

Chuva Ácida é o lugar onde Nícolas Vargas, editor do Portal MTV e curandeiro, faz um retrato de tudo que passeia no carrossel de mulas sem cabeça que habita sua massa cinzenta.
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Após um longo e nem um pouco tenebroso VMB e duas semanas de vacaciones, volto ao Chuva Ácida. Quem frequenta este blog, que em breve completa dois anos estranhíssimos de vida, está acostumado às frequentes ausências desse que vos escreve.
Não?
Não.
A real é que a gente nunca se acostuma com a ausência, seja de quem for e por mais efêmera que seja a presença da pessoa ou, em determinados casos, coisa, em nosso cotidiano, sempre fica uma lacuna, preenchida por ressentimento, nojo, angústia, receio de retorno, vontade de esquecer, ansiedade, carinho, amor ou, até mesmo, acredite se quiser, saudade.
A forma que a sociedade humana escolheu pra viver parece nos distrair desses espaços, mas o que acontece é exatamente o contrário. Quanto mais você trabalha, estuda, bebe, trepa, discute, cheira, fuma, compra, limpa, suja, come, viaja, passeia e se emociona, maior a sensação de que algo está ficando pra trás, de que podia ter feito aquilo com mais ou menos gente, que devia fazer outra coisa no lugar, que podia ter deixado pra lá.
É assim. E pronto.
Dá pra fazer algo sobre isso?
Tenho insônia desde seis anos de idade por ter noção da podreira que é ter que lidar com essa vida louca e besta que criaram pra gente. O truque pra se sentir vivo, de vez em quando, é deixar, quando aparece a oportunidade, as coisas acontecerem tranquilamente, no ritmo delas. Não é sempre que dá. Na verdade, quase nunca.
Mas é disso que a gente é feito, de momentos e de costurar esses momentos, usualmente passados com quem a gente ama. Mesmo que esse alguém seja só você mesmo.
É mais que nada.
(sim, citei Jorge Ben)
Pra parecer que tem algo de bom no que escrevi acima, passo a responsa pro Bruce Springsteen com essa pérola da "vida vale a pena", "Working on A dream", ouve aí embaixo:
*A votação foi novamente adiada, desta vez para terça-feira, com possibilidade de novo adiamento. Os caras estão empurrando com a barriga afim de discutir todos os pontos (e interesses, óbvio) da precoce reforma eleitoral que está para ser aprovada. Saiba mais clicando aqui.
Você já ouviu falar da proposta absurda de censura prática da internet, a exemplo do que já acontece com os canais de TV em época de eleição, que está para ser votada?

Marco maciel e Eduardo Azeredo, os mártires do controle à internet em território nacional
Era para ter acontecido ontem, durante o jogo do Brasil, quase na surdina, mas foi transferida pra hoje à tarde. Sim, coisas dessa importância não podem nem devem ser votadas na calada da noite, mas a razão nem foi essa: a proposta não foi votada porque os senadores AINDA não voltaram do recesso e, em quintas como essa, votações costumam ser canceladas.
Vale registrar que a proposta de deturpação da função da internet vem dos distintos senadores Marco Maciel (DEM-PE) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG), relatores da pouco alardeada "reforma eleitoral", e que tem em Flávio Dino (PC do B-MA) um defensor fervoroso das regras rígidas para a web.
Porém, e a vida sempre tem seus poréns, 17 senadores assumiram nessa manhã, segundo o UOL, o compromisso de agir e votar a favor da liberalização completa da internet durante o período eleitoral em 2010.
São eles: Aloizio Mercadante (PT-SP), Romero Jucá (PMDB-RR), Álvaro Dias (PSDB-PR), Raimundo Colombo (DEM-SC), José Sarney (PMDB-AP), Cristovam Buarque (PDT-DF), Osmar Dias (PDT-PR), Pedro Simon (PMDB-RS), Renato Casagrande (PSB-ES), Augusto Botelho (PT-RR), Delcídio Amaral (PT-MS), Eduardo Suplicy (PT-SP), Fátima Cleide (PT-RO), João Pedro (PT-AM), Tião Viana (PT-AC), Marina Silva (PV-AC) e Demostenes Torres (DEM-GO).
Sim, tem gente aí no meio que quer limpar a barra com o eleitorado. Não esquecemos do passado de ninguém, mas vale notar que mesmo tipos como Sarney não encontram cabimento algum em qualquer forma de censura.

