

Diário de Palco é uma página do Portal MTV onde Gustavo Pelogia fala sobre o vasto mundo do hardcore nacional. Livros, filmes, resenhas, entrevistas, fofocas e muito mais você encontra aqui.
Eu sei. Demorei pacas para disponibilizar mais trechos do Diário de Palco, na internet. Afinal, ele foi a peça que me deu este blog aqui, uma porção de contatos, reconhecimento, trabalhos e elogios para alimentar um pouquinho o meu ego. E falando em trabalho, tenho ralado como nunca e ainda estou me adaptando a nova rotina. É por isso que não tenho dado as caras aqui.
De toda forma, só passei para avisar que coloquei o livro todo na internet. Então, se você é fã de Fistt, Dance of Days, Sugar Kane, Fresno, Hateen, Aditive, Street Bulldogs, F Records, Ideal Records, Oba! Records, Vale Punk ou Hangar 110, tenho uma parte da história destes lugares e das pessoas que fazem parte deles disponível aqui, livres para sua leitura, impressão e distribuição entre amigos, desde que você não faça dele uma parada para ganhar grana, pois eu mesmo não o fiz.
A versão do Google Books tem pequenas modificações, com menos erros de português e uma ou outra frase alterada, coisa de quem não consegue ver um texto sem pensar que ele poderia estar melhor. Mas a informação é 100% a mesma do papel.
Para quem quiser esperar, ainda esse mês sai uma nova fornada de livros em papel. Promessa de ano novo!
Essa é a primeira vez que me empolgo em fazer uma lista de melhores do ano. Já participei de algumas, mas nunca parei para analisar de verdade tudo que rolou em um ano.
Sinceramente, iria fazer o mesmo com 2009. Mas aí o Cuper (ex-batera da Fresno) me deu essa ótima idéia pelo MSN: fazer uma coletânea com as melhores do ano, escolhidas pelas pessoas da cena.
A idéia mudou um pouco, mas o ponto inicial é dele. Mandei e-mails há seis dias para 23 amigos, jornalistas, blogueiros e outros envolvidos com a cena e pedi para cada um indicar uma música do ano. Alguns não responderam, outros prometeram responder e se esqueceram, outros se empolgaram e ficavam perguntando se o texto estava legal, se podiam indicar tal banda.
Não fiz nenhum interferência nas escolhas. Nem todas as canções são de hardcore, mas são de pessoas relacionadas, como as explicações de cada um irá dizer.
Uma observação: você deve encontrar nomes desconhecidos na lista, tanto de bandas, como de pessoas que as indicaram. O objetivo é esse mesmo. Colocar pessoas de dentro e de fora do hardcore. Misturar quem acompanha de perto, conhece os caras das bandas e quem acompanha pela mídia e vê de longe o que "nós" produzimos.
As músicas estão em streaming abaixo de cada indicação e um arquivão no final do post junta todas as músicas, com exceção das do Dead Fish, que é contratadaoda Deck Disc e levaria tempo para que conseguíssemos (ou não) liberar as músicas.
Eis que estão aí então, as 15 melhores canções de 2009, eleitas por 15 pessoas do mundo da música independente. Apostas para 2010, comentem no final do post. Estou empolgado em descobrir e falar de coisas novas e está é minha única promessa para o ano que promete ser o melhor dos meus 23 de vida.
Cesinha - Fotógrafo
R.Sigma - Sobre Trunfos e Bandeiras
R.Sigma era uma banda que eu sempre "ouvia dizer" na internet mas nunca tinha ido atrás, não sei o por quê. Sempre achei que fosse mais uma banda que falava lá das suas malandragens na vida no meio da mulherada. Preconceito? Talvez.
Não sei o que aconteceu que um dia resolvi clicar e entrar no Myspace dos caras, foi quando me surpreendi totalmente com o que apareceu, e claro, com o que eu ouvi.
Músicas muito bem trabalhadas, arranjadas e com letras muito interessantes e bem escritas... Tudo o que eu estava sentindo falta naquele momento em uma banda do underground brasileiro estava lá, na minha frente. Digo que foi amor a primeira ouvida.
