

Este é o blog de Karina Buhr, cantora, compositora, atriz, percussionista e desenhista. Entre e fique à vontade!
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A nuvem passava e pesava o tempo
o coração fermentava sangria
gosto de comida passada,
gordas maçãs inchadas
viravam gotas de amor em vias
que sinuando entupidas, paradas
devido às dormências todas
comemoravam bodas
do que em poça adormia.
Queixumes salgados arados,
caminhos de intentos moídos
testando a passagem da vida,
virando a comida servida
que as dores tem tanto traçado
passado na mesa servido
o copo coração transbordando
e a trouxa de coisa amargando
reverberação escondida
A íris do olho ferida
sangrando a olhos vistos
nossas provas de amor e riscos
possa o sangue doar nessa vida
Dorme nos olhos o silêncio mudo
e nas suas veias pesa
às vezes carga de guerra
na terra dormem sementes,
nascentes de nuvens cruas
que só amadureceriam depois
Como todo arroz
sozinha, pra ter força pra próxima.
Te dou um pouco.
Se misturar com feijão é uma delícia
teu amor é maravilha, ervilha verdinha
Com o tempero dos erros
desvia minha acrobacia
pra esquivar dos tiros meus
que às vezes são seus
Confusão no meio do dia
arde ainda o jeito fosco
do vidro em cima das cores
Ó o jeitim do vidro!
Quer que o vermelho esteja
onde quer que ele esteja
Isso talvez seja
exigir demais do vermelho
O que vi e o que você vê
perdura na brevidade nossa diária
A de cada dia
A mesma de ontem
A mesma que ardia
e essa ânsia me ensina
como a ignorância, graça engraçada
e como a sabedoria, graça divina
É preciso graça na intenção
não necessariamente razão
graça na provocação
tristeza não!
Tristeza borra o rímel
desfoca o make incrível
A tristeza, minha larga doença imprevisível
me alarga, companheira, o vazio terrível
e é pouco provável
uma cura desfrutável
pelo menos nessa encarnação.
Pode acreditar nisso ou não
Mas de uma coisa você não duvide
não discuta, não revide
Ela com destreza paira,
pesada e pluma
com certeza em riste,
como o rifle que agora apruma.
Tristeza, em suma,
Não tem graça nenhuma!


