

Maxの家 - Max no Ie é a casa do Roberto Maxwell no Portal MTV. Aqui, você vai conhecer como um brasileiro se vira no Japão, em meio a gueixas, sushis, mangás e kanjis.
Fala aí, galera antenada da MTV. O Max No Ie está empolgado essa semana. Dessa vez, sempre buscando coisas sobre o Japão que você não vai ver em outro lugar, a gente trouxe para vocês uma pequena amostra do teatro independente do Japão. Eu e meu parceirão Rafael Irie fomos assistir o espetáculo Ano Hito No Sekai 「あの人の世界」criado pelo diretor Shu Matsui, do grupo Sample. Produzido especialmente para o Festival Tokyo Outono, o trabalho dá uma pista do que rola por aqui entre os grupos experimentais e alternativos.

(Aliás, vale um parênteses para a gente falar do festival. São duas edições no ano - na primavera e no outono - sempre dando espaço a grupos que privilegiam a pesquisa de linguagem. Este ano, um grupo brasileiro - o Grupo de Rua - foi um dos convidados.)
Só para dar uma situada, o diretor Shu Matsui tem 37 anos e começou a carreira dele como ator. Suas duas primeiras peças - Tsūka「通過」e World Premium 「ワールドプレミアム」- receberam o importante prêmio para novos autores da Japan Playwriters Association.Em 2007, ele fundou o grupo Sample e com o espetáculo Kazoku no Shōzō 「家族の肖像」foi indicado ao prêmio Kunio Kushida. Uma de suas peças foi traduzida e encenada na França. Matsui também é professor do departamento de literatura da conceituada Universidade Waseda.

Já falamos muito, dá uma sacada na matéria que a gente produziu para vocês.
Acaba de ser lançado aqui no Japão o EP Maki Takai No Jet Lag que, como o nome já anuncia, é uma parceria entre as cantoras Fernanda Takai e Maki Nomiya. O disco foi gravado no Brasil e no Japão e, como a Maki me contou numa entrevista exclusiva que você já viu aqui no Max No Ie, a internet foi grande aliada na parceria.

São cinco canções, apenas uma inédita: Nagoya, composta por John Ulhôa, Fernanda e João Donato e com letra em japonês da Maki. A música é uma balada que fala de uma viagem de trem que começa em Hokkaido, no norte do país e termina em Nagoya, na região central. Uma curiosidade: Hokkaido é a província de origem da Maki Nomiya.

© Fabiana Figueiredo e Pierre Devin
Hitori Ni Shite Ne 「ひとりにしてね」é uma regravação de uma música do estilo kayo 「歌謡」do período Showa e é a melhor canção do disco. Maki me contou que a Fernanda queria gravar uma música japonesa antiga e apresentou a ela uma série de gravações. Na faixa, as duas cantam em japonês.
As duas também decidiram visitar o repertório das bandas que as projetaram. Do repertório do Pato Fu veio Saudade, gravada em Isopor, o quinto disco da banda de 1999. A faixa ganhou um arranjo gostoso e quase lounge. Nela, Maki canta em português.

Da safra do Pizzicato Five veio Message Song 「メッセージ・ソング」de 1996, criada para o programete Minna No Uta 「みんなのうた」da NHK - a rede pública de comunicação do Japão. A faixa tem um arranjo bem naïve, característica do shibuya-kei 「渋谷系」, o estilo que o Pizzicato criou e que foi uma das inúmeras influências do Pato Fu.

