
Diário de Palco é uma página do Portal MTV onde Gustavo Pelogia fala sobre o vasto mundo do hardcore nacional. Livros, filmes, resenhas, entrevistas, fofocas e muito mais você encontra aqui.
Comecei a cantarolar junto e demorei pra me ligar... Mas sim, Rodrigão cantou Velocidade no meio mais ou menos às 1h30 da madruga de hoje. E o brother baiano seguiu no batuque descoordenado e no assobio, mesmo sem fazer ideia do que se tratava.
Os fãs de hardcore agradecem!
E aproveitando o post: parabéns, Sugar Kane, pelos 14 anos!

Eu mais ou menos acompanho o VOWE desde quando a banda nasceu para o público, em janeiro de 2010. Quase quatro meses depois disso, eles assinaram com a Midas Music.
Lembro que enchi muito o saco do Fabrizio para que ele me contasse que haviam acertado com Rick Bonadio, mas ele não confirmou. Só soube quando Bonadio comentou no Twitter que apresentaria uma banda nova. Deixei o texto pronto e assim que ele divulgou, publiquei uma nota e em seguida, liguei para o Fabrizio para pegar uma declaração.
O primeiro "show" deles foi uma apresentação de três músicas, no Best Of Zone Punk de 2010. Cheguei atrasado por lá e não consegui assistir – e segundo o Yuri me disse no dia, tudo deu errado e foi bem sem graça. Mesmo assim, queria ter assistido.
E o tempo passou, passou... Depois de tanto me empolgar com o que aconteceu nas linhas acima, não consegui assisitir a um show que fosse. Faço tanta coisa, que toda vez que via uma data deles, tinha algum compromisso inadiável.
Levou um ano para, por acaso, assistir ao show deles. No meio do plantão jornalistico do sábado (5), descubro no Facebook que eles vão tocar na Outs de noite, comemorando aniversário de um ano. Enfim, lá vou eu.
Uma das conclusões que tirei durante o show, mas que adianto aqui é que o VOWE já se sente maior do que o espaço que de fato ocupa. E como ouvi de um cara alguns dias atrás, isso é algo resolvido: pode ser bom, pode ser ruim. Vocês, leitores, já vão entender.
Antes do show, a montagem do palco. Vi quatro pessoas trabalhando com atenção para ajustar guitarras, baixo e bateria. Por um minuto, achei até que outra banda é quem estava para tocar. Mas pouco depois, chegaram Yuri, Fabrizio, Denis e Vinnie.
O show começou por volta das 22h, com O Viajante. No palco, todos tem presença, ocupam bem seu espaço e deixam a visão esteticamente interessante. É verdade que o espaço na Outs é bem pequeno, mas ainda assim, é preciso certa confiança para não deixar a atenção do público só no ouvido. Levei meu amigo Felipe Cruz para assistir o show e ele pirou na técnica do Denis na bateria. Fato, o cara toca muito mesmo!
Eles tocaram o que deve rolar em todos os shows. Eis o sit: O Viajante, O Acaso, Cosmopolita, Espelho, É Só o Começo, O Silêncio, Simples Assim, Bem, Aqui, Nada é Como Agora, Tua Frieza e O Que é Certo.
Já com uma considerável experiência de palco a banda também tem as seus costumes. Quando uma corda da guitarra de Fabrizio estourou, outra já estava pronta para a música seguinte. Quem penou em uma situação parecida foi o baixista Vinnie.
Sem muito falatório desnecessário, Yuri agradeceu a presença do médio público (a casa não lotou, mas também não estava vazia), incluindo amigos como Lucas Silveira e Daniel Weskler. Quem assiste, também agradece. O show é muito bom mesmo.
Se não fosse, algo estaria acontecendo de errado: nesse um ano, eles tocaram para muita gente em festivais grandes, assinaram contrato com uma cabeça poderosa da músic e fizeram uma ótima divulga na internet (webclipe, e-mail marketing, etc).
É aí que está o risco: o VOWE já se sente maior que é. A experiência dos envolvidos faz com que isso seja inevitável, não é um presunção. Se tudo der errado, pode ser uma grande frustração. Se não, eles já estão preparados.
Não é preciso, mas vou dizer: é obvio que acredito e torço demais pela segunda opção.

O Fake Number foi a primeira banda que eu conheço a deixar a onda Arsenal Music para seguir seu rumo por conta própria. No final de 2010, eles romperam o contrato com o selo. Mas o ano novo trouxe outras mudanças: Gah, Mark e Tony, fonte dessa entrevista, deixaram a banda.
Combinei uma tarde de almoço no Athenas, na última quarta-feira (19), e fiz com ele uma pequena retrospetica da banda, além de contar sobre sua nova vida e planos.
Por que vocês decidiram sair da Arsenal?
