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Quando vocês se fodem meu coração faz uma festa

12/07/2010 23:14:45


A chuva é negra e um tanto quanto marginal

Toda vez que me perguntam sobre o “monstrinho do pacman” que tenho tatuado na perna, explico que tirei a ideia do álbum de uma banda chamada Fullheart. O álbum é basicamente sobre frustrações vistas de diferentes tipos de pessoas e/ou situações e até hoje é um dos meus preferidos. A banda acabou no inicio de 2007, mas a marca vai ficar para sempre, literalmente.

Por aí é possível imaginar o quão incrível é para mim, anos depois, ouvir o mesmo letrista e o mesmo cara cantando novamente. Os dilemas cantados do Chuva Negra, nova banda do ex-vocalista do Fullheart, Chinho, são como os meus. E é por isso que já faço parte da lista de fãs, mesmo sem a banda nunca ter subido aos palcos.

“A gente tá falando da mesma pessoa em duas bandas. Não dá pra medir o quanto tem de uma na outra. Mas achar que é continuação é exagero, as outras pessoas são diferentes, não seria esse o som que o Fullheart estaria fazendo se não tivesse acabado”, me disse Chinho por e-mail, ao ser perguntado se uma banda era uma sequência da outra. O novo grupo nasceu no final de 2007 e passou por um montão de formações antes de se estabilizar em agosto de 2009 com o quinteto que é agora.

Discordo parcialmente. As quatro músicas que foram divulgadas soam exatamente como o Fullheart seria em 2006 - ao menos instrumentalmente. Embora Chinho seja o único integrante em comum (que gravou e participou de toda a história do Fullheart), essa é a minha sensação ao ouvir quatro das faixas do álbum que eles já gravaram entre maio e junho no estúdio Rock Together. Mais um pedacinho da antiga banda é somada aqui, já que a gravação e mixagem do álbum foi feita por Otávio Boi, que tocou por anos no Fullheart.

O que mais me faz pirar no som deles (e da maioria das bandas, para falar a verdade) são as letras - o título desse post, por exemplo, vem da letra de “O.C.P”. As músicas reclamam da não-vontade de ter um carro, da pressão de virar um “pai de família”, da nostalgia em relembrar os amigos do colégio e outras coisas que eu vivo ou compartilho da mesma opinião.

“Os dilemas continuam, é claro. Ainda escrevo sobre eu mesmo e aquilo que observo, talvez aí exista a conexão com a banda antiga. Tenho minha vida retratada nessas letras e vai ser assim até eu enjoar”. Torço muito para que ele nunca enjoe.

Completam o grupo os guitarristas Thiago Nunes e Mateus Brandão, o baixista Gabriel Siqueira e o baterista Marcelo Sabino (ex-Falante), que algumas vezes veio me contar que estava “com um projeto com o Chinho” em shows aleatórios que nos encontrávamos por aí.

Sobre o nome, que eu achei bem estranho e negativo, Chinho rebate: “me amarro no céu quando está caótico, prestes a chover. Dá pra inventar mil histórias de como eu arrumei esse nome e só preciso dizer ele uma vez - minha vó entendeu de prima”, brinca. Confesso que vou olhar mais para o céu quando estiver com cara de chuva feia. Ah, e também é inspirado no filme de mesmo nome.

O primeiro teste ao vivo será no próximo mês e tem um gostinho dos velhos tempos: dia 7 de agosto, ao lado do Dance of Days, no Hangar 110. Estarei lá, rasgando a minha voz lá e relembrando os tempos de moleque.

Ouça CHUVA NEGRA aqui.

postado por Gustavo Pelogia