

"E Você Com Isso?" é o blog de Marcelo Soares, jornalista que escancara os bastidores e absurdos da "gloriosa" política nacional.
Morreu nesta madrugada o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Tinha câncer no intestino e uma pilha de processos judiciais - incluindo os da famosa Operação Satiagraha, onde ele foi preso de pijama acusado de corrupção passiva, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e organização criminosa.
Pitta foi o único político brasileiro que eu conheça a ter repatriada grana desviada e lavada no exterior: um milhão de dólares, desviados da construção da avenida Águas Espraiadas.
Secretário de finanças da administração do Paulo Maluf, foi eleito em 1996 como sucessor do hoje deputado federal. Na campanha eleitoral do Pitta, Maluf dizia: "Se Pitta não for um bom prefeito, nunca mais votem em mim". Só que aí ele não foi exatamente um bom prefeito. Em 2000, ano eleitoral, calhou de ele se separar da mulher, Nicéa. Trocou-a por uma loira. E, como é da natureza, amor pode ser passageiro mas ex-mulher é pra sempre. Foi aí que o Pitta começou a dançar.
Em janeiro de 2000, eu participava do programa de treinamento da Folha de S.Paulo quando minha mestra Ana Estela me colocou em dupla com o repórter Chico de Gois para cobrir uma coletiva do Pitta. Não renderia muita coisa, exceto uma frase que marcaria os últimos momentos de sua gestão. No dia anterior, o presidente Fernando Henrique Cardoso havia dito que gostaria de ter sido ator. Questionado sobre o que gostaria de ser, Pitta respondeu:
"Tenho paixão pelas artes e gostaria de ser bailarino. Não seria um Barishnikov, mas daria meus pulinhos."

Charges com Pitta vestido como bailarina passaram a pipocar nos jornais sempre que ele "dançava" politicamente - e começou a dançar muito. A primeira pista que eu tive foi ainda no carro de reportagem, quando o Chico de Gois contou que seu sonho seria entrevistar a Nicéa Pitta. Largada pelo marido, ela poderia querer abrir a boca.
Terminado o programa de treinamento, eu fui contratado pelo caderno Brasil da Folha, para cobrir política. Foi quando eu comecei nessa coisa toda. Era o dia 10 de março de 2000, nunca esqueço. Era uma sexta. Apareci no jornal pra conversar sobre os detalhes e fui mandado pra casa - no caso, para o hotel onde eu estava ficando até arrumar onde morar.
Chegando lá, liguei a televisão e anunciaram o tema do Globo Repórter: Nicéa Pitta conta tudo. Durante uma hora, Nicéa contava detalhes de como seu ex-marido recebia propinas e que tipo de pressões políticas havia. O Memória Globo descreve assim a entrevista:
Nicéia Pitta contou que o prefeito tinha comprado o voto dos vereadores para encerrar a CPI da Câmara que apurava a máfia dos fiscais, disse que Pitta sabia da emissão ilegal dos títulos públicos e revelou novos nomes envolvidos no escândalo dos precatórios. Na entrevista, também surgiram denúncias contra personalidades de grande influência na política nacional. A ex-mulher do prefeito paulista contou que o senador Gilberto Miranda era o intermediário na cobrança de uma dívida do município de São Paulo com a empreiteira OAS, que pertencia ao genro do senador Antônio Carlos Magalhães. A entrevista para o repórter Chico Pinheiro foi ao ar no dia 10 de março.
- No final do programa, o apresentador Sergio Chapelin leu uma nota divulgada por Antônio Carlos Magalhães na qual o então senador afirmava jamais ter telefonado para Celso Pitta e sua mulher ou para Gilberto Miranda. ACM desafiou os assessores do prefeito a provarem o contrário.
- Um dos resultados da denúncia de Nicéa Pitta foi a reabertura da CPI no Senado Federal. Outros esquemas de corrupção na administração do município de São Paulo também foram revelados, como a compra de remédios superfaturados pela Secretaria Municipal de Saúde.