Beijos
Karina Buhr

Eu e meu pai
Um gosto salgado na boca
cai amarga líquida gota
e liquida a alegria do domingo.
De verdade.
Saudade grande arde
queima toda a cidade grande
o coração vira estômago
digerindo a morte longe
longe que já faz um ano
que me foi arrancado
um pedaço
Esticam nervos de aço,
tubarão mordendo meu leito
jeito não tinha nenhum
apenas chegou o dia
de você ir embora
e no meu peito trovão chorou
debulhou, estagnou
Vai fazer um ano
que meu avião caiu
Embora fosse sabido
que você se ia em breve
quando acontece nada vale
a antecedência, a prévia tese
Em dias de paz
tem pão repartido
em dias dos pais
corações partidos, orações
perfumes, pedidos.
Tem almoço, pizza
promoções
"Passe um dia com seu pai!"
disse o slogan.
Agora eu quero ver!
O meu já foi embora
mas faço o que puder
pra ele voltar e passar o domingo comigo
Devoro todo o universo comercial
Compro todas as pizzas
todas as passagens
pra todos os destinos de viagens
todas as meias e gravatas
as revistas de economia
todos cremes de barbear
invisto todos os porquinhos
vendo os desenhos
vendo meus disquinhos
Boto o dinheiro que é do aluguel
a grana do estúdio pra ensaiar
não vou pro ensaio
vou fingir desmaio
só pra poder planejar
como vai ser a operação
Erro não haverá nenhum
pra acertar a promoção
se tudo der certo a cidade pára
e eu vou poder lisa,
sem um puto,
beijar de novo sua cara
Vou fazer barricada na rua
não deixar passar caminhão
com o estoque do supermercado
cheio de caixas, um bocado
sequestro o motorista
grito na pista
ganho tempo pra achar
o bilhete premiado
Quero passar pro outro lado
só pra te dar bom dia
e um abraço apertado
perdido, sonhado
desenhado com minha caligrafia
copiada dos desenhos que você guardou
os tracinhos que devagar,
coloridos, pequena, eu fazia
Não sei bem onde se meteu
de repente desaparecido
você foi morar escondido
não sei que lugar escolheu
Na última noite
na véspera do seu aniversário
não sabia fazer nada
fraca pra caralho
eu era a criança do lado do pai e não consegui
fazer você ficar vivo, não consegui!
Fiquei em pé do seu lado
sono pesado e culpado
te alisando e te cuidando
na noite que nunca acabou.
Não pode chutar, meu pai, senão o soro sai!
Você dizia que sabia e que não aguentava mais
Eu quis cuidar do seu braço
que estava ferido,desmanchando
e tentei
mas a enfermeira disse que não tinha
e não me deu a gaze
por que você já ia morrer mesmo
questão de horas,
ou podia ser um dia quase.
Aquele lugar sem beleza
sem leveza e sem janela
você já ia morrer mesmo
o expediente estava acabando
que importava seu braço pra ela?
Dali a umas horas eu esmurraria
chutaria com dor furiosa
aquela parede de mármore horrorosa
e receberia olhares desaprovantes
de um funcionário semi pobre
do hospital de semi ricos
hospitalidade semi nobre
medicando pacientes semi vivos
que tem sorte de ter a mais alguns cobres
Mas meus chutes não estremeceriam nada
nem mudariam a ordem das coisas
as coisas que seguem ordem própria,
mórbida, fétida e petrificante
no leito e em torno dele
bolhas, cateteres desafiantes
rezas, preces agoniantes
choros, velas, as parcas comidas
os amargos semblantes
e também feições rosadas de visitantes
que aparecem nos horários que lhes convém
e a gente como sempre refém
da malfadada tonta e aparecida
coisa leve, pesada, desconhecida
que resolveram por chamar de vida
O bolero de Ravel
queria ver mais uma vez você ouvindo
bastava esse domingo!
Essa era uma música linda
mas você me explicou
um problema que ela tinha
"começa com o volume muito baixo
e termina muito alto"
e é um inferno levantar o tempo todo
pra gerenciar isso.
Mas no final você cria
um bolero em parceria
todo num volume só
que repetia, repetia, repetia
creative commons, sua garantia
com seu toque pessoal e arrojado no arranjo
batidas de asas de beija-flores-de-alegria
executando debochados anjos
Mais açúcar no café do que você usava
era demais, você achava
menos açúcar era pouco demais
mas faz todo sentido, pai!
Prato grande no almoço merecia foto sua
pra mostrar pra todo mundo
a gula alheia na rua
Eu adorava leite com cereal
prova de que eu era
"chegada num misticismo
numas ciências ocultas"
às vezes comia pão integral
que, segundo você, devia ter outro nome
você preferia continuar com fome
Quando vi seu corpo inerte
naquela camisa vermelha
direito não consegui entender
você era tão mandão
que não aceitava morrer
pois morreu sem se despedir
não deu esse gostinho a ninguém
sem abraços de perdões e declarações
"manda esse povo parar de rezar junto de mim!"
Aqueles momentos pieguíssimos
aqueles choros novelísticos
nada disso você queria
e eu precisava tanto disso
no fundo do meu egoísmo!
Por que pareci forte?
Queria te abraçar e chorar
mas disso você não quis saber
e agora aqui escrevo
pra todo mundo ler,
talvez sem gostar ou se embevecer
mesmo quem eu não conheço
quem não pagaria nenhum preço,
vai pela internet, que você não usava.
Pra que isso? Não precisava.
Talvez por aqui você leia
vai saber onde as waves da web vão dar!
Vai que elas chegam onde você está!
vai que tem luz aí
e você consegue conectar!
E é isso minha gente
que tenho pra falar por hora
meus olhos ardem vermelhos
flamejam vapores agora
tanto os usei pra derramar
que eles já não conseguem olhar
como olhos felizes enxergam
e se esforçam pra apreciar
fecho-os com força, inchados
e ainda me enervam a transbordar.
Dia 15 de agosto
é aniversário de Augusto
que esperou o começo
do dia 16
pra ir embora de vez.
Isso aconteceu no ano passado
não sei se sobrevivi
Ele morava do lado do farol
ele morava no cartão postal
E com sua morte
adquiri um problema
de conjugação verbal
Pra falar do meu pai,
Augusto José,
alguns usam "era"
mas eu uso "é"!

Eu, meu pai e Xande, do surf para o surf
Dedico essas coisas de hoje a meus irmãos Alexandre, Juliana, Mariana e Priscilla. Também a Natércia, Anelis e Serena, a minha mãe Ingrid Buhr, tia Susi e Sami.

