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História do Rock é o blog de Rodrigo Santos, do Barão Vermelho. Voando solo, o rapaz dá sua versão para momentos icônicos do bom e velho rock´n´roll!

 
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História do Rock: 04 - Negros x Brancos e o surgimento do blues

08/06/2009 - 13:12 | 959 visitas

Corre a lenda que o primeiro som blues tirado de um instrumento (semelhante ao que viria a ser o principal traço do blues acústico na pré-invenção da guitarra ) foi dentro de um trem, nas mãos de um violeiro  "penetra", que tocava com um canivete, fazendo o ruído característico do slide no violão de aço . Como correu essa lenda? W.C.Handy – que se dizia o pai do Blues – viajava como clandestino e presenciou essa pitoresca cena em 1903, compondo assim o primeiro blues da história: St Louis Blues.

Mas isso não seria o mais importante nesse modo de contar a história do rock, baseado no chamado "efeito borboleta". Com a chegada dos negros africanos à América, como já visto no capítulo anterior deste blog – aqui se colhe... logo ali se planta – estava ali surgindo e tomando forma um estilo musical muito par ticular, que dava uma dimensão da sofrida vida dos escravos numa terra estranha, com gente esquisita. Estava nascendo então... o Blues.

Não podemos de forma alguma deixar de falar muito sério neste ponto da história, pois a divisão da América entre os que defendiam a escravatura e os que a queriam abolir, numa forma de igualdade entre os seres humanos, deixou o país dividido entre os anos de 1861 e 1865 .... e até mesmo após o fim da guerra. Muitas mortes ocorreram na briga entre os Estados Confederados do Sul, latifundiários das plantações (que defendiam o regime escravocrata), e os Estados do Norte, industrializados (que, liderados por Abraham Lincoln, defendiam o fim da escravidão).

Ao início da guerra havia 19 Estados livres e 15 Estados onde era permitida a escravidão... isto teve repercussão em toda sociedade americana, cada um com seus interesses.  Era como uma rivalidade de gangs, cada qual com sua ideologia, ou dois clubes rivais, como Flamengo e Vasco.

California,Connecticut, Delaware, Illinois, Indiana, Iowa, Kentucky, Maine, Maryland, Massachussetts, Michigan, Minnesota, Missouri , Nova Hampshire, Nova Jersei, Nova Iorque,Ohio, Oregon, Pensilvania, Rhode Island, Vermont e Wisconsin, mais os territórios de Colorado, Dakota Nebraska, Nevada, Novo México, Utah e Washington, do lado esquerdo do ringue.... eram os liberais...

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Alabama, Arkansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Flórida, Geórgia, Lousiana, Mississippi, Tennessee, Texas e Virgínia (esta última tornada a capital federada e racista), do lado direito do ringue.... eram os favoráveis à escravidão.

Essa guerra foi um marco na vida dos americanos, em todos os sentidos, e não seria diferente na música. Talvez por isso se ouça tanta citação aos Estados Confederados nas canções "blueseiras", nascidas  da verdade das cicatrizes e dos corações apunhalados dos escravos negros, entristecidos por tanto sofrimento na maior parte da sua existência.

Podemos assim dizer que o Blues surge não apenas de uma música ou de um rapaz arranhando seu canivete num trem, e sim de uma onda de acontecimentos e, principalmente, das Work-Songs – também citadas no capítulo anterior. Uma coisa era certa: mesmo após a vitória do regime livre, continuava a perseguição feita por grupos que não se conformavam com o fato de assistirem negros assumindo posições de poder nos estados em que a escravidão representara o ponto forte, – caso da facção Klu-Klux-Klan.

Os temas do blues sempre variavam: amor, religião, trabalho, solidão e sofrimento; no período pós-Guerra Civil , o termo Blues ganhou conotação mais popular, representando um estado de espírito, e passou a simbolizar tais sentimentos, de uma maneira mais abrangente.

De volta à parte musical desta história - que em breve vai desembocar no rock -, o country blues foi a primeira forma a se manifestar como predominante na formação do Bues. Era o violão acústico, com a técnica do slide, e a batida mais reta do violão, como acompanhamento apenas. Com o violão mais usado como pergunta e resposta com a voz, o Texas Blues trazia uma maneira mais arriscada de tocar, mais ousada e menos previsível, que despontou por volta dos anos 20, sendo depois mais e mais explorada, com o surgimento da guitarra.

