Padre que defendia uso de camisinha no Brasil é obrigado a voltar para Itália
O padre Valeriano Paiotti cuidava de uma casa de apoio para crianças e adolescentes com Aids
O padre Valeriano Paitoni, que trabalha no Brasil há 33 anos coordenando casas de apoio a crianças e adolescentes com HIV, foi afastado de sua paróquia e terá de voltar para a Itália por ordem de seus superiores da Igreja Católica. Paitoni, da paróquia Nossa Senhora de Fátima do Imirim, na zona norte de São Paulo, ficou conhecido por defender publicamente o uso da camisinha para a prevenção de Aids, se opondo ao Vaticano.
Segundo nota divulgada pela Arquidiocese de São Paulo, o afastamento do padre italiano não estaria relacionado com seu posicionamento sobre o uso de preservativos. A transferência para a Itália foi uma decisão interna do Instituto de Missões Consolata (IMC) e faz parte do trabalho de quem é missionário. E não é só o padre que terá de se mudar. A Casa Siloé, que abriga 11 crianças, será transferida da casa paroquial de Nossa Senhora de Fátima do Imirim para outra sede. Segundo o IMC, a decisão foi de comum acordo com o padre.
Igreja X camisinha
A batalha entre a Igreja Católica e o uso de preservativos é antiga. De acordo com os preceitos do Vaticano, a camisinha, assim como qualquer outro método contraceptivo, não pode ser usada. A ideia veio da Carta Encíclica Humanae Vitae do papa Paulo 6º sobre a regulação da natalidade, publicada em 1968, "ilícito" qualquer ação durante o ato conjugal que se proponha tornar impossível a procriação (leia na íntegra).
Porém, em novembro de 2010, o papa Bento 16 resolveu avançar um pouco na discussão dos valores católicos afirmando no livro 'Light of the World: The Pope, the Church and the Signs of the Times' que o uso de preservativo é justificado "em certos casos". De acordo com o livro, o preservativo seria inclusive recomendável para reduzir os riscos de contaminação pelo vírus da Aids no caso de prostitutas ou garotos de programa. No entanto, após controvérsias, o Vaticano esclareceu que a declaração não reverte a proibição do uso de métodos contraceptivos.