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Uniforme xadrez para Shelka, Che e Daniel
Sei que estou repetindo a mesma banda em dois post seguidos por aqui, mas tem motivo: sexta-feira (27) fui assistir ao primeiro show aberto do Moscou. “Aberto”, pois houve antes uma apresentação no Bar Secreto, apenas para convidados, deles e de outros artistas. Estou acompanhando-os de perto e espero seguir assim, pois é muito gostoso ver uma trajetória desde o início.
Antes de falar do show, preciso registrar aqui: estava com saudades do Hangar 110. A casa que reúne toda a nossa “cena” e outras mais (de Olho Seco a Restart) é um lugar onde não deve ficar tanto tempo assim sem uma visita. E já devia ter uns 5 meses que eu não dava as caras.
Por volta das 21h45, eles subiram no palco. E me deram um susto ao executar “Agora é Tchau”: a banda estava fora de ritmo e a voz de Shelka, escondida. Caminhei de um lado para o outro do lugar, para ouvir as outras caixas de som, mas deu no mesmo.
O público avisou e eles foram se ajustando. Foram quatro covers (Phoenix, MGMT, Franz Ferdinand e Radiohead) e quatro próprias (todas do MySpace, menos “Bom Dia”). Meu susto passou e comecei a curtir da forma que imaginava que seria. E como poucas vezes, me dei ao prazer de cobrir um show sem um bloquinho de anotações, apenas com as minhas percepções.
“Menina Linda” e “Janaína” ficaram mais gostosas ao vivo do que no estúdio, o que me convenceu que o inicio ruim foi somente uma questão de nervosismo e ajustes no som.
Também percebi uma timidez deles em “assumir” a frente do palco (Che e Shelka agora também são vocalistas): pouco papo com o público, poucos sorrisos e pouca presença (todo mundo parado, tocando no seu canto).
Quem mais marcou presença foi o baterista Barros, que agradeceu o público, anunciou os links da banda na internet e parecia muito mais a vontade. Ninguém deve seguir uma cartilha no palco, mas eu espero muito mais empolgação de uma banda com pegada dançante.
Apesar das críticas acima, devo relevar: embora tenham uma bagagem vinda do Envydust, essa é uma banda nova. A música é outra, eles terão de se recriar e conquistar pessoas novamente (pouca gente estava lá, para ver eles, Medula, Aerocirco e Vivendo do Ócio). É só dar tempo ao tempo, já que até agora, boas músicas eles parecem saber fazer. E é assim que a coisa começa.
Se você já conhece a banda e está com preguiça de ler, vá direto ao quarto parágrafo.

Shelka e Che durante show no Bar Secreto
Em junho, na ocasião de um dos últimos shows do Envydust e nascimento do Moscou, entrevistei Shelka e Max, até então integrantes da mesma banda. No mês seguinte, ouvi as músicas da nova banda assim que elas foram lançadas, porém acabei não escrevendo aqui por falta de organização.
Se você não sabe do que estou falando, segue um resumo rápido: o Envydust, banda de rock pesado, acabou. em junho deste ano Todos os seus integrantes, menos Max, formaram o Moscou, com outra proposta musical – e este foi o motivo da mudança. de nome e da saída de Max. Tudo está explicado aqui e aqui.
Para não faltar outra vez, aproveito a ocasião do lançamento da nova música do Moscou para falar sobre o conjunto todo. Muito dançante (para ouvir na pista mesmo, com DJ tocando), com batidas eletrônicas empolgantes e uma cara de som indie-cult.
Foram lançadas quatro músicas: “Agora é Tchau” (que tem uma letra sem graça, mas é boa pra pista), “O que bem quiser” (que tem uma letra ótima, mas não serve tanto pra dançar), Janaína (tem cara de uma letra em inglês, traduzida para o português) e a com maior posto de hit (e cara de Franz Ferdinand), “Menina linda”. Essa última tem a letra perfeita pra pista. Conta uma historinha sobre uma festa, com bebida e pegação.