O Delta Blues – veio do Mississippi entre os anos 20 e 30, estado considerado o berço do blues e o primeiro lugar onde se deram registros fonográficos. Tocavam com bandas, mas as gravações ainda eram basicamente de voz e violão. Da Flórida, de West Virginia, de Delaware e de Maryland chegava o Jump Blues, nos anos 40. Essa forma – caracterizada por um cantor à frente de uma big orquestra – foi o pontapé para o início do Rock, pois combinava voz com solos de sax e menos guitarra. Formou a ponte entre o Blues e o Jazz das Big Bands (Glenn Miller e Benny Goodmann). Ray Charles se enquadra bem nesse estilo.

Nos anos 40/50 chega então um novo estilo de blues: o Blues de Chicago. Com sua explosão nessa área e o advento da eletricidade na música, o blues mudava e entrava numa nova era, tornando-se muito popular no sul dos Estados Unidos. Assim como John Lee Hooker foi o primeiro a eletrificar sua guitarra no blues, Muddy Waters é considerado o primeiro a eletrificar todos o s instrumentos de sua banda. Então, com Buddy Guy, John Lee Hooker, Willie Dixon, Little Walter, Howlin Wolf, Elmore James, B. B. King, Sonny Boy Williamson II, Junior Wells, Muddy Waters, Howlin Wolf, Jimmy Rogers, Magic Sam e Otis Rush, entre outros grandes, temos a amplificação dos instrumentos, somada à batida de baixo-bateria-piano,  e a partir daí, o estopim para o surgimento do rock'n'roll, com suas batidas repetidas, marcadas e firmes.

O Lousiana e o Harmonica Blues foram importantes ao trazer o booggie wooggie e a gaita para outros formatos da canção. Quando a guitarra realmente entrou em cena, e o Blues se transformou, nomes como Rolling Stones, Cream, e Jimi Hendrix agradeceram muito a existência do gênero, pois beberam bastante em sua fonte. Pronto... a ligação Blues-Rock estava estabelecida... e era apenas uma das misturas que fariam a combustão para o nascimento da nova forma de música que viria a seguir...e o Blues com certeza foi a influência mais porreta !!!

Citando nomes muito importantes nesta história, dignos de ser apontados como ídolos dos grandes artistas e grupos de rock das décadas de 50 e 60, temos, a título de registro:

Scrapper Blackwell, Sleepy John Estes, Son House, Skip James, Blind Willie Johnson, Robert Johnson, Big Bill Broonzy, Lightnin Hopkins, Blind Lemon Jefferson, Charley Patton, Bobby blue Band, Albert Collins, Lightnin Hopkins, Blind Willie Johnson, Stevie Ray Vaughan, Lowell Fuson, Freddie King, T-Bone Walker, Clarence Gatemouth Brown, Blind Lemon Jefferson, John Lee Hooker, Arthur Big Boy Crudup, Robert Lockwood Jr., Robert Johnson, Big Joe Williams, Muddy Waters, Sonny Boy Williamson II, Tommy Johnson, Mississippi Fred McDowell, Amos Milburn, Jimmy Witherspoon, Big Joe Turner, Leroy Carr, Ray Charles, Champion Jack Dupree, Pee Wee Crayton, Floyd Dixon, Johnny Otis, Buddy Guy, Willie Dixon (o líder e poeta-baixista) , Little Walter, Elmore James, B. B. King, Sonny Boy Williamson II, Junior Wells, Muddy Waters, Howlin Wolf, Jimmy Rogers, Magic Sam, Otis Rush, Champion Jack Dupree, Lonesome Sundown, Slim Harpo, Lightnin S lim, Slim Harpo, Junior Wells, Sonny Boy Williamson I e II, Sonny Terry, Jimmy Reed, Little Walter, William Clarke, Big Walter Horton, Paul Butterfield... e por aí vai......... sem eles , não podemos sequer imaginar a existência de muitos artistas da década seguinte, que os reverenciaram durante toda sua infância e modelaram sua formação musical tendo por base esses grandes mestres.