© Gabriela Lima
Fecha o EP uma versão ao vivo de Kobune 「小舟」, a versão em japonês para O Barquinho, música de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, gravada originalmente por Fernanda Takai no elogiadíssimo álbum Onde Brilham Os Olhos Teus. A faixa foi gravada no Eletronika Festival que rolou em Belo Horizonte no ano passado.
O álbum foi produzido pelo John Ulhôa e ainda não sei dizer se vai sair no Brasil e quando. Assim que souber, faço um update por aqui. Enquanto isso, assista a matéria exclusiva com a Maki Nomiya feita durante as gravações de uma das faixas aqui no Japão.
Conheci o diretor Kore-eda Hirokazu com o famoso Ninguém Pode Saber 「誰も知らない」. Não posso negar que fiquei encantado com a película embebida na estética do neo-realismo italiano, uma estética que anda esquecida nesses tempos de cortes rápidos e efeitos especiais. Não foi sem surpresa, porém, que eu recebi esse Kūki Ningyō 「空気人形」, a nova película do diretor, ainda em cartaz por aqui.

O Japão é conhecido por sua indústria sexual. É o segundo país do mundo que mais consome produtos relacionados ao sexo. Num extremo oposto, pesquisas mostram que os japoneses estão em baixa quando o assunto é a prática sexual. Isso sem contar com a baixíssima natalidade que, apesar de não ter relação direta com a "falta de sexo" em si, não deixa de ser uma consequência dela. Explorar, portanto, o universo da relação do japonês com o sexo é tanto um lugar comum quanto uma necessidade urgente.
"Kūki ningyō" quer dizer "boneca inflável", um dos itens "sexuais" mais populares entre os homens no Japão. No filme de Kore-eda, a boneca não é apenas um objeto de seu dono. É a protagonista que, ao tornar-se gente, contraria as fantasias e expectativas de muitos homens que preferem o sexo com um ser inanimado, sem desejos nem opiniões. Me lembra, aliás, um taxista com que eu viajei quando fazia uma matéria numa pequena cidade da província de Shizuoka. Ele me perguntara se eu era casado. Respondi que não e ele contra-argumentou:
- Eu te entendo. As mulheres de hoje são muito urusai 「うるさい」.
"Urusai" quer dizer "barulhento". As mulheres de hoje, na opinião daquele senhor taxista, "falam demais", o que pode ser interpretado como "querem demais".

"Querer" é exatamente o que Kore-eda confere à sua boneca inflável. Encantada por uma gota de chuva, ela se transforma em gente e começa a explorar o mundo. À noite, porém, quando seu "dono" retorna, ela ocupa novamente sua posição até ser descoberta. Kore-eda não é feminista. Em alguns momentos, a boneca-gente não sabe o que fazer com sua humanidade. Tem situações em que não consegue dizer "não" à sua "função" inicial. É uma mulher em conflito, que procura um novo lugar numa sociedade com papéis bem definidos.
Além da narrativa mágica, Kore-eda constrói planos de beleza poética. O diretor não se importa com movimentos de câmera radicais ou com enquadramentos malabarísticos. Não importa. Há uma história consistente e, principalmente, uma atriz à serviço da cena. Aliás, a escolha da coreana Bae Doona 「배두나」 para o papel principal é um dos grandes acertos da película. O filme conta, ainda, com o onipresente Odagiri Joe「オダギリ•ジョー」, um dos atores mais significativos e interessantes do cinema contemporâneo japonês. O personagem dele aparece lá pelo final do filme e eu prefiro não falar muito sobre ele para não entregar a surpresa.

Fique de olho nos festivais que, com certeza, algum deles deve levar esse filme para o Brasil.
Assista o trailer:

