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O Blog do Rafa é o lugar em que eu, Rafa Losso, escrevo pensamentos, histórias, notícias, e idéias. Ele é feito de cultura pop, tecnologia, opiniões e comentários, desde 02/2004.

 


Michael Jackson e o confuso luto pelo patinho feio

26/06/2009 - 13:21

Neverland

Já estamos acostumados a perder aqueles que chamamos de estrelas. Em nossa era pós-pré-alguma-coisa, acostumados a seguir a história das pessoas como se fosse ficção. Como se fosse mentira.

Usamos a interpretação de cronistas e blogueiros para levarmos nossa imaginação além, e para que possamos acreditar que a realidade lá fora á bem menos estúpida e comum do que nós vemos com os olhos. Dependemos do sonhos que alimentamos nos outros, para não precisar expôr os nossos.

Nós somos ridículos.

Mas não somos os vilões da história de  Michael Jackson. Uma história que toda a humanidade acompanhou, dos mais radicais terroristas árabes muçulmanos que assistem Al-Jazeera o dia inteiro passando por (insira aqui seu cliché preferido, de preferência de uma nacionalidade distante, estranha, "bizarra").

A história de Michael Jackson é fantástica demais para que tenhamos algo a ver com ela. Quantas pessoas no mundo mudaram de raça? Quantas foram tão reprimidas à ponto de perder a identidade sexual? Quantas poderiam entrar em qualquer bar, café, cinema, restaurante do planeta e causar um choque imediato?

O mundo precisava de Michael Jackson. E Michael Jackson estava lá.

Quando tudo parecia sujo e feio, Michael Jackson estava lá. Quando a música precisava dar um passo à frente. Quando a dança precisava de um herói. Quando os tablóides precisavam de um escândalo.

Inflamos o ego dele para que acreditasse desde criancinha que nós sempre estaríamos por perto se ele precisasse. Não estávamos.

Ninguém segurou Michael Jackson quando ele desabou no chão, de uma hora pra outra, nessa quinta-feira.

Uma hora depois, milhares estavam em frente ao Hospital Universitário de Los Angeles. Já era tarde.

Quantos daqueles milhares tinham um ingresso da turnê de Michael Jackson em uma gaveta em casa?

Quantos dançaram o Moonwalk na frente do espelho?

Michael Jackson foi uma invenção. Historicamente, um mito construído pelos esforços coletivos de uma assessoria "ousada", que desenvolveu uma estratégia extremamente agressiva de marketing, e que criou um formato inédito. A idéia foi lançá-lo com estardalhaço, em produções de encher os olhos, e confiná-lo ao isolamento e ao silêncio minutos depois.

Michael Jackson nunca teve ninguém. E acreditava que é assim que se vive.

O bunker de Michael Jackson era intencional: se não pudesse falar com ele, a imprensa teria que inventar notícias para suprir à demanda imensa criada em sua audiência (nós), que, por usa vez, teria que transformar imaginação em esquizofrenia  para passar e encaixá-lo mesmo na especulação mais exdrúxula, já que não havia outra escolha. Os boatos mais absurdos passaram a ser publicados, e eram acompanhados (aumentados, por vezes) pela mesma assessoria. Foi a aplicação do princípio "fale mal, mas fala de mim" em uma escala absurda e surreal.

É claro que perdeu-se o controle.

Em pouco tempo, ninguém mais sabia no quê acreditar. De boatos ingênuos e inofensivos (Michael Jackson teria mesmo comprado o esqueleto do homem-elefante? Dormia em uma bolha de oxigênio? Estava virando a Elizabeth Taylor?), em pouco tempo passou a realmente chocar e escandalizar mesmo o mais apaixonado fã, quando surgiram as tais denúncias de pedofilia.

Pode ser que Michael Jackson tenha feito todas essas coisas. Mas também pode ser que a imaginação e a empolgação de alguém perto dele, pode ser que a adrenalina e a fantasia provocada pela presença dele transformava todo o resto em ordinário, descartável, chato.

Pode ser que Michael Jackson viciasse. Depois de entrar em seu círculo mas próximo, pode ser que a rejeição ao ver que ele passou a preferir outra pessoa fosse dolorosa o suficiente para que uma criança simplesmente acreditasse que realmente foi molestada. E talvez moralmente e psicologicamente a proximidade com uma estrela tão grande e polêmcia fizesse mesmo mal.

Percebe como não sabíamos no que acreditar em relação à ele?

Por isso mesmo, na tarde de ontem, quando a notícia foi publicada por um tablóide, ninguém sabia como reagir. Seria verdade? Mentira? A tão esperada confirmação nunca vinha. Enquanto isso, piadas eram feitas. E uma simples busca no Google ou no Twitter era suficiente para revelar o melhor e o pior do que somos capazes.

Faça um exercício: procure por uma imagem de Michael Jackson no Google Imagens. Vai lá. Eu espero.

Depois de dar uma folheada, quantas piadas você encontrou? Dessas, quantas eram boas? Quantas eram absolutamente idiotas?

Fazer todos acreditarem no impossível, como ele fez, teve uma consequência devastadora. Perdemos a referência pela ilusão. Acreditamos que poderíamos voar. E as pessoas riram de nós.