Eu e Ju

Eu e Mari

Pri
Beijos,
Karina Buhr Magalhães

Uma hora e trinta e sete minutos depois...
"É o procedimento senhora. A senhora poderia estar anotando o protocolo? É 3687 9504 7362 7209 8372 9574 6383 4900 0098 6750 6450 5370 2882...".
Isso é depois de fazerem lei proibindo os abusos no teleatendimento.
Então antes rolava estupro é?
A gente é otário! E não é de hoje. Nem eu, nem você.
Nesse momento exato esquento minha mente com problemas causados pela Telefônica.
Se eu quiser resolvê-los vou ter que cancelar os ensaios de hoje,
adiar o lançamento do meu disco, comprar antidepressivos, pagar conta de telefone ainda mais cara pelo tempo que vou ficar pendurada, repetindo
quinhentas vezes tudo o que já falei em outras quinhentas ligações anteriores e vou ver, como você já está vendo, brotar o ódio no meu coração!

Vou lançar uma campanha "Proteja nossas matas, não anote o protocolo".
Haja papel!
E devemos mesmo anotar números infindáveis como forma de proteção?
Por que precisamos nos proteger tanto?
Se não anotar você pode ser roubado e a razão será toda do ladrão.
Se você anotar, a razão ainda vai ser do ladrão mas você ganha o direito de, por exemplo, pagar apenas 60% do valor que lhe roubaram.
Roubo pré datado, sacou-me?
Assim aconteceu com um amigo meu.
Ao receber uma conta astrhomérica, ele reclamou, não pagou, processou.
Uma juíza botou ele frente a frente com o algoz e o algoz disse que tudo o que poderia fazer, nesse caso, era dar uma coisa, que ele chamou de abatimento, de 40% do valor total da coisa que ele chamou de dívida.
É por essas e outras que torres vão abaixo minha gente!


Tem uma coisa que descobri antes do FBI!
A Telefônica está usando robôs em grande escala sem divulgar o caso.
Não tô falando da gravação de meia hora que você ainda escuta antes de falar com um atendente não. Tô falando que muitos dos atendentes são robôs!
Preste atenção se não são!
Não todos, claro! Eu mesmo conheço duas pessoas que trabalham como teleatendentes e acho que eles não são robôs. Se forem são réplicas perfeitas, posso afirmar.
Acabando com a piadinha que pode ofender a quem não deve e pra não perder 2 amigos...
claro que tem um monte de gente honesta nos teleatendimentos e eles sofrem também!
O que ouvem de xingamento meu, seu e nosso todos os dias não tá escrito.
Galera do bem do teleatendimento, tenho algo a falar pra vocês.
Relaxem, não é pessoal, é contra o pessoal que manda em vocês.


Oh, Senhor! Como é ruim estar coberta de razão! Odeio essa situação.
Me bastaria uma razãozinha.
Coberta de razão a pessoa fica ansiosa, querendo falar pra todo mundo
todos os motivos por que tem razão.
Além disso o orgulho interior é estimulado, a ira, os instintos assassinos...é péssimo!


Mas, já que estou coberta de razão, vou ter que falar do caso que me levou
a escrever esse imenso texto de protesto, depois de ter feito uma poesia sobre as coreografias das meninas.
Até citei isso lá, que não era protesto. Foi no post antes desse.
Veja lá senhor ou senhora!
Me dê mais um view e veja como agora mandei a poesia pra puta que pariu!