Tempos depois pude conhecer pessoalmente todos os integrantes e também conferir o show, e mais uma vez só serviu para carimbar ainda mais a garantia de que sem dúvida alguma é uma das melhores bandas do underground brasileiro atualmente.
Taiz Dering - MTV Mosh
Forfun - O Viajante
Foi a primeira música que ouvi deles e me chamou atenção não só o som, mas, principalmente, a letra. Depois fui conhecer melhor o trabalho dos cariocas e O Viajante, pra mim, mostra o amadurecimento (não só musical) dos meninos. Polisenso, o álbum que traz essa música, ganhou merecido destaque em 2009, justamente por esse amadurecimento, que, inclusive, rendeu o prêmio de Melhor Banda de Rock no VMB deste ano - sendo a única independente a concorrer. Afinal, rock é isso (principalmente nos dias de hoje): a mistura de sons, a não rotulação. É rock e pronto.
Tony Aiex - Tenho mais discos que amigos
Zebra Zebra - Já Dizia Minha Vó
Esse quarteto de São Vicente fez em 2009 algo que eu respeito muito: um sólido e excelente disco independente.
Misturando rock, hardcore, música brasileira e letras inteligentes, os caras lançaram um dos melhores trabalhos dos últimos anos no país, e deram um sopro de novidade na cena independente nacional. Viva o Zebra Zebra!
Rodrigo Smile - Lbvidz
Eu Serei a Hiena - Hominis Canidae
Eu indico o ESAH porque além deles oferecerem um trabalho ora instrumental, ora cantado, maduro, com feeling, feito numa embalagem bela e única (o encarte, feito pela SuperXoxo, foi recortado num perfil de uma hiena, fugindo dos padrões quadrados), é música feita por músicos, pra ouvidos de quem gosta de música de verdade, o que ao longo dos anos vem se tornando uma combinação cada vez mais rara. Melhor disparado!
Valdir Antonelli - Drop Music
Sugar Kane - A Máquina que Sonha Colorido
Conheço a banda desde 2002, nos tempos que o finado MP3.com funcionava como um bom depósito de bandas e músicas gratuitas. Nesse tempo vi a banda encontrar um estilo próprio, obviamente ligado ao hardcore melódico, e este último disco é simplesmente muito bom.
Wladimyr Cruz - Zona Punk
Gala Monstro - Reticências
A nova banda do nosso querido Zé Orlando, o Zeh (ex-Holly TREE/Borderlinerz) é a grande surpresa de 2009. Longe das modas, do óbvio e do fácil, o Gala Monstro é uma deliciosa chance de ouvir algo diferente na "cena" independente. Correndo por fora, foi a banda revelação de 2009.
Rafael Erdei - Undermag
Take Off The Halter - Gas Chamber
Quando ouvi essa banda pela primeira vez, pensei que fosse uma musica nova de alguma banda gringa, primeiro por ser cantado em inglês, e depois pela ótima qualidade de gravação e de composição.
Sou um fã assumido do Hardcore melódico dos anos 90, bandas como NOFX, Face to Face, Hot Water Music, Saves The Day, e algumas nacionais, Dead Fish, Garage Fuzz, Street Bulldogs, (entre outras centenas) fizeram parte do final da minha infância e do inicio da minha adolescência, mas ainda são as favoritas do meu ipod.
O Take Of The Halter é uma banda de São Paulo, 100% independente e com integrantes muito novos, mas com um ótimo gosto musical (ao meu ponto de vista) que optaram por fazer um som "preto e branco" porém, muito bem trabalhado e com arranjos que batem de frente com qualquer banda gringa.
Com pouco menos de um ano, e apenas um EP lançado em 2009, destaco a musica Gas Chamber.