Todas estas foram lançadas em 15 de julho, no MySpace deles. Mas a grande novidade da semana deles é “Bom dia”, lançada nesta segunda-feira (23). Essa já tem clima de última faixa do disco: tranquila, instrospectiva e séria. Fica no final não porque seja ruim, mas porque quebraria (e provavelmente o objetivo é esse) o ritmo das outras. Um piano domina o clima sombrio da música e foi gravado por Lucas Silveira (sim, o da Fresno), amigo deles e que ataca como DJ em algumas das festas da 4 e 20.
Gostei, mas prefiro dançar.
Uma porção de fotos do show estão no blog Mosh, da Taiz Dering
Fui neste domingo (22) assistir a um show de um cara que dificilmente vai voltar para o Brasil nos próximos anos. Mike Herrera, do MxPx, tocou para cerca de 150 pessoas no Carioca Club, em São Paulo. O lugar comporta até 1200, segundo informações da própria casa.
Após shows do Galo Darve e do Kiara Rocks, as atrações internacionais. Primeiro, o Feels Like Friday, representado somente pelo seu vocalista, Jose Garzon, também no formato voz-violão. Me pareceu que ninguém esperava ele por aqui, pois quando as cortinas de abriram e Mike não apareceu, o público ficou com cara de interrogação. Ele até canta bem e agita em cima do palco, mas como ninguém sabia quem ele era, o show foi curto, com somente seis músicas. Após o show, ouvi as músicas da banda em versão elétrica e gostei muito mais da apresentação solo.
Às 20h35, chegou Mike Herrera. O set em voz e violão foi baseado nas canções do MxPx e no palco ele foi bem simpático. Pediu indicações, conversou com os fãs e cantou músicas como Move to Bremeton, Don't Walk Away, Cristalena, Secret Weapon, Responsability, Punk Raw Show, entre outras, que empolgaram os fãs em boa parte do show, embora não dê para pular tanto quanto se fossem as versões elétricas.
Entretanto, do ponto de vista do que se esperava dele, o show foi muito fraco - embora o Carioca Club seja bem grande (e maneiro). Os ingressos, que começaram a ser vendidos por R$50, acabaram sendo comercializados por R$10, pela comunidade da banda no Orkut. O mesmo aconteceu em 2008, no Festival Maquinaria. Poucos fãs e ingressos sendo distribuídos de graça pelo MSN, pelos integrantes de uma dezena de bandas de abertura.
Após o show, me irritou muito a forma como Mike atendeu os fãs. Antes de encontrá-los, mandou avisar que só iria atender os que tivessem comprado algo de seu merchandising. O cara esta no último show de uma turnê solo, viajando só com outras duas pessoas (ao que parecia, era ele, Jose e o cara do merchan) e visitando um pais e uma cidade que já conhece. É preciso mesmo fazer isso?
Mesmo assim, esperei para fazer uma entrevista com ele (Fica aqui meu agradecimento ao assessor de imprensa Constábile Jr., que foi super gente fina todo o tempo). Comigo, Mike foi simpático e explicou que nos EUA o MxPx é considerada uma banda média de sucesso médio, o que faz com que seus músicos precisem outros empregos (ele possuí um estúdio, o Monkey Trench e produz vários artistas).
Esse teria sido um dos motivos da “saída” de Yuri, baterista que deixou o MxPx em julho, após 18 anos de banda – embora, segundo Herrera, ele ainda possa fazer aparições com a banda e estar com o MxPx em estúdio. Mas creio que após essa turnê que, segundo o próprio, “teve um bom público” no show de São Paulo, nem Yuri, nem Herrera, devem voltar tão cedo para tocar aqui.
Se eu já não fosse fã, não daria a menor bola para essas caras de modeletes
O Anberlin está desde o começo do ano preparando seu disco novo, "Dark Is the Way, Light Is a Place", que deve ser lançado dia 7 de setembro.
Entrevistei o vocalista Stephen em março, quando vieram ao nosso país (segundo ele, as gravações só foram pausadas porque os shows eram no Brasil e eles estavam muito empolgados para tocar aqui) e ele me falou que o álbum que este é o melhor álbum que o Anberlin já fez. Todo artista joga esse papo quando fala sobre um novo trabalho, mas uma frase (e a entonação de voz dele para falar) me fez acreditar que Stephen estava realmente sentindo aquilo: "Tenho certeza que será o melhor que já fizemos. Se não for, teremos de parar, porque não há como fazermos algo melhor".