Vou contar o que danado me ocorreu tentando resumir, meu Deus.
Em outubro do ano passado pesquisei preços pra ter um serviço legal e mais em conta de telefone, internet e uns canais aí. Uns canais mais básicos, sem os pornôs e tal.
A linha que eu tinha era da Telefônica.
Depois da pesquisa achei melhor cancelar essa linha e fazer um pacote com outra empresa.
Fiquei pensando se isso não seria ruim por que era o meu número
de contato pra trabalho.
Liguei lá e perguntei se, se eu não ficasse satisfeita com o serviço da outra operadora e quisesse voltar pra Telefônica, poderia solicitar o mesmo número de volta.
Me falaram que se eu solicitasse o religamento no prazo de 3 meses sim,
por que era um procedimento padrão deles .
Eu falei ok.
No dia seguinte instalei o fone da outra empresa.
Pra garantir a ausência de problemas no futuro, visto que conheço a Telefônica e não confio nela, liguei de novo e disse que queria o cancelamento definitivo da linha.
O cara quis de todo jeito que eu aceitasse o temporário, afinal de contas eu teria o direito de ligar lá em 3 meses caso quisesse recuperar a linha.
Falei que não era preciso, que eu queria realmente cancelar.
E a linha foi cancelada.
Quando deu fevereiro chegou uma surpresa! Uma conta da Telefônica!
Liguei lá e disse que havia um engano, que aquela linha tinha sido cancelada em outubro, que eu não usava mais esse número desde então e tal.
Daí, senhoras e senhores, ouvi um "a senhora solicitou cancelamento temporário, senhora!".
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!
Eu disse "não querida, eu solicitei um cancelamento cancelamento, inclusive tenho outra linha desde o dia seguinte.
Vocês que falaram que o sistema era de cancelamento temporário e que, no prazo de 3 meses, eu poderia solicitar a linha de volta e manter o número. Só que além de eu ter feito questão de pedir o definitivo, eu nunca liguei aí pra solicitar religamento nenhum!".
A moça repetiu a mesma frase do início.
Eu disse que não ia pagar.
Seguiu-se o diálogo surreal:
T- senhora, a senhora quer estar solicitando um cancelamento definitivo?
K- não. Eu solicitei esse cancelamento em outubro e vocês religaram a linha, sem me avisar e agora vem me cobrar algo que não usei, nem pedi pra usar.
T- então a senhora quer estar continuando com a linha?
K- NÃO!! Eu não quero a linha desde OU TU BRO! E não vou pagar essa conta!
T- senhora, o não pagamento resultará no cancelamento da linha
K- você está louca minha filha? Eu não quero essa porcaria dessa linha há muito tempo!
T- Então a senhora quer estar solicitando um cancelamento definitivo?
K- moça, eu já fiz isso há vários meses. Essa cobrança é indevida! Entenda pelo amor dos deuses!
(falei isso com palavras mais duras)
A conversa seguiu esse molde até eu ficar louca e rouca e desligar o telefone na cara da menina que, coitada, é vítima também.
No mês seguinte chegou outra conta e se seguiram vários diálogos bem parecidos com o anterior, porém com mais flama.
Sem falar nos telefonemas quase diários que recebia da Telefônica me cobrando as "dívidas" e dizendo que se eu, senhora, não pagasse, teria minha linha suspensa.
E eu feito louca, redundante, repetindo, repetindo, repetindo...

Ah! Teve uma vez que me ligaram da Telefônica fazendo uma cobrança referente ao número X, que era o meu número da outra empresa!
Quando eu disse "peraê minha filha..." a mulher desligou o telefone na minha cara.
Tendo em vista que é um jogo, empatamos as desligadas na cara.
Seguiram-se as ligações e diante de meus textos desesperados me mandavam ir numa unidade da empresa, munida do número do protocolo de outubro, pra ouvir a ligação, pra ver se realmente eu tinha pedido o cancelamento definitivo ou temporário.
Continuaram as contas chegando e as cobranças também.
Se eu, senhora, pagasse,evitaria o cancelamento da linha.
Perfeito! Não pagar e ter a linha cancelada, era tudo o que eu queria!
Tudo indicava que estávamos pensando igual a aquela altura.
Mas não, não estávamos.
Ah! Esqueci de dizer que, lógico, em todas as ligações eles me pediam o protocolo de outubro, que eu, senhora, tinha que ter anotado mas não anotei.
Eu, de mãos trêmulas, acabei por anotar vários novos protocolos
tentando fazer alguma coisa pra me defender.
Mas me digam senhores, por que eu, senhora, teria que ter guardado um protocolo de 4 meses antes, quando pedi um cancelamento de linha e fui atendida?
Repito! Se eu pedi o danado do cancelamento e fui atendida, por que cargas d'água eu teria que guardar um número de protocolo?
Logo eu, que odeio eles!

Há 5 dias recebi uma carta do SPC dizendo que, se eu não pagar uma dívida
que tenho com a Telefônica, meu nome vai ficar seboso em 10 dias.
Extorsão é o nome disso.
Tenho 5 dias de ficha limpa pra aproveitar! Aê!
Se eu quiser me mudar, assinar um contrato legal,
a hora é essa!


