

O Blog do Rafa é o lugar em que eu, Rafa Losso, escrevo pensamentos, histórias, notícias, e idéias. Ele é feito de cultura pop, tecnologia, opiniões e comentários, desde 02/2004.
No meu post anterior sobre a morte de Michael Jackson escrevi que as falhas de uma cultura são expostas no horário nobre, quando perde um artista da importância de Michael Jackson aos 50 anos de idade.
Esse post é sobre uma das nossas falhas de caráter coletivo, e que vem sendo apontada nesse momento como a provável causa da morte de Michael: uma overdose de medicamentos.
A indústria farmacêutica nesse momento é alvo da desconfiança de um planeta inteiro. E sabe que tem motivos de sobra para considerar-se ameaçada por ter sido responsável pela perda da vida de Michael Jackson.
Nesse instante uma quantidade muito absurda de substâncias químicas é bombeada no sangue da América. Temos orgulho da nossa cilização ocidental rodeada de máquinas cada vez mais pesadas, poluentes e barulhentas, enquanto silenciosamente nos dopamos para que nossos organismos aguentem os frutos da nossa sofisticação.
A todo momento somos lembrados que temos à nossa disposição um número infindável de analgésicos, antidepressivos, relaxantes, estimulantes, anabolizantes, antibióticos, tônicos, inalantes, barbitúricos, anfetaminas, pomadas, gels, cremes, prontos para servir de atalho e sanar todo o tipo de desejos, frustrações, e limites físicos e mentais que possamos encontrar. Silenciosamente, as pílulas e seringas nos tornam seres absolutamente incapazes de lidar com a DOR, enquanto esta vira fonte dos nossos maiores terrores.
Michael Jackson morreu como Elvis Presley. Isso significa que passaram-se mais de 30 anos e não evoluímos em nada sobre a questão da nossa dependência quiímica. Continuamos nos dopando ao invés de tomarmos responsabilidade sobre nossas chagas.
Afinal, as soluções químicas são muitas, rápidas e baratas. Basta uma dor de cabeça para corremos à farmácias e amulatórios como única maneira de encontrarmos a cura. Donas de casa, operários, escritores, políticos, crianças e adultos, não importa.
Se desde crianças aprendemos a depender do que está escrito na bula, quanto mais idosos ficamos mais desesperadamente necessitamos da ajuda do receituário. A vida de qualquer senhora de 70 anos depende de uma lista monstruosa de remédios para suprir carências do corpo humano, muitas delas provocadas pela falta de alimentação suficiente, exercícios adequados, e toda uma gama de falhas que nunca aprendemos a suprir porque estávamos muito ocupados em usarmos o conhecimento adquirido pela nossa ciência para produzirmos mais remédios que simplesmente compensassem por nossos comportamentos irresponsáveis.

No caso de Michael Jackson a morte não veio através de bolinhas coloridas ou colheradas amargas. Demerol é o nome do remédio, que chegou a ser citado por Michael na letra da música "Morphine", do disco "Blood On The Dance Floor":
"Relaxe, isso não irá machucá-lo
Antes que eu injete isso em você
Feche os seus olhos e conte até dez
Não há necessidade de se sentir desencorajado
Feche os olhos e flutue para longe
Demerol, Demerol
Oh, Deus, ele está tomando Demerol
Demerol, Demerol
Oh, Deus, ele está tomando Demerol"
(Quantas vezes você já não ouviu isso sobre qualquer medicamento? )
O uso de Demerol por Michael Jackson teria começado em 1984, e pode ajudar o mundo a finalmente compreender o comportamento histérico do cantor.
Demerol é um narcótico, como a codeína, a metadona, a morfina o percodan e o ópio. A origem é a papoula de ópio (ou sintética), e seus efeitos incluem relaxamento, alívio da dor e da ansiedade, diminuição da consciência, euforia, e incluem alucinações, delírios, ataques epilépticos e outros efeitos neurofisiológicos.
Os riscos de dependência física e psicológica são altos.

Compartilhamos uma cultura que não sabe dosar o uso de drogas e que tem sérias questões políticas, biológicas e filosóficas, mas que teima em não encarar, discutir e solucionar. Assim, proibimos o uso de determinadas substâncias e encorajamos o abuso de outras muito mais perigosas e prejudiciais.
Enquanto isso assistimos a deterioração, um à um, dos nossos grandes talentos, justamente aqueles que deveriam elevar e revelar, através de sua arte e sensibilidade, o que de melhor temos para produzir.
Nós somos mesmo muito ridículos.




















