

COLETIVO é um blog colaborativo dedicado a cultura Hip Hop. Seja também um colaborador através do coletivo@mtvbrasil.com.br

O Red Bull BC One balançou o espaço de eventos Hammerstein Ballroom, em Nova York. Dezesseis b-boys de onze países encantaram uma multidão de mais de 1600 fãs. O campeão da edição deste ano foi o B-Boy Lilou, que levou para casa o título de "The One" pela segunda vez, algo inédito na história da Red Bull BC One, que acontece há seis anos. Não foi tarefa fácil para Lilou, nem para os outros concorrentes da noite, mas na batalha final entre o francês e o americano Cloud, que voltou a concorrer no Red Bull BC após quatro anos de ausência por estar em turnê com Madonna, Lilou levou a melhor.
Sempre divertido e sorridente, o francês manteve seu estilo inteligente. Na primeira rodada, derrotou o ucraniano Kolobok e nas quartas, o americano Tese. Na semi-final, mostrou a que veio para outro americano, Morris, que tinha a platéia toda a seu favor, o que acabou surtindo efeito positivo não nele, mas em Lilou.
O mestre de cerimônias da noite foi KRS-One, e Talib Kweli mandou suas batidas em um show grandioso. Os b-boys novaiorquinos do tradicional Rocksteady Crew também se apresentaram, mostrando um pouco da evolução do break e do hip hop em NY.
Mais informações em Redbullbcone.com
Nesta sexta, dia 20/11, Pizzol "16 Anos" se apresenta na Quadra da G.R.C. Escola de Samba Unidos do Peruche com participações de Doncesão, Dr Caligari, Ogi, Jeffe, Roko, Nocivo Shomon e DJ Caique.

Sexta, dia 20/11 a partir das 12h
Quadra da G.R.C. Escola de Samba Unidos do Peruche - FEIJOADA
Av. Ordem e Progresso, 1061 - Jd. das Laranjeiras - São Paulo
Entrada: 5 reais
Vamo chega rapa!
Não por acaso, o 20 de novembro foi escolhido para representar o Dia da Consciência Negra no Brasil. Nessa mesma data, em 1695, morria Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra quando a escravidão assolava o país. A luta pela igualdade segue e tem a cultura Hip Hop como um forte braço. E, nesta sexta-feira, ela estará muito bem representada na Praça da Sé, onde acontecem os grandes shows em celebração à data.

foto: Luciana Faria
A partir das 14h, o MC paulistano Kamau assume o microfone e apresenta músicas do “Non Ducor Duco” (2008), seu primeiro disco solo, acompanhado de Jeffe nos vocais e do DJ Erick Jay. Na uma hora e meia reservada ao Momento Hip Hop, Kamau convida o rapper brasiliense Gog e paulistano DJ King ao palco. Na sequência, DJ Vivian Marques assume os toca-discos até a próxima atração.
Confira a programação completa
Saiba mais sobre o MC Kamau - no Twitter @kamau_
A Batalha Final é uma competição anual de B. Boy, Popping, Locking, criada em 1998 por Rooneyoyo. A exemplo de que acontece nos E.U.A. e alguns países da Europa e Japão, o Brasil entra hoje no calendário mundial como um dos eventos de grande importância para a cultura hip-hop.

A BATALHA FINAL este ano comemora 10 anos desde sua primeira edição. Este evento foi o primeiro a nível Nacional realizado no país, contou com a participação das mais renomadas equipes de quase todos os estados Brasileiros, jurados e atrações internacionais.
Até a última edição a competição era somente nacional. Este ano contará com uma grande novidade; a participação de alguns países sul-americanos e centro-americanos. Haverá uma competição em cada um desses países e o vencedor virá representar sua nação na grande final programada para os dias 21 e 22 de novembro de 2009.