É claro que mais na frente, voltaremos a falar de outros grandes mestres do Blues que foram surgindo nas décadas seguintes.... mas isso é outra história.

E afinal, o trato de Robert Johnson com o diabo numa encruzilhada, entregando-lhe sua alma em troca de se tornar o maior cantor de blues de todos os tempos, não há de ser uma lenda... isso é a base para toda atitude do rock que viria a seguir !!!!! Se, como diz Raulzito,  "O Diabo é o pai do Rock", então, na minha humilde opinião, o Blues deve ser a mãe...

PS - como esse blog é feito de humor, deixo hoje com vocês um link sensacional que achei vagando por aí... é pra levar na esportiva, ok?  vale a pena conferir... http://super-cult.com:80/blog/entao-voce-quer-compor-blues

Aos meus amigos e amigas “blogueiros”: seria interessante conhecer e se aprofundar melhor nesta parte da história do Blues e do Rock, escutando algumas destas clássicas canções: St. Louis Blues (Louis Armstrong/Bessie Smith), Catfish Blue (Joe Bihari/Riley B King), John the Revelator (The Blues Brothers), Baby Please Don't Go (Aerosmith e outros), I Can't Be Satisfied (Muddy Waters e outros), Honey Bee (Stevie Ray Vaughan), Hoochie Coochie Man (Muddy Waters), You Shock Me (Led Zep pelin), I Can't Quit You Baby (Otis Rush), Little Red Hooster (Howlin’ Wolf), Spoonful ( Howlin’ Wolf), Back Door Man (Willie Dixon), For My Baby (George Thorogood).

por Rodrigo Santos // 08/06/2009 - 13:12

História do Rock: Aqui se planta... logo ali se colhe

28/04/2009 - 16:35 | 905 visitas

“Vida de negro é difícil, é difícil como o quê ...” A famosa música de Dorival Caymmi cabe como uma luva nessa nova etapa da História do Rock... como uma luva em mãos calejadas! Jamais poderíamos imaginar que os maus tratos dispensados aos escravos negros, trazidos da África pelos “Senhores Brancos Americanos” para enriquecer nas plantações de Algodão no Sul dos EUA, seriam o grito de guerra fundamental à criação do Rock’n’Roll .

“Importados” de três regiões do Continente Africano – Costa do Marfim, Floresta Tropical e Congo –, os negros trouxeram na bagagem “apenas suas lembranças e suas riquezas musicais". Dessas regiões viriam respectivamente as longas linhas melódicas, os cantos ornamentados e os instrumentos de corda, os ritmos mais complexos e grandes instrumentos de percussão, e também a música separada em solista e grupo vocal, acrescentados à cultura musical rural do branco americano das fazendas e dos campos de colheita. Essa forma citada acima poderá ser encontrada na música Gospel – seu improviso melódico e textual entre coro e solista: o solista canta uma frase, repetida a seguir pelo grupo todo. Encontraremos os mesmos efeitos mais adiante, no Blues, no Rock, no Samba, no Rap e no Hip-Hop.

Essa mistura da música negra Africana com a música branca rural da América iria se tornar o grande encontro das águas – como Rio Negro e Solimões –, preparando assim todo o terreno para a formação dos primeiros cantores de Blues-Folk e Rockabilly , fundamental para estrutura do Rock e suas ramificações.

À base das chibatadas, os escravos costumavam trabalhar de sol a sol, parando apenas à noite em breves "Pit-Stops" para descansar a “carcaça” no Box , com teto aberto para a lua cheia e suas estrelas inspiradoras. Como forma de adoração a Deus, ou mesmo de desabafo contra os maus-tratos, abusos, discriminação e opressão impostos pela sociedade , os escravos arrumaram um jeito de ter seu espaço e seu canto fortalecidos através da música   – feita em segredo, na calada da noite, pois eram proibidos de tocar percussão e cantar –, mantendo assim intacta sua coletividade e união contra os Senhores Brancos.

