

Este lugar é habitado por Flávia Gasi, fanática por games, desde que se entende por gente. Tudo sobre este fantástico universo você encontra aqui! Siga a Flávia no twitter: @flaviagasi
Quando a tela do computador indicou que Dragon Age: Origins tinha terminado sua instalação, eu escolhi jogar com alguma ansiedade, um misto de credulidade nos trabalhos antigos da desenvolvedora – a Bioware é responsável por títulos pasmosos em RPG, como Knights of The Old Republic, Jade Empire e o recente Mass Effect –; e ceticismo de que Dragon Age podia realmente ser o “sucessor espiritual” (aposta e palavras da própria Bioware) de Baldur´s Gate II. Inclusive, são raras as vezes que induzir o público gamer a um sentimento nostálgico vale admiração. Geralmente, dizer que um título tal poderia tomar o posto de um jogo amado pelo público em geral leva a desapontamento e desencanto.

Pois bem, criei Coby. Ela é uma elfa (eu geralmente não jogo com personagens humanos, eu já sou humana o dia todo), de cabelos avermelhados (para manter algum vestígio de semelhança), agradável ao olhar, mas sem ser incrivelmente bela, e maga. A mim, pareceu uma decisão meio óbvia e clichê, mas resolvi apostar. E descobri que Dragon Age sobressalta-se por mesclar com sabedoria diversos chavões dos RPG ocidentais (sim, há armas, classes, dragões, vilões políticos, demônios) com noções mais excêntricas. Por exemplo, os elfos não são uma raça provida de beleza eterna, mas cidadãos da mais baixa estirpe. Os magos podem até ser embutidos de misticismo, mas são tão temidos que existe um exército de cavaleiros templários prontos para exterminar qualquer e todo portador de feitiçaria; caso ele cruze a linha de abuso de poder. Portanto, não há nada de ilustre na minha elfa maga, a não ser aquilo que eu faça a partir de então.

AS ÁRVORES DE POSSIBILIDADES
O que fazer, no entanto, é uma das questões centrais que calcam a mecânica de Dragon Age: Origins. Há uma vasta gama de opções, sejam em termos de narrativa, ou no tocante a combates táticos. Para continuar a história de Coby, minha primeira missão como maga foi aterrorizadora. Primeiramente porque a cada diálogo eu podia moldar um personagem palpável, verdadeiro e cheio de nuances. Além disso, estar frente a frente com um universo quase onírico infestado por demônios bem reais foi inesperado e profundo, já que a batalha é internalizada pela personagem.
E, acredite, cada ação tomada no jogo torna-o individual: altera a história do reino e a sua própria. Usualmente, quando jogo pela primeira vez, tento tomar as decisões mais altruístas e bondosas. Porém, ao chegar ao final do game, você se arrependerá de algumas frases escolhidas. E o mais interessante: você vai querer desbravar o game novamente, sob uma nova ótica. Por exemplo, na minha próxima demanda já penso em uma humana mais angelical, rogue e letal.

Imagine que, cada questão proposta, dá margem para ao menos seis tipos de resposta, se a ênfase for a construção de personalidade: educada, cruel, indecisa, positiva e negativa. Quando se coloca desta forma, você pode até imaginar que a criação de personagens não é nada além de arquetípica. Porém, é exatamente a mistura de reações para cada situação e o modo em que você resolve as missões que concebem uma persona singular.
E, apesar de seu primeiro companheiro de pelejas não deve lhe acompanhar para fora do tal universo onírico, chamado de “Fade” (caso você escolha iniciar uma campanha como mago), ele desabrocha em um novo conhecimento: como sobreviver às batalhas. Não, Dragon Age não é um jogo fácil.

PAUSA E COMANDA A EQUIPE
Apesar de conter origens e possibilidades diversas para cada tipo de jogatina, uma coisa é certa: você se tornará um Grey Warden – uma equipe de elite preparada para lidar com qualquer tipo de infestação demoníaca. A partir daí, a trama principal se desenrola, e você encontra outros simpatizantes para a sua causa. Por outro lado, nem mesmo a sua aliança com Alistair – outro Grey Warden e o primeiro personagem a fazer parte do seu grupo – é inabalável; dependendo das suas ações ele pode se tornar extremamente desgostoso e abandonar seu grupo, assim como muitos dos outros companheiros que você vai encontrar.
Há uma barra de afinidade, que mostra o quanto cada personagem se apegou a você, e ela pode ser alterada com conversas e presentes. Mais do que isto, Dragon Age permite que você viva romances – e sim, homossexuais também; mas, diferentemente de Mass Effect que só propõe beijinhos entre duas mulheres, Origins abre o ramo de possibilidades para que dois homens também possam desfrutar o calor de uma relação. Oras, nada mais justo.
Portanto, vale tomar cuidado em quem levar a casa missão e o que responder. Afinal, cada um dos seus companheiros faz parte de um esquema tático maior. Já que o título permite que você dome os perigos em grupos de quatro personagens. Basicamente, você pode controlar as ações de cada um no campo de batalha, tanto por criar um esquema tático predeterminado para cada unidade, como por meio de “pausa e decide”.