Flávio Dino: entusiasmado com o possível controle da web brasileira
Entenda a treta
A tal proposta defende que os sites terão de seguir as mesmíssimas regras de debate aplicadas a televisão e Rádio, o que significa chamar pelo menos dois terços dos candidatos e todos integrantes de partidos que tem o mínimo de 10 deputados federais.
Sites também estarão proibidos de "dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação, sem motivo jornalístico que justifique". Sacou? Na internet ninguém mais poderá declarar apoio a ninguém.
A cereja do bolo dá conta que o direito de resposta, acredite, poderá rolar em qualquer blog e Twitter, bem como em perfis de Orkut e Facebook.

Sim, só tem isso de assinaturas. ASSINA AGORA!
Abaixo-assinado contra a censura
Tem um abaixo-assinado circulando pela internet e ainda está fraquinho de participações, vale a pena todo mundo se engajar e passar pra frente.
Caso o pior aconteça, teremos um documento em mãos para fazer o que for preciso.
Clique aqui para participar.

Acompanhe
O Chuva Ácida se compromete a acompanhar a votação, quando ou se ela de fato acontecer, e contar tudo pra você.
Faça o mesmo e passe essa pelota pra frente.
Se lhe convir, me segue no twitter (clica e faz um vento): @nicolasvargas
Elenquei quatro clipes que têm chuva no nome pra curtir a inação provocada pela tempestade que arrasa São Paulo nesta noite de terça-feira.
Vamos lá.
Atenção aos títulos.
Pra lembrar das tardes chuvosas da (minha) adolescência
"Only Happy When It Rains", do Garbage
Pra curtir uma quase fossa auto-provocada e contemplativa
"Happy When It Rains", The Jesus & Mary Chain
Pra lembrar que os maiores filhos da puta inventam simbolismos pra chuva
"Trains And Winter Rains", Enya
Pra, enfim, arrumar algo melhor pra fazer do que ler esse blog
"Chuva Agora", Nove Mil Anjos (se alguém entender algo que tiver a ver com essa música, a começar pela letra, me explica)

Semana passada dei uma entrevista pra jornalista Ana Freitas, do jornal O Estado de S. Paulo, que me convidou a contribuir para a bacana pauta sobre a morte ou não dos blogs, ou só da blogosfera, enfim.
A real é que a matéria ficou bem charmosa, mas não pactuo muito com a tese. Aliás, pactuo em nada com a tese.
Achei por bem, portanto, publicar aqui todas as perguntas que a Ana me fez, devidamente acompanhadas das minhas respostas.
Minha honesta contribuição ao debate sobre a tese, que faço questão de dar.

