

Chuva Ácida é o lugar onde Nícolas Vargas, editor do Portal MTV e curandeiro, faz um retrato de tudo que passeia no carrossel de mulas sem cabeça que habita sua massa cinzenta.
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Acho que às vezes olho pro lado e vejo gente sendo machista, homófoba, simplista e intolerante.
Atravesso a rua e um filho da puta acelera o carro querendo me atropelar, mas não atropela porque poderia parar na cadeia. Mas só por isso.
Tem sempre um filho da puta olhando pra minha mulher num bar, mesmo a gente estando claramente juntos, de mãos dadas. Querendo sentir-se esperto pra solidão machucar menos, pra achar que substitui toda moleza que mamãe deu pra ele, pras prórias cuecas que ele nunca precisou lavar.
Estamos cercados por idiotas que brincam com a cara dos outros, mas perdem a cabeça quando brincam com a cara deles. Gente que fala em fazer as coisas com paixão, mas esquece porque acordou assim que abre os olhos.
Vejo judeus bancando os injustiçados e palestinos pagando de tadinhos, todos errados, todos assassinos, forrados de um ódio altamente entediante.
Na TV, um casal estático intercala tragédias e anuncia golfinhos mergulhões logo após noticiar uma tragédia. É pra suavizar.
Suavizar o quê?
A morte ou essa vida besta que todo mundo anda levando, coçando suas bundas, traindo pra curtir uma diversão impossível em seus relacionamentos eunucos, não matando pra não ser preso, tomando coca zero pra não engordar após comer a empada?
O mundo muitas vezes é uma merda.
Por isso tô sempre por aí, faço o que eu faço e falo o que eu falo. Se faz sentido para alguns ou para muitos, depende do senso de oportunidade.
Enquanto acreditar que dá pras pessoas terem pelo menos alguns minutos proveitosos em seus dias sacais, que posso me divertir com a burrice alheia, que dá pra amar quem passa nove horas ou mais por dia do seu lado, que as ideias valem mais que o cansaço, que o trabalho diverte mais que o vício, vou continuar.
Faço, em outras palavras, porque o Juca Kfouri faz e porque o Millor ainda está vivo.
Sonho porque é só o que eu tenho, e o que eu tenho não é pouco.
Passa mais tarde.
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Agradeço aqui, até porque não tem lugar melhor pra isso, ao @Inagaki e ao @InterNey pelo convite pro debate "Transcendendo os textos: a evolução multimidiática dos blogs", que vai rolar na Campus Party, a ser moderado pelo Cazé, e que tem as presenças confirmadas do Ariel Alexandre, do Videolog, do André Passamani, da Colméia/Enxame, e da Fernanda Bruno, acadêmica da UFRJ.
Vai rolar na sexta, dia 29 de janeiro, das 17h30 às 19h e será bem bacana.
Como já disse por messenger, contem comigo e com minha verborréia altamente pró-ativa.
Paz e sorte.

Pra ler ouvindo "O Mistério", do Lobão (tá no player abaixo, usufrua)
Dois anos de Chuva Ácida.
Dois anos e o mundo mudou pra caralho. E pra melhor.
Sério, mano, gente continua morrendo em guerras, ainda existem estupradores, assassinos, torturadores, coisas escrotas, atitudes escrotas e escrotices diversas, mas a internet vem ajudando o mundo a pensar mais.
Claro que ajuda a parcela pensante do mundo, porque o medíocre, medíocre será. Sempre. Alguém cuja cabeça foi formatada pra receber informações passivamente e passa a defendê-las como valor, já está fodido, não dá pra salvar.
Mas quem curte um reboliço, tirar onda das zonas de conforto e vícios de comportamento, chacoalhar o cérebro com a maior produção musical da história da humanidade, ouvir quase todo acervo de música produzido ao longo da história, assistir aos arquivos dos programas que ama, descobrir coisas novas e inexploradas do universo audiovisual, opinar sobre tudo e todos, protestar, comemorar, reclamar, amar ou fazer declarações de qualquer tipo, agora está satisfeito. Ou ainda não está, mas vai ficar. Certeza.
Às vezes penso que quero descansar, então acredito nisso.
Mas talvez não seja só por isso.
Talvez tudo não chegue a estar bem, mas esteja mesmo melhor.
Pelo menos é o que veio na minha cabeça quando assisti de novo à conversa entre @nicolasvargas (mais conhecido como eu), @ondei, @rafaellosso, @crisdias e @cmerigo: um mundo se esforçando pra ser melhor e, se não der, mais divertido.
É isso, um abraço, paz, amor, sorte, clica e MIRA:

Após um longo e nem um pouco tenebroso VMB e duas semanas de vacaciones, volto ao Chuva Ácida. Quem frequenta este blog, que em breve completa dois anos estranhíssimos de vida, está acostumado às frequentes ausências desse que vos escreve.
Não?
Não.
A real é que a gente nunca se acostuma com a ausência, seja de quem for e por mais efêmera que seja a presença da pessoa ou, em determinados casos, coisa, em nosso cotidiano, sempre fica uma lacuna, preenchida por ressentimento, nojo, angústia, receio de retorno, vontade de esquecer, ansiedade, carinho, amor ou, até mesmo, acredite se quiser, saudade.
A forma que a sociedade humana escolheu pra viver parece nos distrair desses espaços, mas o que acontece é exatamente o contrário. Quanto mais você trabalha, estuda, bebe, trepa, discute, cheira, fuma, compra, limpa, suja, come, viaja, passeia e se emociona, maior a sensação de que algo está ficando pra trás, de que podia ter feito aquilo com mais ou menos gente, que devia fazer outra coisa no lugar, que podia ter deixado pra lá.
É assim. E pronto.
Dá pra fazer algo sobre isso?
Tenho insônia desde seis anos de idade por ter noção da podreira que é ter que lidar com essa vida louca e besta que criaram pra gente. O truque pra se sentir vivo, de vez em quando, é deixar, quando aparece a oportunidade, as coisas acontecerem tranquilamente, no ritmo delas. Não é sempre que dá. Na verdade, quase nunca.
Mas é disso que a gente é feito, de momentos e de costurar esses momentos, usualmente passados com quem a gente ama. Mesmo que esse alguém seja só você mesmo.
É mais que nada.
(sim, citei Jorge Ben)
Pra parecer que tem algo de bom no que escrevi acima, passo a responsa pro Bruce Springsteen com essa pérola da "vida vale a pena", "Working on A dream", ouve aí embaixo:
*A votação foi novamente adiada, desta vez para terça-feira, com possibilidade de novo adiamento. Os caras estão empurrando com a barriga afim de discutir todos os pontos (e interesses, óbvio) da precoce reforma eleitoral que está para ser aprovada. Saiba mais clicando aqui.
Você já ouviu falar da proposta absurda de censura prática da internet, a exemplo do que já acontece com os canais de TV em época de eleição, que está para ser votada?

Marco maciel e Eduardo Azeredo, os mártires do controle à internet em território nacional
Era para ter acontecido ontem, durante o jogo do Brasil, quase na surdina, mas foi transferida pra hoje à tarde. Sim, coisas dessa importância não podem nem devem ser votadas na calada da noite, mas a razão nem foi essa: a proposta não foi votada porque os senadores AINDA não voltaram do recesso e, em quintas como essa, votações costumam ser canceladas.
Vale registrar que a proposta de deturpação da função da internet vem dos distintos senadores Marco Maciel (DEM-PE) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG), relatores da pouco alardeada "reforma eleitoral", e que tem em Flávio Dino (PC do B-MA) um defensor fervoroso das regras rígidas para a web.
Porém, e a vida sempre tem seus poréns, 17 senadores assumiram nessa manhã, segundo o UOL, o compromisso de agir e votar a favor da liberalização completa da internet durante o período eleitoral em 2010.
São eles: Aloizio Mercadante (PT-SP), Romero Jucá (PMDB-RR), Álvaro Dias (PSDB-PR), Raimundo Colombo (DEM-SC), José Sarney (PMDB-AP), Cristovam Buarque (PDT-DF), Osmar Dias (PDT-PR), Pedro Simon (PMDB-RS), Renato Casagrande (PSB-ES), Augusto Botelho (PT-RR), Delcídio Amaral (PT-MS), Eduardo Suplicy (PT-SP), Fátima Cleide (PT-RO), João Pedro (PT-AM), Tião Viana (PT-AC), Marina Silva (PV-AC) e Demostenes Torres (DEM-GO).
Sim, tem gente aí no meio que quer limpar a barra com o eleitorado. Não esquecemos do passado de ninguém, mas vale notar que mesmo tipos como Sarney não encontram cabimento algum em qualquer forma de censura.

Flávio Dino: entusiasmado com o possível controle da web brasileira
Entenda a treta
A tal proposta defende que os sites terão de seguir as mesmíssimas regras de debate aplicadas a televisão e Rádio, o que significa chamar pelo menos dois terços dos candidatos e todos integrantes de partidos que tem o mínimo de 10 deputados federais.
Sites também estarão proibidos de "dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação, sem motivo jornalístico que justifique". Sacou? Na internet ninguém mais poderá declarar apoio a ninguém.
A cereja do bolo dá conta que o direito de resposta, acredite, poderá rolar em qualquer blog e Twitter, bem como em perfis de Orkut e Facebook.

Sim, só tem isso de assinaturas. ASSINA AGORA!
Abaixo-assinado contra a censura
Tem um abaixo-assinado circulando pela internet e ainda está fraquinho de participações, vale a pena todo mundo se engajar e passar pra frente.
Caso o pior aconteça, teremos um documento em mãos para fazer o que for preciso.
Clique aqui para participar.

Acompanhe
O Chuva Ácida se compromete a acompanhar a votação, quando ou se ela de fato acontecer, e contar tudo pra você.
Faça o mesmo e passe essa pelota pra frente.
Se lhe convir, me segue no twitter (clica e faz um vento): @nicolasvargas
Elenquei quatro clipes que têm chuva no nome pra curtir a inação provocada pela tempestade que arrasa São Paulo nesta noite de terça-feira.
Vamos lá.
Atenção aos títulos.
Pra lembrar das tardes chuvosas da (minha) adolescência
"Only Happy When It Rains", do Garbage
Pra curtir uma quase fossa auto-provocada e contemplativa
"Happy When It Rains", The Jesus & Mary Chain
Pra lembrar que os maiores filhos da puta inventam simbolismos pra chuva
"Trains And Winter Rains", Enya
Pra, enfim, arrumar algo melhor pra fazer do que ler esse blog
"Chuva Agora", Nove Mil Anjos (se alguém entender algo que tiver a ver com essa música, a começar pela letra, me explica)