Única construtora japonesa a participar do Mundial de Fórmula 1 em 2009, a Toyota anunciou sua saída das pistas na temporada do ano de 2012. Ano passado a Honda foi uma das baixas mais sentidas no circuito da F-1. Segundo a Kyodo News, a saída da Toyota é resultado das perdas que a empresa vêm sofrendo nos últimos anos.
O presidente da empresa, Akio Toyoda, afirmou em entrevista coletiva ontem que não teve outra escolha a não ser sair da competição devido aos problemas econômicos. Toyoda é um fã de automobilismo e já participou de competições no Japão e no exterior. O executivo da empresa Tadashi Yamashima chegou a chorar durante o anúncio da retirada da empresa das competições de F-1.
A empresa quer investir, agora, no seu negócio principal que é a produção de veículos. O objetivo da companhia é investir em carros limpos e de baixo custo visando os mercados chinês e italiano.
Segundo a Kyodo, a Toyota, que participa da F-1 desde 2002, participou de 140 competições e subiu ao pódio 10 vezes. Mas, nunca chegou em primeiro.
Te irrita o slogan "Halloween é o cacete! Viva a cultura nacional!"? Pois você ficaria chocado ao ver os incidentes ocorridos no último dia 31 de outubro na estação de Shinjuku, o centro das decisões da capital japonesa. A data é relembrada em vários lugares do mundo como o Dia das Bruxas e passou a ser celebrada por jovens japoneses (e de muitos outros lugares do mundo) com fantasias e muita irreverência. Na cidade de Tóquio surgiu um outro "movimento": o Halloween na Yamanote-sen, a linha circular que passa nos bairros mais centrais da capital japonesa. O plano, este ano, era, no dia 31, embarcar no trem das 9 da noite na estação Shinjuku com direção a Ikebukuro, há alguns minutos no sentido norte. Anualmente, grupos de estrangeiros tentam organizar a festa que, em anos anteriores, gerou problemas com passageiros e com a polícia. Nas fotos abaixo, do evento do ano passado, teve gente que tirou a roupa!!!

imagem publicada pelo site "Matome"
A notícia se espalhou rapidamente e a reação foi imediata. Ultra-nacionalistas abriram fogo contra os estrangeiros na internet, em especial no fórum conhecido como 2-chan, um dos espaços mais livres da internet japonesa. Quem conhece o livro/filme/série Densha Otoko 「電車男」sabe o que é o fórum. O teor das mensagens era ameaçador. Usuários juraram de morte os gaijin 「外人」, ou seja, estrangeiros que estivessem na organização do evento. Argumentos contrários a esse tipo de violência também foram postados.

imagem publicada pelo Japan Probe
O 2-chan já é um conhecido fórum de contravenções e organizações com fins, digamos, não muito nobres. Grupos de suicidas, por exemplo, costumam combinar ações coletivas pelo 2-chan. A polícia monitora o fórum com frequência. Na noite do dia 25, a estação de Shinjuku conheceu um dia atípico. Segundo relato publicado no site do ativista Debito Arudou, grupos de homens e mulheres japoneses munidos com câmeras fotografavam estrangeiros no trem. O controvertido blog Japan Probe reproduziu um comentário no 2-chan que relatou que os manifestantes carregavam cartazes com mensagens dizendo "Fora, estrangeiros! Vão para o inferno". Outras mensagens traziam frases como "esse país não é branco" e ofensas aos membros de religiões cristãs protestantes.

imagem publicada pelo Japan Probe
O protesto foi apoiado pelo grupo entitulado "Sociedade para a Restauração da Soberania" que vem se envolvendo em diversas questões com o objetivo de "defender os interesses do Japão". Há alguns meses, o grupo organizou um protesto contra uma palestra na qual se ensinava a uma turma de crianças sobre os abusos cometidos por soldados japoneses contra mulheres de diversos países asiáticos, caso conhecido como "as mulheres de conforto".
Na verdade, as ações se intensificaram nesta última semana devido ao anúncio do gabinete novo primeiro-ministro Yukio Hatoyama que afirmou ser a favor da participação de estrangeiros nas eleições. Durante a semana, os grupos protestaram em diversas ruas da cidade e hoje - dia 3 de novembro, Dia da Cultura e aniversário do Imperador Meiji - protestos foram vistos em Shibuya.

Com a mobilização, que você pode ver neste vídeo, o Halloween dos estrangeiros de Tóquio acabou não acontecendo como o previsto. Veja um vídeo com o Halloween do ano passado.
