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Entrevista com o Fake Number: Tony explica a saída da banda

27/01/2011 14:33:53

O Fake Number foi a primeira banda que eu conheço a deixar a onda Arsenal Music para seguir seu rumo por conta própria. No final de 2010, eles romperam o contrato com o selo. Mas o ano novo trouxe outras mudanças: Gah, Mark e Tony, fonte dessa entrevista, deixaram a banda.

Combinei uma tarde de almoço no Athenas, na última quarta-feira (19), e fiz com ele uma pequena retrospetica da banda, além de contar sobre sua nova vida e planos. 

Por que vocês decidiram sair da Arsenal?

Depois de um tempo, já não estava mais compensando para nenhum dos lados. Não estava rolando investimento e ao mesmo tempo estavamos presos. Queriamos lançar single e clipe novo, mas eles não queriam naquela hora.

Então era melhor nós sairmos e fazermos por nós mesmos. Conhecemos um monte de gente mandando bem e o clipe deve ser lançado ainda [da música 4 mil horas].

Meio que sem querer, acompanho vocês desde o início, quando ainda estavam em Lorena. Vocês cresceram muito rápido. São quantos anos de banda?

Vai fazer 5 anos dia 1 de abril. Com um ano, tinhamos lançado primeiro clipe e depois o álbum pela Urubuz Records, que abriu muitas portas. Foi o que o Marcio disse para nós: “Quero dar o pontapé inicial. Quero pegar a bola e chutar para o alto”. E foi isso que ele fez. Devemos muita coisa para ele.

Depois lançamos o clipe de Aquela Música e ganhamos vários prêmios no Zona Punk, incuindo o de melhor banda do ano. Logo depois disso, o Rick chamou a gente, no final de 2008. Iamos fazer três anos de banda quando assinamos. Foi rápido mesmo.

Quando assinaram, como foi?

Chocante. A gente ficou feliz para caramba, sempre fomos fãs do Rick. Sou suspeito para falar, mas acho um puta de um disco. Gravamos de novo o clipe de Aquela Música e começaram a rolar coisas que não tinham antes. Programas de TV, rádio, revistas. Deu uma visibilidade grande para a banda.

Mas ao mesmo tempo, rolou uma falta de novidades. E é preciso sempre ter algo novo. Uma música, um vídeo. Não pode deixar a galera te esquecer. Passou um ano e não lançamos nada novo. E tinhamos um disco inteiro pronto para trabalhar. Não sei como eles [a Fake Number] vão fazer agora, mas acho que deve sair um disco novo esse ano.

E tomar a decisão de sair da banda? Você ainda mora junto com a Elektra e o Neto.

Foi a decisão mais dificil da minha vida. Fiquei vários meses pensando até ter certeza. Não foi briga, mas com o tempo, as ideias foram ficando diferentes. Não tinha mais a mesma felicidade, então decidi que deveria dar lugar para outro que quisesse aquilo e não queria atrasar o lado deles. Decidimos isso agora em janeiro. 

Imagino uma cena assim: vai chegar o final de semana e cada um viajando para uma cidade e desejando “bom show” um para o outro. Ou quando for show junto, todos nós saindo juntos de casa. Vai ser uma troca de alegrias.

Agora sua nova banda é você, Mark e Gah. Os três que deixaram a Fake Number.

Ainda não tenho como adiantar muito, pois ainda estamos compondo. Mas vai ser um som diferente da Fake Number. Vamos nos internar em estúdio até o carnaval, para fazer cinco ou seis músicas e lançar um EP e um clipe. Depois do carnaval, vamos lançar as primeiras coisas.

Não vamos começar do zero, porque já sabemos como as coisas funcionam. Vamos começar do dois. A banda é nova, mas tem uma galera que admira a gente e está esperando o nosso som. Estaremos junto do Leon, que é um grande amigo meu desde que cheguei em São Paulo.

Também não sei qual vai ser o nosso público principal, vai ser uma mudança louca esse ano. Várias bandas acabaram e tá mudando a nova febre. Não é mais esse negócio colorido toda hora. Muita gente saiu de bandas e estão em projetos, então deve rolar muita coisa nova.

O que você não faria novamente?

Contratos, em geral. Com empresário, gravadora, produtora, shows, o que seja. Antes eu era deslumbrado. Hoje eu não vou assinar com ninguém só por um nome. Hoje eu quero ver trabalho, fazer um contrato legal e que tenha tudo muito bem esclarecido. Eu sonho com a cabeça na lua, ninguém paga para sonhar, mas fico com os pés no chão.

Me dê um exemplo de algo que fez crescer sua vontade de sair da banda.

Não se explicar exatamente o foi. O principal foi a questão do som. De resto, foi rolando uma falta de diálogo e aconteceu uma separação, foi criando um abismo. Nós sentamos para conversar e é uma coisa que todo mundo meio que sabia. Um falou, outro falou e terceiro também.

Deixar a gravadora deu um animo novo para a banda, mas deu vontade de fazer uma coisa nova. Tenho um projeto de bateria bem legal. Vão ser duas baterias e um outro músico que a galera conhece. Vamos para o estúdio, gravar e filmar. Quero mostrar o lado da bateria que a galera não conhece. Não é só o cara que fica escondido lá no fundo e instrumento que faz barulho. Quero mostrar que a bateria é um instrumento versátil. Espero ter uns três videos até o meio do ano.

Também quero aprender a pilotar um estúdio e voltar a fazer aulas de bateria. A última vez, fiz no Souza Lima, com o Fernando Baggio. Aprendi muita coisa de jazz, blues e ritmo latino. Continuei estudando sozinho, mas gosto de cada hora ter um professor.

Cinco influências que vão permear o som da sua nova banda

Começa com Blink, que é uma grande influência em mim. Anberlin, All Time Low, The Dammed Things. Ao mesmo tempo, vai ser bem trabalhado, vai ter peso e vai ser bem para a frente. É o que a gente transparece: todos alegres, brincalhões, que gostam de causar, junto com um som mais pesado. No palco, com certeza, serão cinco crianças pirando.

postado por Gustavo Pelogia