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Dir en grey no Brasil 2011: o ballet de Kyo e a reação do público ao show

06/12/2011 07:20:57

KyoKyo te olhando. Foto: Eric Hayashi

 

Ballet hardcore
por Silas

 

É difícil, quase impossível de rotular o Dir en grey. A banda passou por muitas fases e fez músicas das mais diferentes vertentes. Costumo dizer que o DEG é uma das bandas metamórficas. São bandas que sofrem alterações naturais no decorrer de sua história, tudo orientado pelo ganho de experiência e contato com coisas diferentes mundo afora.

 

Foi a segunda apresentação deles no país. No primeiro show não deu para notar de fato a mudança de conceitos que eles vinham propondo, talvez por ter sido uma apresentação em festival e para um público misto. Já neste segundo, eles puderam expor essa nova fase. O “novo conceito” foi destrinchado no palco, experiência única para os fãs.

 

Geralmente quando bandas de Visual Kei mudam seu estilo e sonoridade, ocorre também a omissão de boa parte da arte performártica dos artistas (que é a principal característica do VK) com o DEG isso não aconteceu. Eles realmente saíram da cena VK, mas a característica performática não desapareceu, apenas se modificou, evoluiu. Kyo, o vocalista, possui toda uma expressão corporal, quase que um ballet, que em conjunto com as letras e acordes transmitem a mensagem ao público.

 

O DEG consegue transformar a atmosfera local durante seu show. É como se o espectador fosse transportado para o mundo que é regido pelas canções de acordes rápidos e precisos, batidas fortes, pesadas e seguras da bateria.

 

O show
por Lolli
Agradecimentos especiais à Roger "Zero" e Victor Nomoto


Espaço LUXA chegada dos primeiros equipamentos. Foto: Lucas Mikael

 

Como já é de praxe nos shows de JRock, a fila começou dias antes da apresentação. Depois de passar a noite na rua e enfrentar uma tentativa de assalto na manhã do dia do show, os primeiros da fila foram recompensados com a oportunidade de comprar, por R$ 75,00, uma camiseta e um download card oficiais para participar do fan meeting com a banda. Infelizmente para alguns, apenas os dois guitarristas, Kaoru e Die, deram as caras.

 

Com 30 minutos de atraso, a banda de abertura subiu ao palco já agitando a platéia. Ao contrário do que muitos imaginaram, o 10 Years foi muito bem recebido e fez um ótimo aquecimento para o show principal. “Eles têm uma energia maneira no palco”, comentou Fernando "Taro", do Rio de Janeiro, surpreso com o desempenho da banda.

 

10 Years
10 Years. Foto: Eric Hayashi

 

Exatamente às 21:38 o Dir en grey entrou em cena. Parte do público logo formou uma “roda punk” que aumentava conforme RUTEN NO TOU era tocada. O Espaço LUX se transformou em um enorme liquidificador de gente, parecendo cheio apesar da pouca quantidade de pessoas para o tamanho do lugar (até às 9:00 do dia do show foram vendidos 2mil ingressos, segundo a casa), o que se repetiu incontáveis vezes durante a apresentação.

 

Muitas pessoas passaram mal e foram retiradas por amigos e amparadas por seguranças. Uma menina desacordada chegou a ser encaminhada a um pronto socorro. As regras da casa eram muito rígidas: não era permitido subir nos ombros dos outros para ver o show, até mesmo de longe, esbarrões mais fortes nas “rodas punk” eram logo detectadas. Seguranças munidos de um laser verde apontavam do camarote as pessoas que eles acreditavam estar burlando essas regras para que outros tomassem providências. Alguns fãs quase foram expulsos do local por estarem sem camiseta. Foi o caso de Carlos, A.K.A. Spectroman, que depois de perder a sua na platéia, precisou pedir uma camisa emprestada para continuar assistindo o show.

 

Dir en greyDir en grey. Foto: Eric Hayashi

 

Apesar do fervor do público, quem escolheu ficar mais afastado do palco pôde ver a apresentação perfeitamente. Além de ter uma visão plena, havia espaço de sobra para assistir sem ser esmagado ou empurrado pela multidão. Foi lá que eu encontrei o João G. Silvestre, de 14 anos. Ele foi ao lado do irmão mais velho e acompanhava todas as músicas pulando e cantando. Lá pude ver também pessoas com camisetas de diversas bandas, entre elas MUSE, System Of A Down e Metallica, mostrando que não importa a idade e não precisa ser fã de JRock especificamente para gostar de uma banda japonesa.

 

Apesar das muitas críticas ao último álbum, o set list não decepcionou. Contou com músicas antigas como MAZOHYST OF DECADENCE, versões de clássicos como OBSCURE, intercaladas com boas faixas do DUM SPIRO SPERO, como  HAGESHISA TO e DIFFERENT SENSE. O show durou cerca de uma hora e meia, com três músicas já no Encore. Ao final, os integrantes, muito descontraídos, jogaram palhetas, baquetas e até uma garrafa de cerveja para o público, encerrando a noite deixando sorrisos e um ar de satisfação nos fãs.

 

Kyo P&BKyo. Foto: Victor Nomoto ~ ihateflash.net

 

Mais fotos AQUI

 

Set List:

 

RUTEN NO TOU
HAGESHISA TO, KONO MUNE NO NAKA
 DE KARAMITSUITA SHAKUNETSU NO YAMI
OBSCURE (New Take Version)
LOTUS
ROTTING ROOT
SHITATARU MOUROU
INWARD SCREAM
THE BLOSSOMING BEELZEBUB
mazohyst of decadence
TSUMI TO BATSU (2011 Version)
INWARD SCREAM
"YOKUSOU NI DREAMBOX" ARUIWA SEIJUKU NO RINEN TO TSUMETAI AME
DIFFERENT SENSE
JUUYOKU
DECAYED CROW

 

Encore:

 

KODOU
REIKETSU NARISEBA
RASETSUKOKU

postado por JROCKMTV