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Eu não faço ideia de como as coisas funcionam, mas acredito em coincidências.
O cachorro que sai do mato e derruba o motoboy é uma coincidência, o pincel que encontra uma mão é apenas uma coincidência. A criança que pega uma guitarra pela primeira vez o faz por uma série imensurável de coincidências. Colisões.
Ainda bem que essas colisões existem, para quase todos, talvez não para o motoboy e o cachorro.
Storm Thorgerson frequentou a escola com Roger Waters e Syd Barrett. Tem quem chame isso de divino, eu ainda fico com a coincidência. Puta coincidência.
Thorgerson acabou estudando Filme e Televisão na London’s Royal College of Art, onde conheceu Aubrey Powell. Os dois usaram seu conhecimento em fotografia e desenvolveram técnicas manuais para a manipulação e montagem imagens. Foram precursores da nossa geração, lá em 1968, numa época em que não existiam softwares, mas películas, que eram recortadas, coladas, retocadas e que sofriam diversos efeitos e exposições, tudo feito na unha.
O estúdio que formaram, o Hipgnosis, ficou famoso pelo uso de câmeras Hasselblad, que com seus filmes quadrados, davam o enquadramento ideal para a realidade que eles modificariam, ou apenas colocariam numa moldura: a capa de um disco.
O curioso é que a primeira capa, criada para o Pink Floyd, tenha sido um trabalho que Thorgerson se ofereceu de última hora, pois o artista que faria a arte deu o cano na banda, e o pintor David Henderson se recusou a trabalhar com eles. O disco era o A Saucerful of Secrets.

A partir desse disco, Storm teve oportunidade de trabalhar com diversos artistas de renome, e talvez seja um dos poucos capistas que, muito mais do que ilustrar um disco, dá um selo de qualidade, que raramente falha. Boa parte dos músicos com quem trabalhou, e ainda continua trabalhando, são artistas de vanguarda, e a forma surreal como Thorgerson completa a obra de diversas dessas bandas é diretamente proporcional ao fenômeno inexplicável que muitas delas são.
Entre os artistas com quem trabalhou, seja sozinho ou com o Hipgnosis, selecionei alguns que não são simplesmente representativos, mas mostram como esse senhor de 65 anos tem sido uma peça fundamental na criação de clássicos da nossa cultura:







Um artista de conceitos fortes, de uma sutileza e uma moderação que todo mundo parece precisar nos dias de hoje.
Storm Thorgerson fotografou com suas imagens impossíveis o retrato de um acontecimento fantástico: a música.
Mais: www.stormthorgerson.com
Por: Wendell Penedo



