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A fotografia começou em preto e branco e o cinema também. As primeiras fotografias coloridas só surgiram quando os irmãos Lumiere, com seu charme MAGAIVER, utilizaram fécula de batata para compor os seus Autocromos. (Os quais estão viajando pelo Brasil com a exposição Autocromos Lumiere - O Tempo da Cor. Já passou por Curitiba e agora estão em exposição, até o dia 7 de dezembro, no Palácio das Artes em Belo Horizonte).
Ao contrário do que eu imaginava, li num esclarecedor e muito completo artigo na Wikipédia que os filmes p&b atuais "têm uma grande gama de tonalidade, superior até mesmo aos coloridos, resultando em fotos muito ricas em detalhes. Por isso, as fotos feitas com filmes PB são superiores as fotos coloridas convertidas em PB".
Não sou fotógrafa, não entendo bulhufas destes detalhes técnicos mais apurados, digamos; porém a impressão que se tem, ao menos no vídeo, é de que o preto e branco faz com que o público volte sua atenção inteiramente no significado da imagem, mais que na imagem propriamente dita. Aquele papo de ver "a alma da imagem" ou as expressões que uma boinice inspirada pode inventar. Partindo dessa idéia, a cor pode parecer um coadjuvante. Não é. A cor rouba tanto a nossa atenção que, quando é feito um filme, acredite, ela é totalmente planejada para ser um elemento narrativo que reforce a trama e não que o disperse.
Jean-Pierre Jeunet e Bruno Delbonnel ao pensar no tom sublime e “fabuloso” do filme de Amelie Poulain optaram por pintar seus frames com Verde, Vermelho e Amarelo. As mesas cores usadas nas obras do pintor brasileiro Juarez Machado, que serviu de inspiração para a Fotografia de sonho do filme.


Já Anton Corbijn ao filmar Control - a cinebiografia de Ian Curtis - optou pelo preto e branco por um motivo simples: Toda e qualquer memória que temos do Joy Division, assim como de Ian Curtis, é composta de imagens preto e branco. Dá uma olhada no álbum da banda no Last Fm , onde as fotos são upadas pelos fãs, e conte nos dedos as fotos coloridas. Eu conto pra você: UMA.

A única foto colorida do Joy Division é desbotada.
Videoclips são cinema em comprimidos, porções densas e apertadinhas de tudo o que o cinema pode oferecer esteticamente, fotograficamente, tecnicamente e artisticamente. Clips têm uma missão difícil, precisam se submeter à música e ser a síntese do que está tocando. Pelo menos é desejável que a estrela principal do vídeo seja o som. E escrevi todo esse bla bla bla whiskas sachê até aqui para justificar que certas músicas merecem um vídeo em preto e branco, ou só podem ser perfeitamente expressas nas imagens sem cor.
Caso, por exemplo do do The Big Pink para Velvet:
Não simpatizo com a forma que a letra se apresenta, porém o preto e branco só reforça o tom de sonho das imagens (I found her in a dream/ looking for me/ Doesn't make sense/ see her again) e a força que causa na nossa visão todos os braços amarrados (These arms are mine).
Imediatamente após ver este clip me surpreendi lembrando de outros clips onde o preto e branco os tornam memoráveis. Vai a lista!
10. Bob Dylan - Subterranean Homesick Blues / "Weird Al" Yankovic – Bob
Olha o valor histórico na sapucaí, gente! Em 1965 o fato é que não tinha outra maneira de fazer um vídeo que não fosse preto no branco. Ótimo uso do que se tinha nas mãos. Segue abaixo a homenagem marota do Weird Al Yankovic. Se não me engano uma banda tipo INXS ou A-HA fez uma cópia cuspida e escarrada, mas não me lembro do nome da música, nem dei o trabalho de procurar.
9. The Raveonettes - Black and White
A Gap pediu para a Agência Rehab promover sua Coleção Primavera-verão. Resultado: 5 bandas cantando sobre 5 cores. O Preto no Branco ficou para o The Raveonettes, Chris Do fez o vídeo em animação usando de um universo infantil para retratar temas contrastantes como o amor e o ódio, a juventude e a velhice, o preto e o branco.
8. Beyoncé - Single Ladies (Put A Ring On It)
Para o Kanye West não fazer esta ceninha, não vou deixar a Beyonça de fora da lista. Acho este clip Single Ladies realmente muito bem feitinho, bonito, tudo perfeito, sincronizado, arrumadinho e frio. Ultimamente Beyoncé só aparece em vídeos black and white; se é para deixar a moça caucasiana, tá funcionando.
7. Madonna - Justify my Love
O clip de putaria mais cheio de finesse que já vi na vida.
6. The Cranberries – Linger
The Cranberries vem para o Brasil ano que vem e este clip me remete a minha infância com os meus primeiros chifrinhos de amores platônicos do Jardim de Infância. Na época eu via a novela A Viagem, tocava Linger quando aparecia a ruivinha de cabelo enroladinho que era casada com o Miguel Falabela e - na minha memória – trocava ele por um cavalo. Bem... Chega das minhas memórias! Vamos ao clip que é o que interessa.
5. White Stripes – I just don’t know what to do with myself
I just don’t know o que falar sobre este clip. Gosto de pensar nele como a visão do cara que está cantando que Planning everything for two/ Doing everything with you/ And now that were through/ I just don't know what to do, enquanto toma um tubão vendo a moça em questã, mas pensando em outra que só ele pode ver na mente, não nós.
4. Amy Winehouse – Back to Black
Amy Winehouse chora, esperneia, quebra os dentes e se enterra porque ela já “die a hundred times”, enquanto seu maridão volta para a outra, ela “go back to black”. Preto e Branco extremamente pertinentes.
3. Radiohead – Street Spirit
Acredito que os movimentos de câmera assim como a dança das luzes e do movimento das pessoas só atingiu o espírito da coisa (espírito da coisa hein? hein? hein? Street Spirit got? got? got?) pelo preto no branco. Se fosse colorido, nada feito.
2. Smashing Pumpkins – Disarm
O clip é tão perfeito, mas tão perfeito, mas tão perfeito que eu não tenho palavras para para expressar o quanto eu pago pau.
1. Cat Power - Nude as the News
Nude as the News é uma música difícil de entender, mas quando chega a hora e você percebe que está merecendo essa música, tenha certeza será uma hora angustiante. O vídeo explica tudo.
E mesmo depois dessa lista eu tenho certeza de que algo ficou faltando, mas eu não tô conseguindo me lembrar de nada agora. Mas sempre algo falta. Certo?
That's all folks!
Oi, meu nome é Débora Avadore e eu não escrevi nestes meses porque eu tava vestibulando. Como eu não passei, o jeito é afogar as mágoas criando bunda vendo you tube.