

Pílulas e dicas de música, idéias e sentidos colhidos no ar. Escrito por Cilmara Bedaque.
YOKO ONO: a bruxa está na moda!
Muito se escreve sobre e infinitas acusações são feitas, mas poucos conhecem a vida e a obra de Yoko Ono. Como já disse John Lennon: “Yoko é a mais famosa artista desconhecida do mundo. Todos conhecem seu nome, mas ninguém sabe o que ela faz”. A mídia adora catalogar, o público não quer pensar e, finalmente, depois de tanta injustiça, aos 76 anos, Yoko Ono está tranqüila. Sorri e quer se divertir. Isto é muito bom. Depois de lançar o CD onde se apropria do nome que a achincalhavam, conferindo o status correto para a palavra “bruxa”, Yoko ressuscita a Plastic Ono Band que desde 1975 estava calada.

Agora, mais informada, a crítica contextualiza o trabalho de Yoko explicando ao público a vanguarda que é a escola e o ninho dessa japonesa que desde os cinco anos estuda música e viu sua mente e sua arte serem lapidadas junto aos maiores gênios do século passado. É só dar um google e ver quem foram George Maciunas, John Cage, Joseph Beuys, Nam June Paik, entre outros parceiros de Yoko no Fluxus, movimento artístico libertário que invadiu a música, as artes plásticas, inaugurou a vídeo-arte e até hoje influencia e orienta artistas incorporando toda e qualquer nova tecnologia.
A vida de Yoko já era bem incomum e, filha de banqueiros, suas preocupações não tinham nada a ver com a sobrevivência nas ruas, mas - identificada com o Fluxus - fez do cotidiano o motor para sua arte. Cidadã do mundo, por experiência e grana, para completar sua rara biografia, Yoko conheceu, trabalhou, amou e foi amada por John Lennon e este nome sei que vocês não precisam gugar para saber quem é...
Muito bem. Vamos ao novo CD da Plastic Ono Band - Between my head and the sky - que, embora tenha a ver com todo trabalho anterior de Yoko, está sendo totalmente incensado pela crítica e se apresenta como seu trabalho mais pop. Ou será que as técnicas e as performances de Yoko atualmente popularizadas pelas correntes da música eletrônica já estão totalmente absorvidas pelos nossos ouvidos? Aposto nesta ultima hipótese e tudo fica tão coerente e claro que só não vê quem não quer.
O CD começa com a punky “Waiting For The D Train” com os gritos e gemidos de Yoko somados a frases sem sentido lógico, mas perfeitos para a formação de uma parede sonora com um ritmo e mixagem experimentais bem pops.
A Plastic Ono Band que já foi Yoko, John Lennon, Eric Clapton, Frank Zappa, Keith Moon e outros muitos mais hoje é brilhantemente formada pelo seu filho Sean Lennon que, além de tocar guitarra e piano, co-produziu o CD junto com sua mãe; a multi-instrumentista Yuka Honda, da excelente banda Cibo Matto que acabou em 2001; o músico e produtor Keigo Oyamada aka Cornelius, Yuko “mi-gu” Araki, Hirotaka “Shimmy” Shimizu e Haruomi Hosono, todos japoneses, sim senhor.

O álbum funciona como um todo, mas podemos destacar na seqüência, “The Sun Is Down” - um pós electro que remete a outras canções de Yoko tão propícias para animar clubes e festas. (“The sun is down in the secret garden”).
A construção da faixa é feita bem à sua maneira, mas a observar como neste trabalho é fácil identificar uma Yoko mais quente e orgânica enquanto que em outros trabalhos, em função de sua procura pela concisão e a tecnologia usada, tudo parecia mais frio. Como discípula de Cage ela sempre soube a importância do espaço e do silêncio e, plasticamente, sempre valorizou o branco.
Uma das mais belas canções do álbum é “I’m Going Away Smiling” onde, acompanhada pelo piano de Sean e o cello de Erik Friedlander, Yoko provavelmente canta para e sobre sua relação com John Lennon. É uma balada desolada e serena de uma sobrevivente. Sem pieguice e muito simplesmente. Alias, simplicidade é a busca constante de Yoko e ela conseguiu alcançar um pouco de seu objetivo, embora muitos achem sua poesia naive e boboca. Seus pedidos de paz e entendimento entre os povos e a noção de sentir a humanidade absolutamente ligada ao universo produzem verdadeira munição para seus detratores.