De ontem pra hoje recebi da Telefônica uma via de um certo
"contrato de parcelamento de dívida".
Me roubaram e me deram o direito de dividir o valor em 8 vezes! Que massa!
Daqui até lá, pra eu não perder a minha linha, vejam bem, que eu já quis perder desde outubro...eu tenho o "direito de usar o plano família".
Minha Santa Ifigênia ajudai-me!
Eu não quero linha, não quero plano, não quero família!

E agora devo assumir de vez a minha condição de OTÁRIA, indo pagar
o valor que estão me roubando, num banco aqui perto de casa, que só tem um caixa funcionando.
Nem parece banco!
Alguns dados científicos:
"A campeã de reclamações de 2006, Telefônica, teve um crescimento de 349% nas reclamações fundamentadas em relação ao ano passado.
Em 1998, 1999, 2000 e 2001, a empresa
já havia encabeçado a lista...As listas feitas pelo PROCON contém apenas reclamações fundamentadas, ou seja, demandas de consumidores que não foram solucionadas com a primeira intervenção do Procon-SP
e necessitaram da abertura de processo administrativo" (control C control V do www.procon.sp.gov.br).
Quando a Telefônica não consta na lista não significa que é por que foi gente boa, mas que ficou um pouco atrás do primeiro lugar, como em 2005, que ficou em 4° lugar.
Como não entrei em contato com o PROCON e nem vou entrar por que vão me pedir o maldito protocolo, o meu caso não entra nos números oficiais, assim como muitos, muitos outros, que acabam vencidos pelo extremo cansaço.
Ainda não sei qual será o fim da história.
Como é muito mais fácil eu aceitar o "acordo de parcelamento" e pagá-lo, resignada, do que ir quinhentas vezes levar chá de cadeira em unidade da telefônica e do PROCON, provavelmente será isso que farei.
OTÁRIA!
PRONTO FALEI!
ps. Tem isso aqui: www.anti-telefonica.blogspot.com (o "maior grupo antitelefonica associado do mundo, com mais de 30.000 participantes").
ps2. Retificando...o título da campanha que vou iniciar não é mais
"Proteja nossas matas, não anote protocolo" mas sim
"Otário, anote o protocolo", pro seu próprio e único bem.
Beijos,
Karina Buhr

BAILARINA ROSÊ

SOLTINHAS
As meninas dançam sem parar e sonhando,
não do jeito que as revistas que-dizem-que-são-femininas
falam que elas sonham.
As revistas não acompanham!!
Será que é por que elas falam mais? Elas falam mais?
Meninas ficam menstruadas. É um saco! Vai dizer o rapaz.
Então são dois ou agora três! Vai dizer, de uma vez,
a princesa sem delicadeza.
Na verdade até quatro, incluindo meu outro saco,
também chamado paciência
diria a moça alterada, desperdiçando rima
sem a destreza esperada
sem da palavra a fina ciência
com da palavra a ciência fina.
Em algum momento irão pruma academia.
Mesmo que só pague a mensalidade
é dificuldade ser atleta no dia a dia.
Pode ter fobia a menina,
ou algum problema de idade,
os emblemas da felicidade
são meio cruéis hoje em dia.
Meninos às vezes até vão,
falo ainda da academia,
mas precisar não precisam.
Jogam futebol uma vez por semana
meninas fazem coreografia
As meninas fazem mais,
mas tá na moda presidiário fazer.
É exercício diário pra esquentar corpo e suar
passar raiva ou emagrecer
Pra ter força pra escrever
dançar por exibição, puro prazer
De noite, de dia.
Na escola, com as amigas e as nem tanto
no quarto, na sala, nos cantos
os namorados pedem
adoram a mordomia
e elas rebolam felizes
Juntos estudam a forma
morfologia.
Bailarinas, na real, comem pão
bailarinas podem ter bundão
bailarinas que são gordinhas,
dançem bem, dançem mal,
nas suas vidinhas botam sal
e aproveitam a extensão das geografias
Botam pimenta e canela elas,
mais um pouco de sal
e coreografia.
Single e de casal.
Pode procurar lembrar
se você for ou tiver sido menina,
ou se conhecer alguma.
Nas infâncias longínquas
eram dançarinas, em suma.
Diz-se que elas precisam se preocupar mais
com a forma das coisas, dos seus corpos,
com o tamanho de suas bacias
e ainda com a poesia.
Poesia que às vezes falta
a marmanjos de plantão.
Mulher embagulha mais rápido,
diz o embagulhado sabichão.
Mas não é texto de protesto,
nem agressão, nem manifesto
É saudade da Bahia,
do meu pai
e do tempo que eu fazia
mais coreografia.
Mas todas fazemos.
As punks, as presidiárias,
as otárias, as emos.
Não é pra forçar muito a memória,
nem procurar nas fotografias.
Forçar dá trabalho, é ruim e cansa
Passe com a lembrança
na frente da escola
repleta de criança
vai ter grito, vai ter bola
aí puxe firme pela lembrança
olhe pela janela
que fica atrás do seu olho direito
enquanto ajeito o que escrevo
aceite o que lhe proponho
viaje no seu self sonho
(tenho pressa e não vou rever)
cheio de curvas e caminhos
(o que você vai ler)
e de frente pra aquela esquina,
próximo ao burburinho
da retina um grupinho,
lindo de causar espanto
agudíssimos gritinhos tantos,
frescuras de menina
Mas por que elas bailam tanto?
Quem ensina?