Era a única forma de sobrevivência naquela condição sub-humana, e a verdade com que entoavam seus cantos era de uma força, comoção e dignidade ímpares. Porém, em pouco tempo, os Senhores descobririam que essa “ilegal” atividade lhes traria mais lucros caso fosse liberada, pois os escravos trabalhavam mais felizes quando cantavam, e assim renderiam muito mais. A partir daí , das plateias noturnas para as plateias diurnas, chegavam ao mercado as primeiras canções de trabalho, as WORK-SONGS !!!! Como exemplo de pergunta e resposta em coro, a música "Vou varrendo, vou varrendo, vou varrendo..." do grupo Molejo...rsssss... -– perfeita Work Song de nossos tempos !!

Conforme o tempo foi passando, depois de várias tentativas frustradas de destruir a cultura negra a partir da mistura de suas tribos, os escravos foram sendo integrados ao novo mundo, e a música Africana teria uma importante e significativa junção com a música Europeia. Quanto mais se tentava “educar” religiosamente os escravos, mais suas músicas pendiam para essa vertente da adoração a Deus, só que agora também misturada a hinos ocidentais clássicos . De Work-Songs as músicas passariam a Spirituals Songs , e o sonho dos escravos por uma vida melhor , ganhava corpo e alma.  A melhor explicação dessa transformação foi dada por um escravo, na época :

"O meu senhor manda me chamar , diminui minha ração de fubá e ordena que me dêem 100 chibatadas. Meus amigos dão uma olhadela ficam com pena de mim. E a noite, quando vão para a casa da louvação cantam a respeito disto. Alguns são cantores muito bons, vão trabalhando na coisa, caprichando, caprichando até acertar mesmo. É assim , dessa maneira.".

Como exemplo: "Nobody Knows the Trouble I've seen" - Golden Gate Quartet (1955).

"Ao mesmo tempo, como palavra de Deus na música, O Gospel é cantado nas igrejas, com mensagens religiosas tiradas da Biblia e contadas em forma de música. O interessante é que o estilo do "rap", surgido muito tempo depois, tem suas origens no Gospel". Esse aspecto é bastante interessante e chega a parecer cômico, uma vez que o Gospel também é conhecido como a música das Boas Notícias, ao contrário da ideologia "rapper".

Como podemos ver , a mesma história que nos proporciona grandes risadas e grandes momentos brincalhões , também retrata a profunda ferida na sociedade negra, e os absurdos cometidos pelos "Senhores Brancos", detentores do poder econômico, social e político.

Como aqui no "blog" se colhe o que se planta, a volta foi dada por cima, e os negros conquistariam sua hegemonia ao revolucionar a música no século XX, com a invenção desse " “tal de rockenroll"- – , mesmo a partir das mãos calejadas. Como imaginar que os alicerces do Rock teriam tanta sustentabilidade entre dois diferentes ângulos da história, – o dos brancos e o dos negros -?

Afinal, nas fazendas, tanto encontrávamos escravos negros, quanto brancos "caipiras", e é essa mistura do Country & Western com o Rhythm & Blues que vai gerar o equilíbrio e será a mola propulsora do Rock, dando asas a Elvis Presley, Chuck Berry, e muito mais... A história vai se transformar...- – aguardem o próximo capítulo...

por Rodrigo Santos // 28/04/2009 - 16:35

História do Rock: Ninfas, Trovadores e Foguetes

13/04/2009 - 18:32 | 1054 visitas

As ninfas que ensinaram aos seres humanos a verdade dos deuses, semideuses e heróis, através de poesia, música, dança, canto lírico, coral e teatro, sempre acompanhadas por sons, eram chamadas de musas; daí a origem da palavra música, na língua grega, que vem da arte de ensinar. Ensinar, aprender, propagar, divulgar, divertir, alardear, confundir, anarquizar, iluminar, informar, questionar... esses sempre foram os objetivos principais da música através dos tempos e principalmente do rock'nroll.

Digamos que, depois de uns tempos, essas, ou outras ninfas mais modernas, confundiriam a cabeças de muito roqueiros, e daí surgiriam grandes clássicos do rock e até grandes discos no meio de gigantescas confusões amorosas, caso, por exemplo, do ótimo "Rumours", do Fletwood Mac. Um dos LPs mais vendidos da história, Rumours, foi confeccionado em meio a crises conjugais entre os dois casais da banda, o que prova que, sem as ninfas,o rock'n'roll não teria metade de seu glamour, seja na história pessoal dos roqueiros, seja na plateia – as famosas " tietes" que moveram 90% das presepadas dos pop stars !!