Fábio Martiniano - Besouros
H.E.R.O - "Mistakes"
O H.E.R.O. é uma banda nova, mas com umas figuras carimbadas da cena, integrantes que já passaram pelas bandas, Os Thompsons, Low Fat Diet, Eviltruckers, Don Vito e Seus Foguetes, Martuchos e Rise From Your Grave. A banda resgata o hardcore com cara de anos 90, e uma pitada de HC Nova York, que vem perdendo força a algum tempo. Prestem atenção no H.E.R.O. pode ser uma salvação para os brasileiros fã do estilo.
Ariane Freitas - Vitroleiros.org
Outono em Marte - As Coisas que Vem do Escuro
Outono em Marte foi destaque independente em 2009, na minha opinião. Com músicas numa pegada mais pop, não dá pra negar que há ali pezinhos no emo. Conheci-os nos bastidores de um show da Fake Number que eu cobri no Hangar, em março de 2008. Deram-me um CD e... Apaixonei. Mandam muito no som, têm personalidade e não caem na mesmice das bandas de agora. No último ano, os meninos finalmente apareceram, com uma repercussão legal nos festivais por aí. São minha aposta pra 2010.
Estéfani Medeiros - Malaguetas/Revista Goma
Dead Fish - Contra Todos
Prestes a completar 20 anos de cena, o Dead Fish é o espelho do que deveria ser o hardcore brasileiro: enérgico, autêntico e pancadaria da primeira a última música do álbum. Contra Todos mantém as letras fortes de Rodrigo com uma ânsia por tocar que relembra a energia dos primeiros sons da banda. É só dar play e correr pro bate-cabeça.
Dario - Vale Punk
Dead Fish - Asfalto
Após 3 anos sem lançar material inédito, o Dead Fish em 2009 nos brindou com um novo disco, Contra Todos. O álbum, o sexto da carreira da banda, traz grandes composições, em especial a faixa de número 6, Asfalto, composta de uma letra bem inteligente (algo peculiar na carreira da banda) e um instrumental de empolgar até mesmo a quem andava carente de um ótimo lançamento hardcore nacional. Melhor música do melhor álbum nacional de 2009, fácil!
Athos Moura - Jornalista Rio
Zander - Pegue a Senha e aguarde
Essa musica diz muita coisa sobre a cena atual: gente pagando pra tocar e o espirito da coisa se perdendo.
Thiago Kazu - Portal Terra
Galinha Preta - Saco de Plástico
Banda de Brasília, rápida e que toca o foda-se como deveria ser e pesada como a gente gosta.
Tenho quase certeza de que trombei o vocalista na rodoviária do DF (com esse visual, é fácil reconhecer), mas acabei passando batido. Merecia um aperto de mão e uns parabéns pelo belo disco 3 em 1 lançado em 2009. Não vai tocar nas rádios, nem vai ao palco do Faustão. Foda-se, assim que é bom.
Cuper - Fotógrafo
Take Off The Halter - The Parable of Paul Tadpole
Foi uma escolha bem difícil, pois não queria resgatar bandas que já se destacam no cenário e eu realmente não tenho ouvido muita coisa que me agrade de hardcore/punk nacional. Eu preciso dizer que o Take Off The Halter tem muita competência nas execuções de suas músicas. A gravação está em bom nível mas o que me surpreendeu mesmo é a qualidade da banda. Hardcore melodico com pitadas de Belvedere. É uma boa aposta.
Gustavo Pelogia - O dono deste blog
Zebra Zebra - A Arte Já Morreu
Pela primeiro ano na minha vida, escutei muito mais bandas gringas do que nacionais e muito mais discos antigos do que lançamentos. A escolha foi tão difícil, que tomei minha decisão após todos os outros desta lista.
Fiquei tentado em eleger outras bandas desta lista, como R. Sigma, Take Off The Halter e For Fun, mas o artista com pitadas de hardcore que eu mais ouvi no ano foi o Zebra Zebra. Escolhi A Arte Já Morreu pois é uma das músicas mais hardcore de Cabeças Novas Também Mofam. As tiradas de letras deles são geniais. Tiram sarro sem ofender demais e tem visão critica sem chatisse. Consegue citar influências e falar da vida saindo dos clichês do rock.