Nos meus primeiros meses cobrindo política, participei bastante da cobertura do caso Pitta, como apoio dentro da redação aos repórteres que estavam na rua. O rolo todo levou a seu impeachment, por 18 dias, quando ele foi substituído pelo vice Régis de Oliveira, hoje deputado federal. Na época, inclusive, os dois estavam brigados.
Maluf, espertíssimo, desembarcou de sua cria - voltando atrás do "se Pitta não for um bom prefeito, nunca mais votem em mim". Ao repórter Fernando Rodrigues, no auge das denúncias, Maluf disse a frase: "Se eu sujei, deixa eu limpar". Outro que também desembarcou de Pitta foi o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab - secretário de Planejamento de Pitta, que elaborou o Plano Diretor da cidade na época. Maluf e Kassab mandaram pêsames à família, mas sem tocar na velha amizade.
Ao final do mandato, Pitta era réu em 13 processos. Com sua morte, não há mais a quem punir quando os casos forem julgados. Seu advogado culpa os processos por agravarem seu estado de saúde. Vejam só.
O impeachment do Pitta foi o começo do fim do malufismo. Você pode dizer que Maluf ainda foi o deputado federal mais bem votado em 2006. Mas ele só resolveu se candidatar a deputado federal porque sabia não ter mais votos para ser prefeito. Nas eleições de 2000 até foi para o segundo turno, mas perdeu. Em 2004, nem ao segundo turno chegou. Como deputado federal, ainda tem a garantia de im(p)unidade parlamentar, com foro privilegiado e tudo mais. Com a idade que tem, também reduz o prazo para os processos contra ele caducarem.
Quando eu trabalhava na Transparência Brasil, um dia a Nicéa Pitta ligou dando uma boa notícia: o Ministério Público havia conseguido repatriar US$ 1 milhão desviado das obras da Águas Espraiadas. Tudo por conta de uma denúncia dela. A conta estaria em seu nome, e o banco ligou de Nova York para ela ir sacar. Ela passou direto a dica para o MP.
Enquanto isso, Maluf segue dizendo que "não tem nem nunca teve contas no exterior".
Foi aprovada hoje na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados um projeto de lei que obriga os pedestres a fazer sinal com a mão pra atravessar em ruas que não tenham sinal de trânsito e guardas de trânsito. A proposta, que segundo o Congresso em Foco ainda precisa ser analisada no Senado, diz o seguinte:
“Para cruzar a pista de rolamento, o pedestre tomará precauções de segurança, fazendo gesto com o braço, quando necessário, para solicitar a parada dos veículos, levando em conta a visibilidade, a distância e a velocidade dos mesmos, utilizando sempre as faixas ou passagens a ele destinadas”
Ou seja: está literalmente na mão do pedestre, que pesa em média 70 quilos de carne e osso, a responsabilidade por não ser atropelado pelo motorista, que dirige um veículo pesando uma tonelada de lata e plástico. Não devia ser o contrário?
Tente atravessar a rua em São Paulo, mesmo com o sinal fechado para os carros. Váris motoristas fazem todo tipo de barbeiragem pra continuar passando. Muitas vezes, na frente dos guardinhas de trânsito. Muitas vezes, até param no sinal vermelho - mas em cima da faixa destinada aos pedestres. Fazem isso porque sabem que sairão impunes.
Porto Alegre, salvo engano, foi a primeira cidade a obrigar o pedestre a levantar a mão pra parar o trânsito. Eles até inventaram um sinal de papelão, com uma mão gigante. Eu acho isso uma besteira incrível - e o blog Memento resume bem por quê.
Nunca canso de lembrar de quando eu estive na Suécia. Lá, o sinal podia estar aberto e tudo mais, mas se um pedestre está no meio-fio o motorista FICA CONSTRANGIDO se ele não atravessa esperando que o carro passe. Duvido que haja lei que obrigue o pedestre a dar sinal pra passar. Os ufanistas que me desculpem, mas país civilizado é outra coisa.