Somos ridículos se acreditarmos que não temos nada a ver com isso.

Quando uma estrela morre aos 50 anos as falhas da cultura que produziu o seu brilho, poliu seu talento e premiou suas conquistas são imediatamente expostas. Nesse caso, a nossa. Mas não adianta fazermos nada a respeito agora.

Agora é hora de luto.

por Rafa Losso


Tags: esquizofrenia, fantasia, histeria, imaginação, loucura, luto, marketing, michael jackson, mito, morte
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71 comentários

Perdemos um grande músico Pop , mas de
certo ele estará brilhando no coração de todos
. Uma pessoa que ajudou o mundo inteiro e fez o eu
trabalho aqui na terra . Valeu Michael à onde vc
estiver em algum lugar .

Giselle de Brasília .


30/10/2009 .



Giselle Moreira Correia . // 30.10.09 às 15h57
Parabéns!
Muito inteligente esse post.
E pra
falar,a verdade eu até me sinto meio culpada.
Clarisse // 25.07.09 às 22h22
Parabéns!
Muito inteligente esse post.
E pra
falar,a verdade eu até me sinto meio culpada.
Clarisse // 25.07.09 às 22h22
Parabéns!
Muito inteligente esse post.
E pra
falar,a verdade eu até me sinto meio culpada.
Clarisse // 25.07.09 às 22h22
Parabéns!
Muito inteligente esse post.
E pra
falar,a verdade eu até me sinto meio culpada.
Clarisse // 25.07.09 às 22h22
Parabéns!
Muito inteligente esse post.
E pra
falar,a verdade eu até me sinto meio culpada.
Clarisse // 25.07.09 às 22h22
Parabéns!
Muito inteligente esse post.
E pra
falar,a verdade eu até me sinto meio culpada.
Clarisse // 25.07.09 às 22h22
O Michael é o exemplo de como a fama pode
destruir a vida de uma pessoa!! Ele foi explorado
ao máximo; explorado pela família, mídia,
empregados e até crianças(sendo acusado de
pedofilia)! Como muitos astros que começaram na
infância teve um final triste! Mas oq fica agora
é a música e as mudanças maravilhosas que ele
fez na cultura se tratando de mùsica!
Isa // 03.07.09 às 05h29
Um dos seus melhores posts, Rafa.
O engraçado é
que a maioria das pessoas só começou a sentir
pena do MJ após a sua morte, pois sim, ele foi
uma vitima do POP, um vitima do show business, e
nós assistimos e alimentamos tudo isso.
Eu
confesso ter ate sentido um remorso por, como vc
disse, não ter estado la quando ele caiu.

O
consolo é pensar que nada disso importa mais, e
que ele será sinceramente lembrado pela sua
obra.
É da natureza humana só dar valor depois
de perder.
elderalgarve // 30.06.09 às 21h55
Olha.. Metade a metade, metade do q vc escreveu
está certo, a outra metade não... Mas, ok... Tem
grandes verdades aí..
Allison_MG // 29.06.09 às 16h59
Olha.. Metade a metade, metade do q vc escreveu
está certo, a outra metade não... Mas, ok... Tem
grandes verdades aí...
Allison_MG // 29.06.09 às 16h58
Olha.. Metade a metade, metade do q vc escreveu
está certo, a outra metade não... Mas, ok... Tem
grandes verdades aí...
Allison_MG // 29.06.09 às 16h57
Olha.. Metade a metade, metade do q vc escreveu
está certo, a outra metade não... Mas, ok... Tem
grandes verdades aí...
Allison_MG // 29.06.09 às 16h56
Olha.. Metade a metade, metade do q vc escreveu
está certo, a outra metade não... Mas, ok... Tem
grandes verdades aí...
Allison_MG // 29.06.09 às 16h55
Parabéns por expor parte da sujeira que vivemos,
somos hipócritas, só damos valor quando perdemos
algo que necessitávamos e ao mesmo tempo não
conseguíamos enxergar. Digo isso pois a sua
ascensão fez parte de minha infância, porém
como muitos, nos esquecemos de quem ele era, e de
tudo de bom que tinha nos proporcionado. Vivemos
numa sociedade egocentrica, sangue-suga. Só
servimos enquanto estamos fazendo algo de bom,
depois quando precisamos nos viram as costas !
Deus tenha misericórdia de nos !
William // 29.06.09 às 16h01
É isso mesmo, Rafa. Gosto muito da sua
percepção com as palavras. Mais uma vez você
foi excelente!!!
Neuseli // 28.06.09 às 13h22
É isso mesmo, Rafa. Gosto muito da sua
percepção com as palavras. Mais uma vez você
foi excelente!!!
Neuseli // 28.06.09 às 13h15
Realmente vc é ridiculo!!!!
Blablablablabla
Lívia // 28.06.09 às 12h56
Achei esse texto muito cheio de inferencias
baseadas em percepções e fantasias do autor. Sem
mais.
Clayton // 28.06.09 às 01h47
FANTASTICO
Milena // 27.06.09 às 16h02
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