No Kangaroos é o blog de Erica Singui, que faz mestrado em Viena e conta tudo sobre a terra onde mora há dois anos.

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Danceteria na sauna e fotografia analógica

09/07/2010 09:00:45

enquanto aí inverno, aqui verão. finalmente. e as novidades de viena: minha mais nova distração:

FOTOAUTOMAT

video: sorry! somente em alemão

.

Não é muito o meu estilo, mas vou mostrar pra vocês - a idéia eu acho boa: Prater Sauna. O que era uma sauna e agora é uns mil em um: piscina, buatchy, club, bar, espaço pra cultura e arte.  Se um dia vocês vierem me visitar, a gente vai lá dançar juntos!

love, e.

 


 

 

postado por Erica Singui

Queen of hearts

05/02/2010 08:17:49

'Have you guessed the riddle yet?' the Hatter said, turning to Alice again.
'No, I give it up,' Alice replied: 'what's the answer?'

Alice no país das maravilhas

 

Hallo!

Começo confessando que entrei numa pausa de coisas: consequência, talvez, da mudança brusca, forçada-deliberada de planos: i`m happy Viena me põe pra viver mesmo que muitas vezes eu cante em Tori Amos-transe: who do i have to shag to get out of here?

no resumo do resumo eu diria que mudei de direção, como algumas outras vezes, e que em três anos de estar morando aqui nessa geladeira me sinto pela primeira vez no início de uma certa familiaridade permanente com todas as coisas que me indignam e me emocionam nessa cidade. Em Viena eu tenho os meus cafés, sento no banco dos meus metrôs, brinco de neve nas minhas ruas, xingo e elogio em alemão vienês e nunca vou entender como faz: essa tristeza feliz debaixo de casacos e arquitetura-obra de arte. Viena eu personifico: a Lover. Daqueles que tudo podem, porque desses não se vai embora. Queen of hearts: cenário perfeito pra romances cruéis, Ethan Hawke e Julia Delpy que o digam em Before Sunrise, desenvolvendo uma paixão de impossibilidades com tudo o que poderia ter sido fosse ou não fosse Viena.

 

"Cidade sem mar mas com montanhas de neve de isopor", disse Arnaldo Antunes, e nevou-se em mim o inverno inteiro enquanto eu sentava lá observando ao som de qualquer música saboreando meu café

 

 

Eles dizem aqui que os tempos ruins são temporários e precedem os tempos bons. Não sei se em Viena tempo bom realmente chega, porque me parece que a graça do povo é curtir a espera, viver permanente no não tempo que precede aquele que um dia chegará quando na verdade nunca se foi. Entrei numa espécie de tempo bom e decorei meu quarto na rebeldia de quem pode finalmente se ser e quando se vê sendo: não se reconhece. Fiz e refiz textos pra minhas aulas de filosofia e filosofei no meio dos processos sobre a precariedade da minha nova língua: apesar de elogiada - insuficiente. filosofei sobre (in)suficiência e conheci menino e menina que me lembraram dos dias passados me enchendo de desejos de sol carioca que eu considerei em etapas deitada na cama de um outro apaixonado enquanto não fumava nenhum cigarro, porque não sou fumante, mas mergulhada em fumaça de pensamentos de relaxamento pós love-making unindo os "eus" e me tornando "uma": alguma.

 

 

this isn`t Vienna, na foto, mas quando eu dou de cara com outros rios, tudo vem à tona.

I have been bent and broken, but - I hope - into a better shape. Charles @ Great Expectations.

e eu adoro essa cidade-lover que me rejeita muito me querendo.

hope to write again, soon! beijos mtv-ísticos xxx

 

postado por Erica Singui

Sozinha!

