
HQ+ é o blog de J.M.Trevisan, ex-editor das revistas Dragão Brasil e Dragon Slayer, co-autor do RPG Tormenta, co-criador dos personagens do mangá Holy Avenger. Aqui ele fala sobre História em Quadrinhos, RPG e o que mais for relacionado ao tema. Siga o Trevisan no Twitter: @drcareca
Hoje é aniversário de Alan Moore, considerado pela maioria dos fãs como o maior roteirista de quadrinhos de todos os tempos. Apesar da cara bizarra e do aparente mau-humor, todo mundo adora e cultua o senhor britânico.

Até aí, beleza. Mas a questão é: alguém sabe dizer porque o cara é foda, sem apelar para o tradicional “Porra, ele escreveu Watchmen!”?
Se você não sabe, preste atenção. Aqui vão cinco motivos que explicam porque Alan Moore devia ser presidente do mundo:
Moore recusou crédito nos filmes baseados em sua obra – E aí alguém grita lá do fundo: “Tá louco, Trevisan? Essa foi a coisa mais escrota que o cara já fez”. E eu respondo: Não foi não, pequeno gafanhoto. Vamos começar pelo que não presta mesmo: A Liga Extraordinária.
É o velho caso de “alguém teve uma idéia muito legal que daria um belo filme, mas se a gente copiar vamos ser processados, então é melhor pagar o cara logo de uma vez”. Além da idéia base (personagens vitorianos se juntam para combater o mal) não tem nada ali que se pareça com o que o Moore fez. Ele não assinou e eu também não assinaria.
Em V de Vingança há várias mudanças, mas uma em particular tira substancialmente o peso da obra e justifica a birra do Sr. Moore. No quadrinho há um confronto ideológico entre ditadura e anarquia. No filme a briga é entre ditadura e democracia, em particular com a tal cena da multidão vestindo a máscara do V. Se você faz uma obra que é essencialmente de cunho político e alguém muda o teor da coisa, perde o sentido.
E aí temos Watchmen (que eu gostei, antes que alguém me atire uma dúzia de pedras). Em um texto chamado On Writing For Comics, de 1988, Moore fala sobre o processo de criar quadrinhos e ressalta duas coisas: a) o ramo dos quadrinhos precisa ser mais do que simplesmente o primo pobre da Sétima Arte e b) os quadrinhistas precisam parar de tentar copiar as técnicas do cinema nos quadrinhos e se concentrar no que só as HQs podem reproduzir. Watchmen representa a aplicação prática dessa teoria. Pensando desta forma – e provavelmente é este o raciocínio do Moore – não importa se o filme funciona ou não, se Zack Snyder fez um bom trabalho ou não: do ponto de vista artístico e levando em conta o que Alan Moore acha que os quadrinhos deveriam ser (um tipo de obra valorizado por si só, sem depender da validação do cinema para alcançar o grande público), Watchmen jamais deveria ter sido filmado.
Moore nunca teve medo de arriscar – Alguns roteiristas ou escritores encontram um estilo ou nicho em que se sentem confortáveise empacam por ali. Moore nunca foi desse tipo. Depois de explodir na América, teve uma fase independente em que fundou sua própria editora, a Mad Love. Entre outras colaborações, embarcou na produção da maxi-série Big Numbers, sobre a vida de uma cidadezinha e a teoria do caos, mas o projeto não engrenou e jamais foi finalizado.
Nos anos 00, publicou seu selo America’s Best Comics pela Wildstorm, revisitou o gênero pulp e falou de misticismo e cabala. Também criou a Liga dos Cavalheiros Extraordinários e transformou um personagem tosco de Rob Liefeld (Supremo) em uma sincera homenagem à Era de Prata do Super-Homem. Mais recentemente, concluiu Lost Girls, uma HQ erótica que explora a vida sexual de três personagens da literatura infanto juvenil: Alice (Alice no País das Maravilhas), Wendy (Peter Pan) e Dorothy (O Mágico de Oz).
