
Diário de Palco é uma página do Portal MTV onde Gustavo Pelogia fala sobre o vasto mundo do hardcore nacional. Livros, filmes, resenhas, entrevistas, fofocas e muito mais você encontra aqui.

Leia o título e escolha uma das opções: a primeira, fazer a sua e tentar sobreviver. A segunda, assistir a quem já fez e ver o quão isso é interessante (ou não).
O que eu mais gostei em Guidable – A Verdadeira História do Ratos de Porão é que o nome cumpre o que promete. Ou ao menos engana muito, muito bem. No resumo do que é a banda, todos os integrantes e ex-integrantes dão suas versões de suas passagens pelo grupo. E conseguem ir além do ódio cuspido nos palcos: são engraçados, insanos, enraivecidos e contam coisas quase inacreditáveis e tretas nunca resolvidas.
Do gordinho que achou que ia apanhar dos punks (e virou vocalista), da pilha de pó para cheirar até uma overdose, do visto francês que ninguém tinha para seguir viagem, da piada e da escrotice no playback do programa de TV. Em duas horas, o documentário relembra um montão de histórias, algumas boas, outras ruins (do ponto de vista de quem viveu), outras asquerosas, mas todas interessantes.
Tem mais: aprender a fazer pedra de crack, a amizade com o Sepultura, a bateria comprada na igreja evangelica, o baterista que foi zoado porque levou a namorada para a Europa, o integrante que queria matar o outro com uma faca, o baixista que ia ser convidado para formar a banda mas estava preso na Febem (por assalto a mão armada).
Se isso tudo não lhe parecer verdade nas minhas palavras, assista. Se ainda não gostar, talvez você tenha antipatia completa a eles e simplesmente vai xingar tudo que "a banda do João Gordo" fizer (se você acha que a banda é só dele, por favor, assista mesmo). 30 anos de banda é para poucos. 30 anos de podridão com orgulho, para pouquissimos.
É do caralho ver que uma banda tão rechaçada como traídora passou por tanta coisa e continua viva, pricipalmente nos becos e ainda faz juz ao nome que tem. E olha que, de verdade, eu nem sou grande fã deles.