Como disse o Caio, do Brogui, hoje, no Twitter: "Eu só vejo uma coisa, ex, os blogs existiam, o orkut chegou, os blogs continuam existindo, e o orkut ta indo pro limbo... Os blogs são uma espécie de Macgyver da internet. hahaha"
E não?
Em tempo, me considero um peão paladino da internet nacional, que, além de me fazer engordar por trabalhar tanto tempo sentado, não me enriqueceu, mas proporciona diariamente fazer parte da maior revolução em toda história da comunicação humana. Sendo assim, portanto, acho foda construir uma coisa ao passo que debate-se cada etapa do processo. Isso nunca foi feito, Adornos* e McLuhans** se reviram nos túmulos com vontade de participar, pode ter certeza.
Agora, leia a matéria do Estadão, óbvio, clicando aqui.
Pois bem, é chegado o momento de ler as tais perguntas e respostas:
- A MTV tem 'feito a rapa' em diversos blogs legais pela rede. Diante da discussão iminente do 'fim dos blogs', que anuncia uma era em que textos longos serão passado, porque se focar tanto em aumentar conteúdo com esse tipo de formato?
O blog não está morrendo nem vai morrer tão cedo. A internet tem diferentes formatos para diferentes tipos de conteúdo e variadas formas de falar o que você tem pra falar. Um vídeo não substitui um texto, mas pode complementá-lo e vice-versa. O Twitter, mais do que um microblog, é uma central mundial de distribuição de links que, invariavelmente e em maioria, deslocam as pessoas para textos, muitos deles longos. A interpretação de que "uma nova forma de comunicar" foi concebida é histeria de momento, o que foram criadas são novas ferramentas de comunicar, muito mais democráticas e eficientes que todas as criadas até dez, quinze anos atrás.
- Por que a MTV resolveu tomar essa decisão nesse momento? O que é tão atraente sobre os blogs?
O que faz o "ser MTV" é mais do que simplesmente viver música. O cara que antigamente se diferenciava por ler quadrinhos, ser cinéfilo ou apaixonado por música, hoje faz tudo isso ao mesmo tempo, pluralizou seus interesses, que passam, inclusive, por política, tudo de uma forma mais prática, com muito mais intuição. Os blogs são ferramentas, essencialmente de opinião. O que fazemos é escolher gente que tem afinidade com a dinâmica que imaginamos ser a ideal na forma de comunicar e opinar, que se vale, em essência, da auto-ironia sobre os próprios gostos e duvida, muitas vezes, da própria forma de ver as coisas. São produtores de conteúdo que sempre estão de olho no que o vizinho está fazendo e que assim turbinam sua forma de produzir, se profissionalizam sem precisar largar o amadorismo, a curiosidade. Essa é a fonte da juventude, e esse é o lugar MTV na internet.
- O que é um blog hoje?
Um blog hoje pode ser uma forma de manter seu artista favorito no imaginário de quem tem interesse nele, sempre publicando informações quentes, uma vez que as assessorias de artistas, em termos de EUA e Europa, hoje em dia dão furos para fãs blogueiros. Mas pode ser também um espaço onde publicitários e profissionais de mídia falam de tendências, novidades e teorias de comunicação de forma prática, deixando a academia pra trás, como é o caso do Brainstrom 9. Pode ser também uma central de informações de cultura pop com opinião e acidez, como vemos no Judão, Omelete ou no Jovem Nerd. Um blog, em suma, é uma área de publicação de informação, uma evolução das típicas colunas de jornal e revista, a democratização definitiva da opinião e a área mais justa da luta por audiência em pequenas esferas.
- Você acha que incluir categorias como 'Melhor Blog do Ano' e 'Melhor Twitter do Ano' no VMB é reconhecer que os blogs de fato não acabaram - estão começando?
Acredito nisso sem receio algum de estar errado. É o único caminho que enxergo, é reconhecer que música, cinema, quadrinhos, política, humor e tendências em geral caminham juntos, são praticamente uma coisa só. São fragmentos de um todo que, se você não reconhece, tende a esvaziar seu trabalho.
- Blog é ferramenta ou é formato?
É ferramenta e formato. Explico: o blog é a ferramenta de toda essa revolução na forma de publicar opinião e informação, mas dentro de um blog você pode desenvolver o formato híbrido que bem entender, embedando twitter, vídeos, comunidades e o que mais lhe der na telha. Em resumo, o formato é você quem cria, mas cria dentro de um blog.
*Não sabe quem é Adorno? Clique aqui.
**Não sabe quem é McLuhan? Clique aqui.
Obs. - Entonces, o Chuva Ácida anda meio jogado às traças. É que, na pegada de escrever o VMB e editar o Portal MTV ao mesmo tempo, decidi me jogar quase exclusivamente ao Blog do VMB.
Aliás, sigam @nicolasvargas e @vmb_oficial
...a gente mata tempo do jeito que dá.