Seus atuais projetos incluem participação na produção de uma ópera com a dupla Damon Albarn e Jamie Hewlett (os reponsáveis pelo Gorillaz) e um fanzine de temas variados, chamado Dodgem Logic, que – de acordo com o site de sua filha Leah Moore e do genro John Rippion – custará duas libras e meia: “Tão barata e bonita quanto uma prostituta adolescente de arrasar corações”.

Moore escreveu a última história do Super-Homem – No meio da década de 80, a DC resolveu que era hora de arrumar a casa e botar ordem na zona que era a cronologia da editora. O resultado foi a maxi-mega-série, Crise nas Infinitas Terras (Marv Wolfman, George Pérez). Na prática, depois do evento cataclísmico, o multiverso iria para as cucuias, as origens de todos os principais personagens seriam recontadas e tudo o que aconteceu antes – Era de Ouro e Era de Prata inclusas – seria desconsiderado. Nesse rolo também estava o Super-Homem, que teria sua reformulação capitaneada pelo então super-star, John Byrne.
Para não jogar décadas de histórias clássicas no lixo e ao mesmo tempo homenagear a velha-guarda que ainda trabalhava na revista do Homem de Aço, a editora resolveu fazer uma última edição pré-crise. Um epílogo para Kal-El. Um último épico contando seus últimos dias. O resultado foi “O Que Aconteceu com o Homem de Aço?”, escrita por Moore.
Com a colaboração do lendário desenhista Curt Swan, do editor Julius Schwartz e de George Pérez na arte-final, Moore nos deu não só uma história simples, sensível e ao mesmo tempo fantástica, mas também um vislumbre de uma era dos quadrinhos que jamais retornará.
Moore foi o mentor de Neil Gaiman – Como muita gente, Gaiman foi apaixonado por quadrinhos quando criança, depois desencanou e acabou trabalhando como jornalista (escreveu até uma biografia do Duran Duran, aquela banda do tempo do seu pai). Até que um dia, quando esperava o trem, deu de cara com uma edição de Monstro do Pântano escrita justamente por quem? Exato. Alan Moore.
O barbudo já teria feito um enorme bem para a humanidade sem nem saber, se a coisa tivesse parado por aí. Mas não parou.
Na época, Gaiman resolveu enviar uma cópia de um de seus livros (Ghasltly Beyond Belief: The Science Fiction and Fantasy Book Quotation, co-escrito com Kim Newman) anexando uma nota que – como ele conta em uma entrevista no livro Sandman Companion (de Hy Bender) – dizia o seguinte: “Você me proporcionou diversão em enormes quantidades, te acho fantástico e aqui está algo que eu fiz. Espero que goste". Gaiman complementa, “Alan me ligou uma semana depois, dizendo ‘Seu bastardo! Perdi uma tarde inteira de trabalho lendo o seu livro!’. A partir daí passamos a nos falar por telefone”.
Oito meses depois os dois se encontraram. Gaiman estava curioso sobre como funcionava o processo de se escrever um roteiro e Moore mostrou a ele como estruturar uma história em quadrinhos, chegando a analisar as primeiras tentativas do pupilo. Ou seja: se Sandman existe, parte da culpa é de Moore.
Moore é devoto de um deus-cobra – Que, por sinal, nem ele tem certeza que existe. O bicho se chama Glycon e, de acordo com a wikipedia (porque, sinceramente, me recuso a pesquisar mais que isso), era cultuado pelos macedônios. Em um vídeo, Moore o descreve como “Irresistível, com seu corpo de serpente e uma cabeça como a de Paris Hilton”. Uma bobagem sem tamanho? Bem provável. Mas tem que ser muito foda para declarar esse tipo de coisa em público e ainda mais foda para continuar sendo respeitado depois disso.
Você está conversando com algumas pessoas na balada e de repente o assunto cai na profissão de cada um. E aí, quando chega a sua vez, você diz com um sorriso meio amarelo: “Sou roteirista de quadrinhos”. Ao seu lado, a garota moderna de óculos de gatinho e camisa do MGMT pergunta de bate-pronto: “Ah, você faz as letrinhas dentro dos balões?”.