A primeira amostra do álbum foi "We Owe This to Ourselves", que tem um clipe feito com um catado de imagens de vários shows, mas mostra uma música genial, no estilo que já conhecemos de Anberlin. A segunda é o single "Impossible", que já ganhou um clipe maneirasso e soa como um "Anberlin evoluido". (as duas foram lançadas em datas próximas, não sei exatamente qual foi a primeira).
A capa de "Dark Is the Way, Light Is a Place"
A terceira é "Pray Tell", que tem outra cara. Acho que é isso que Stephen estava pensando quando falou da forte presença do produtor Brendan O'Brien (Pearl Jam, Incubus, Velvet Revolver, The Offspring e outros) no álbum. Da para perceber o som seguindo por um caminho, mas no sentido de explorar algo novo e não remodelar algo para fazer sucesso (como me pareceu o caso de "The Feel Good Drag", por exemplo, que eles regravaram no mais recente disco, lançado por uma gravadora major).
Mas a música tem mais história. Em entrevista a Spin americana, Stephen falou que a "Pray Tell" foi influenciada pela turnê por aqui, onde descobriu a música brasileira, foi influênciado pela percussão africana e que resultou em "um dos momentos mais mágicos no estúdio".
"Primeiro veio a batida, depois a letra. Comecei a batucar no chão do estúdio e depois em tudo que encontrava", explicou à revista. Todas as três amostras me deixam muito otimista quando a um grande futuro para eles (e a uma nova passagem pelo Brasil!). Em 19 dias conheceremos o resultado completo.
Para baixar "Pray Tell", clique aqui.
O Sugar Kane entrou em estúdio nesta segunda-feira (16) ao lado do músico e produtor Chuck Hipolitho para gravar novas músicas para os gringos.
Como eu já havia escrito aqui sobre o SK, em novembro eles devem embarcar para ao menos 13 shows na Europa e em 2011, para apresentações nos EUA. Pensando nisso, estão preparando material novo em inglês. Sete canções foram lançadas em julho. E novas três estão sendo gravadas ao lado do respeitado produtor.
Chuck e Capilé se conheceram em 2007, durante um show em Balneário Camboriu (na época, Chuck era do Forgotten Boys) e agora estão juntos no Costella, estúdio do produtor, em Perdizes (no mesmo bairro onde é a base do SK), São Paulo.
O resultado, que deve ser conhecido por nós em outubro, será composto além das três inéditas, da regravação de Digital Native (do EP de mesmo nome) e mais quatro das músicas lançadas no mesmo álbum. Todas serão remasterizadas por Chuck e deve sair em CD físico.
Vai ser uma mistura interessante: hardcore organizado por um cara com sangue mais hard rock. Tô curioso. Sem contar que a presença de Hipolitho deve render, além dessa qualidade, uma boa mídia para os que não dão atenção ao hardcore. Vai chamar a atenção e render bons elogios entre os jornalistas indies dos grandes meios de comunicação. Pode anotar e conferir depois.
Só para atualizar quem leu a matéria anterior com o SK: a turnê sul americana, que passaria por Chile, Uruguai e Argentina em agosto, foi adiada para dezembro.
E por curiosidade: como o próprio Capilé já havia comentado comigo na época do lançamento do Diário de Palco (o livro) ele pensa completamente diferente do que havia dito na época da entrevista. A banda tomou mesmo outro rumo. Eu acho legar lembrar. Quem quiser, o link está aqui, começa na página 75.
O SK é hoje uma das bandas mais ativas do hardcore brasileiro e não merecem que o sonho do rock acabe. Embora eles cantem (tem um fundo de verdade, mas a música é uma brincadeira, galerê) que "todos os meus amigos estão nas grandes gravadoras" (confira a música "All My Friends Are in Major Labels"), torço mesmo é para que eles sejam grandes sem precisar seguir o mesmo caminho.