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Quando o Yo La Tengo jogou a capa de Popular Songs na internet eu já estava bem certa de que não iria me decepcionar com o conteúdo do album.
Seja por conta do revival de mixtapes, seja pela nostalgia, seja por eu ter sido uma mixtape kid e por ser fã de Yo La Tengo, fiquei pensando sobre isso e duvidei se eles seriam capazes de algo tão apelativo, estampando uma fita-cassete na capa de um album cujo o título seria POPULAR SONGS.
Não, não o Yo La Tengo. Uma banda que tem essa seção em seu site, veja bem.

Ira Kaplan que entrou em contato com Dario, como ele conta em uma entrevista no site da Pitchfork, mencionando a similaridade das obras e o conceito do álbum. (e curiosamente, "Dario, você notou que já fez uma peça cujo nome é homônimo a uma música nossa, "Deeper Into Movies" ? Hmmm )

Dario Robleto, artista americano nascido em 1972 em San Antonio, Texas, fã de hip-hop e música eletrônica, enxerga seu trabalho como um tipo de mixtape algo como uma coletânea da humanidade, através da reciclagem de materiais antigos, reconstruindo-os através de novas formas, como se visse o futuro através do passado.

O nome da peça que estampa a capa é chamada "At War With The Entropy Of Nature / Ghosts Don't Always Come Back", e é composto pela seguinte lista de materiais:
- Ossos e pó de ossos de cada parte do corpo, entalhados
- Trinitita (vidro produzido no primeiro teste da bomba atômica, em Trinity, por volta de 1945, quando o calor gerado pela explosão derreteu a areia)
- Pedaços de metal enferrujado
- Letraset
- Fita cassete contendo uma composição original de marchas militares, tiros, vozes de solados no campo de batalha de várias guerras e os respectivos FVE extraídos desses audios. Não sabe o que é FVE? Vai lá ver.
Não poderia ter existido melhor maneira de ilustrar a capa de Popular Songs, um mashup que vai de Serge Gainsbourg a Motown, todos devidamente salpicados com as guitarras distorcidas de Ira. E todo o sentido que isso faz ao tatear o encarte, folheando o trabalho de Dario.

Não cabe a hipocrisia de lamentar a o (suposto) fim dos álbuns físicos. Mesmo porque somos todos gratos a internet e o mp3 pelo atalho àquelas bandas que estariam perdidas no caminho dos nosso ouvidos. Ou bolsos.
Mesmo correndo o risco de soar nostalgica (já soando) sinto muita falta da experiência proporcionada pelo combo encarte + música. Sentido, propósito, empenho. Uma valorização e um sentimento que se distancianva bastante de algumas músicas descartáveis perdidas em 160gb em shuffles do ipod.
Em tempo: sabemos que as gravadoras nacionais não colaboram ao reproduzir com fidelidade os encartes originais, mas daí já é outra história pra outro post.
E por fim, deixo vocês com David Lynch
Em tempo:
- Yo La Tengo, assim como Dario, colocou uma lista dos "materiais" utilizados nas músicas, coisas como Amplificador Especial para Guitarra até Café Espresso.
- Você estuda na Universidade de Lisboa? Lucky you, Yo La Tengo fará uma AULA MAGNA apresentando as músicas do seu novo album em março.
- A entrevista na íntegra do Dario no site da Pitchfork
por Deia Kulpas