Pois bem, jovem Padawan, a resposta é não. O roteirista não é o cara que faz as “letrinhas” dentro dos “balõezinhos”. Pelo menos não necessariamente.
Tá, beleza, então o o que cacete faz um roteirista?
A tarefa do roteirista soa um tanto confusa para quem não é da área principalmente pela idéia que se perpetuou de que “fazer quadrinho” é “desenhar quadrinho” (vide a tradução “Desenhando Quadrinhos” para o título da versão brasileira do livro “Making Comics”, de Scott McCloud). Isso acontece, principalmente no Brasil, porque aqui (embora não só aqui) existe com muita força a cultura do quadrinhista, o cara que faz tudo: escreve, rascunha, desenha, arte-finaliza, colore e letreira. E muita gente faz isso muito bem. É um método totalmente válido, mas não é a única maneira de se produzir HQs.
O trabalho do roteirista é essencialmente pegar uma idéia – ou argumento – , transformá-la na história propriamente dita e descrevê-la de forma que o desenhista possa ter a melhor visualização possível. Isso implica não só em delinear a trama e fazer os diálogos, mas também em dividir a narrativa em quadros e páginas.
O quanto se vai descrever depende de uma porção de fatores. Há quem goste de detalhar cada minúcia e há quem prefira deixar o desenhista mais solto, descrevendo apenas o for realmente necessário para que ele entenda o que está rolando. Parece complicado e às vezes é mesmo. Principalmente porque não há uma formatação fixa de roteiro.
Se não tem formatação, como se parece um roteiro?
Roteiristas que também desenham, como Marcelo Cassaro (Holy Avenger, Turma da Mônica Jovem), preferem rascunhar as páginas e passá-las junto com a versão escrita do roteiro. Já Stan Lee, preferia transmitir aos desenhistas um breve resumo da história para depois adequar os diálogos à página pronta (é o famoso Método Marvel, muito usado antigamente).
Uma terceira opção é descrever a ação, os atos dos personagens e os diálogos usando a mesma formatação dos roteiristas de cinema. A grande vantagem é que existem programas específicos para isso (como o Final Draft), que automatizam boa parte do processo mecânico. Robert Kirkman (Os Mortos Vivos), Brian Michael Bendis (Vingadores), Grant Morrison (Batman, Os Invisíveis) e Garth Ennis (Preacher, Justiceiro) são alguns dos roteiristas que usam alguma variação deste método. Abaixo, segue o exemplo de um roteiro escrito por este que vos fala.
PÁG. 5
- QUADRO 2
EXT. FRENTE DO PRÉDIO - NOITE
Al desliga o telefone. Burt está perto do porta-malas distribuindo as armas.
DERMOT
(acendendo outro cigarro e se dirigindo a Al)
Você devia pegar mais leve com ele.
AL
(guardando o celular)
Com Dean?
DERMOT
É.
Muito Foda! Curti! O que eu preciso saber pra ser roteirista?
A primeira coisa é saber que você tá ferrado. Não ri não, é sério. Ser SÓ roteirista quer dizer que você sempre vai precisar de alguém para desenhar suas histórias. E apesar da enorme quantidade de desenhistas competentes espalhados pelo Brasil, nem sempre é fácil convencer alguém a deixar de fazer algo sozinho, com maior controle – já que a maioria também escreve – para dividir a autoria com outra pessoa. A não ser que você seja bom e tenha uma boa história em mãos. Desenhista nenhum resiste a uma boa história.
E para ser bom você precisa não só ler de tudo (isso inclui, principalmente, livros) e escrever em quantidades épicas. Precisa ir além do texto, entender como funciona a estrutura da página de quadrinho, saber porque o desenhista escolheu certos ângulos e não outros, aprender a identificar quando é hora de aumentar ou diminuir o ritmo da narrativa e mais uma porção de coisas que só se consegue observando e produzindo muito.
Se você tem disposição para tudo isso, é só mandar bala. Não é fácil, mas vale a pena.
O que rock n’ roll tem a ver com as histórias em quadrinhos? Se depender dos gaúchos Rafael Albuquerque (Crimeland, Blue Beetle, Superman/Batman), Eduardo Medeiros (Popgun Vol.4, Mundo Estranho, Wood & Stock) e Mateus Santolouco (Rampaging Wolverine, Wonderlost. Lethal Legion), tudo.

