
Primeiro post de junho.Sem clima junino.Vamos falar da banda paulistana mais alemã e interessante de São Paulo.
Antes de começar e apresentar o superpost e a superentrevista com uma das bandas mais legais de São Paulo, vamos falar sobre algumas coisas sobre o blog.Tá certo, só uma coisa.E essa coisa é:
Queremos mostrar pra vocês o que de bom está sendo produzido no Brasil e no mundo.Encheção de linguiça não é legal.
Vamos ao post porque ele tá lindo.

De cima pra baixo: André Vinícius,Ricardo Melo e Fábio Otubo.
O Dark Disko Republik nos mandou um e-mail que eu abri sem muita expectativa faz um tempo já e por diversas razões, só tô postando sobre eles agora. No e-mail, o link do Myspace e de uma entrevista que o baixista André Vinicius concedeu ao Trama Virtual. Resolvi ler porque não tinha mais nada útil pra fazer. Portanto, se você não tiver nada mais útil pra fazer, leia a entrevista aqui e baixe os ótimos EPs aqui. E se você tiver algo mais importante pra fazer, pare e primeiro ouça as músicas e leia a entrevista. Não vai se arrepender, te garanto.
O trio paulistano formado por Ricardo Melo (além de ser meu xará, é o vocalista principal, tecladista e produtor da banda), Fábio Otubo (guitarrista, vocalista e responsável pela arte das capas dos EPs) e André Vinicius (baixista) oferece aos nossos ouvidos uma surpresa estranha, mas agradável. Melodias incríveis e letras sobre amor, desilusão e frustrações. Eles conseguem o incrível feito de não soar piegas.
Conversei um pouco (bastante) com o André pelo MSN, que me concedeu uma agradável, cultural e ótima entrevista sobre a banda. Tudo em seu tom professoral.
Então vamos conhecer mais um pouco sobre esse trio paulistano que adoraria ter nascido na Alemanha?

DDR na Casa de Criadores, em São Paulo.
Vamos.
Let's Glow: Me fala do nome da banda. Por quê Dark Disko Republik?
André Vinicius: Formamos a banda em abril de 2008. Tínhamos umas músicas já pela metade da banda que eu tinha com o Fábio antes. Então em 3 meses nós praticamente já tínhamos terminado 8 músicas, que são os dois primeiros EPs. E não tínhamos nem nome ainda. Como a proposta da banda sempre foi fazer um som dançante (mas a gente não consegue fugir das nossas referências mais dark), eu sempre achei que o nome Dark Disko funcionava. Mas nem o Ricardo nem o Fábio concordavam.
O Fábio fez uma viagem pra Alemanha em julho de 2008, a gente tinha acabado de gravar Disko 84 (faixa de um dos EP's). E quando ele estava em Berlim, se deparou com uma pichação no que restou do muro e estava pichado "Feliz 84" (vide a capa do EP). Então, essa coincidência do nome da música, da pichação e por ser no muro, tudo meio que se juntou.
DDR é a sigla da antiga Alemanha Oriental. Tínhamos o DD (Dark Disko), faltava o R, que ficou Republik. De uma vez só, a gente criou o nome da banda, o nome do primeiro EP (1984/Hey Kids, Berlin Was Once Divided by a Wall!). Tudo se encaixou perfeitamente.E ainda tivemos a idéia de lançar uma trilogia de EPs sobre cidades alemãs importantes pra história da música. Tudo por uma imagem, que depois a gente descobriu que é de um pichador espanhol. Esse 'Feliz 84' está pichado em várias cidades da Europa.
LG: Eu percebi alguma influência das artes das capas dos CDs do Franz Ferdinand (inspiradas nos pôsteres da propaganda soviética) na arte da capa dos EPs de vocês.Como foi a criação da arte das capas?
André: O Fábio, nosso guitarrista, é designer de uma revista sobre história. A equipe da revista dele ganhou o prêmio Esso de design gráfico de 2007 justamente pela edição comemorativa dos 90 anos da Revolução Russa. Esse apelo do leste europeu, design de pôsteres de propaganda da União Soviética é uma linguagem que nós três gostamos muito. O Franz Ferdinand também usou muito isso. A capa do segundo disco deles é um dos pôsteres de propaganda soviética mais famoso. O Fábio com essa temática na cabeça, acabou criando as capas com esse estilo. E como é trilogia, elas seguem a mesma linha.
LG: Você compõe, certo? Uma das coisas que me chamou a atenção foram as letras das músicas. É algo clichê, mas completamente diferente das músicas que têm esses mesmo temas: amor, desilusão e etc. Não são apelativas. Não tem aquela coisa 'todo mundo dançando', nada comercial. É só pela 'arte'?
André: Nós três sempre finalizamos as músicas juntos, a maioria das letras são minhas simplesmente porque escrevo mais que eles (a letra de Disko 84 é do Ricardo e a de Super! é do Fábio). Não planejo muito quando escrevo, elas saem daquele jeito. Aparece uma frase na minha cabeça, uma melodia junto e daí eu desenvolvo. Mas elas geralmente são experiências reais, o que é extremamente perigoso porque pode soar piegas. Mas no fim, eu acho que elas são verdadeiras e por isso várias pessoas se identificam.