A prioridade é outra - baseada especialmente no reconhecimento da noção de que o pedestre tem que ter prioridade por ser a parte mais fraca (e, aliás, menos rápida). Aliás, o Código de Trânsito, de 1997, prevê exatamente isso. Mas acho que essa parte não é cobrada nas auto-escolas e testes de direção - eu não sei se é ou não, porque nunca fiz questão de aprender a dirigir. Ou isso ou o problema da venda de cartas de motorista é mais grave do que parece.
(Ou não. É meio óbvio que o pedestre é a parte mais fraca e deve ter prioridade. Há tempos eu defendo que todo vestibular, teste de direção, concurso público e entrevista de emprego devia incluir um teste de noção. O lado ruim disso é que reprovariam muito mais.)
Fazer lei obrigando pedestre a dar sinal pra exercer seu sagrado direito de atravessar a rua é um negócio meio inócuo se não punir direito os motoristas que passam por cima, seja da faixa de pedestres, seja da educação ou seja do próprio pedestre. É fácil dizer "respeite o pedestre", assim como era fácil dizer "se for dirigir, não beba". Mas precisou da lei seca pra criar um pouco mais de obediência a essa lógica.
O maior problema de criar qualquer restrição aos motoristas é de uma só ordem: todo motorista tem idade pra votar. Pedestre ou é criança, ou é velho, ou é pobre, ou é algum tipo esquisito de maluco que não vê motivo pra comprar carro. Portanto, ou não vota ou são votos de segunda classe.
E você, o que pensa a respeito?

"Não creio que o papel principal de um jornalista livre numa sociedade livre seja expor a sujeira. Isso é apenas parte do trabalho, suponho. O verdadeiro problema é fornecer uma compreensão maior das complexidades em que seu país, seu povo e sua época estão envolvidos. Nosso trabalho é traduzir essas questões, estudá-las. O trabalho principal não é desgraçar ninguém, nem difamar ninguém, e sim fornecer compreensão."
O trecho acima é de I.F.Stone, polêmico jornalista americano que teria completado seu centenário em dezembro de 2007. Sou fascinado pelo trabalho dele há mais de dez anos, desde que li um artigo sobre sua metodologia de reportagem, mergulhando em documentos oficiais para achar as lacunas que as aspas tentam encobrir. Stone, relia, lia mais e mais vezes os documentos e encontrava, nas sutilezas, contradições e silêncios, o que os governos estavam tentando esconder.
Para ele, ávido leitor de Kropotkin na juventude, "todos os governos mentem, e o desastre está à espera daqueles que fumam o mesmo haxixe que vendem". Ou seja: dificilmente um governo trabalha com a mesma informação que divulga. Cada vez mais, a informação divulgada é antes maquiada e arrumadinha pra ficar palatável e gerar o mínimo de controvérsia possível e evitar que o governo sofra críticas. Jornalistas que se prezam, como Stone se prezava, não compram peixe podre assim tão fácil.
Seu centenário foi comemorado com um evento na New York University. A Fundação Nieman criou um prêmio a jornalistas independentes homenageando o velho mestre. E a família pôs no ar um site com informações sobre a vida e carreira de Stone - e alguns exemplares do I.F.Stone's Weekly, o jornal que ele editou independentemente em Washington durante vários anos - mantendo-se praticamente só com a boa receita das assinaturas.
Stone era uma figuraça. Foi um cara que apoiou causas erradas e depois teve a macheza de mostrar os erros - com apuração própria.Já aposentado, usou o mesmo método para reconstruir o Julgamento de Sócrates. Ele aprendeu grego arcaico para ler no original os poucos textos que restam falando do assunto em primeira mão. Neles, achou os mesmos tipos de lacunas que achava a respeito das justificativas para os EUA irem à guerra do Vietnã. Já é um projeto de aposentadoria, não?
(Não deixe de ler esta genial auto-entrevista em que ele descreve o método de pesquisa utilizado para o livro.)