Os três são responsáveis pela primeira minissérie do selo independente Mondo Urbano, abordando o tema sexo, drogas e rock n’roll. São quatro edições: Powertrio, Overdose, Cabaret e Encore (esta última, recém lançada no Festival Internacional de Quadrinhos deste ano, em Belo Horizonte).
O roteiro gira em torno de um antológico show da banda DE-MO, liderada pelo temperamental vocalista e guitarrista Van Hudson, e suas repercussões. São vários personagens, vários pontos de vista dos mesmos acontecimentos, o que de certa forma encaixa direitinho com o estilo de desenho variado dos três artistas, que se revezam. Drogas, sexo e magia negra são alguns dos vários temas abordados.
O HQ+ entrevistou um dos autores, Mateus Santolouco, que conta mais sobre a série e sobre os futuros planos do trio.
HQ+ - Porque contar a história de uma banda de rock? Vocês tocma algum instrumento ou têm banda?
Mateus - Primeiramente por que o tema tem um apelo para nós três, gostamos muito de música e de Rock, em especial. Depois, por que o Rock é uma expressão forte da vida urbana, e é sobre esses assuntos que o projeto Mondo Urbano se propõe a falar. Eu e o Eduardo tivemos bandas na adolescência, ambos tocando baixo, enquanto o Rafael ainda tenta tocar guitarra. Mas acho que a palavra "tenta" se aplica a todos nós nas nossas experiências como músicos, tocamos mal pra cacete.
HQ+ - Como é trabalhar em trio e como funcionou o processo de criação do roteiro? É mais complicado de se dividir do que a arte?
Mateus - Nós temos uma química muito boa, jogamos as idéias na mesa e vamos lapidando de forma que funcionem e agradem aos três. A gente produz o roteiro, a espinha dorsal dele, em grupo, depois deixamos a cargo do desenhista narrar visualmente aqueles acontecimentos, já definidos, da forma que julgar melhor. Fazemos reuniões onde decidimos os rumos da história e dos personagens e escolhemos quem desenha o que, de acordo com o clima que o capítulo ou momento pede. Acredito que encontramos uma fórmula que funciona muito bem. No início, talvez tenha sido um pouco mais complicado, mas agora, que já estamos na quarta revista, a coisa está fluindo naturalmente.
HQ+ - Há uma porção de personagens secundários interessantes, como o traficante Edu e Vinni, o dono da loja de discos. Existem planos para mais histórias com esses personagens?
Mateus - Sim! Um bom número de personagens secundários, inclusive figurantes que aparecem só ao fundo nos quadros, vão voltar a aparecer nos próximos livros. Temos, sem contar essa trilogia, 4 histórias planejadas. Todas são desdobramentos dessa primeira série, algumas levam para rumos bem diferentes, se afastando dos assuntos em volta da banda De-Mo, outras trazem de volta o tema e amaram pequenas pontas que estamos deixando soltas propositalmente.
HQ+ - Como foi a experiência de se auto-publicar? É um caminho viável comercialmente? E no caso de autores menos conhecidos ou em começo de carreira?
Mateus - A experiência foi ótima. Acreditamos que a melhor parte de ser independente é que o produto final passa apenas pelos seus critérios, você tem liberdade para fazer tudo e você decide quando e como vai publicar. Por outro lado, as questões práticas, como distribuição e venda, são uma dor de cabeça, e até agora, esse tem sido nosso único contra. O que foi legal no nosso caso, e por isso achamos que é comercialmente viável, é que depois de nosso investimento inicial para a primeira revista (Powertrio), o resultado das vendas custeou os números seguintes. Assim, não temos lucro, mas seguimos a produção sem precisar tirar dinheiro do próprio bolso. Já nos perguntaram se o fato de estar trabalhando para a indústria norte-americana teria ajudado na promoção do material, e até pode ser, mas não temos como medir isso. No fim, a qualidade do trabalho é o que garante o retorno do público.