08/10/2009 05:28:51

e agora?

o que fazer pra combater o medo e a solidão que de vez em vez invadem o mundo de expatriados como eu?

quem deu tchau (ou graças a deus) pela última vez mais uma vez, entre idas e vindas, no limbo aeroporto e voou: mar embaixo, céu no meio, mesosfera-termosfera-espaço sideral logo acima; sabe que, eventualmente, enquanto o pé caminha por terras estranhas - mesmo que estas tenham se tornado uma espécie esquisita de lar - o pensamento vai fazer viagens constantes e inesperadas que vão além de qualquer tempo e espaço:

se eu pudesse escolher um poder mágico, eu iria sempre é me teletransportar: dizia eu, quando criança.

todo dia meu cérebro faz e refaz uma série de conexões e expressa meus mais íntimos desejos em forma de "eu queros" misturando o que é austríaco-alemão-japonês-inglês em brasileiramentos. Quem me vê passar na rua com uma lembrança gostosa martelando na cabeça e o sorriso-consequência, olha na cara de um pequeno show grátis dessa minha sana esquizofrenia.

isso é: se vianense algum repara na cara do outro. ;) porque por esse lado daqui, o outro é uma espécie de transparência em forma de gente (que passa mas não se vê), uma forma estranha, objeto humano, que não faz-se muito necessário. "Oi austríaco, tudo bem?Quer ser meu amigo?" "ah eu adoraria! Mas eu não preciso de você!..mm..Como faz?".. auf jeden fall..es hat mich sehr gefreut! (De qualquer forma, foi um prazer!).

Não tô dizendo que vianense não é homem-ser-humano, pelo contrário: nunca vi gente tão preocupada em ajudar um ao outro: mercado pra pobre ter o que comer, página na internet doando móveis, lata de lixo pra roupa velha (tem sempre um que precisa!), dinheiro do governo pra vagabundo continuar enchendo a cara  ás seis da manhã e sustentar a depressão-tô-desempregado, dinheiro pra mãe ficar em casa cuidando de bebê...e por aí você já pode imaginar.

mas a verdade sobre o que rola nos corações e cérebros vianenses, esses órgãos em líquido quente de banho maria, por seis meses e um pouco mais, de temperaturas abaixo de zero e escuridão ao meio dia, freud é quem explica.

então o negócio é tentar manter o equilíbrio: refazer umas certas perguntas (por que é mesmo que eu vim pra cá?), relembrar certas realidades (o que é que eu estaria fazendo se não estivesse aqui?), deixar a ilusão de nostalgia preencher os vãos dos dias em forma de sentimento bom (oh! the people i love and the love we all love!). Assim fica fácil, conseguir não enlouquecer.

e no meu gringo quarto, que eu enfeitei de vermelho e branco, boto chico buarque pra cotidianar de vez em quando e danço, brasileiramente desengonçada, ritmos que eu, debaixo de céus cariocas de sol e poluição: ignorei. Quando enjoo de música, entro numa de Guimarães Rosa e leio partes do Grande Sertão, como quem lê literatura estrangeira e me situo com dificuldade, nesse mundo moderno mundo, onde eu vindo de lá, pareco entender mais coisas sobre aqui. Me arrepio lendo Thomas Bernhard descrevendo uma cena na Singerstrasse (rua dos cantores?), rua pela qual eu passo, quase todo dia (mentira!); e me acho encucada dentro dessa dúvida mortal me perguntando como será que devem ser essas veredas, ou qual é realmente a cara de um sertão de gente que "suspira de ódio, como se fosse por amor".. e que de "tão grande", não pode "ter mais aumento". Chapadão de Urucúia - aonde tanto boi berra. Dessas coisas não formei imagem na cabeça - não vi com os próprios olhos. Mas fico aqui, de longe, fantasiando, como quem mora em casa e olha pensativo pra cara de um estranho que passa na rua do outro lado da janela: que vida que ele tem?

o que eu quero dizer, mas concretamente, nesse post, é que de saco cheio todo mundo fica, de hora em hora, em qualquer lugar do mundo, e quando dá saudade, inventa-se o que fazer:

oh the devil will find work for idle hands to do: aprendi com o morissey num dia de adolescente. viver de adulto dá trabalho. e quando não to gastando tempo em uma das minhas profissões: a saber: estudante, babysitter, explicadora, vendedora, garçonete, desenhísta, escritora, sonhadora, existencialista, lover, internet-viciada; me jogo nos outros pra curar qualquer vestígio esquizofrenico e coloco tudo pra fora.

