Fotos: Diego Lobato
A primeira edição do Black na Cena, festival que levou Public Enemy, Tony Tornado, George Clinton, Method Man, Sandrão do RZO e tantos outros nomes importantes da música negra, movimentou cerca de 27 mil amantes da cena entre os dias 22 e 24 de julho na Arena Anhembi, São Paulo.

Ice Blue, Mano Brown e Edi Rock durante apresentação dos Racionais MC's na noite do domingo (24)
Na plateia, personalidades e anônimos estavam em casa, circulando com a maior naturalidade. Entre um e outro show, aproveitamos os intervalos para colher impressões do público.

DJ Nyack "Fiquei feliz quando soube da existência do Black na Cena. Por conta dos trampos, só consegui vir hoje [domingo]. Espero que se espalhe para outros lugares do Brasil."

Angélica Soares "Achei incrível a reunião do Thaíde com o Funk Como Le Gusta. Uma prova de que nossa cultura não acaba, só se fortalece e se renova."

Criolo "O festival veio para mostrar a ponta de um iceberg. Hip hop é maior que qualquer evento que existiu, existe ou venha a existir."

DJ Erick Jay "Sempre quis ver um show do Naughty by Nature, está maravilhoso. Pros amantes do rap, esse festival equivale a um Rock in Rio."

Elly DMN "A chama do hip hop está viva. Pessoas de outras classes que estão aqui começam a perceber as várias facetas do rap."

Denis Vieira "Gostei bastante. Basicamente, a base do hip hop passou pelo palco. É legal pra molecada conhecer algumas referências dos novos artistas."

DJ Dan Dan "Mostra a diversidade existente no universo da música negra. Eventos como este somam às pessoas que fazem e que consomem música, só precisa melhorar no preço pra comunidade."

King Duplo Impacto "O rap precisa de eventos de grande porte, pois mostra a força que tem. Tem muitas gerações reunidas aqui. Gosto de ver essa continuidade."

Adriana Lessa "Para a cena é, antes de mais nada, um momento importante, além de ser legal também. Estou aguardando a próxima edição."
Também passou pelo Black Na Cena? Diz então o que achou sobre a festa e as atrações.
Fotos: Diego Lobato
Cabem muitos ingredientes na música da Morbo & Mambo, banda argentina que preza por boas misturas: rock, afrobeat, dub, groove, free-jazz. "Cada pessoa tem sua cosmovisão. Isso combinado gera novos objetos, produto da reciclagem, da antropofagia", falou ao Fuligens Manu Aguilar, baixista.

Os primeiros shows do grupo fora do circuito portenho aconteceram durante o mês de janeiro em São Paulo, ao lado de Curumin, e no Rio e em Belo Horizonte, com Do Amor. "Tudo foi novo para nós e com cada coisa aprendemos e nos surpreendemos", disse. "No Brasil as bandas médias e pequenas têm maior possibilidade de crescer, há mais oportunidade para todos".

Empenhada em continuar gerando intercâmbio com bandas de culturas diversas, Morbo & Mambo prepara disco novo e uma excursão pelo interior de seu país. Ouça o som: a faixa Catching the big dub está aqui disponível para download de graça.
Os álbuns da projetonave, banda que figura em meio às principais referências da cena alternativa, estão disponíveis para download gratuito. Lançados em 2004 e 2009, trazem acertados passeios entre dub, jazz, rock, hip-hop e eletrônica.
Em atividade há mais de 10 anos, o grupo prepara para maio o lançamento de seu primeiro DVD. Vem com show, gravado no SESC Santo André, clipe e documentário com depoimentos, fotos, matérias e trechos remotos de apresentações.
Clica na imagem para pegar as faixas.
Fotos: Pedro Castro
O quintal de uma fábrica em São Gonçalo, RJ, tinha espaço o bastante pra equipe Conexão Arte armar seu balão de 12 metros durante o nascer do sol num domingo. Estavam lá mais de dez caras trabalhando em notável sincronia.

No Brasil, a atividade é clandestina desde 1998, mas não dá pra ignorar sua tradição. Há pelo menos 300 anos que peças das mais criativas colorem o céu em várias cidades do mundo. Os aficionados costumam se reunir periodicamente para exibir suas criações e novidades, como o balão sem bucha, inflado com o ar quente do compressor e que sobe sem fogo. Não é o caso do que estávamos acompanhando, apesar de os baloeiros reconhecerem os benefícios. "A gente tá querendo se acostumar com essa parada aí", contou Gigante LM, membro do grupo.

Ver o balão no alto significa apenas o começo de uma aventura. Segundo Gigante, o baloeiro corre pro resgate assim que enxerga sua peça no alto e nessas horas não há distância ou limitação que impeça. Entre os causos, houve a vez em que foram apanhar um balão em Rio das Ostras de fusca e o carro acabou pegando fogo. "Foi a maior doideira", disse.


A arte de soltar balões exige muita paciência, uma vez que qualquer brisa pode levar o fogo a entrar em contato com as folhas e aí, um abraço. Foi mais ou menos o que aconteceu neste dia: durante a saída, bateu um vento que levou à detonação o cone da boca. Por sorte, conseguiram apagar as chamas antes da consumação total.


Assim que voltou ao solo, este foi direto pra oficina ganhar uma reforma. Foram dois dias de dedicação e está aí, novamente pronto para subir.

Fotos: Felipe Paiva
Pegue as batidas do funk carioca, substitua as falas picantes por versos como "dinheiro vai, mas fica a dignidade/ igual a meu pai, preservo minha honestidade". E que tal dançar até o chão ao som das palavras "quer conhecer uma pessoa/ ou dá a ela dinheiro ou lhe da fama e poder/ ela esquece das origens, não lembra nem de onde veio"? O autor das reflexões é Andrezinho Shock, MC que se viu ser intitulado poeta do funk por um dos integrantes do Fundo de Quintal. "Os caras escutaram meu som durante um churrasco e disseram 'meu irmão, tu é caneta de ouro. Tu é o poeta do funk!'".

Nascido em berço de samba no município de Rio Bonito, interior do RJ, André Luis Nogueira Xavier começou a cantar e compor ainda moleque. Nos tempos de escola, venceu um concurso de rap, mas deixou o talento de lado a fim de tentar sua vez no futebol. Trabalhou de office boy e cobrador de magazine até reassumir a verve musical. "A primeira vez que vi uma música minha ganhar repercussão foi em Vitória. Espírito Santo foi o primeiro estado a abrir portas pra mim", recorda.

DJ Marlboro, nome histórico do funk, foi quem levou as músicas de Andrezinho para as rádios do Rio, ora interpretadas pelo próprio MC, ora noutras vozes. O sucesso Quando você escutar, cantado pela MC Amandinha, é um desses casos. Na cartela de parcerias, lançou Aula de dança, ao lado da Mulher Melancia, uma mistura de funk com axé cuja letra não esconde seu quê malicioso. "Dá pra ser sensual sem ser vulgar".

Levando seu baile pelo Brasil desde 2006, o artista, que terá a trajetória registrada em documentário e prepara o lançamento de um DVD para este ano, garante ter muito mais a fazer. "Eu vim pra construir carreira, parceiro". Os planos, porém, não deverão consumir seus princípios. "Pra mim não vai mudar se vou ser o Andrezinho Shock mais famoso do mundo ou se vou ser o Andrezinho Shock da minha família", enfatiza.

Clique aqui e baixe gratuitamente a faixa A vida é tipo roda gigante. Para conhecer mais do MC Andrezinho Shock, visite sua página na internet.