HQ+ - Há planos de se publicar uma versão encadernada? E no exterior? Alguma negociação?
Mateus - Sim, sim e sim. Uma edição encadernada vai sair em 2010, tanto no Brasil como nos EUA. Estamos apenas acertando alguns detalhes e logo vamos anunciar isso no blog.
HQ+ - O que podemos esperar do capítulo final, Encore?
Mateus - O ponto de partida de todas as histórias da trilogia é a banda De-Mo e seu vocalista Van Hudson, neste epílogo, voltamos a colocá-los em foco
HQ+ - Valeu pela entrevista e parabéns a você e aos outros autores!
Mateus - Muito obrigado e grande abraço!
Visite o Mondo Urbano para se manter atualizado sobre os rumos do selo. No site, as três primeiras edições estão esgotadas, mas ainda é possível encontrá-las em lojas especializadas.
Depois das tiras gringas, hora de selecionar o que há de mais legal feito por aqui.

Vamo que vamo!
Dr. Pepper (O Criador) - bonecos de palito e um médico nada normal. Como em muitas das tiras brasileiras encontradas na Internet, o tom é o politicamente incorreto. A diferença é que aqui o negócio é bem feito.
Bichinhos de Jardim (Clara Gomes) – de acordo com o próprio site, Bichinhos de Jardim conta as aventuras de um caramujo poeta, uma borboleta charmosa, uma joaninha geniosa, um “minhoco” ingênuo, um lagarto mudo e uma flor chamada Genoveva. O estilo varia entre a inocência divertida e o sarcasmo. Para crianças e adultos.
Os Passarinhos (Estevão Ribeiro) – dois passarinhos debatem a vida e suas ambições (um deles, Hector, quer ser escritor). O texto é inteligente e contrasta legal com o estilo simples do desenho. Atualmente a tira também é publicada na revista Mad.
Manual do Minotauro (Laerte) – Laerte é o melhor roteirista de quadrinhos a pisar nesa terra chamada Brasil. Sério. E além de tudo desenha muito. Visitar o Manual do Minotauro não é só garantia de diversão: é uma aula de HQ.
Um Sábado Qualquer (Carlos Ruas) - mostra que ser Deus não é exatamente tarefa das mais fáceis. Participações de Adão, Eva e até Niemeyer.
Ryot IRAS (Ricardo) – sim, as piadas são ótimas, mas o que chama mersmo a atenção em Ryot IRAS é a enorme variedade de estilos na arte. Nesse ponto, lembra um pouco The Perry Bible Fellowship.
Rei Emir Saad (André Dahmer) – os mandos e desmandos de um rei sanguinário e mandão. Tira agregada de “Os Malvados” (que já virou livro e ganhou prêmio). Na dúvida cheque as duas.
Magias e Barbaridades (Fabio Ciccone) - baseada em fantasia medieval, começa seguindo as aventuras de um mago frustrado e um bárbaro fã de Shakespeare e se expande em várias sagas. Apesar de indicada especialmente para os fãs da RPG, a história é boa o suficiente para agradar também aqueles que nunca viram um dado de vinte faces na vida.
E assim termina nossa lista. É bom deixar claro que as tiras indicadas aqui não são as únicas que prestam. Dada a quantidade gigante de material produzido ultimamente nos blogs da vida, fica difícil acompanhar tudo o que aparece. Se você conhece alguma tira legal e que não foi indicada, aproveite os comentários e coloque o link para a gente!
O dia começou com uma notícia quente: a Disney, de Mickey, Pateta e Pato Donald, havia comprado a Marvel, de Homem de Ferro, Homem Aranha e Capitão América, por 4 bilhões de dólares.

Dúvidas, espanto, uma verdadeira revolução nerd. Mas o que há de concreto até agora? O Splash Page, site de entretenimento da MTV gringa, apurou algumas informações que deixam a história toda um pouco mais fácil de entender e que a gente reproduz aqui para você.
