

HQ+ é o blog de J.M.Trevisan, ex-editor das revistas Dragão Brasil e Dragon Slayer, co-autor do RPG Tormenta, co-criador dos personagens do mangá Holy Avenger. Aqui ele fala sobre História em Quadrinhos, RPG e o que mais for relacionado ao tema. Siga o Trevisan no Twitter: @drcareca
O que rock n’ roll tem a ver com as histórias em quadrinhos? Se depender dos gaúchos Rafael Albuquerque (Crimeland, Blue Beetle, Superman/Batman), Eduardo Medeiros (Popgun Vol.4, Mundo Estranho, Wood & Stock) e Mateus Santolouco (Rampaging Wolverine, Wonderlost. Lethal Legion), tudo.

Os três são responsáveis pela primeira minissérie do selo independente Mondo Urbano, abordando o tema sexo, drogas e rock n’roll. São quatro edições: Powertrio, Overdose, Cabaret e Encore (esta última, recém lançada no Festival Internacional de Quadrinhos deste ano, em Belo Horizonte).
O roteiro gira em torno de um antológico show da banda DE-MO, liderada pelo temperamental vocalista e guitarrista Van Hudson, e suas repercussões. São vários personagens, vários pontos de vista dos mesmos acontecimentos, o que de certa forma encaixa direitinho com o estilo de desenho variado dos três artistas, que se revezam. Drogas, sexo e magia negra são alguns dos vários temas abordados.
O HQ+ entrevistou um dos autores, Mateus Santolouco, que conta mais sobre a série e sobre os futuros planos do trio.
HQ+ - Porque contar a história de uma banda de rock? Vocês tocma algum instrumento ou têm banda?
Mateus - Primeiramente por que o tema tem um apelo para nós três, gostamos muito de música e de Rock, em especial. Depois, por que o Rock é uma expressão forte da vida urbana, e é sobre esses assuntos que o projeto Mondo Urbano se propõe a falar. Eu e o Eduardo tivemos bandas na adolescência, ambos tocando baixo, enquanto o Rafael ainda tenta tocar guitarra. Mas acho que a palavra "tenta" se aplica a todos nós nas nossas experiências como músicos, tocamos mal pra cacete.
HQ+ - Como é trabalhar em trio e como funcionou o processo de criação do roteiro? É mais complicado de se dividir do que a arte?
Mateus - Nós temos uma química muito boa, jogamos as idéias na mesa e vamos lapidando de forma que funcionem e agradem aos três. A gente produz o roteiro, a espinha dorsal dele, em grupo, depois deixamos a cargo do desenhista narrar visualmente aqueles acontecimentos, já definidos, da forma que julgar melhor. Fazemos reuniões onde decidimos os rumos da história e dos personagens e escolhemos quem desenha o que, de acordo com o clima que o capítulo ou momento pede. Acredito que encontramos uma fórmula que funciona muito bem. No início, talvez tenha sido um pouco mais complicado, mas agora, que já estamos na quarta revista, a coisa está fluindo naturalmente.
HQ+ - Há uma porção de personagens secundários interessantes, como o traficante Edu e Vinni, o dono da loja de discos. Existem planos para mais histórias com esses personagens?
Mateus - Sim! Um bom número de personagens secundários, inclusive figurantes que aparecem só ao fundo nos quadros, vão voltar a aparecer nos próximos livros. Temos, sem contar essa trilogia, 4 histórias planejadas. Todas são desdobramentos dessa primeira série, algumas levam para rumos bem diferentes, se afastando dos assuntos em volta da banda De-Mo, outras trazem de volta o tema e amaram pequenas pontas que estamos deixando soltas propositalmente.
HQ+ - Como foi a experiência de se auto-publicar? É um caminho viável comercialmente? E no caso de autores menos conhecidos ou em começo de carreira?
Mateus - A experiência foi ótima. Acreditamos que a melhor parte de ser independente é que o produto final passa apenas pelos seus critérios, você tem liberdade para fazer tudo e você decide quando e como vai publicar. Por outro lado, as questões práticas, como distribuição e venda, são uma dor de cabeça, e até agora, esse tem sido nosso único contra. O que foi legal no nosso caso, e por isso achamos que é comercialmente viável, é que depois de nosso investimento inicial para a primeira revista (Powertrio), o resultado das vendas custeou os números seguintes. Assim, não temos lucro, mas seguimos a produção sem precisar tirar dinheiro do próprio bolso. Já nos perguntaram se o fato de estar trabalhando para a indústria norte-americana teria ajudado na promoção do material, e até pode ser, mas não temos como medir isso. No fim, a qualidade do trabalho é o que garante o retorno do público.
HQ+ - Há planos de se publicar uma versão encadernada? E no exterior? Alguma negociação?
Mateus - Sim, sim e sim. Uma edição encadernada vai sair em 2010, tanto no Brasil como nos EUA. Estamos apenas acertando alguns detalhes e logo vamos anunciar isso no blog.
HQ+ - O que podemos esperar do capítulo final, Encore?
Mateus - O ponto de partida de todas as histórias da trilogia é a banda De-Mo e seu vocalista Van Hudson, neste epílogo, voltamos a colocá-los em foco
HQ+ - Valeu pela entrevista e parabéns a você e aos outros autores!
Mateus - Muito obrigado e grande abraço!
Visite o Mondo Urbano para se manter atualizado sobre os rumos do selo. No site, as três primeiras edições estão esgotadas, mas ainda é possível encontrá-las em lojas especializadas.


