Pílulas e dicas de música, idéias e sentidos colhidos no ar. Escrito por Cilmara Bedaque.
Desde seu primeiro álbum lançado em 2002 - “Luck” - venho acompanhando o trabalho da alemã Masha Qrella. Suas melodias ricas e ao mesmo tempo simples, suas letras, seu equilíbrio perfeito entre o acústico e o eletrônico e sua delicadeza ao cantar transmitiam uma personalidade forte e original. Remando contra a maré dos escândalos e do “causar” para chamar a atenção neste mundinho de celebridades, ela reafirmou seu talento com “Unsolved Remained” lançado em 2005. Neste tempo levava dois projetos paralelos com as bandas Contriva e Mina e, com seus álbuns solo, fez shows pelo mundo abrindo para bandas como Blumfeld, Stereolab, Salaryman, Stereo Total, Sonic Youth e Calexico.

Aí Masha Qrella desapareceu. Agora sabemos: ela estava em recesso tendo uma filha e voltou à ativa. Para variar, de uma maneira original: em seu novo álbum “Speak Low” aparece só como cantora homenageando dois grandes compositores que brilharam na Broadway: Frederique Loewe (sempre com seu letrista e dramaturgo Lerner) e Kurt Weill (famoso por suas parcerias com o dramaturgo Brecht).
Sem ouvir o CD ficamos sem entender. Como o equilíbrio perfeito que Masha mantém misturando sua voz e guitarra suave à eletrônica (característica de seus dois primeiros álbuns) se comportaria diante de músicas famosas e mais que regravadas compostas para a Broadway? E aí Masha não decepciona. Sua personalidade e sua musicalidade quase nos fazem esquecer que estas músicas não são dela. As músicas compostas para grandes espetáculos da Broadway se transformaram em canções indie! As melodias fluem tranquilamente como uma bela tarde no campo e parecem ter sido feitas hoje, ontem, amanhã...

Masha Qrella - Speak Low (2009)
As versões de “Speak Low” e “September Song” já soam como definitivas e sua guitarra associada à de Rike Schuberty (parceira guitarrista em outros projetos), ao baixo e teclado de Michael Mühlhaus e à bateria de Andi Haberl arrasam na versão minimalista da instrumental “Drunken Scene”, de Loewe. Ouçam também com atenção “I Talk to the Trees”, “I'm a Stranger Here Myself” e “Saga of Jenny”.
Na verdade, músicas deste álbum não devem ser destacadas. “Speak Low - Loewe and Weill in Exile” funciona à antiga sendo ouvido da primeira a ultima faixa sem que você perceba que o tempo passou. Ouça aqui e baixe nos blogs amigos porque vai ser difícil este álbum ser lançado no Brasil.


