O músico e compositor Frank Jorge escreve, com sua visão peculiar e crocante, sobre a vida como ela é.

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Feios Para Sempre: Barão de Itararé e MGMT

23/09/2009 12:34:37

Versões

A história da música é algo bacana de se observar, ler, pesquisar. 
Não, não! Não se preocupe.
Nem me atrevo MESMO a tentar mostrar um quadro cronológico; recorra aos sites de busca e cate informações sobre o trovadores medievais, canto Gregoriano, Bach, Romantismo, Stravinsky, Ravel, Noel Rosa, Gershwin, Tom Jobim, Roberto Carlos, Odair José, Lou Reed ou Calipso. Pesquise: insisto!

O que importa é não se dar por satisfeito com o que você escuta habitualmente em casa, no rádio ou na TV, com amigos na balada, ou ainda, fugir convictamente e alegremente dos seus prediletos que entopem seu iPod ou demais tocadores de mp3.


Versões

Boa parte da construção de um novo estilo musical – podemos chamar também, uma nova linguagem musical, se dá pela mistura de outros estilos. Para todos os efeitos, todos sabemos que o rock’n roll surgiu no decorrer dos anos 50, logo ali, alguns anos depois do fim da II Guerra Mundial, numa cruza de blues (origem negra) com country (origem branca). Sim, tem trocentas outras expressões que contribuíram para o Rock do Bill Halley e do Elvis Presley chegar a este formato, com muito balanço, interpretação carismática, solos concisos de sax ou guitarra; o som das big-bands e o culto religioso “gospel”, contribuíram muito, também.

Conclusão: nada mais natural entender que se na sua origem o rock’n roll já e um resultado de estilos e influências diversas, sua cara vai mudar muitas vezes nas décadas seguintes. Sorte nossa! Como o próprio Lobão já citou nestes tempos, o ROCK vai ser o principal veículo de informação, interação, que dará uma cara,  uma identidade ao século XX.

Uma das bandas atuais que mais admiro vem cumprindo este papel: o MGMT.
Tem uma cultura neo-hippie século XXI ali, mas também utilizam sintetizadores, sons eletrônicos, letras irônicas, ou seja, nada mais rock’n roll; por mais que os roqueiros malvados de plantão torçam o nariz para novidades. (Calma! Não me joguem pedras! Também adoro o AC/DC!)

Inspirado nestas idéias todas e concepções antropofágicas digeri o som desta banda e tive o meu momento Renato e Seus Blue Caps: fiz minha versão para “Time to Pretend” chamada “Hora de Fingir” e mostro um trecho aqui.
Grande abraço!

Sinto que o vento me pergunta / e eu não sei responder
Onde andaria o meu amor / pra me ajudar a viver
Sinto que a vida é de verdade / e não preciso mentir
E não preciso de ninguém não / pra me divertir

Isto é o que eu decido / quero dá uma volta / quero dá um banda/ quero dar um rolê
Tá tudo tudo / muito mal / degringolou
É hora de fingir / é hora de fingir / é hora de fingir



 O Barão do Itararé

Nosso país tem uma tradição de oralidade tamanha.
Maior exemplo disto é o nosso atual presidente da República: no seu segundo mandato, mesmo sem domínio da língua culta, sem formação superior em alguma universidade, sabe se expressar como ninguém e atingir os seus objetivos. De modo algum, quero estabelecer um juízo de valores e avaliar o desempenho desta gestão de governo (já tem bastante gente, pró e contra, fazendo este papel), mas sim, endossar que uma boa “charla” tem o seu valor.

Charla = conversa, prosa; aqui pelo sul se usa este termo que vem do espanhol.

O meio jornalístico tem proporcionado muitas contribuições. São inúmeros os grandes pensadores que surgiram – e surgem ainda – nas redações dos jornais e cedo ou tarde, publicam coletâneas de textos desenvolvidos para o jornal, ou romances, livros de ensaios, biografias. Só alguns para lembrar: Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Paulo Francis, Ivan Lessa, Carlos Heitor Cony, Ruy Castro, Nelson Motta, ihhh... o velho problema das listas, sempre deixamos alguém de fora. Enfim, mesmo na era digital, o jornalismo, ou a produção de conteúdo urgente, ou a crônica diária lírica ou lúcida, com diploma ou sem diploma, segue sendo vital, necessária, “supimpa”!

Supimpa = algo bacana. 