Descobri recentemente um outro blogueiro e grande fã do The Get Up Kids. Estou falando do Tony, dono do TMDQA! ou Tenho Mais Discos Que Amigos, com quem preparei essa entrevista, com James Dewees, tecladista do próprio Get Up Kids, que voltou este ano a ativa.
Estamos a poucas horas da ceia de natal, e por isso tenho parentes me ligando e pedindo para me arrumar por todos os lados, mas está aí está o presente de natal do Diário de Palco para os fãs deste ícone emo dos anos 90. Dewees foi breve em todas as respostas, mas conta algumas coisas importantes, inclusive que não existe nenhum plano para o Brasil ou América do Sul =/
É bom lembrar que além do nosso AMADO Gety Up Kids, ele também é uma das cabeças do Reggie And The Full Effect e tecladista esporádico do New Found Glory e My Chemical Romance.
A conversa começou lá na Dog House Records que já lançou discos deles. Um funcionario deles, Kyle Gebhart (que sempre responde meus pedidos com velocidade e atenção!), me passou o contato do vocalista Matt Pryor, que jogou para o tecladista o trabalho. Em um dia, nossa resposta chegou. E agora é tudo de vocês:
Diário de Palco + TMDQA!: Por que o Get Up Kids parou de tocar em 2005 e o que fez com que vocês voltassem? Foi realmente uma ideia do Suptic (guitarrista), como vocês falaram nos primeiros vídeos do show de reunião que apareceram na Internet (veja o vídeo abaixo)?
James Dewees: Nós paramos de tocar porque estávamos todos de saco cheio de fazer turnê toda hora, tentando manter uma vida próxima do normal, e estar na estrada não é a coisa mais fácil do mundo. Nós voltamos porque todos sentimos vontade de voltar. Todos nós permanecemos amigos próximos durante o hiato então foi só uma questão de todo mundo se juntar em um mesmo lugar ao mesmo tempo, mais ou menos.
Diário de Palco + TMDQA!: Rob Pope (Baixista) disse que o "Something To Write Home About" foi o último bom álbum de um gênero (emo). Não somos muito fãs de ficar rotulando as coisas, mas você considera que o Get Up Kids já foi uma banda emo, e que vocês fugiram do rótulo com os discos "On A Wire" e "Guilt Show". Se sim, isso foi de alguma maneira intencional?
James Dewees: O Robbie realmente disse isso, e ele estava brincando. Nós éramos uma banda "emo" muito antes do termo começar a ser utilizado. Aí a gente caiu fora do gênero assim que ele virou um gênero. Desde que o Matt esteja cantando, o som será The Get Up Kids.
Diário de Palco + TMDQA!: O Suptic disse em uma entrevista que a cena está toda esquisita nos dias de hoje. O que você acha das bandas coloridas que por algum motivo estão sendo chamadas de emo, e qual é a sua opinião sobre o fato delas estarem sendo associadas com o gênero?
James Dewees: Eu realmente não sigo mais a cena. A cena underground sempre ficará grande demais pra ela mesmo e aí uma nova cena underground vai aparecer, isso tem acontecido desde o começo e continua assim. A cena underground da qual viemos simplesmente acontece de ser chamada de emo.
Diário de Palco + TMDQA!: Uma das melhores notícias que a gente ouviu esse ano foi que vocês têm novas músicas e provavelmente as lançariam em vinil no próximo ano. Somos muito fãs de vinil, qual é a sua opinião sobre todo o lance MP3/CD/Retorno-do-LP que está acontecendo hoje em dia?
James Dewees: É inevitável que o vinil vai ser para os colecionadores e mp3s são para fãs.
Diário de Palco + TMDQA!: Um amigo nosso, Victor, recentemente viu um show de vocês em Salt Lake City e disse que conversando com alguns de vocês após o show, foi dito algo sobre shows na Argentina (referência à resenha que Victor fez para o portal PunkNET). Isso é verdade? Há chances de isso virar uma turnê Sul-Americana e passar pelo Brasil?
James Dewees: Não sei.
Diário de Palco + TMDQA!: Obrigado pelo tempo e pela paciência, e sinta-se à vontade pra deixar seu recado aos vários vários vários fãs brasileiros.