AZULEJO

PIRIGUETE
E essa foi minha opinião de hoje, beijos, Karina Buhr www.myspace.com/karinabuhr

RITA LEE - 1979

EU, EM 1981, com batom com alguma inspiração...
Quando eu era criança pequena lá em Salvador, eu tinha uma melhor amiga.
Ela só falava cantando.
Rita Lee o nome dela.
Uma vez ela brigou com o namorado e fez uma música bem bonita.
O namorado era "Uauê" (irmão do Cauê e da Zabelê lembra?).
Ela fez escândalo e até greve de fome, mas depois pediu desculpas cantando:
"desculpe Uauê, eu não queria magoar você".
O apelido de Uauê era Rocambole e até hoje eles se beijam e se engolem, fazendo assim.
Rita é a mais paulistas das paulistas, todo mundo fala e deve ser, mas nessa época eu nem sabia que São Paulo existia, assim, do jeito que São Paulo é. Pra mim São Paulo era uma cidade bem longe e nem desconfiava que minha amiga era de lá.
É engraçado isso do lugar onde as pessoas nascem. Isso tem toda importância e importância nenhuma.
As coisas que eu, pequena, ouvia de Rita nas suas poesias e suas músicas eram as mais lindas do planeta e com certeza ela tinha nascido em algum lugar, mas nunca tinha me falado sobre isso! Nunca perguntei pra ela também. Mas ela devia ter me contado!!
Na verdade ela tinha falado e muito sobre São Paulo, mas eu não tinha entendido.
Tinha um João Ninguém que se achava o tal e ela falava: "hey, pé de chinelo! Até parece que...sanguésu!".
Tradução: o cara tá se achando! Parece que bebe, parece que sanguésu!
A palavra era "sanguésu", mas ela falava parecido com a galera das novelas, daí saía "sanguéasu".
O original, pra quem acaso não conheça: "rei pé de chinelo, até parece que sangue é azul".
Lembro também que minha amiga Rita falava dos homens com uma ironia que eu entendia direitinho.
Falava da noiva neurótica e do noivo galã, que era um lixo e tal.
E uma vez ela falava dos roqueiros brasileiros pra Romeu. Romeu, de Julieta sabe?
Naquela música que ela falava que ia botar fogo nesse asilo e que queria mais era...
se "divertir, iticí e sintí...errirêu, foracêu, ô Romeu!" (!!!).
Pompéia era o nome da vizinha dela, que reclamava do som alto...
Vou até parar por aqui ou então deletar geral antes que alguém leia e mande me internar.
Se bem que nem querem mais internar ninguém né?
Tá limpeza então.
Bom, vou encerrar mesmo assim, que o caso é grave.
E ESSE ERA MEU REINO RITA LEE!
Na vida real, de hoje em dia, moro em São Paulo, na Pompéia, que ainda reclama do som alto! Por esses dias, Ronaldo Evangelista me convidou pra cantar Rita na galeria Olido, centro de Sampa. E lá vou eu!
A banda tem os maravilhosos Maurício Fleury no teclado e direção, Pedro Falcão na bateria, Demétrius Carvalho no baixo acústico e Regis Damasceno na guitarra.
Tu não vai não é? Unxe! Até parece que sanguésu!
Servicio:
Projeto Conexões - Karina Buhr canta Rita Lee
galeria Olido, avenida São João, 473 - Centro, São Paulo
Quarta feira, 8 de julho, às 19:00, de graça.
e mais uma Rita linda pra gente:

Mais sobre o projeto Conexões, no blog de Ronaldo Evangelista: www.vitrola.blogspot.com
