

Um panorama sobre a indústria e o mercado de games. Novidades, curiosidades e tendências mundiais e nacionais. Pelo especialista Fabio Santana.
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Antes de tudo, quero dizer que não entendo por que ainda se usa o termo "nova geração" para designar uma linha de videogames que estreou há mais de três anos (não parece, mas o Xbox 360 chegou ao mercado em novembro de 2005). O que dizer, então, da maioria dos falantes de língua inglesa, que ainda se referem aos três presentes consoles como "next-gen"? Já passou da hora de esta geração ser chamada apenas de "atual", ok?
Agora que desabafei, vamos falar de uma "próxima geração" de verdade. O notório analista Michael Pachter, da Wedbush Morgan, consultor de grandes investidores da indústria de videogames, afirmou que, contrariando a tendência dominante até aqui, uma nova família de consoles não deve chegar ao mercado até 2013. "Nós não esperamos que a 'próxima' geração comece antes de 2013, se tanto", afirmou Pachter. "Permanecemos confiantes de que as produtoras resistirão à introdução de qualquer tecnologia de hardware de videogame que obrigue a uma atualização do software, já que as produtoras ainda estão para ver algum retorno dos enormes investimentos feitos para se manterem competitivas no ciclo atual".

Wii, PlayStation 3 e Xbox 360: muita lenha para queimar ainda
A média entre a estreia de uma geração e a vinda de outra é de 5 a 6 anos até aqui: o NES chegou em 1985 (1983 no Japão) e foi ultrapassado pelo Mega Drive em 1989 (1988 no Japão), que por sua vez se tornou obsoleto com a chegada do Sega Saturn e PlayStation em 1995 (1994 no Japão); o Dreamcast então liderou uma nova linha de hardware em 1999 (1998 no Japão) e a geração seguinte foi iniciada pelo Xbox 360 em 2005. A seguir o ritmo, a evolução dos videogames atuais se iniciaria provavelmente em 2011, o que implicaria numa iminente campanha de marketing por parte da empresa empenhada em chegar primeiro.
Mas Pachter está certo quanto ao fato de as três gigantes – Microsoft, Sony e Nintendo – estarem ocupadas demais com seus atuais consoles para apressarem seus sucessores (à exceção talvez da Nintendo, que o próprio Pachter pensa estar trabalhando em uma atualização de alta-definição do Wii, o que, de qualquer forma, também não se qualificaria como uma "próxima geração"). Também há o fato de o ambiente atual não inspirar investimentos ainda maiores em uma nova linha de hardware, já que as empresas estão só agora se acostumando com a realidade do mercado resultante de consoles tão diferentes. E, principalmente, o próprio conceito de "plataforma" mudou muito com esta geração, agregando a noção de serviço e deixando o poder de hardware como um fator, embora ainda relevante, mais relegado ao segundo plano. Um novo concorrente precisaria oferecer muito mais que gráficos mais bonitos e mais canais de som para se justificar, e ir além do que já é oferecido hoje exige mais anos de pesquisa e desenvolvimento.
Se o ano mais próximo possível para uma nova geração é 2013, já não tenho certeza, mas imagino que os consoles atuais ainda irão receber muitas evoluções incrementais de serviço e tenho certeza de que ainda podem oferecer anos de novos e progressivamente mais bonitos e empolgantes jogos. E você, tem interesse por uma próxima geração? E o que esperar dos videogames que sucederão Wii, 360 e PS3?
Bem-vindo ao Inside the Game. Neste novo blog da MTV você conhecerá um pouco da máquina que move a indústria dos jogos eletrônicos, pela perspectiva de quem a acompanha profissionalmente há uma década e meia.
O foco deste primeiro post é a Nintendo, que gozou de um monopólio tranquilo na era do NES, continuou líder mundial com o Super NES e então amargou duas gerações disputando o segundo lugar, para somente nesta geração dar a volta por cima atacando o mercado de massa com seu Wii. A centenária empresa nipônica é presença constante nos noticiários, geralmente com manchetes positivas sobre seu desempenho no mercado com a estratégia do Oceano Azul. No entanto, nos últimos tempos, as águas da Nintendo andam calmas, estranhamente calmas demais.