O álbum foi gravado em seis dias, mas os encontros e ensaios foram intensos, e está sendo lançado pelo selo Chimera Music onde Sean Lennon está fazendo um belo trabalho lançando novos talentos. Alias Sean também merece ser ouvido com mais atenção. Seus três álbuns lançados e, principalmente o de 2006 - Friendly Fires - são a prova de um músico e compositor muito talentoso.
Enfim, “Between My Head and the Sky” é como se fosse um resumo variado e eclético da carreira de Yoko, mas soando absolutamente fresco e novo com quinze canções escritas por ela. Alias, enquanto Yoko continua apresentando novas canções, muitos dos que riam e ridicularizavam seu trabalho lançam coletâneas e best ofs totalmente modorrentos e preguiçosos. Mas cada um com sua historia e a de Yoko, além de original, é referência para o futuro.
A carreira de artista plástica de Yoko também está de vento em popa. O trio ThreeASFOUR transformou um desenho de pontilhismo de Yoko em uma estampa com edição limitada na nova coleção, lançada no evento Milk Studios na semana de moda paralela de Nova Iorque.
Finalizando o álbum uma faixa de 20 segundos onde ela reconstrói uma afirmação feita em 95 no álbum “Rising” onde dizia: “I’m dying”. Em meio às marteladas que remetem a uma construção, Yoko termina este seu trabalho de 2009 com a frase “It’s me. I'm alive!”.
"Só quem vive como Yoko Ono pode tornar esta frase tão desafiadora."

Unibando de fascistas!

o caso já era de polícia. agora é de tribunal, de senado, de
MEC, de todos nós. expõe, de maneira clara, a que fomos
sujeitos graças a estas "instituições de ensino" comerciais
baseadas na exploração de uma classe média voltada a um
interesse equivocado por diplomas.
todos devemos discutir e ampliar a discussão deste assunto.
não podemos esquecer que os estudantes de hoje serão os
profissionais de amanhã e a atitude da direção da Uniban é
de tal maneira catastrofica que a transforma no rosto exato
destes alunos que ela tenta proteger.
que lá de dentro da Uniban apareçam alunos que se recusem
a ser do bando destes cretinos fascistas e se retirem da
faculdade com suas mensalidades ou exijam que a direção
volte atras e represente a todos.
Um grupo de colegas do colégio da cidade sueca de Gotemburgo é a boa novidade deste ano. Eles estão lançando seu segundo álbum (melhor que o primeiro!) e ampliando seu número de fãs pelos festivais de verão da Europa e dos Estados Unidos. Preste atenção neste nome: Little Dragon.
Little Dragon - Looking Glass

Erik Bodin na bateria, Fredrick Källgren no baixo e Hakan Wirenstrand nos teclados são liderados pela niposueca Yukimi Nagano que com sua voz sintetiza as influências da banda. O som é uma leitura esperta de R&B, electro, jazz, reggae, synth-pop e até bossa nova! Machine Dreams é o nome deste segundo álbum do Little Dragon.

E este nome não é à toa porque a banda faz realmente um som com base em sintetizadores, mas totalmente onírico, misturando molho e a voz doce de Yukimi aos synths pesados dos teclados, baixo e bateria.

Little Dragon - Blinking Pigs
O funk de Prince pode ser notado mais uma vez como influência de várias bandas deste final de primeira década do novo milênio. E em "Blinking Pigs" isto é óbvio. O teclado dando o compasso da música junto com a bateria mostra que o Little Dragon aprendeu a lição e vai se destacando como os primeiros da classe.
Venho acompanhando com grande interesse a carreira de Sondre Lerche - um norueguês atualmente com 26 anos - e tenho sido recompensada com os álbuns mais criativos e elegantes da ultima década.

Ele está lançando seu sexto CD - Heartbeat Radio - e, mais uma vez depois de ouvi-lo, um sorriso aparece nos meus lábios. O cara é absolutamente talentoso e consegue criar as linhas melódicas mais sofisticadas e, ao mesmo tempo, mais pops que estão sendo feitas. Ele se aventura, com muita consistência, a propostas que diferenciam um trabalho do outro, mas como sua originalidade e personalidade são fortes basta ouvir 15 segundos para você saber que é uma canção de Sondre Lerche.
Sondre Lerche - Good Luck
Seu interesse pela musica começou bem cedo já que sua primeira guitarra soava em suas mãos aos oito anos e, antes dos dezoito, já tinha contrato com uma gravadora. Seu primeiro álbum - Faces Down - foi lançado em 2001 e a influência de grandes melodistas como os Beach Boys já podiam ser sentidas. Em 2004, lançou Two Way Monologue que ampliou seu roteiro de shows pela Europa e reafirmou seu talento. Em 2006, ele que já era identificado por trazer ao pop influências jazzísticas, radicalizou, chamou a banda Faces Down Quartet e gravou Duper Sessions, álbum com canções originais e algumas regravações que era puro... jazz! Claro, que um cool jazz, um jazz mais pop, seja lá o que isso quer dizer...

