O Blog do Suplicy é o lugar onde o Senador Eduardo Suplicy escreve sobre política e cidadania de maneira simples e direta.
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A concessão pelo governo brasileiro de asilo político ao italiano Cesare Battisti ocupou grande parte da mídia. Conheci Battisti em abril de 2007, quando veio para Brasília. Fui visitá-lo várias vezes no cárcere da Polícia Federal e na penitenciária da Papuda, onde estava detido.
Diante da repercussão do caso, escrevi ao embaixador italiano no Brasil, Michele Valensise, informando-o da minha disposição de ir à Itália para expor às autoridades as razões que fundamentaram a decisão do governo brasileiro. Também sugeri um encontro com o Primeiro Ministro Sílvio Berlusconi, se assim ele considerar adequado. Como Senador de origem italiana, bisneto de Francesco Matarazzo e neto de Andréa Matarazzo, que vieram para o Brasil em 1881, e representante, pela terceira vez, no Senado, do povo São Paulo, estado com a maior colônia de imigrantes italianos no Brasil, considero importante que a relação entre os países não seja afetada.
Sugeri que o diálogo com o Primeiro Ministro Sílvio Berlusconi se dê em companhia da escritora, arqueóloga e historiadora Fred Vargas, que estudou em profundidade a vida de Cesare Battisti e recolheu informações suficientes que possibilitaram concluir que ele não cometeu os quatro assassinatos pelos quais foi acusado. Fred Vargas tem documentos comprovando que Battisti não teve a devida defesa em seu julgamento.
Notei que na representação apresentada pelo defensor Nabor Bulhões, em nome do governo italiano, não existe menção a qualquer testemunha que tenha visto Cesare Battisti participar dos quatro assassinatos. A única denúncia foi feita pelo Sr. Pietro Mutti, que se utilizou do beneficio da delação premiada, após o quê obteve a liberdade e desapareceu.
Tenho a certeza de que a Itália vai respeitar a decisão do governo brasileiro da mesma maneira que respeitou a decisão do governo francês, quando da concessão de asilo, no ano passado, à Marina Petrella, ex-membro das Brigadas Vermelhas. Assim como o “Proletários Armados pelo Comunismo” (grupo ao qual Cesare pertenceu), esse grupo optou pela luta armada contra o governo italiano nos anos 70. Não há razão para que os italianos agora queiram retaliar o Brasil, cujos laços de amizade são profundos e de longa data.




