1. FILMES DA MARVEL: a Disney honrará os contratos que a Marvel tinha com a 20th Century Fox, Sony e Paramount (entre outros), mas pretende lidar com as próprias franquias assim que estes acordos expirarem. “Seria de nosso grande interesse nos colocarmos como únicos distribuidores”, disse Robert Iger, CEO da Disney, durante entrevista esta manhã. “Quando você distribui os próprios filmes, as oportunidades são ainda melhores”.
2. PERSONAGENS DA MARVEL: as primeiras notícias afirmam que o CEO da Marvel, Ike Perlmutter, permanece como o único responsável pela decisão a respeito de onde os 5.000 personagens da editora irão aparecer dentro do universo Disney, incluindo videogames, conteúdo online e televisão.
4. CROSSOVERS MARVEL/DISNEY: Iger declarou que além de discussões internas sobre o desenvolvimento da sinergia entre as propriedades das duas empresas, reuniões já foram feitas entre a Pixar e a Marvel a fim de debater projetos em potencial. “O grupo ficou empolgado bem depressa”, conta Iger. “Vai sair faíscas!”
5. A MARVEL NA TV: de acordo com a entrevista de hoje, uma das grandes razões que tornaram a Marvel um objeto de cobiça para a Disney foi a possibilidade de readquirir a conexão com o público jovem masculino, algo que a companhia perdeu nos últimos anos. Enquanto é possível discutir se o público principal da Marvel é realmente composto de jovens garotos (ao invés de adultos mais velhos), o efeito imediato deverá ser o aumento da presença da Marvel na programação dos canais Disney.
Enquanto isso, no Twitter, o que mai rolava eram piadas a respeito. “Parabéns à mãe do Bambi por seu ingresso no elenco de Marvel Zombies”, postou Brian Michael-Bendis. Já o britânico Warren Ellis repondeu à Joe Quesada, manda-chuva da Marvel, com um tweet bem sugestivo: “Sim. Estou usando as orelhas do Mickey. E mais nada”.
Para avaliar a repercussão por aqui, procurei meu camarada, Rogério Saladino, que para minha sorte, é um dos editores dos quadrinhos da Marvel no Brasil. Segue a rápida entrevista via messenger:
HQ+ - O que você achou da notícia?
Rogério Saladino - Fiquei um pouco surpreso, claro, por serem empresas com linhas de produtos um tanto diferentes. E também pelo fato de nem suspeitar que a Marvel estaria negociando uma venda ou junção. A princípio, acredito que seja apenas uma questão mais voltada para interesses econômicos e negociações que eu não tenho a menor esperança de entender.
HQ+ - Não é estranho ver uma empresa tão "família" como a Disney, de repente virar proprietária de personagens no mínimo politicamente incorretos, como o Justiceiro?
RS - Num primeiro momento, sim, mas depois é só pensar um pouco e ver que o conglomerado Disney tem muitas outras ramificações além da família Pato. Vale lembrar que Desperate Housewives é uma produção da Disney. Isso serve também para dar um pouco de alívio para os eventuais alarmistas que acham que a Marvel pode sofrer algum tipo de intervenção direta da Disney. Não tenho informações concretas, mas acredito mesmo que essa temida interferência não vá acontecer.
HQ+ - E se acontecesse? Tem algum crossover que vocês aí da redação gostariam de ver?
RS - Como eu disse, acho bem difícil... mas as sugestões surgiram em enorme quantidade desde que foi feito o anúncio (curiosamente, boa parte desses crossovers foram piadas feitas por autores da Marvel, inclusive o próprio Joe Quesada): Venom vs. Mancha Negra; Howard, o Pato visitando Patópolis; Deadpool e SuperPateta; Mickey Mouse: Agente da Shield. E por aí vai...
HQ+ - Para terminar: quem é mais rico? Tio Patinhas ou Tony Stark?
RS - Olha, isso eu não sei, mas quantas armaduras mega-ultra-power o Tio Patinhas tem?
HQ+ - Valeu Rogério! Boa sorte aí editando o Pato Do...ops...o Homem-Aranha e companhia!
RS - Quack!
E aí? Qual o crossover que você, leitor, gostaria ou tem medo de ver? Alguém aposta em um encontro da família de Os Incríveis com o Quarteto Fantástico?