show. Muito Obrigado!!
No próximo post, continuo a falar sobre os novos nomes do Samba!!
Forte Abraço.
Bom Samba!