Depois de um tempo, já não estava mais compensando para nenhum dos lados. Não estava rolando investimento e ao mesmo tempo estavamos presos. Queriamos lançar single e clipe novo, mas eles não queriam naquela hora.
Então era melhor nós sairmos e fazermos por nós mesmos. Conhecemos um monte de gente mandando bem e o clipe deve ser lançado ainda [da música 4 mil horas].
Meio que sem querer, acompanho vocês desde o início, quando ainda estavam em Lorena. Vocês cresceram muito rápido. São quantos anos de banda?
Vai fazer 5 anos dia 1 de abril. Com um ano, tinhamos lançado primeiro clipe e depois o álbum pela Urubuz Records, que abriu muitas portas. Foi o que o Marcio disse para nós: “Quero dar o pontapé inicial. Quero pegar a bola e chutar para o alto”. E foi isso que ele fez. Devemos muita coisa para ele.
Depois lançamos o clipe de Aquela Música e ganhamos vários prêmios no Zona Punk, incuindo o de melhor banda do ano. Logo depois disso, o Rick chamou a gente, no final de 2008. Iamos fazer três anos de banda quando assinamos. Foi rápido mesmo.
Quando assinaram, como foi?
Chocante. A gente ficou feliz para caramba, sempre fomos fãs do Rick. Sou suspeito para falar, mas acho um puta de um disco. Gravamos de novo o clipe de Aquela Música e começaram a rolar coisas que não tinham antes. Programas de TV, rádio, revistas. Deu uma visibilidade grande para a banda.
Mas ao mesmo tempo, rolou uma falta de novidades. E é preciso sempre ter algo novo. Uma música, um vídeo. Não pode deixar a galera te esquecer. Passou um ano e não lançamos nada novo. E tinhamos um disco inteiro pronto para trabalhar. Não sei como eles [a Fake Number] vão fazer agora, mas acho que deve sair um disco novo esse ano.
E tomar a decisão de sair da banda? Você ainda mora junto com a Elektra e o Neto.
Foi a decisão mais dificil da minha vida. Fiquei vários meses pensando até ter certeza. Não foi briga, mas com o tempo, as ideias foram ficando diferentes. Não tinha mais a mesma felicidade, então decidi que deveria dar lugar para outro que quisesse aquilo e não queria atrasar o lado deles. Decidimos isso agora em janeiro.
Imagino uma cena assim: vai chegar o final de semana e cada um viajando para uma cidade e desejando “bom show” um para o outro. Ou quando for show junto, todos nós saindo juntos de casa. Vai ser uma troca de alegrias.
Agora sua nova banda é você, Mark e Gah. Os três que deixaram a Fake Number.
Ainda não tenho como adiantar muito, pois ainda estamos compondo. Mas vai ser um som diferente da Fake Number. Vamos nos internar em estúdio até o carnaval, para fazer cinco ou seis músicas e lançar um EP e um clipe. Depois do carnaval, vamos lançar as primeiras coisas.
Não vamos começar do zero, porque já sabemos como as coisas funcionam. Vamos começar do dois. A banda é nova, mas tem uma galera que admira a gente e está esperando o nosso som. Estaremos junto do Leon, que é um grande amigo meu desde que cheguei em São Paulo.
Também não sei qual vai ser o nosso público principal, vai ser uma mudança louca esse ano. Várias bandas acabaram e tá mudando a nova febre. Não é mais esse negócio colorido toda hora. Muita gente saiu de bandas e estão em projetos, então deve rolar muita coisa nova.
O que você não faria novamente?
Contratos, em geral. Com empresário, gravadora, produtora, shows, o que seja. Antes eu era deslumbrado. Hoje eu não vou assinar com ninguém só por um nome. Hoje eu quero ver trabalho, fazer um contrato legal e que tenha tudo muito bem esclarecido. Eu sonho com a cabeça na lua, ninguém paga para sonhar, mas fico com os pés no chão.
Me dê um exemplo de algo que fez crescer sua vontade de sair da banda.
Não se explicar exatamente o foi. O principal foi a questão do som. De resto, foi rolando uma falta de diálogo e aconteceu uma separação, foi criando um abismo. Nós sentamos para conversar e é uma coisa que todo mundo meio que sabia. Um falou, outro falou e terceiro também.
Deixar a gravadora deu um animo novo para a banda, mas deu vontade de fazer uma coisa nova. Tenho um projeto de bateria bem legal. Vão ser duas baterias e um outro músico que a galera conhece. Vamos para o estúdio, gravar e filmar. Quero mostrar o lado da bateria que a galera não conhece. Não é só o cara que fica escondido lá no fundo e instrumento que faz barulho. Quero mostrar que a bateria é um instrumento versátil. Espero ter uns três videos até o meio do ano.
