
O Me&Au é escrito por Louise Emille, que cuida do projeto Diferença Animal. Aqui, é o espaço para ela mostrar desde os bichinhos mais fofos até os que mais precisam de ajuda.
A dra. Patrícia Cancellara está à frente da Equipe PitCão, que resgata cães de grande porte, em sua maioria pitbulls. Em 10 anos, já salvaram mais de 300 pits de situações terríveis, de violência, doenças, maus-tratos, rinhas, abandono... Ela conta para o Me&Au um pouquinho dessa vida árdua que é lutar contra o preconceito tão arraigado na sociedade em relação aos pitbulls.
Me&Au: Como foi o pior resgate que já fizeram?
Patrícia Cancellara: A pit Maya, que estava prenha e atearam fogo em sua barriga. Ela ainda estava em chamas quando a resgatei. Perdeu os bebês, ficou três meses internada, se recuperou e hoje está essa coisa linda [fotos da matéria].
M: Quais os preconceitos que os pitbulls enfrentam?
P: Má fama pela mídia sensacionalista que os coloca como vilões, quando, na verdade, só atacam quando maltratados ou provocados por outros cães. Por causa de seu tamanho e porte (atlético e vigoroso), acreditam que é um cão bravo e nunca toleram outros animais. Não é verdade. O pitbull é um cão de companhia, não de guarda, mas quando adultos, não aceitam cães estranhos e isso pode ocasionar acidentes se a pessoa que o estiver conduzindo for irresponsável e não tiver proteção ou preparo. O cão é o reflexo de sua criação.
M: Já aconteceu de algum pitbull que vocês resgataram ter sido eutanasiado por ser irreversivelmente violento?
P: Nunca.
M: Como funcionam as rinhas de cães?
P: É um ato cruel e criminoso, onde psicopatas e meliantes se unem sigilosamente em uma área distante da cidade, escondidos em galpões, e levam os cães a todos os tipos de crueldades até uma lenta e dolorosa morte. Quando o animal perde, é enforcado, atirado em rios, esfaqueado ainda vivo...
M: A PitCão já resgatou muitos animais dessa prática? Os responsáveis vão presos, pagam multa, têm algum tipo de punição?
P: Já resgatamos, mas nunca a tempo de pegar um flagrante. Quando há investigação e o criminoso é responsabilizado, ele é processado e punido com multas e/ou penas alternativas, se for réu primário. Se não, pode ir preso. Mas as penas são muito amenas, precisamos mudar essa realidade.
M: Como vocês escolhem qual animal deve ser resgatado por vocês?
P: Na verdade, não há escolha. Nós priorizamos os casos mais graves, com risco de vida, onde outras pessoas negaram ajuda ou não puderam ajudá-los. Isso se dá numa frequência de cinco cães por semana. Precisamos sempre de apoio financeiro para conseguir, mas nem sempre ele vem.
M: A PitCão encontra algum tipo de apoio (de empresas, padrinhos, patrocinadores etc.) para resgatar os cães?
P: Alguns amigos, colaboradores, simpatizantes da causa e pessoas comuns, que se comovem com os casos, ajudam de alguma forma. Mas não temos nenhum subsídio do governo, tiramos tudo do nosso bolso.
M: Quantos pitbulls vocês tem para adoção? Como fazer, caso alguém queira adotar?
P: Temos cerca de 100 pits disponíveis. Os interessados devem entrar em contato conosco para passar por uma entrevista [contatos no final da matéria].
M: O que você diria para alguém que odeia a raça?
P: Para se informar melhor, para ir comigo nos resgates e visitar os cães em reabilitação no canil. Assim, temos mostrado a realidade para as pessoas e temos conseguido conscientizá-las.
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