James Dewees: Oi Brasil! Espero vê-los em breve.
Eu sei que meu post anterior já havia sido sobre o Samiam. Mas acontece que não resisti e peguei a estrada para ver ao outro show deles. Fui então, para a Hocus Pocus, em São José dos Campos/SP assistir de perto e desta vez cantar junto com eles algumas músicas.

De volta ao Brasil e ao Vale do Paraíba 7 anos após a primeira visita, o Samiam levou um público old school no show de São José dos Campos, na penúltima apresentação antes de finalizar a turnê sul americana. Em 2002, eles haviam tocado em Taubaté/SP, na mesma região e segundo o guitarrista Sergie Loobkoff, foi o show mais estranho da turnê, pois o local onde tocaram, o antigo Chopp do Poeta era uma casa mais parecida com um corredor gigante. O lugar era fino e findo e era preciso andar pela balada toda antes de chegar no palco (e se não me engano, foi lá que assisti o primeiro show de rock da minha vida!).
Muito tranquilos, Sergie, Jason, Johnny e Sean passaram a noite bebendo suas cervejas e conversando com os fãs que eventualmente apareciam. Estavam sem o baixista Billy, que precisou voltar para a gringa. Improvisados, tocaram em seu lucar César Capanez, manager da tour e proprietário da Highlight Sounds e Edmundo Clairefont, ex-guitarrista do Againe.
Fui lá novamente (claro!), com meu inglês pra conversa rápida e para algumas fotos, clicadas pelo meu amigo Mauricio Santana, que gentilmente cedeu as fotos deste e do post anterior:

A Hocus Pocus estava só meio cheia, apesar do evento ter o Dead Fish como banda de apoio - ou talvez como banda principal, já que fecharam a noite com o público mais ensandecido de todos. O Zander, que havia tocado no show de São Paulo, apareceu de surpresa e tocou antes dos gringos. Foi surpresa mesmo, já que só se acertou a apresentação deles um dia antes. Também tocaram no inicio da noite as bandas Street 123 e Medievaz.
Quando o Samiam subiu no palco era quase meia noite. Abriram com Take Care, segundo o set list do baixista Cesinha (ainda não sei o nome de todas as músicas...), que toda hora olhava qual era a próxima música da lista e quais as notas de cada uma. Em Get It Right, ele anotou como tocar a música inteira. Bem improvisado e bem resolvido. Não ouvi o baixo fazer nenhuma cagada, embora o som não tivesse lá essas coisas.

Logo no começo a galeria gritou por Sunshine e Dull. O primeiro pedido foi atendido rapidamente, sendo a última música de Cesinha no palco. Uma música antes, na parte final de Mud Hill o som se embaralhou todo. Algum fio solto iniciou um ruído que estragou a música.
O “segundo tempo” no baixo começou com Eduardo tocando Capsized (minha música preferida deles) e No Size That Small. Menos preocupado com o set do que o baixista anterior, ele se empolgou mais. Nos intervalos entre as músicas, os guitarristas deram toda a atenção possível para os fãs na beira do pequeno palco.


O ponto alto foram as duas últimas músicas: com She Found You e Dull, a galera fez questão de beirar o palco e cantar o mais próximo possível de Jason.
Sem dúvida, valeu a pena a viagem e chegar em casa às 7h da manhã. E só não fui para o Rio de Janeiro ver o último show porque faltou companhia. Na próxima, quero assistir todos. Virei fã MESMO!

Tenho certeza de que minha amiga Gabriela Munin vai ficar bem brava com o que vou escrever aqui, mas também acredito que até o final do texto eu me redima: Gabi, ontem eu escutei Samiam pela primeira vez na vida!
Antes que ela e todos os fãs que estiveram ou não no Hangar 110 me xinguem, explico: sabe aquelas bandas que você sempre ouve falar e ficam em alguma lista mental, perdida no mar de nomes de bandas dentro da sua cabeça? Então, eu tenho milhares destas bandas. E o Samiam estava por lá. Ontem eu pesquei o nome e tenha certeza de que eles ganharam um novo grande fã.
