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Depois de dez anos de estrada, o MC paulista Kamau lançou, em meados de 2008, seu primeiro disco solo, chamado “Non Ducor Duco” (em português, “não sou conduzido, conduzo”). Com o álbum, Kamau coroou um ciclo de ativismo dentro do hip hop, que se iniciou com o grupo Conseqüência, ao lado de Sagat e do Dj Ajamu. De lá pra cá, lançou uma mixtape solo e um cd com o grupo Simples, além de participar de outros diversos projetos e perambular por festas de todo o país figurando como um dos maiores mestres de cerimônias brasileiro.

Para ler ouvindo:
Cerca de oito meses depois de ter lançado “Non Ducor Duco”, Kamau falou um pouco sobre a repercussão desse disco e sobre as dificuldades de se atingir um público maior com um trabalho totalmente independente.
Repercussão
Até agora eu tenho só boas respostas do público e das músicas, que é o mais importante. Tanto na parte de as pessoas falarem das músicas, quanto de quererem as músicas, comprarem o CD. Essa é a melhor forma de você mostrar o quanto gosta da música, o quanto quer consumir a música e gosta, não só de ouvir, mas ter o CD em casa. Eu sempre tive isso.

O primeiro CD que eu comprei foi o “Do You Want More?!!!??!, do The Roots, que eu tenho até hoje lá e ainda gosto. Esse aí ta dentro da capa, com certeza, eu ouvia bastante (risos). E sou fã pra caramba, é bom eu ver essa mesma vontade de consumir que eu tinha em relação às pessoas que procuram a minha música. Então você vê um cara assim no show, as pessoas cantando a música, citando as músicas. Hoje em dia, um termômetro bom pra saber se sua música está fazendo algum efeito é nick de MSN ou perfil de Orkut (risos). Eu vejo vários com frases minhas.
Público
Eu vejo meu público como um público variado. Eu não sei se posso dizer que é um público do rap. Eu só sei que tem um público pra minha música e que ele tem se expandido. E eu ouço muito isso: “eu nem gosto muito de rap, mas eu gosto do seu som”. Se gosta do meu som, gosta de rap mais do que pensava! Mas muita gente que não costuma ouvir e não é um consumidor de rap costuma dizer que gostou de tal letra, de tal base, ou da capa do disco, ou do nome, ou que me viu na TV Cultura. Isso é bom, aos poucos vamos agradando mais gente. Meus vizinhos só ouviam barulho na minha casa e hoje em dia eles falam “Ah! Vi você no Canal 2, hein?”.

foto: Camila Martins
Eu quero que a música chegue em vários lugares. Uma coisa que atrapalha é que muitas pessoas ouvem falar e não sabem aonde encontrar o disco, porque não tem mais loja de disco em todo lugar. Tem algumas lojas de disco que as pessoas costumam ir, e nessas, o meu não é vendido. Aqui em São Paulo, o público do rap que quer CD de rap sabe que tem pra comprar lá na galeria. Eu sei que em Brasília tem um ponto de encontro parecido, que é o Conic, mas em vários outros lugares eu não consigo chegar porque eu não tenho distribuição.
Tem também a internet, que faz o som chegar em outros lugares, mas isso não garante o respaldo. Porque antes do disco algumas músicas já estavam girando, mas se eu não tivesse feito um álbum físico, não sei se meu nome giraria tanto quanto agora. E eu tenho que fazer isso! As pessoas têm que colocar na cabeça que tem que fazer um álbum físico.
Como é que você vai dar um link de mp3 pra Prefeitura? Um CD-R pra Prefeitura? Ir num SESC, fazer um show. Você vai chegar pra qualquer TV que seja, seja a MTV ou a Globo, e apresentar um CD-R? Isso é uma demonstração de que você não tem pretensão com seu trabalho, que não tem cuidado com a apresentação do seu trabalho. Mas eu vejo as coisas andando em relação ao disco, só queria que ele chegasse em mais lugares.
Divulgação
Ao mesmo tempo que rola o disco físico, a divulgação, tem alguns espaços que estão sendo aproveitados. O Rappin’ Hood tem o Manos e Minas*, Kl Jay tem um programa no rádio. Eu estou ouvindo minha música tocar nesses lugares, e não é só porque eu sou amigo dos caras, porque eu já tinha feito músicas antes que não tinham tocado como as músicas do meu disco agora.

foto: Flávio Samelo
Hoje meu som também está tocando nas festas, assim como vários outros nacionais que também tem qualidade. Isso acontece bastante pelo advento do Serato e CDJ. Antes pra tocar tinha que ter saído em vinil, né. Mas o povo tem que acostumar também. Às vezes o som toca na festa e eu vejo o pessoal cantando e dançando, mas outras vezes eu vejo o pessoal parado, porque é nacional e eles estão entendendo o que está sendo falado. E isso é um fato!
Mas eu acho que a gente tem muita coisa a ser conquistada porque esses são meios específicos do rap e a gente tem que expandir, o som tem que ser tratado, acima de tudo, como música.
*Rappin’ Hood não é mais apresentador do programa.
Colaborador:
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texto por Daniel Cunha, do blog Per Raps