Como imaginar John sem Yoko, Sid sem Nancy, Kurt sem Courtney e Tina sem Ike? A roda de casais no rock também foi motivo de prosa e verso, e os unicórnios, sejam masculinos ou femininos, por várias vezes passaram de meras lendas mitológicas a realidade. Ou seja, de cavalo a burro.

Até o século 15 ou 16, a atividade musical era exclusivamente de utilidade pública: acompanhar cultos religiosos, encorarajar soldados com hinos de guerra, ninar crianças, proporcionar música ambiente nas cortes, lazer em danças e outras atividades socioartísticas e, principalmente, de comunicação. Essa forma de música comunicativa foi especialmente importante para entender grande parte da história do Rock: eram os violeiros, os repentistas, os rappers.....ops........nãoooooooooo...esperem....desculpem, isso é mais pra cá....eram....OS TROVADORES E OS MENESTRÉIS !!!!

Afinal, o que o bardo Chatotorix e Allan, o trovador, teriam em comum, além de frequentarem as páginas romanceadas de personagens e heróis europeus, como Asterix e Robin Hood? Funcionava mais ou menos assim: os trovadores eram os autores, e os menestréis, os intérpretes – diferentemente de Bob Dylan, que batia córner e cabeceava. Viela, Rabeca, Alaúde, Flautas, Cornetas, ou Harpa, foram instrumentos usados pelos trovadores e menestréis que ajudaram a propagar as informações através dos campos e dos tempos, seja para ajudar em batalhas, levando mensagens em forma codificada e satírica, seja para entreter os guerreiros cansados e suas esposas carentes de sexo, drogas e diversão .... e digo mais: a meu ver, os bardos inventariam, lá atrás, a primeira forma de som de fogueira, antes de nos depararmos com os sons de Beto Guedes, Toquinho, Pink Floyd, Milton Nascimento e Led Zeppellin ( particularmente em Stairway to Heaven, a música mais "executada" das noites quentes de verão e inverno).

O que foi todo o tempo muito bem retratado pelos bardos Celtas, por exemplo, foi a sua visão do cotidiano, sempre muito perspicaz e crítica. Seja falando da sua aldeia, do seu condado ou do reino, esse tipo de som simples, eficaz e fácil de transportar, permitiu turnês sensacionais na Idade Média, quando apenas um cara era capaz de fazer uma confusão danada. É claro que chegaremos mais na frente a falar de Cat Stevens, Johny Cash, Joan Baez, John Denver, Leonard Cohen, Neil Young, Paul Simon, do já citado Bob Dylan, e aqui por nossos campos feudais, Renato Russo, Raul Seixas, Juca Chaves, e até do próprio Oswaldo Montenegro, um senhor menestrel.

Em diversas canções dos Beatles, por exemplo, encontramos traços de tão longínqua caminhada. Canções como Penny Lane e Strawberry Fields Forever sofreram influências dos trovadores, ao usar bem os versos como retrato do cotidiano, assim como em Rocky Racoon encontramos traços dos "trovadores- cowboys" do velho oeste americano, os quais, com seus revólveres em formato de discos,  "invadiriam" a Inglaterra pelo porto de Liverpool.

Sim, Chatotorix ainda continua chato, às vezes o violão (ou lira) na mão pode ser uma arma, mas se ele tivesse composto Hurricane , Blowin' in the wind, Father and Son, Faroeste Caboclo ou Gita, garanto que não seria colocado em cima de sua casa na árvore, amarrado e amordaçado, enquanto os outros bárbaros se fartavam em banquetes deliciosos e mundanos, sem ao menos uma musiquinha de fundo pra contar a verdadeira historia do rock daquela época.