O site feito pela família não é tão completo quanto o feito em homenagem ao colunista brasileiro Carlos Castello Branco, mas está bem bom. Todas as edições do seu semanário estão online. Destaco dois exemplares do I.F.Stone's Weekly ali disponíveis: a última edição, de 1971, onde Stone faz um balanço de sua carreira, e uma de 1968 em que ele usa sua poderosa metodologia para chegar à seguinte conclusão sobre o episódio do Golfo de Tonkin: "só sabemos que fomos nós que atiramos primeiro".
Grande batalhador da liberdade de expressão, ele resumia assim suas idéias a respeito: "Acredito que nenhuma sociedade pode ser boa e saudável sem liberdade de dissenso e de independência criativa". Assino embaixo.
Quer conhecer mais do I.F.Stone? Então vá atrás dos livros abaixo:
"O Julgamento de Sócrates", do próprio
"The Best of I.F.Stone", coletânea de artigos dele
"All Governments Lie", de Myra McPherson (o primeiro capítulo saiu no New York Times)

Pronto, agora os dois principais pré-candidatos a presidente estão em iguais condições de competir: a Dilma precisa explicar o apagão e o Serra precisa explicar a queda da viga de um viaduto do Rodoanel. Caíram três vigas, de 85 toneladas cada, segundo a Dersa, responsável pela obra. Instaladas nesta semana, teriam caído "em efeito dominó". A viga que ficou em pé foi retirada para não cair. Dois homens e uma mulher ficaram feridos.
O trecho sul do Rodoanel, onde caíram as vigas, teve em janeiro a inauguração anunciada para este mês. Ou 19 meses ANTES do prazo originalmente contratado. A pressa tinha um motivo: no ano que vem tem eleição e todos os candidatos querem ter imagens bonitas pra usar na campanha eleitoral. A obra é uma das estrelas do governo do Estado em suas propagandas.
Sem poder culpar raios, o governador de São Paulo disse o óbvio: houve falha na obra. Será apurada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas. É o mínimo que podia fazer para marcar posição. Horas antes de caírem as vigas, o governador estava criticando o governo federal por atribuir o apagão a ventos e raios detectados pelo Edison Lobão com dias de antecedência em relação ao INPE.
A Folha informa que no começo do ano já tinha havido um relatório informando que havia movimentações de terra no local onde houve o desabamento. A construção vem sendo feita por algumas das maiores empreiteiras do Brasil - incluindo a OAS, que também participa da construção do metrô onde houve outro famoso desabamento, lá em 2007. No desabamento do metrô também houve indicações anteriores de que o terreno podia ser instável. Com o mesmo tipo de problema.
Sem falar que, no ano passado, como lembra o Josias de Souza, o Tribunal de Contas da União anotou que a obra do Rodoanel estava se valendo de gambiarras, tipo usar menos material do que o que foi pago. Isso acelera a construção, mas também aumenta o risco de dar problemas.
Tanto no caso do metrô quanto no caso do Rodoanel a obra prosseguiu mesmo assim.
Por demais preocupados em ter o que mostrar na propaganda eleitoral, suas excelências deixam de lado a qualidade do serviço que entregam ao cidadão - que, ao fim e ao cabo, é quem banca a dança das cadeiras deles.
Quem se ferra, sempre, somos nós. O deles está garantido se ninguém notar a gambiarra.
Vale para o governador José Serra o mesmo aviso muito razoável que ele deu ao governo federal horas antes de desabar o Rodoanel: "o problema é por que o sistema é tão vulnerável a isso".

Ontem, quando eu estava no estúdio do Debate MTV conversando com o Lobão e outros cinco participantes sobre o apagão da razão da gurizada da Uniban no caso da estudante das pernas de fora, estava rolando um outro apagão no Brasil. Resumo da ópera: a gente estava falando, mas pouca gente estava vendo: o blecaute pegou 18 estados do Brasil.
Até agora não se sabe dizer direito por que é que ele aconteceu. Itaipu, que gera a energia, diz que o problema não é de geração -- num típico discurso de primeiro encontro de piada, disse que "nunca havia acontecido antes". Diz o Ministério das Minas e Energia que houve problemas em três linhas de transmissão. Furnas, que transmite a energia, diz que não houve problema nas torres. Foi por causa do mau tempo? Pode ser, mas pode não ser. Outros blecautes foram causados por péssima manutenção dos equipamentos - coisa que eles também dizem que não vem ocorrendo.
