

Jet-Lag é o blog de Marina Reis, estudante de cinema que vive no frio Suécia. Não da Suíça!
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Ser brasileiro e vir para a Suécia significa não poder escapar de duas coisas. A primeira delas é a pergunta: “Por que Suécia?”. A segunda vem logo em seguida e é outra pergunta: “Mas o que tem lá na Suíça?”.
A idéia deste blog é falar um pouco do que vejo por aqui, na Suécia, que não é a Suíça, mas que talvez no quesito inverno tenha alguns pontos em comum com esta. Aqui em Estcolmo o frio continua, embora hoje mais ameno, 3 graus positivos.
O inverno nórdico é marcado por um ritmo lento-ofegante no qual tudo parece mais difícil de ser realizado e mais necessário de ser feito. As pessoas procuram os interiores, a rua é um meio as vezes evitável. Abrem-se os lugares sem ninguém e os espaços para as coisas esquecidas. Uma sensação de abandono permeia o gelo que cobre já metade de um carrinho de supermercado tombado na horizontal sobre o qual um foco de luz de poste incide circulando o desenho. Uma manchete do esquecimento.

Bancos vazios abundam e muitos focos de luz pontual em meio à noite que, durante essa época do ano, começa as três da tarde. O cenário perfeito para o personagem enigmático que surge fumando seu cigarro sob a luz branca da banca de jornal agora já fechada, anunciando que é tarde da noite, que nosso herói madruga, perambula solitário, substitui seus vícios, sofre de insônia.
Um cenário existencialista no qual é preciso criar constantes significados, assim se representa a cidade, ou assim a interpreto, a partir de minhas próprias lentes, multifocais. Conforme a primavera vem chegando, a noite vai demorando mais para cair. Agora já anoitece as cinco e, em alguns dias, raios de um sol tímido se estendem também para cá. Se o sol nasce mesmo para todos, os suecos o esperam mais do que ninguém.
Os pontos de luz entre os redores escuros apontam para pequenos pedaços de terra e neve. O silêncio é interrompido por passos pesados e respiração profunda, mas o vazio continua extenso entre os caminhos. E no curso das coisas, a presença do que permanece estático, como um carrinho de supermercado tombado no gelo, alheio a voluntariedades, ou à espera de intervenção.
