Na verdade, a história que vamos contar por aqui, até chegarmos especificamente aos anos 50,  é uma narrativa "efeito borboleta" - citando a teoria de que , quando uma borboleta bate as asas lá no Japão, o mundo inteiro é afetado de alguma forma. O rock'n'roll não teria tantas histórias e vertentes diferentes, se não existissem as ninfas , os trovadores e a vontade de transmitir mensagens pelo mundo, seja montado em cavalos, aviões, caravelas ou unicórnios, dependendo do comportamento das ninfas, é claro . Afinal, nessa corrida de revezamento, o Rock chegou à Lua a bordo de um foguete, na forma de "Satisfaction", dos Rolling Stones.

por Rodrigo Santos // 13/04/2009 - 18:32

História do Rock: 01 - Ossos, Danças e Sinais de Fumaça

07/04/2009 - 19:41 | 1337 visitas

Nada é por acaso. Essa é uma verdade muito precisa da história da humanidade. Por exemplo : pra se entender como surgiu o Rock’n’Roll , temos de levar em conta vários fatores ou fatos históricos conjugados, que levaram a esse grito de guerra e paz tão poderoso no nosso planeta. Numa pequena introdução à história da música, já teríamos na Pré-História os primeiros sinais de existência dos bateristas e percussionistas, visto que os Antropóides do período Terciário, já se haviam com bastões, toras de árvores fossilizadas e dançavam em torno de tambores.

Havia também os Litofones , rochas de tamanhos diferentes, colocadas sobre um tronco e usadas pra produzir música melódica por percussão. É claro que daí, até o surgimento de um John Bonham (Led Zeppellin) ou o solo enorme de bateria de Ian Paice do Deep Purple, muita história foi e ainda será contada, mas a intenção sempre permanecerá a mesma : fazer muito barulho !!!!!!

Toda a cronologia do desenvolvimento musical não pode ser definida com muita precisão. Afinal quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? A música vocal surgiu antes ou depois das “marretadas” ? O canto e a dança chegaram juntos? Ninguém sabe dizer ao certo se primeiro o bárbaro cantarolou uma melodia uivando para a lua ou se batucou na cabeça do “amigo” com ossos de algum animal sacrificado por não gostar do som que se produzia naquela época, um rock cru e animalesco .

É certo que a dança sempre foi uma linda forma de expressão usada por ambos os sexos como forma de atração sensual ou então como adoração de algum Deus, que por muitas vezes deve ter preferido ser surdo. A arte de “requebrar as cadeiras” não foi privilégio de Elvis Presley ou James Brown. Era dança pra chamar a chuva, pra colocar os bichos pra fora, pra flertar, implorar por comida e claro...pra se divertir!!

A forma de expressão através dos gestos, mímicas, danças, grunhidos e posteriormente dos símbolos, desenhos, palavras e escrita, sempre foi uma necessidade do homem e seja em que época fosse , o ser humano sempre conseguiu se fazer pronunciar ou propagar suas informações. Os sinais de fumaça levavam rapidamente uma informação à distancia, por montanhas até , o que pode ter sido um dos primeiros sinais de que seria mais fácil divulgar suas idéias e pensamentos, se inventassem o rádio, afinal...como imaginar a história do Rock’n’Roll e da música pop , sem o rádio?

Nada é por acaso...não foi por acaso que surgiram na mesma época Elvis, Chuck Berry, Little Richards ou na mesma geração Beatles, Stones e Beach Boys..ou ainda em outra mais na frente Led Zeppellin, Pink Floyd e Yes. Ou até mesmo Titãs, Legião, Barão, Ultraje, Lobão e Paralamas. Nada é por acaso.. e se o tempo não para, o mundo do rock anda em ciclos, que de tempos e tempos nos preparam surpresas relidas, revisitadas, reinventadas e renovadas, se misturando a novos elementos tecnológicos ou de novos questionamentos na  “evolução” da sociedade humana como um todo.

A fé, a tecnologia e a competição  movem montanhas. As brigas, as rixas, as contestações e as admirações mútuas, fizeram  o rock andar a passos largos e conquistar o mundo, como forma soberana de comunicação, entretenimento, protesto, questionamento político-ideológico-romântico-filosófico e de encantamento mágico e pleno.
 
Está aberto O BLOG DA HISTÓRIA DO ROCK !! SEJAM BEM VINDOS !!

* ilustrações por Rodrigo Santos

por Rodrigo Santos // 07/04/2009 - 19:41

ESTREIA: a História do Rock, por Rodrigo Santos, começa agora!

06/04/2009 - 18:41 | 1185 visitas

Estou emocionado!!