Comecei falando da Gabi pois foi ela quem me garantiu um convite VIP para o show de ontem. O Cesinha, da Highlight Sounds não respondeu meus e-mails, e eu acabei desencanando (depois do show ele me disse pra insistir nos e-mails, inclusive xingando, que ele responde!). No fim, acabei não me preparando para o show. Mas a história mudou quando a Gabi me ligou, umas 17h de ontem. “Tenho um VIP e preciso de companhia para o show do Samiam. Vamos?”
Não pensei duas vezes. Aceitei e na hora fui procurei dois discos deles. Fui pelas capas: Clumsy e You Are Freaking Me Out, que foram lançados aqui pela própria Highlight e eu já havia visto em muitas banquinhas de CDs por aí. Dei play no iPod e assim, três horas antes de assistir o show, pasmei. “Por que eu nunca ouvi essa banda antes, caralho?!”, pensei na hora. É emo pelas melodias e pelas letras. É hardcore porque tem peso e velocidade. É muito bem feito, é muito FODA!
Ao vivo, foi melhor ainda. Pela primeira vez na vida, assisti um show inteiro sem saber cantar música alguma e não fiquei de saco cheio. Pelo contrário. Senti uma vontade absurda de querer saber cantar. Percebi o quanto já ouvia bandas influenciadas por eles. Fãs de Hateen e de Garage Fuzz que eventualmente não conheçam Samiam: corrijam esse erro. Vocês vão pirar no som deles.
Depois do show, a banda desceu do camarim e ficou lá batendo papo com a galera. E tal qual a minha surpresa quando Sergie Loobkoff, um dos guitarristas, foi conversar com a Gabi (a mesma lá do começo do texto) e depois veio puxar papo comigo! Ele olhou minha camiseta do Diário de Palco e perguntou se era uma banda. Expliquei que era meu livro e ficamos lá, jogando conversa fora, eu com meu inglês meio embaralhado, salvo com a ajuda do Cuper, que também estava lá conversando sobre música, emprego, mulheres, São Paulo. Simples assim, dividindo uma cerveja.
Para terminar: como fã ultra-recente, faria uma resenha bem vagabunda sobre o show. Então deixo essa missão para dois amigos que encontrei no show e conhecem eles de tempos:
“O Samiam foi umas das primeiras bandas que descobri da safra de hardcore melódico e que já flertava com emocore e coisas mais diferentes nos anos 90. Tudo o que influenciou milhares de bandas anos depois, inclusive o Hateen, passou antes pelo Samiam. A música sempre energética já marca registrada do hardcore melódico, ganhava peso emocional com letras mais bem elaboradas e vocais que alternavam raiva e suavidade. Foi essa dinâmica que me conquistou desde a primeira audição, me fez repetir a dose de 2002 e ir até o Hangar 110 ontem ver uma das bandas que mais representam a minha geração.
O show foi ótimo, apesar de alguns problemas técnicos com a voz, que na segunda música já estavam resolvidos. Tomar quantidades abusivas de álcool com seus amigos e ver um show desses é sempre uma experiência marcante e inesquecível. Ontem virei tiete e fui no camarim tirar foto com a banda e tomar a décima oitava cerveja ao lado dos meus ídolos. Longa vida ao Samiam e voltem muitas outras vezes, pra fazer esse e muitos outros velhos roqueiros felizes. E que a nova geração tenha no mínimo a curiosidade de conhecer uma banda que está fazendo um dos melhores sons e shows da cena hardcore mundial por mais de 15 anos, bem antes do hardcore ser moda”
Koala, Hateen
"Samiam pra mim é uma das maiores bandas independentes do rock americano. Melodias marcantes e com uma simplicidade absurda. Bom, os caras estão desde 1988 tocando, não existiu época melhor no rock independente. O show foi sensacional! Muito superior ao show passado de 2002, que vi no Rio de Janeiro. Não faltou nenhuma música. Foi uma aula. FODA!"
Cuper, ex-Fresno