LG: Como vocês encaram a banda? É algo que fazem apenas por prazer e pelo dinheiro ou vocês tem aqueles sonhos de que um dia ela vai super estourar e coisa e tal? Quem sabe tocar na Alemanha? (risos).
André: Formar e manter uma banda parece fácil, mas é tarefa bem dura. Acho que nós tivemos a sorte de nos encontrar. Temos gostos parecidos, nos respeitamos e admiramos mutuamente. É um casamento mesmo, é clichê, mas é verdade. Não existe nada mais recompensador do que ver uma música nascendo no ensaio e de repente virar uma música de verdade, gravada. Acho que o objetivo principal dos 3 é esse, ter o orgulho de poder dizer: "Eu que fiz!". Mas, de que adianta você ter uma banda se ninguém te ouvir? Queremos alcançar o maior número de pessoas mas nosso som não é tão imediato e de fácil absorção. Mas também ao mesmo tempo estamos aprendendo a compor juntos. Com cada EP a gente vê a evolução. O Ricardo que nos produz. A gente não planeja soar retrô, simplesmente sai assim. O que a gente quer fazer é música pop e boa. Se conseguirmos sucesso e dinheiro será o paraíso. Mas, a satisfação de ter a banda vem em primeiro lugar (risos).
LG: O som de vocês é bem diferente do que tem sido produzido por aí. Vocês se consideram 'pop'?
André: O nosso conceito de pop é bem diferente do da maioria (risos).A gente aprendeu isso quando lançamos os EPs. O segundo ficou denso e pesado pra caramba. Tem que ter um background musical pra entender, mas estamos nos adequando(risos). Tentar ver o que é pop de verdade. Pra mim, Ladytron é pop, Cut Copy é pop. São as bandas mais pop do universo, mas sei que pra maior parte das pessoas não é assim. E como a gente quer que a nossa música seja ouvida, estamos chegando nesse meio termo. A maioria das pessoas que comentam do nosso som, na maioria das vezes, falam que se chocaram ou se surpreenderam, o que é bom (risos). Não lembro de uma banda ter feito algum som parecido por aqui, isso não quer dizer que somos inovadores, muito pelo contrário.Todo mundo compara a gente a New Order e Joy Division.
Numa resenha do nosso show na Casa de Criadores, o jornalista disse que fazemos um synthpop maduro e europeizado. Talvez a gente tenha que ser MENOS maduro pra assim ficarmos POP de verdade. Quando nos compararem ao Pet Shop Boys, aí sim teremos alcançado nosso objetivo (risos).
LG: Me fale sobre seus fãs alemães.
André: (Risos) Nós três fazemos praticamente tudo na banda. Produzimos, divulgamos, criamos a arte... ainda não chegamos na divulgação internacional (risos). Eu nunca fui pra Alemanha, por exemplo. Adoraria conhecer Berlin, Düsseldorf e Münich, as 3 cidades dos nomes dos EPs. A história musical delas é riquíssima: Bowie em Berlin, Kraftwerk em Düsseldorf, o electro e a dance music em Münich. Se um dia tocarmos lá, aí sim eu poderei dizer: "Realizamos um sonho".Um dia, daí eu te ligo de lá (risos).
LG: Essas são as influências musicais de vocês?
André: Ouvimos muita coisa, muita coisa mesmo. Mas acho que pra banda e pra sonoridade que a gente quer fazer, algumas bandas nos inspiram mais. Acho que da parte do Ricardo é New Order, com certeza. Ele sabe absolutamente tudo sobre eles, todos os b-sides, todas as versões de “Temptation” e em que ano saíram (risos), eu fico surpreso! (risos). O Fábio é o mais “artístico” de nós 3. Pra ele, a criação de um riff de guitarra é basicamente a criação de uma obra de arte. Ele gosta muito de My Bloody Valentine e todos aqueles milhões de efeitos. Eu acho que eu tenho as influências mais pop da banda. Cut Copy, Ladytron e Hot Chip são minhas bandas favoritas há algum tempo. Tento ajudar na criação de timbres e synths tão bons quanto os deles.
LG: A última: Quais cidades a DDR pretende visitar no futuro? (risos).
André: O próximo EP (The Sound of Münich) vai ser lançado no segundo semestre, e aí terminamos a trilogia alemã. O Fábio já está com ideias pros novos EPs, mas por enquanto é segredo até pra mim (risos).
LG: Certo.Muito obrigado pela entrevista.
No myspace do DDR tem os videos da banda.Eu ia postar dois, mas por motivos de servidores, acabei não conseguindo, haha.
Fotos: Vitor Pavão.
O post ainda não acabou.
++++
Tem a nova do Database aqui.
A nova do DDR vai ser lançada aqui primeiro.Aguardem, kids.
Sabia que você pode sugerir bandas, artistas e até mandar um beijo pra sua mãe no nosso twitter?
EP do Mach Fox aqui.
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Essa semana tem mais posts.Prometo!
Beijos.