Pra mim é uma honra imensa ter esse cantinho tão charmoso aqui,  nessa que é a Biblia Televisiva do Rock , pois além de ter muitos amigos e amigas na MTV , por conta de varios projetos que fizemos em parceria MTV- Barão Vermelho (Balada, Ao Vivo, a Volta do Barão, etc) e ter participado do Acústico MTV Kid Abelha, também estou podendo realizar um sonho de infancia que estava engasgado há tempos.

Rodrigo Santos

Quando era pequeno, meu pai dava aulas de Jazz e Blues sem nunca ter tocado sequer algum instrumento. Ele era engenheiro e curtia mesmo aquela história que passava pra familia nas horas vagas, com quadro negro , fitas cassete e lágrimas nos olhos. Lágrimas essas que sempre compartilhei com ele e ironia do destino, um tempo depois eu viria a ser o músico da familia Moura Costa Castro Santos .

Durante uma parte da minha infancia fui abençoado com a amizade de minha irmã com os Mutantes e da minha tia com os Novos Baianos, alem de outros tios terem um coral muito bacana que ensaiava uma vez por semana. Eu sempre frequentava essas ocasiões e encontros  (ensaios e shows dos Mutantes e levações de som com os Novos Baianos, alem dos ensaios do Coral) e sem eu me dar conta , minha formação musical estava começando ali. Eu tambem desenhava , fazia historias em quadrinhos ( vou colocar alguns desenhos e ilustrações bem humoradas nesse espaço) e quase fui pra Italia trabalhar com o maior chargista da época, mas escolhi a música mesmo..não teve jeito.

Logo aos 11 eu comecei a tocar violão e aos 12 já tinha composto mais de 40 musicas em parceria com meu primo, influenciados por Lennon-McCartney, meus ídolos de infancia, junto a Bob Dylan !! Aos 12 fui tocar num programa de TV da tarde , muito conhecido da época, uma música minha .Ao mesmo tempo, eu ia regularmente com meu pai comprar discos na loja Modern Sound, no Rio de Janeiro, onde nasci e fui criado. Comprava de tudo ...de Bacamarte e Joelho de Porco a Allan Parsons e Wishbone Ash.

Em seguida minha trajetória musical foi emendada - sem pausa pra respirar -  com as bandas Choque Geral, Front, Prisma (com João Estrella e Marcelo Serrado entre os "famosos") e a partir de 1985 com João Penca & seus Miquinhos Amestrados, Leo Jaime, Lobão, Kid Abelha e Blitz. Fui convidado a entrar no Barão Vermelho em 1992 onde estou até hoje e em 1994 tambem fundei Os Britos, banda onde nos divertimos tocando Beatles e que me proporcionou ir a Londres, Manchester, Liverpool e Dublin , tendo realizado assim um dos meus grandes sonhos de infancia: tocar no Cavern Club, conhecer todo o universo Beatlelesco, Stoniano, Floydiano e gravar um DVD lá : Os Britos Cantam Beatles.

Comecei minha carreira solo em 2007, caí na estrada, fiz mais de 350 shows e realizei outro sonho..mostrar minhas canções , minhas letras e meus pensamentos seja na forma de banda ou em formato acústico de voz e violão pra grandes platéias por vários estados Brasileiros, o que me remetia tambem a Bob Dylan e Cat Stevens, influencias fortissimas na minha trajetoria desde o começo . Meu segundo cd sairá em maio de 2009 e senti que faltava alguma coisa que tinha de completar desde a infancia...a continuação de uma historia que escutava lá atras...só que dentro do universo em que me realizei e pertenço profissionalmente e principalmente, mágicamente...pois nao tem nada mais mágico do que o rock'n'roll e suas transformações.

Como meu pai se foi em 2002, acho que uma maneira de preencher uma lacuna positivamente e homenagea-lo  - e até perpetuá-lo -  em meus portais mágicos, seria dessa maneira...só que em outro ambiente....mais propício à minha história !!

Tentarei passar pra voces com a alma e humor , o meu terceiro sonho , um pouco do que acho ser a verdadeira magia do rock e das raízes das influências.... e só existe blog com a participação dos leitores, portanto sintam-se donos desse espaço junto a nós . Será tudo feito com muito coração e pesquisa, e claro...diversão !!
 
Muito obrigado MTV , meninas e meninos !!

por Rodrigo Santos // 06/04/2009 - 18:41
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