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Sugar Kane aposta na Europa e EUA para (tentar) viver do Rock

02/06/2010 11:10:06


Capilé, o único da formação original e Rick, André, Pindé e Flavinho

Já são 13 anos nos quais Alexandre Capilé toca e canta na mesma banda. Já lançou sete discos, além de um CD e um DVD ao vivo. Já tocou em boa parte do pais, repetidamente nos mesmos lugares. Embora tenha quase sempre a agenda cheia e uma longa carreira dentro da música, ainda não vive bem dela.

Se eu fosse ele, também estaria de saco cheio.

"Não cansei do Brasil. Cansei de só fazer show no Brasil. É diferente", me explica Capilé, após o show no Clube Outs, no último sábado (29), em São Paulo. Ao lado, vem um grito de confirmação do baterista Pindé. Eles estão empolgados com os planos: shows na América do Sul, Europa e EUA. Para 2010 e começo de 2011.

"Estamos há anos e anos fazendo shows no mesmo lugares e queremos expandir. Ver o que acontece lá fora. Sabemos que é bem mais difícil, mas existe um mercado por lá que não é o topo, mas pode rolar". E ele está certo. É só contar quantas bandas você nunca ouviu na vida que tocam nos grandes festivais e para grandes públicos nos EUA, por exemplo.

"Quando os shows são legais como hoje, a gente não cansa tanto", diz, embora os planos sejam mais uma aventura, com esperança de realidade. "Estamos buscando conhecer, pois todas as bandas que nós gostamos tiveram que passar por esse circuito. A gente sabe que vai se fuder, que vamos tocar para ninguém em algumas situações, mas já estamos preparados. O pessoal vai assistir a gente ao menos pensar 'ah, eles sabem tocar direito...'", brinca Capilé.

Os planos brotaram no final de 2009, quando a banda rompeu com a Olelê Music no empresariamento e voltou a tocar o barco sozinha. "Aí nós pensamos. Vamos correr atrás de outro empresário, começar tudo de novo? Não, vamos embora!". Daí nasceu o novo trabalho do Sugar Kane, "Digital Native". Cinco músicas gravadas em inglês, que serão lançadas dia 7 de junho, sábado.

Em 2005, na finalização do álbum "Elementar", o Sugar Kane fez alguns shows nos EUA - o álbum foi masterizado e mixado, em Santa Bárbara e Portland, respectivamente. "As pessoas achavam legal, mas queriam músicas em inglês", diz. Ele diz até - coisa que nunca tinha ouvido falar até então - que a banda recusou a chance de estar em oito datas na Warped Tour. "Eramos patrocinados pela Vans, joguei um papo para o gerente e ele conseguiu na mesma época em que havíamos parado. Se tem uma coisa que para me arrepender com a banda, foi não ter feito estes shows", diz.

Nem todos os integrantes estavam dispostos, já que a banda havia decidido por um hiato, que foi de dezembro de 2005 até janeiro de 2007. "Talvez se tivéssemos feito, já teríamos aberta uma porta que vamos tentar abrir agora", analisa.

Mas agora, o lado gringo começa por perto. Em agosto, são 6 ou 7 shows pela Argentina, Uruguai e Chile. Em novembro, entre 13 e 15 datas na Alemanha, França e Holanda. "Na Europa teremos os custos garantidos", diz, abdicando de fazer algum dinheiro, como todo inicio de carreira é. Afinal, por lá, eles serão uma banda completamente nova. "O Nitrominds, o A-OK e outras bandas que já foram, deram essa dica para nós", explica Capilé. "Estávamos planejando as coisas, mas agora já bateu o martelo e em um ou dois meses devem estar marcadas as datas", prevê.

Depois destes 20 shows, o Sugar Kane embarca para os Estados Unidos, em fevereiro de 2011, se tudo der certo. "Esse é o nosso plano principal. Tocamos com o NOFX em Curitiba, o Fat Mike gostou do som e foi perguntar para o Cesinha" - dono da da Highlight Sounds, que trouxe a banda ao Brasil. "Ele perguntou se eramos uma banda nova, se tínhamos alguma algum disco e nós avisamos que vamos para lá. Tocamos um cover de Bad Religion, que chamou a atenção dele. Vai que a gente cai melhor do que nós estamos planejando?", diz, com a esperança que o cerca há tanto tempo e o mantém no rock. "Afinal, já temos o knowhow de 13 anos se fudendo por aqui".

 

postado por Gustavo Pelogia