Em dezembro de 2011, quando o saldo musical do ano já estava praticamente fechado, pintou na web uma interjeição um tanto instigante assinada por um tal de Amiri Nascimento. Era a música ‘Êta Porra’, uma pedrada com flow de batalha e letra cheia de agulhadas inteligentes, que atingiu mais de 2 mil plays em um único final de semana no Soundcloud.
Sete meses depois do baque inicial, que colocou o nome do MC de 22 anos entre as apostas do rap nacional para 2012, Amiri dá o primeiro grande passo na sua carreira lançando seu EP de estreia, com 10 faixas, oito produzidas por ele mesmo, e adianta: “ainda não falei tudo o que tinha pra falar”.
“Quando soltei o ‘Êta Porra’ [single], já tinha produzido praticamente o disco inteiro, faltavam apenas duas músicas. A ideia era gravar tudo em casa e colocar na internet, mas acabei entrando pro Som Sujo, selo do qual faço parte, e no fim gravei por lá com uma estrutura melhor”, conta à MTV Brasil.
“De lá pra cá, fui criando um monte de projetos, tive uns imprevistos, atrasei o lançamento do EP e agora devem vir umas ideias mais maduras, porque nesse disco ainda não falei tudo o que tenho pra falar, mostrar tudo o que tenho pra mostrar do meu trabalho”, adverte.
Mas enquanto as ideias vão amadurecendo, Amiri conta que o EP que acaba de sair do forno teve a temática moldada pela experiência das batalhas. “As batalhas influenciaram bastante, fui conhecendo bastante coisa que o pessoal estava pensando e fazendo”.
“Quando comecei a produzir, tinha muitas letras politizadas, e eu só queria gravar essas aí. Foi quando comecei a pensar em várias coisas ao meu redor que também seriam daora colocar no EP. Queria falar de mais coisas, ser mais livre”.
Sobre a sonoridade, a variedade das ideias também é sentida no EP. Tem um afro na faixa ‘Deixa Bater no Coração’, um violão em ‘À Manhã’ e um beat modernoso em ‘Insônia’. “No som também tenho abraçado mais coisas, meu estilo é meio eclético. Gosto de um som africano e gosto de um rock”, revela.
Se até o fim de 2011, o palco do MC eram as batalhas do Santa Cruz, a Rinha dos MC’s ou as participações em shows de seu coletivo, o DiQuintal, a partir do lançamento do single ‘Êta Porra’, começaram a aparecer alguns shows - “uns quatro até agora” - que acabaram deixando até alguma frustração. Amiri explica:
“Depois do single eu fiz uns quatro shows onde a galera conhecia o single, mas eu ficava meio frustrado porque queria que todo mundo conhecesse o disco inteiro, e gostasse assim como curtiu o single ‘Êta Porra’. Mas o EP é só um primeiro passo, tem muito mais coisa pra fazer, muito ainda que valorizar a cultura de rua e a ideia do hip hop”.
O EP de estreia de Amiri foi disponibilizado pra download gratuito na web. É só clicar e baixar!