Será o primeiro campeonato Brasileiro realizado fora do país e a trazer os melhores de outras nacionalidades.
Ainda contará com jurados reconhecidos e respeitados mundialmente.
Batalha Final Internacional
Data: 21 e 22 de Novembro Das 12h as 22h
Local: Xtreme Club
Rua Engenheiro Mesquita Sampaio, 807
Morumbi - Sao Paulo
Entrada: R$ 15,00

Ele é de Niterói – RJ e conviveu com Speed Freaks, Black Alien, Altair Rodrigues, De leve, Dj Castro, e todos os melhores nomes da cena hip hop de Niterói. Viu o rap em sua área aparecer, crescer e permanecer, além de ser amigo do grande Afrika Bambaataa. Sandrigo Monteiro, o SanRapper, nos conta histórias de bastidor e a sua batalha pelo RAP nas estradas do Brasil.
para ler ouvindo:
RM: Quais foram as suas influências e como as ruas surgiram para você?
SR: Minha mãe trabalhava como cantora em um bar de Vitória - ES, na década de 70 pós ditadura. Lá conheceu um violeiro que seria em breve meu pai, juntos eles fizeram muitas noitadas tocando juntos, meu pai no violão e minha mãe nos vocais. Assim fizeram três filhos, duas mulheres e um homem que batizaram de Sandrigo Monteiro Ramos nascido em 16 de outubro de 1973 em Vitória - ES.
Minha família portuguesa e racista não aceitava meu pai por ele ser negro, assim fui levado junto a minha mãe e irmãs para Niterói - RJ. Com apenas 1 ano de idade, moramos com nossas tias por toda a vida e como a casa nunca era de fato nossa, minhas conquistas vieram das ruas, amigos, conhecimentos, vivências, experiências e junto com o destaque vieram os inimigos. Sempre fui das ruas, não participava das reuniões em casa, minha tia falava que eu tinha perna de cachorro (risos). Recentemente em um centro espírita, uma entidade me chamou de praga beija-flor, vivi nas ruas, adoro buzinas, sirenes, corre corre e de ver gente de diversas formas e costumes, já que sempre fui excluído pelos meus tios, só me sobrou as ruas mesmo.
RM: Você se tornou amigo do Gustavo Black? Fale um pouco sobre isso...
SR: Meu melhor amigo, o Chaulin, surfista e skatista, em um passeio pelas ruas de Niterói me apresentou o Gustavo no Campo de São Bento, a 20 anos atrás.
Saí em muitas noitadas na companhia de Gustavo Black, ele gostava das minhas atitudes e das minhas frases, frases essas que faziamos em disputas de mesa de bar... travamos por várias vezes duelos de inteligência e ousadia, não era batalha, mas era como se fosse, era quem fazia a melhor frase, a mais completa, na fonética, na levada e no sentido, o que ele não gostava é que eu sempre tinha uma a mais e aí ele fazia outra, a gente não parava.
Na época isso era bom pra mim e pra ele... Pra ele, porque copiava as melhores frases e registrava como dele, outra porque não havia mais outra pessoa que o desafiasse de tal forma. E pra mim porque eu acabava tendo uma companhia pra ficar até mais tarde na rua.
para ler ouvindo:
RM: SanRapper como começou sua carreira no RAP?
SR: Certo dia, entre 2000 à 2001 rolou um show do Speed e Black no Carlinhos Bar em Niterói, e eu fui assistir, cara isso deve ter registro em algum lugar, estavam todos da cena rap de Niterói, Gustavo parou o show e disse a todos que tinha uma pessoa que ele queria lançar como rapper, era eu. Fui no palco e fiz o que nunca tinha feito, me senti no céu, era o que eu queria da vida, era o começo de uma trajetória que fazem 10 anos em 2010. Demorei muito pra largar o microfone, já comecei com fome, foi irado.
RM: Você já gravou com Speed e Marechal, como surgiu esse som?
SR: Speed estava em São Paulo enquanto eu gravava, marquei com o Marechal de ir assistir minha gravação com o Speed, certa vez que o Speed apareceu em Niterói... Eu não queria que o Marechal cantasse, afinal o som era de rua e o Marechal nunca foi da rua, eu e o Speed éramos e somos! Mas o Speed insistiu e a parte do Marechal ficou na musica...
RM: Fale um pouco como foi seu ingresso Zulu Nation?
SR: Nossos amigos de Niterói combinaram de assistir o som do Speed Freaks com o Mad Professor em SP, a banca de Niterói estava animada pra cair pra Sampa... em 24 horas eu estava acompanhado pelo Afrika Bambaataa, que me acolheu em seu hotel pra uma tour pelo Rio de Janeiro, após uma visita que eu o fiz no Hotel SanRafael na República cento de São Paulo. Me tornei membro da Zulu Nation apadrinhado pelo Afrika, e ficamos amigos através da música em poucas horas de conversa, ele me convidou para ficar e eu fiquei. Entre os B-Boys e MCs que acompanharam a tour do Quinto Elemento em 2001.

