IdeaFixa é um projeto colaborativo de artes visuais, ilustração, design e fotografia. E agora também está aqui na MTV! Com novos colaboradores, referências visuais, ideias, projetos e concursos sempre inspirados por música. Leia, espalhe, participe.

Anteriores
Categorias

Andy Warhol - Muito além da banana

21/07/2009 12:50:29

Semana passada resolvi reler o livro "Mate-me Por Favor" de Legs Mcneil e Gillian McCain, criadores da revista Punk, que pra quem não sabe foi quem deu o nome ao movimento que ensaiou seus primeiros passos bem antes dos Ramones , Clash e Sex Pistols se tornarem conhecidos. Punk antes de ser sinônimo de música curta, rápida e sem preocupação com virtuosismos era a palavra dada ao cara que virava a "namorada" dos demais sujeitos feios e mal encarados na cadeia.

A capa da primeira edição da Revista Punk lançada em 1975 estampava uma caricatura de Lou Reed feita pelo cartunista e também criador da revista, John Holmstron

 

Mas tudo isso veio depois da Factory de Andy Warhol. A Factory foi alugada em 1964 para funcionar como estúdio de Warhol e por ali circularam vários nomes da arte e da música desse período (para festinhas animadas ou screen tests) como os Stones e Bob Dylan. Dylan questionava o trabalho "vazio" e baseado em consumo de massa e imagem de Warhol.

Warhol com a sua produção na Factory

Na Factory os frequentadores eram estimulados a se expressarem artisticamente como bem entendessem. Libedade e Libertinagem no metro quadrado mais prateado de NY


Andy é mais conhecido como pintor e artista visual, principalmente pelos seus silks de celebridades e a transformação de objetos comuns em obras de arte, como ao famoso quadro da lata de sopa Campbell. Goste você ou não de arte Pop, Andy mudou muito a forma de como o mundo enxergava a arte naquele período.

Andy Warhol no Ankrom Museum

Andy era também movie maker, obcecado por fotografia e empresário de banda. Não só a capa do primeiro disco do Velvet Underground como até a primeira formação da banda tem o dedo de Warhol. Nico com toda a sua beleza e esquisitice alemã foi colocada na banda por uma pura questão estética. Andy achava que o grupo ficaria muito mais interessante visualmente com aquela mulher loira, gigante e misteriosa figurando entre os sorumbáticos Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison e a baterista que sempre me pareceu um menino, Maureen Tucker. Lou Reed também foi graduado em artes em 1964 pela Syracuse University.

 

Capa do primeio disco do Velvet, de 1967

Nico, Warhol e Velvet.

Warhol que sempre foi um marketeiro sem vergonha declarava nessa época "não acreditar mais na pintura" e usou o Velvet e sua imagem para criar um novo tipo de manifestação artística que misturava música, filmes e arte. O nome dado a essa bagunça foi Exploding Plastic Inevitable. A apresentação era feita em um teatro decadente, com o Velvet no centro, filmes conceituais sendo projetados sobre os músicos estáticos e alguns dos "Superstars" de Andy Warhol dançando insanamente com chicotes e coreografia sadomasô.

Pra quem gostou do assunto, vale procurar pelos filmes esquisitões feitos por Warhol. Deixo aqui um trecho de Vynil, com Gerard Malanga e Edie Sedgwick, que é a versão de Warhol para o livro A Clockwork Orange (Laranja Mecânica) de Anthony Burgess. Esses filmes são os responsáveis pela célebre expressão "15 minutos de fama". Warhol escolhia seus atores entre amigos e frequentadores da Factory, eram socialites, drag queens, rockstars, artistas, bêbados e junkies que o artista chamava de Superstars. Todos lá eternizados nos seus 15 minutos toscos, mal iluminados, mal enquadrados emal sonorizados, muitos dos protagonistas do que se tornaria o real Punk uma década depois.

postado por IdeaFixa