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Selecionamos os cinco melhores festivais de 2011

Por Guilherme Ribeiro , 29 de dezembro de 11, 12:23

O ano que acaba é um forte candidato ao mérito do mais marcante na história musical brasileira. Talvez mais pela quantidade de bandas gringas que passaram pelo país do que pela qualidade dos festivais que as receberam, 2011 foi um ano positivo. Mas, da mesma forma que os grandes palcos agitaram a cena brasileira, também criaram parâmetros para analisar o que foi bom e ruim nos festivais em diversos quesitos, que vão da organização, da estrutura, até onde tudo isso se reflete: nos preços.

Comecemos por aqueles festivais que merecem um lugar cativo na estante de DVDs e alguns lamentos da parte de quem não esteve lá, aqueles que foram bem organizados e montaram belas estruturas para receber line-ups coerentes, novos e, acima de tudo, relevantes, o que, quando analisado o todo, não é bem o caso do Urban Music Festival, do SWU e talvez até do controverso Rock in Rio, mas essa história nós explicamos melhor abaixo.

1º - BLACK NA CENA
Sem se prender ao barulho midiático ou ao investimento financeiro, o primeiro colocado da lista é o urbano Black na Cena, festival que trouxe o melhor e mais coerente line-up do ano à Arena Anhembi, em São Paulo.

Os shows, na grande maioria muito bem executados, foram do popular com Seu Jorge e Sandra de Sá, a nomes de peso da história da música negra, como Racionais MC’s, Public Enemy e George Clinton. Destaque para os dois últimos que tocaram o bom vanguardismo durante horas de show. "Era visível que o que eles apresentavam ali era parte de tudo que veio depois em funk, no caso do Clinton, e boa parte do que veio depois em rap", conta o jornalista Davi Rocha.

O Black na Cena seria ainda mais relevante se, no mesmo fim de semana dos dias 22, 23 e 24 de julho, lá na Inglaterra, não morresse Amy Winehouse. A morte da cantora chamou toda a atenção da crítica musical e acabou abafando a repercussão do excelente festival.

Preço/dia: R$ 140 (pista inteira)
Público estimado: 27 mil
Atrações internacionais: 7
Veja fotos do Black na Cena

2º - PLANETA TERRA
O Terra teria de tudo pra ser o melhor festival de 2011 dentro de sua proposta. Um line-up bom que se segurou dentro do circuito indie do rock, do rap, até o experimental, e uma estrutura bem planejada que se refletiu também em uma boa organização do festival. Já o único ponto fraco do evento, que lhe rendeu a vice-colocação, não esteve muito ao alcance de seus organizadores, foi algo típico de festivais que possuem no line-up apenas uma banda do mainstream indie rock pop baladeiro, no caso, os Strokes.

A esperada presença de Julian Casablancas e sua banda no Playcenter armou o corre-corre dos ingressos seis meses antes do festival e, no fim das contas, muitos dos que conseguiram comprar o seu queriam ver os Strokes, e só os Strokes, mais especificamente, gritar ‘Last Night’ bebendo cerveja. Resultado? Apatia geral até às 1h45 da madrugada, quando os headliners subiram ao palco principal do Terra.

Preço: R$200 (pista inteira)
Público estimado: 20 mil
Atrações internacionais: 10
Veja fotos do Festival Planeta Terra

3º - ROCK IN RIO
Está aí o festival mais passível de críticas e, ao mesmo tempo, o mais difícil de criticar. Primeiro pela heterogeneidade que vai do público ao line-up. O Rock in Rio foi micareta num dia e metal no outro, o que soaria incoerente se a proposta do evento não fosse mesmo uma bagunça confessa. 

Acontece que, se o público pulou ao som de Ivete Sangalo, mandou Sarney tomar no cu com Detonautas ou bateu cabeça com Slipknot, isso tudo ficou em segundo plano já que, não importando o show, cerca de 100 mil pessoas estavam lá, cantando um hit radiofônico atrás do outro, querendo mais é ‘Beijar na Boca’ ao som de ‘Californication’. 

