

Indiescópio é um blog sobre música independente nacional: quem toca a cena, os eventos, as ações políticas relacionadas, o que há de novo nesse universo e porque o velho não sobreviveu.
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Muito além do Planeta Terra e do Maquinaria, a onda de festivais de música que toma o mês de novembro passa por vários estados do país e aglutina uma dezena de bandas, entre promessas e sucessos consolidados. Para o meio independente, os festivais representam uma oportunidade quase única de atrair público, fazer contatos e conhecer a cena de outros lugares. A nova música brasileira passa pelos palcos dos festivais e, nesse contexto, novembro surge como um mês chave.
Não dá para falar em festivais independentes sem falar da Abrafin, a Associação Brasileira de Festivais Independentes. Desde 2005, a Abrafin procura reunir, organizar e potencializar o circuito de festivais de música independente no Brasil. A associação hoje conta com mais de 30 festivais filiados que, segundo o site oficial, reúnem um público de pelo menos 300 mil pessoas para assistir a cerca de 600 bandas nacionais e internacionais todo ano.
Começando por Cuiabá
Assim como o Jambolada, o maior dos festivais em Minas, o Festival Calango também aconteceu no finalsinho de outubro/começo de novembro. Isso simboliza muito. Ao lado de Rio Branco (Acre), Uberlândia e Cuiabá - cidades que sediaram Jambolada e Calango, respectivamente - abrigam os músicos, produtores e comunicadores que mais tarde vieram a idealizar o Circuito Fora do Eixo e a própria Abrafin - e aqui também o Goiânia Noise, outro grande festival de quem falarei em breve, assume papel fundamental.

Vitrolas Polifônicas e sua Cuiabá - Foto por Carlos Magno
A banda fez seu último show no Festival Calango.
Cuiabá é a terra do Macaco Bong, a terra do Espaço Cubo, a terra de Pablo Capilé. Estão aí três nomes diretamente ligados à atual revolução na forma como se pensa, se produz e se difunde música no país. O Macaco Bong você já conhece - são os artistas que trabalham a auto-gestão, carregam suas próprias caixas de som, agenciam seus próprios shows, fizeram o melhor disco do ano passado segundo a Rolling Stone e, tocando em meio a Sonic Youth e Iggy Pop, deixaram boquiabertos os que compareceram ao último Planeta Terra. O Espaço Cubo é o coletivo-embrião do Macaco Bong e do Circuito Fora do Eixo, além de responsáveis pela realização do Festival Calango e, muito importante, pela introdução dos princípios da Economia Solidária na cadeia produtiva da cultura independente (conheça o Cubo Card). Para finalizar, Pablo Capilé, além de mentor por trás de tudo o que contei nesse parágrafo, é um dos maiores pensadores da história da música brasileira. O cara vive de cultura independente e roda o país compartilhando conhecimentos, trocando experiências e propondo novos rumos para essa história que já segregou muito e agora começa a somar, a aglutinar muito.
É essa Cuiabá a terra do Festival Calango. Em sua sétima edição, o evento acabou reafirmando a posição da cidade como berço da nova música independente brasileira. O line-up? Macaco Bong (!), Wander Wildner, Emicida, Walverdes, Venus Volts, Devotos, Holger, Mugo, Black Drawing Chalks, Marku Ribas, Mini Box Lunar e outro monte de artistas independentes bacanas dos quais, se você ainda não ouviu falar, vai ouvir em muito breve. Isso porque, desde os anos 80, é essa a maior contribuição cultural dos festivais: apontar novas tendências musicais - tanto esteticamente, quanto politicamente.
No próximo post, a relação de todos os festivais de novembro daqui em diante. Por hora, ficam alguns links pra você que se interessou nessa história toda:
www.abrafin.org
www.foradoeixo.org.br
www.festivalcalango.com.br
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PS: A gente continua falando de festivais no twitter: @hickduarte, @gomacultura, @foradoeixo