Embora o Wii e o Nintendo DS tenham assumido os dois primeiros lugares em vendas de hardware nos EUA em março (dobradinha que se confirma já há nove meses), neste último mês a indústria de games teve uma queda de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior. Foi a primeira baixa no ano (e a situação ominosa, segundo especialista, deve se manter), e a Nintendo não saiu ilesa: o Wii vendeu 16% menos (601 mil unidades em março de 2009 contra 721 mil unidades um ano atrás). Talvez mais do que a crise mundial, pese o fato de Super Smash Bros. Brawl ter sido lançado em março de 2008, vendendo 2,7 milhões de unidades só naquele mês, o que pesou positivamente nas vendas do console naquela ocasião. Em março deste ano, o jogo de Wii mais vendido foi o popular Wii Fit, que já tem quase um ano no mercado, em quinto lugar no ranking geral, enquanto o principal lançamento do mês para a plataforma, o sangrento MadWorld da Sega, vendeu somente 66 mil unidades, o que não o qualificou nem entre os 20 títulos mais vendidos do mês.
Ainda assim, pode-se afirmar, com muita razão, que a Nintendo ainda desfruta de uma situação privilegiada no ocidente. Já em sua terra natal, os negócios não andam tão positivos: o Wii está vendendo menos que o PlayStation 3 há sete semanas seguidas, e em algumas teve números comparáveis aos do Xbox 360 (console com vendas historicamente fracas no Japão). É certo que a Nintendo acaba de anunciar um total acumulado de 8 milhões de Wii no Japão, mas a atual média semanal de 17 mil consoles vendidos é 66% menor que o nível de 50 mil unidades semanais alcançado em março/abril de 2008.

Ações da Nintendo nos últimos três meses (clique para detalhes)
Como resultado do declínio de março nos EUA, as ações da Nintendo caíram 6,6%. Em janeiro, a empresa já havia diminuído a previsão de lucros para o ano fiscal em decorrência da força do iene em comparação a outras moedas. No início deste mês, o presidente Satoru Iwata admitiu que “o Wii está na condição mais insalubre desde que foi lançado no mercado japonês”. Em resposta ao cenário desfavorável, muitos acionistas começaram a vender seus títulos da Nintendo, levando a nova queda no preço das ações – o dia 20 de abril fechou com a cotação de US$ 31,39 por ação, o índice mais baixo desde dezembro de 2006, um mês após o lançamento do Wii, quando as ações da Nintendo estavam em franca ascensão.

Ações da Nintendo no último ano (clique para detalhes)
O mais impressionante da situação é a aparente displicência com que a companhia trata o problema. Sem contar títulos da série New Play Control! (jogos originalmente lançados para GameCube adaptados para os controles do Wii), o primeiro jogo de Wii publicado pela Nintendo nos EUA saiu esta semana: foi Excitebots, lançado timidamente no dia 20 de abril, sem campanha publicitária que o promovesse. Antes dele, Animal Crossing: City Folk em novembro de 2008, e, depois dele, Punch-Out!! vem no dia 18 de maio.
Um ritmo preocupante se lembrarmos que a Nintendo publicou 13 títulos para Wii nos EUA em 2007 e oito em 2008. É evidente que a direção da empresa está ciente do problema e prepara alguma solução. O que me intriga é justamente essa estagnação prolongada, que me leva a crer que a Nintendo está direcionando esforços e recursos para algo realmente grande em termos de console doméstico (o negócio de portáteis vai muito bem, obrigado), uma solução provavelmente empolgante e potencialmente surpreendente. Pelo menos é o que a empresa precisa para reverter a tendência de suas ações. Seja o que for, provavelmente ficaremos sabendo na feira E3, que acontece na primeira semana de junho, em Los Angeles. A coletiva de imprensa da Nintendo está marcada para o dia 2 de junho, às 13h (horário de Brasília). Estaremos de olho.
Por Fabio Santana
