

Farofa Moderna é um blog sobre jazz e Música Instrumental Brasileira, onde você pode curtir todos os estilos do Jazz Moderno ao Contemporâneo, passando pelos cruzamentos atuais entre Jazz, MPB, Hip Hop, Pop e Rock. Confira essa mistura de sons em atualizações diárias com Vagner Pitta.

Gospel! Soul-Jazz! Funk! Rock! Acid Jazz! Jazz Contemporâneo! Esse foi, mais ou menos, o percursso que o orgão seguiu dentro do universo da música norte-americana, sendo que até bandas de rock progressivo como Yes, Emserson, Lake & Palmer e Pink Floyd usariam este instrumento em suas músicas. Antes da década de 40 o modelo de orgão vigente era o pipe organ ou o orgão de fole. Na década de 40 surje o orgão Hammond, já sintetizado e eletrônico, o que permitia ao músico criar dinâmicas e efeitos só possivel nesse instrumento. Até a década 50, o orgão era um instrumento mais comum em igrejas protestantes afro-americanas ou em clubs de regiões de maioria negra onde se podia apreciar blues. No jazz, alguns pianistas, como Fats Waller, já vinham usando o orgão pra criar certas nuances e arranjos. Mas foi com Jimmy Smith que o orgão chegou, de fato, aos clubes de jazz de Nova Iorque. Jimmy Smith ficou famoso não só por ter popularizado o orgão no jazz, mas por ter trago junto consigo a pegada do gospel e soul, criando o estilo do Soul-Jazz na década de 50.

Vários organistas como Jimmy McGriffy, Jack McDuff, Richard Groove Holmes saíram de suas cidades para presenciar Jimmy Smith nos clubes mais famosos de NY, dentre eles Small's, Caffe Bohemia, Birdland, dentre outros. Neste podcast nós ouviremos, também da mesma época que Jimmy Smith, o organista Jack McDuff, que foi o cara que revelou o guitarrista George Benson. Aqui McDuff está numa gravação de 1961, Soul Summit, com os saxofonistas Gene Ammons e Sonny Stitt. O nome da faixa: Suffle Twist!

Outro organista que merece atenção e hoje é uma lenda viva é o Dr. Lonnie Smith: o cara de turbante aí da foto! Lonnie Smith foi revelado no primeiro quarteto de George Benson em 1966, e depois seguiu com uma carreira solo bem diversificada, ou seja, antenada não só com o soul e funk da época, mas também foi influenciado pela world músic e até pelo free jazz. Convertido ao islãmismo, Lonnie Smith lançaria albuns como cheio de referências espirituais e místicas, com uma sonoridade bem carregada de experimentos e muito rhithm'nblues. Até hoje, Dr. Lonnie Smith faz grande sucesso em NY e no mundo todo. Tanto que a Associação dos Jornalistas de Jazz nomeram-no na categoria "Organista do Ano" em 2003, 2004, 2005, 2008 e 2009. No programa ouvimos o funk Come Together do excelente disco Rise Up, de 2009.

Atualmente, o único organista de grande destaque como Lonnie Smith é Joey DeFrancesco, que por vários anos tem ganhado o primeiro lugar de "Organista do Ano" pela revista Downbeat. Filho do também organista "Papa" John DeFrancesco, Joey é considerado o principal organista da atualidade, o que siginifica dizer que seus discos são recheados não só de aspectos do funk e soul, mas também rock e, principalmente, o jazz de aspecto mais contemporâneo. No programa coloquei a faixa Little b's poem, do disco Organic Vibes, de 2006.

Por ultimo você ouvirá o trio Soulive, da cidade de Buffalo. Esse trio é formado por Erik Krasno na guitarra, Alam Evans na bateria e Neil Evans no orgão. Trata-se de uma banda que caminha entre os estilos do jazz-funk e acid jazz, englobando pegadas gospel, hip hop, lounge, funk-rock e afins. Eles costumam ter, além da propria atuação do trio, o acompanhamento de trompetistas, saxofonistas, tecladistas, DJ's e etc. Eles já estiveram por aqui, no Brasil, tocando no Bourbon Street, jazz club de São Paulo e foi "ducaralho"! Vocês poderão ouvir a faixa Solid, do disco Doin' Something de 2001. Ademais, deixo abaixo os players do programa e dois vídeos com o James Carter Organ Trio, com um solo do fantástico organista Gerald Gibbs. Assistam! Ouça!
Ouvir (em pop-up)