Toda vez que você abrir uma porta e perceber que há uns 15 oponentes por perto, a melhor coisa a se fazer é usar as habilidades de cada membro do grupo: enviar rogues em stealth, acertar magias que permitem dano a mais de um inimigo, colocar seu guerreiro na linha de frente da luta. Prepare-se para passar alguma parte do jogo em modo de “pause”, e o pior: achar isso bem bacana. Mesmo porque Dragon Age não é um jogo hack´n´slash, requer estratégia. E, um passo mal dado pode definir a morte de todos.
Quem está acostumado a jogar RPGs ocidentais, conhece bem este esquema. Dragon Age, porém, apropria-se de algumas inovações criadas em World of Warcraft, como uma árvore de talentos e habilidades que não podem ser usadas repetidamente, mas precisam ser “carregadas”. Na verdade, há uma sensação bem MMO que permeia toda a ação. A diferença é que você controla todos os aliados – e quantas vezes você não desejou poder fazer isso em alguma dungeon do WOW?

AQUELA VELHA HISTÓRIA
Talvez um dos problemas de Origins seja trazer de volta a resposta “com certeza PC”, para a pergunta: “E aí? Qual versão é melhor: PC ou console?”. Hoje em dia, o sistema de games estratégicos para console melhorou demais, e Dragon Age até que segue a mesma linha. O problema é que é muito mais simples jogar no PC – e isso é um tanto chato para todos aqueles que apostaram as fichas em um console e não tem um PC tão decente assim. A parcela mais tática do combate acontece pela metade no Xbox 360 e no PS3 – principalmente porque o alcance da câmera foi reduzido.
Alguns ainda vão dizer que os gráficos do jogo não são perfeitos. E eu digo: não são mesmo. Mas, isso pode passar despercebido e escondido frente ao trabalho de narrativa e dublagem. Sinceramente, não faz assim tanta diferença. O que pesou, porém, foram as infinitas telas de loading. Elas colocaram minha paciência a prova e se Dragon Age não fosse o jogo esplendoroso que é, eu teria até ficado irritada.

Existe uma última polêmica com relação a conteúdo pago: há missões, habilidades e itens que são exclusivos para quem pagarem um extra e baixarem os tais na net. Claro, este é um modo de receita que se provou válido em games, mas que pode deixar alguns jogadores desapontados quando o NPC fala: “Olha, tenho uma missão MEGA legal pra você! Quer?” E entre as possibilidades de respostas está: “Checar conteúdo pago na Internet”.
O que eu poderia recomendar é: compre de cara a edição de colecionador. Primeiramente porque todo este conteúdo a mais está lá. Além disso, o trabalho de arte com a capa do jogo é bem esculpido; se você é fã de DVDs de bônus, então ainda melhor. Eu não queria passar toda a história de Dragon Age sem meu Golem.

PALAVRA DE ESCOTEIRO
Este é um curto e esclarecedor parágrafo. Dragon Age: Origins é o melhor RPG desta nova geração, até então. E, talvez não fosse meu amor por Guerra nas Estrelas, poderia tomar o lugar de KOTOR na minha coleção. Para muitos de vocês, tomará. Sugiro ainda mais uma coisa: quando jogar, espero que um amigo comece a demanda ao mesmo tempo. Trocar informações sobre a vida dos seus personagens é bem divertido. Meu irmão e eu vamos começar nosso segundo ciclo de Origins e mais um monte de telefonemas depois do trabalho.

CONCURSO CULTURAL
Leu a análise e gostou? Pois esta é a sua chance de levar uma cópia do game Dragon Age: Origins pra casa.
Para participar do concurso é simples: envie uma foto para sitemtv@mtvbrasil.com.br com o título: “Medieval eu sou” e nos mostre o quão medieval você é. Vale de tudo: fantasias, photoshop... O importante é ser criativo.
Vamos receber as fotos até o dia 2 de dezembro às 23h59. O que significa que você tem uma semana: mãos à obra!
Como mandar sua foto:
E-mail para envio: sitemtv@mtvbrasil.com.br
Dados que você tem que mandar junto: NOME COMPLETO, RG, CPF, DATA DE NASCIMENTO, ENDEREÇO COMPLETO
Os prêmios:
1º. Colocado: Uma cópia de Dragon Age: Origins, EDIÇÃO DE COLECIONADOR (contém DVD de bônus, mais missões, habilidades e itens extra)
2º. Ao 5º. Colocados: Uma cópia de Dragon Age: Origins.
IMPORTANTE:
ESTE CONCURSO É VÁLIDO PARA SOMENTE MAIORES DE 18 ANOS
LEIA O REGULAMENTO AQUI