Só se tem certeza de que houve um apagão. Você sofreu com ele, e talvez até tenha tido algum equipamento queimado (saiba aqui como pedir ressarcimento).
Para os nossos caríssimos políticos, porém, a desgraça do povo SEMPRE se traduz em festa.
O cientista político Sérgio Abranches lembra um problema importante do Ministério das Minas e Energia: o loteamento político dos cargos. Que já aconteceu antes e continuou acontecendo depois.
Sobre esse gre-nal, essa coisa de pátio de escola de "seu apagão é maior que o meu", tomo emprestadas as palavras do mestre Alon Feuerwerker:
Há um “efeito Katrina”. Os porta-vozes governistas estão mais preocupados em explicar por que o apagão de Lula é diferente dos de Fernando Henrique Cardoso. E não em pelo menos simular que a prioridade é com a segurança e o conforto dos cidadãos, suas famílias e seus negócios. E há um “efeito missão cumprida”, já que o governo vinha dizendo, insistentemente, que fato como esse não mais iria ocorrer.
É o risco que Lula corre. O triunfalismo virou peça permanente da sua retórica. E o triunfalismo tem seus problemas. Ele passa razoavelmente ileso pelos “pequenos” transtornos (como o número de mortos pela gripe suína), especialmente quando mascarados pelas boas notícias que saem da linha de produção. Mas se tem um apagão —e que apagão!— o contraste entre o discurso e a realidade fica evidente demais.
Ainda que Lula possa ter razão quanto às diferenças entre o apagão dele e os de FHC. E ainda que Bush estivesse realmente certo quanto ao fim das grandes operações de guerra no teatro iraquiano.
Quem está interessado em saber se o apagão de Lula é melhor ou pior que os de FHC? Petistas, tucanos e agregados em cada um dos dois lados. Além, naturalmente, da turma que espera por uma beirada no Orçamento, ou pela nomeação para um cargo de confiança, a partir de 2011, conforme quem levar vantagem na urna.
O resto do país está mais ocupado em entender como o governo vai fazer para evitar que se repita. Quer saber as iniciativas que vão ser tomadas (e que já foram tomadas) para aumentar a confiabilidade do sistema. Que é inconfiável, óbvio. E as pessoas querem saber também por que aconteceu. E se poderia ter sido evitado. Neste último caso, vão querer o nome de quem vai pagar o pato, politicamente falando.
Assim é que funciona. Ou deveria funcionar. Não dá para Lula querer enfrentar o assunto na base do “meu apagão não é tão grave quanto foi o seu” ou do “deixem comigo, pois meu governo tem 70-80% de aprovação e eu sei o que estou fazendo”. Ou do “eu fiz o máximo, não encham”. Não é assim que funciona na democracia. Ou não deveria ser.
Na falta de informação, abunda a teoria da conspiração. Há vários interesses em jogo:
Mas vamos olhar o contexto maior aqui?
PEIDEI, MAS NÃO FUI EU
Ninguém no Brasil assume responsabilidade de nada.
Ninguém teve culpa pelo apagão.
A Uniban botou na aluna sem noção a culpa pelo talibanismo medieval dos seus alunos, expulsou a aluna, voltou atrás e segue botando a culpa nela mesmo assim.
Ainda ontem o traficante Fernandinho Beira-Mar foi julgado por um assassinato na cadeia. Ele nega, embora haja gravações. Foi condenado. Ontem o pessoal do MS achou que foi ele que causou o apagão.
Nenhum político nunca foi punido no Brasil por corrupção. Eles dizem que o problema é que seus adversários ficam fazendo acusações injustas. Ou seja: todos os políticos brasileiros são santos, cujo único defeito é a mania de ficar acusando os colegas.
Difícil avançar num país assim, concordam?
Só nos resta cantar com o Lobão o Hino do Peidei mas Não Fui Eu.