Falando em oralidade e jornalismo: 
Pois uma criatura que deixou um legado e tanto, foi o jornalista gaúcho Aparício Torelly, mais conhecido pela alcunha “Barão do Itararé. Foi lançada em 2002, uma edição caprichada do seu “ALMANHAQUE” de 1955, organizada pela Imprensa Oficial/SP, EDUSP e Studiosoma. Uma espécie de coletânea do seu jornal “A Manha”.
Já deu para perceber a leveza do seu tom humorístico. Trabalhou muito tempo no Rio de Janeiro (1925/55) como jornalista, criticava muito o presidente Getúlio Vargas, outras figuras da política riograndense e nacional, zombava de artistas, mas sempre atento, sabendo brincar, sendo poético e filosófico. 
Assim como o nosso gosto para a música mudou muito diante do turbilhão de produções lançadas (bossa nova pode nos maravilhar ainda ou enjoar também?!), nossa capacidade de “achar graça” de alguma coisa também sofre com os contextos. Sim, temos hoje um humor trash em alguns programas de TV, atos indecorosos de políticos que só com muito humor para engolir, o stand up comedy firme forte; mas uma coisa é certa: vivemos melhor – e mais - com bom humor.

Algumas frases do Barão do Itararé:

- cana dá mais no Brasil que no Canadá.
- ingratidão é apenas falta de memória.
- tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
- bons não estão os negócios do algodão, mas sempre algo dão.
- ciúmes é mais amor próprio que o próprio amor.
- quem vive no Brás é brasileiro.
- o caminho é sempre maior que o caminhão.
- a promissória é uma questão de...vida, o pagamento, de morte.

postado por Frank Jorge

Feios Para Sempre: Cá estou de volta!

29/06/2009 11:41:32

Explicação é pra porteiro. Eletrônico. Digital.
Enfim, ainda tá valendo. Tóin.

Cá estou de volta!
 
Saudades: oito letras que choram.

Feliz contente; minha demora é injustificável, e assim, não perderei tempo me explicando.

Lembro quando os The Beatles resolveram diminuir a marcha; foi lá por 1966, cansaram de andar pra lá e prá cá... aliás, toda banda quer mais é viajar, uma vida de frejes e lambanças na estrada.

Tem prós e contras. Cedo ou tarde, todos tornam-se mais seletivos, seja pelo cachê e as condições, seja pelo exercício de convicção. Mas os guris de Liverpool já tinham ido à uma pá de lugares e principalmente, aos USA.

 Bajulações, histerias diversas e não é que praticamente inventam o videoclipe enviando os vídeos das canções Paperback Writter e Rain para o programa do Ed Sullivan, ao invés de atravessar o Atlântico?!

O tio Ed comenta com a cara mais inconformada do mundo que,  "neste ano, não teremos os Beatles ao vivo, cosa e tal".

Na intro dos vídeos, Ringo - com sua habitual crocância! - comenta que andaram muito ocupados, cozinhando, lavando louça.

Então, a humanidade está sempre ocupada há muito tempo!!!

Não descuidem: ver um bom e inútil filme de piratas com os filhos ou com quem você ama pode mudar sua vida.

Adorei a dica do Haxixins!!! Excelente banda. Valeu Justino.

Voltei a ouvir muito minha coletânea do Blus Magoos por causa deles.

Super abraço.

 

postado por Frank Jorge

"Não há problema algum em ser pessimista ganhando os teus beijos" (Frank Jorge/ Plato Dvorak)

01/06/2009 15:28:35

EXTRAI...QUÊ?!

NX?! ZERO.

FRES?!NO.

Pois é minha gente, esta poderia ser uma leitura do nosso momêntico solênico rockístico.

* meu abraço singelo aos fuzz-clubes destas bandas.

Nada nada nada nada contra nossos novos astros, juropordeus.
Mas existe bem mais por aí, para se ver, para se descobrir, para curtir.
Seja pela fusão, confusão, transfusão; criaturas diversas nesta república com impressões digitais verdadeiramente únicas. No meu entendimento - coração/ ouvidos atentos - irmãos dotados de uma brasilidade crocante.
Entenda do jeito que você quiser.

Mas enfim, ficou chato este negócio de ter que ser assim ou assado; a patrulha é forte e vigilante.
O negócio É, e pronto.
O Rock pode e deve ser pesado, suave, tradicional, experimental, pode ser o que você bem entender; sempre  uma forma de expressão democrática e acessível a três ou quatro moleques de Vassouras, Jundiaí ou Istambul. 

Pilhagem.
No livro "Dez! Nota Dez!Eu sou Carlos Imperial" de Denilson Monteiro - Editora Matrix, sobre uma importante figura  que fazia as coisas realmente acontecerem, o autor nos conta que rolava no fim dos 60/ início dos 70, uma prática que era a "pilhagem"; algo tipo Blur X Oasis nos neoliberais Anos 90 ; por vezes era algo totalmente premeditado, combinado; tal cantor falava mal de uma cantora numa entrevista para o jornal e esta, falava mal desse cantor ao vivo, num programa de TV. Tava feita a lambança e rendia comentários nas bodegas, nos corredores de gravadoras, nas redações dos jornais, nas boates e inferninhos de luz vermelha, e é claro, mobilizava público contra e a favor e vendagens de discos, revistas e jornais.


Moral da história I:

entre razões e emoções a saída / é fazer valer a pena /
porque eu só queria uma música / pra falar sobre o silêncio /
que ficou entre nós dois...