No ano seguinte, provando que de acomodado não tem nada, Lerche lançou Phantom Punch, um autêntico álbum de... rock! Guitarra distorcida e veloz para não deixar nenhuma duvida para quem escutar. E, tirando mais um coelho de sua cartola, fez no mesmo ano a trilha sonora para o filme Dan in Real Life.
Sondre Lerche - Heartbeat Radio
Em Heartbeat Radio, Lerche parece querer reunir todos estes trabalhos em um e consegue de uma maneira brilhante juntar suas influências em canções compostas ao violão que recebem tratamentos orquestrais de Sean O'Hagan, dos High Llamas. Sempre evoluindo, no álbum do cara conseguimos identificar elementos de jazz dos anos 50, folk dos 60, rock dos 80 e até uma pegadinha de música brasileira dos anos 60 e 70!
Sondre Lerche - If Only
Ouvindo o álbum todo podemos concluir que Sondre Lerche está cada vez mais se aproximando do ideal inalcançável: produzir a mais perfeita canção pop de todos os tempos!
2009-10-26 13:25:50
Graças à força dada por James Murphy - o homem por trás do LCD Soundsystem e um dos fundadores da DFA Records - podemos ouvir a nova revelação que vai invadir as pistas. Trata-se de YACHT - abreviatura para “Young Americans Challenging High Technology”.

Atrás deste nome, já um manifesto, encontramos Jona Bechtolt - conhecido na cena animada de Portland - e Claire L. Evans que entrou no projeto para dar aquela liga que faltava ao talentoso geek do Oregon. Por ser escritora de ficção científica e estudante de ciências e artes, Claire amplia a mensagem dos panfletos futuristas de Jona. O nome do álbum é See Mystery Lights e em suas dez músicas apresenta uma idéia coesa nestes tempos em que o single é o objetivo de todo lançamento. A capa do álbum traz uma holografia e você pode ver aqui em uma gif o efeito que eles querem provocar.
YACHT - I'm In A Love With A Ripper
O YACHT presta suas homenagens ao Prince, ao dub e à música negra dos anos 80 explorando bases eletrônicas com efeitos de teclados espaciais e frases musicais gravadas em violão que foram alteradas para tocar como sintetizadores. No vocal, com efeitos, a melodia brilhante e flutuante num tom monocromático, faz como mantra a declaração libertadora da garota que sai pela vida escolhendo quem quer e quando quer.

As influências são claras dos Brians - Eno e Ferry - Neu!, ESG, The The e ficam ainda mais óbvias quando, pensamos nas músicas de See Mystery Lights e lembramos de uma dupla chamada Tom Tom Club. Li esta relação em uma resenha e concordo totalmente. Mas este papo de quem tal banda nova nos lembra é coisa de jornalista que precisa dar referências ao leitor. Voltemos ao Yacht.
YACHT - The After Life
Em suas declarações à imprensa o YACHT acredita estar vivendo em um tempo em que a música e a internet estão se transformando na mesma coisa e neste álbum solar, gravado em um estúdio no caliente Texas, nos faz acreditar que este futuro será muito bom. “Morte não é o fim desta canção”. E em meio a palminhas sintetizadas e outras idéia revestidas com muita originalidade agradeço ao YACHT. Afinal, Jona já declarou em uma entrevista: “enquanto estamos aqui a falar, há um computador em minha casa a fazer seeding de um torrent do nosso álbum. Não um que eu comecei, mas apenas um a que me juntei”. Leia mais aqui.
Viajando em um mundo futurista e contrariando a idéia de “frieza” e “não contato”, o Yacht procura espiritualidade na tecnologia. Procure ouvir mais. Neste álbum ainda rola “Physhic City (Voodo City)”, “Don't Fight the Darkness” e “Ring the Bell”.