RM: Você já passou por vários estados do país como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, Bahia e Minas Gerais, Espírito Santo entre outros, fazendo RAP. Como tem sido essa trajetória?
SR: Quando estou em Niterói ainda faço umas produções, a última foi o 1° Encontro das Culturas Urbanas em Icaraí. Historicamente eu coloquei uma tabela de basquete profissional dentro da Campo de São Bento na quadra esportiva, recolhi alimentos para doar a uma associação qualquer e acabei doando pra um amigo do Partido Verde que eu tenho certeza encaminhou muito bem...
Incógnita, eu dormindo na rua fazendo evento pra doar alimentos e sem ter o que comer, essa é a cara do SanRapper, além das grandes burocracias que envolvem os órgãos de liberação do uso público de suas vias. Sinistrão!! Mas sempre faço umas viajens muito loucas. Por exemplo, ano passado fui a Porto Seguro e consegui chegar a Ilhéus, lá levei uma dura de um PM e sai correndo apesar de não ter porque correr... mas fiquei cabreiro e larguei todas as minhas roupas e documentos para trás.
Fui a Itabuna conhecer uma amigo virtual que faz rap, fui a Itararé, fechei um evento lá que foi cancelado, fui até Morro de São Paulo, lá consegui uma passagem pra Salvador, para cantar em uma noitada no teatro do Morro, ali eu já tinha umas 5 peças de roupas a mais que ganhei em um campeonato de surf em Olivença, foi o máximo.
Consegui chegar em Salvador, lá fui acolhido pelo Sombra, amigo virtual de Castelo Branco, Salvador - BA. Ele me contou que iria ter show do B Negão, fui encontrar com ele, e pagou minha passagem de volta para o Rio, de avião... dia 2 de agosto de 2008 entrei no avião de chinelo de dedo e uma calça rasgada no joelho, mas estava ali firme e forte, depois dessa eu desisti do rap, fui pra Macaé em outubro de 2008 trabalhar em um restaurante... também não deu certo...
Voltei pra Niterói para fazer o evento Culturas Urbanas e em março de 2009 me joguei na estrada rumo a Espírito Santo, um dia após o evento. Na minha ida pra Bahia aprendi a fazer artesanato com palha de coco e nessa minha ida para o Espírito Santo, o que não me faltou foi coqueiro, ganhava a vida vendendo chapéu de palha.
Fico muito dividido em fazer trabalhos de artesanato e cantar rap, na verdade o artesanato da muito mais dinheiro... que a verdade seja dita.
SanRapper havia invadido a UFRJ para conversarmos, mas já era tarde. Está foi a entrevista com Sanrapper que diz ter mais histórias interessantes como a briga com Don Negrone e ainda Dj Castro e De Leve indo para a Lapa e a música que consagrou Speed Freaks e Black Alien.
por Rodrigo Mendonça
A veracidade dos fatos e os nomes citados nesta entrevista, ficam por conta de Sandrigo Monteiro (SanRapper). Concedemos o direito de resposta a quem se sinta difamado, acusado e etc.