Acho que entendi a mensagem.
Tóin.  
 
Moral da História II - A missão/ sugestão.

Lista amiga

Confiram, please, estes trabalhos:
www.myspace.com/osefervescentes - Porto Alegre/RS
www.tarcisiomeirasband.com - Porto Alegre/RS
www.myspace.com/lapupuna - Belém/PA

postado por Frank Jorge

A pergunta que não quer calar: Por que FEIOS PARA SEMPRE?!

26/05/2009 16:27:41

Então, galera; muito obrigado pelas palavras gentis neste começo de ação bloguista.

É o nosso incontestável Brasil; do Sul ao Norte, mares e mares de boa gente; tese do homem cordial do Seu Holanda - pai do nosso Chico - independentemente de políticos e gestores públicos chupacabras.
 
O desafio é grande: escrever algo bacana que não seja sério demais ou abobrístico mega-plus-drive-out.

E a pergunta que não quer calar: Por que "Feios para sempre"?!

Palavras chave para o entendimento:
beleza - glamour - sincronização facial -
feiura - mal-gosto - sítio longínquo - rock'n roll

Transcrevo história contada pelo Alexandre Birck:
"Um certo amigo, preocupado por demais com sua aparência física, ou "beleza", ou de um modo geral, o seu aspecto diante dos humanos em situações corriqueiras e/ou relevantes, fez a tal da sincronização facial.

Segundo determinados padrões de beleza, quanto mais igual um lado do rosto que o outro, mais bela será a criatura - há controvérsias... E eis que o gajo, amigo do Alexandre, fez o tal procedimento.

Certamente, devia estar se sentindo "belo", nada mais, nada menos; belo e satisfeito com o resultado.

O comentário do Alexandre: - Pra mim tá a mesma coisa de antes.

Já pensou se você ficasse feio pra sempre? Não tivesse como recorrer aos badulaques da estética (pós) moderna?!
Teria que se isolar num sítio, longe dos olhos e julgamentos de todos."







Pausa para reflexão.



Tá explicado.

A tentação de falar mais um pouquinho é grande.

Rapazeada, não há problema algum em ser feio.Feio é ter preconceito. Quando adolescentes, pensamos que somos horríveis. E somos. Nem por isto, carregaremos traumas vidainteira. Mas pelamordedeus, não me levem a sério.

Uma revelação bombástica, no lugar de feio você pode colocar o que quiser e funciona:
- diferentes para sempre.
- solitários para sempre.
- AC/DC para sempre!
- filho único para sempre.
- esquisitos para sempre.
- mocorongos para sempre.
E o rock'n roll?!

O que tem ver com tudo isto? Não percam os próximos capítulos.

Abraço cordial.

postado por Frank Jorge

ESTREIA: "Olá, meu nome é Frank Jorge!"

19/05/2009 17:30:31

Olá pessoal!
 
Brasileiros e brasileiras do nosso Brasil varonil!
Peço licença e chego aos poucos nesta casa confortável, espaçosa, que é o portal da MTV. Valeu o convite.
 
Meu nome é Frank Jorge, natural de Porto Alegre, 42 anos, músico, compositor, torcedor do Sport Club Internacional, pai do Rafael, Érico e Glória; venho atuando há uns 20 e tantos anos na cena musical do Rio Grande do Sul e deste brasilzão sem porteira.
 
Desde pequeno gosto muito de música. Quando digo música, digo todo tipo de música MESMO. Celly Campelo, nossa rainha do Rock junto com a Rita e com a Pitty, The Beatles, Quinteto Violado, Roberto Carlos, Frederic Chopin, Ramones, Odair José ... e vai longe.
 
Comecei a tocar violão, passei logo pra guitarra, pro baixo, quando vi já estava tendo umas aulas de piano. A partir de 1986, comecei a tocar profissionalmente: participei das bandas Os Cascavelletes, Julio Reny Guitar Band, Black Master, Frank e Plato; atualmente tenho o trabalho solo Frank Jorge e Banda (ouça no player ao lado) o Tenente Cascavel e a Graforréia Xilarmônica.
 
Tive o prazer de ver algumas de minhas canções gravadas pelo Pato Fu, Ira!, Tony Platão, Hard Working Band e o Wander Wildner.
 
Atuo também como professor e coordenador de um Curso de Formação de Produtores e Músicos de Rock na UNISINOS (São Leopoldo) e não faltará oportunidade para conversarmos mais e mais sobre isto.
 
Abraço especial a todos!
 
Feios Para Sempre chegou para ficar: porque você não agüenta mais a ditadura da beleza infinita, muito menos, florestas vastas de mediocridade.
Comentários verdadeiramente breves e honestos sobre música, literatura, cinema, futebol, TV e o que mais der na telha; literatura barata, refeições boas pra cachorro, assuntos pra mamute.

postado por Frank Jorge