Outro ponto destacável é que se a bagunça atribuída ao palco principal foi um tanto pejorativa, uma outra bagunça foi extremamente bem armada e relevante para a música nacional, a do Palco Sunset. O lado alternativo do Rock in Rio colocou no mesmo show Emicida, Martinho da Vila e Cidade Negra; Cidadão Instigado e Júpiter Maçã; Mike Patton e Orquestra Sinfônica de Heliópolis; entre outras combinações memoráveis que renderam ao festival a terceira colocação da nossa lista.

Preço/dia: R$190 (inteira)
Público estimado (7 dias): 700 mil
Atrações internacionais: 37 (Palcos Mundo e Sunset)
Veja fotos do Rock in Rio

4º - SUMMER SOUL FESTIVAL
Summer Soul Festival 2011 se resume a Amy Winehouse. O festival que aconteceu em janeiro deste ano, em Floripa, Recife e São Paulo, marcou o fim do hiato de dois anos da ‘musa da rehab’ e a trouxe pela primeira vez ao Brasil, gerando uma mistura de surpresa e decepção por parte do público. 

Houve quem quis ver a Amy bêbada, caindo no chão, e houve aqueles que quiseram consumir um show como se fosse um concerto orquestrado, com apresentações impecáveis de ponta a ponta. Mas no fim das contas, no show de fechamento do festival, em São Paulo, nenhum dos lados foi tão contemplado pela apresentação.

Amy ficou no equilíbrio entre a presença de palco e a técnica musical. "Sem dar vexame ou cair, ela fez seu espetáculo e emocionou. Há quem discorde, mas antes uma Amy mais fria, sóbria e cantando todas as letras do que aquela que saía antes do fim do show", lembrou a jornalista Carol Tavares, que fez a cobertura dos shows para a MTV Brasil, que ainda destacou a bela e inédita apresentação de Janelle Monáe.

Preço/dia: R$100 (pista inteira)
Público estimado: 30 mil
Atrações internacionais: 3
Veja fotos do Summer Soul Festival

5º - SWU MUSIC & ARTS
Se o SWU fosse apenas o terceiro dia, poderia liderar esta lista. Acontece que o festival começou desorganizado, com cerveja quente e um dos públicos mais apáticos para o qual grandes bandas gringas já tocaram aqui no Brasil. Pra se ter uma idéia, no primeiro dia de festival, nem ‘I Gotta Feeling’ do Black Eyed Peas, sinônimo de balada suada, foi capaz de levantar alguma energia.

O segundo dia já não vinha com muita expectativa de animação, afinal, Peter Gabriel e Duran Duran nunca foram os grandes nomes da balada dançante, mas, para piorar, a chuva castigou a pequena cidade de Paulínia, interior de São Paulo, no mesmo dia em que foi armada uma confusão quando acampados tiveram suas barracas invadidas por seguranças - que queriam encontrar maconha – e fizeram um protesto pela legalização da erva.

Mas pra salvar a presença na nossa lista, o meio ambiente e a credibilidade do festival, o terceiro dia teve muita chuva, lama e um line-up quase totalmente dedicado às bandas mais pesadas dos anos 90. Megadeth, Alice in Chains, Stone Temple Pilots, Raimundos, Faith No More e Sonic Youth - grupo que salvou a relevância do festival com o provável último show da carreira – tocaram para um público mais maduro e empolgado que bem representou toda a nação roqueira do Brasil. Quinto e último lugar para o SWU!

Preço/dia: R$ 210 (inteira)
Público estimado (3 dias): 179 mil
Atrações internacionais: 35 (Palcos Energia, Consciência e New Stage)
Veja fotos do SWU

E aí, concorda com a lista? Dê o seu palpite abaixo!

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