Também quero aprender a pilotar um estúdio e voltar a fazer aulas de bateria. A última vez, fiz no Souza Lima, com o Fernando Baggio. Aprendi muita coisa de jazz, blues e ritmo latino. Continuei estudando sozinho, mas gosto de cada hora ter um professor.
Cinco influências que vão permear o som da sua nova banda
Começa com Blink, que é uma grande influência em mim. Anberlin, All Time Low, The Dammed Things. Ao mesmo tempo, vai ser bem trabalhado, vai ter peso e vai ser bem para a frente. É o que a gente transparece: todos alegres, brincalhões, que gostam de causar, junto com um som mais pesado. No palco, com certeza, serão cinco crianças pirando.

Leia o título e escolha uma das opções: a primeira, fazer a sua e tentar sobreviver. A segunda, assistir a quem já fez e ver o quão isso é interessante (ou não).
O que eu mais gostei em Guidable – A Verdadeira História do Ratos de Porão é que o nome cumpre o que promete. Ou ao menos engana muito, muito bem. No resumo do que é a banda, todos os integrantes e ex-integrantes dão suas versões de suas passagens pelo grupo. E conseguem ir além do ódio cuspido nos palcos: são engraçados, insanos, enraivecidos e contam coisas quase inacreditáveis e tretas nunca resolvidas.
Do gordinho que achou que ia apanhar dos punks (e virou vocalista), da pilha de pó para cheirar até uma overdose, do visto francês que ninguém tinha para seguir viagem, da piada e da escrotice no playback do programa de TV. Em duas horas, o documentário relembra um montão de histórias, algumas boas, outras ruins (do ponto de vista de quem viveu), outras asquerosas, mas todas interessantes.
Tem mais: aprender a fazer pedra de crack, a amizade com o Sepultura, a bateria comprada na igreja evangelica, o baterista que foi zoado porque levou a namorada para a Europa, o integrante que queria matar o outro com uma faca, o baixista que ia ser convidado para formar a banda mas estava preso na Febem (por assalto a mão armada).
Se isso tudo não lhe parecer verdade nas minhas palavras, assista. Se ainda não gostar, talvez você tenha antipatia completa a eles e simplesmente vai xingar tudo que "a banda do João Gordo" fizer (se você acha que a banda é só dele, por favor, assista mesmo). 30 anos de banda é para poucos. 30 anos de podridão com orgulho, para pouquissimos.
É do caralho ver que uma banda tão rechaçada como traídora passou por tanta coisa e continua viva, pricipalmente nos becos e ainda faz juz ao nome que tem. E olha que, de verdade, eu nem sou grande fã deles.
O título resume: isso é o Verão Revolução. Mais de 60 bandas, em mais de 20 shows, em números que todo dia aumentam.
Tive o prazer de ser convidado pelo Nenê, do Dance of Days, para ajudar nesse festival. Aceitei na hora e com muito gosto, virei assessor de imprensa, apesar de achar uma puta função chata (em linhas gerais, não neste caso). Escrevi para os amigos de profissão e estamos disseminando a ideia por aí (links, lá no final do post).
Estarei alguns dos 20 shows, escrevendo para o blog e divulgando as novidades para a imprensa. E matando a saudade de assistir um montão de bandas novas, compostas de musicos (ou não) que ainda mantém vivo o que chamamos de CENA.
É, tem muita gente para todo lado que adora xingar o Nenê, mas mesmo essa gente é afetada pelo trampo dele. Afinal, se não chamasse atenção, não seria motivo de assunto (e tanta inveja). E não é qualquer um na cena que tem moral para unir tantas bandas em um projeto.
Até agora, são 63. Que vão tocar em mais de 20 shows, nas cidades de São Paulo, Santos, São Caetano e Ferraz de Vasconcelos. Essa semana apareceu até um show em em Rosário, na Argentina.
Parceiros abraçaram o festival de todos os lados e são responsáveis por todas as datas além do Sattva Bordô (que são os shows organizados pelo Nenê), na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo.
Tem gente nova, que eu já conheço e curto, como Chuva Negra, H.E.R.O e Inside Shout. Também tem bandas com história, como DZK, Dominatrix, Sugar Kane, Overlife Inc e Dance of Days. Quero ver todas elas. Tem música punk de todas as vertentes, em todos os finais de semana, até o meio de março.
Não ter cota de ingresso não é um mérito, mas é importante falar que ninguém esta desembolsando nada. Inclusive eu, abracei a causa porque acredito em quem está fazendo a coisa e pelo prazer de estar na cena underground. Foi dela que cresci (tanto na vida pessoal, quanto na carreira) e é um tesão ainda ser parte dela.
Verão Revolução no UOL
Verão Revolução no R7
Verão Revolução na Kiss FM
Verão Revolução no TMDQA!
Tem algum site ou blog de musica e quer cobrir os shows? Só me escrever! gpelogia@gmail.com