Outro dia fui passar o fim de semana numa casinha quase que no meio do nada, da "outra" Erika de um outro Brasil, e me deixei fotografar (há quem diga que foto captura alma, mas que de alma eu tô bem cheia, preferi até que se deixasse levar). Hoje, um dia antes do fim das férias de verão (sim! amanhã recomeçam minhas aulas!), eu vou alí tentar conseguir mais um emprego e depois fazer cupcakes, com mais brasileiras, e gastar uma tarde de rio de janeiro falando alto e em péssimo português.

E agora, como fiquei sentimental, quero dedicar esse post aos brasileiros estranhos que eu amo tanto nessa cidade congelada:

Erika e suas druas crias, Danuza e família (rs!), a paulista mais safada e gostosa queen Soraia e seu Valentino e marido (que pra mim é brasilêro), mestre Rogério quase doutor, Juliana, que parece sempre conseguir equilibrar o mundo entre aqui e lá (tá no sangue! rs) e Fernanda, que na sua ausência, de certa forma continua.

(quem reclamar por causa da ordem do nome, vo deletar do meu orkut!!!)

:)

Mas no fim do fim quero mermo é dedicar tudo à minha mãe, que odeia meus piercings e tatuagens, mas que me ama como ninguém nunca me amará, que vai ser sempre minha e única..de quem eu to morrendo de saudade! Beeeeeeijo mãe!

postado por Erica Singui

The Tape Song, nadar só no lago e verão de chuva

09/08/2009 11:40:35

youve got to go straight ahead

 

diz essa "tape song" dessa banda que eu gosto muito: the kills. Como vocês estão? Long time no see. Viena encontra-se numa luta pelo verão: muita chuva, pouco sol. E agora que virou agosto ...

os três meses de sol pelos quais sofremos tanto durante o resto do ano estão oficialmente acabando sem ao menos ter realmente começado :( but i dont complain. Já cheguei a conclusão que muito calor não combina com essa cidade: muita gente na rua, pouca água em forma de servir-pra-nadar, apartamentos sem ventilador, lojas e bancos sem ar condicionado.

 

Mas no verão o que se faz é vestir biquini mesmo sem praia: praia em Viena é um pouquinho de areia em cima de cimento, cadeiras pra sentar relaxado enquanto toma-se um cocktail ao som de música estranha: lounge. Desculpa, pra mim não rola :) na praia eu quero poder fechar os olhos e ouvir som de onda, não de música eletronica trilha sonora pra garçonetes servindo pra lá e pra cá a galera desesperada pra se bronzear: ok..algo em comum: pra ficar preto de sol no rio a galera também deita lá sem pensar no tempo e se deixar assar..

 

O programa depois da „praia“ é que me interessa: open air kino = cinema ao ar livre. Sentar do lado de fora pra assistir super filmes (antigos e novos) na brisa de uma noite de verão, não tem preço :) Nesse aspecto do verão, viena arrasa :)

 

Verão na europa também é época boa pra trabalhar: os três meses de férias da universidade são tempo de sobra pra ganhar o dinheiro pro resto do próximo semestre.

 

Meu julho, agosto e setembro têm sido (serão - pois em termos europeus "planejar" é preciso) assim: dentro de uma loja punk/gotica vendendo looks nessa época de crise; tardes de biblioteca escrevendo trabalhos pra ser entregues no inicio do semestre; mudança e resolução de problemas (sim! Me mudei!) e boas escapadas de vez em quando que é pra nao enjoar (Viena no calor fica sériamente apertada).

 

Numa dessas escapadas conheci um lado de uma cidade alemã que conquistou meu coração: Munique!

 

Que com o seu rio Isar e tempestades esporádicas de gelo me fez esquecer quase que completamente o estranho verde do Danúbio azul austríaco:

 

No Isar, enquanto a chuva ainda deixava chão pra pisar (mais três dias de chuva e essa parte de terra era nada mais que água)

Enfim, essa rotina de verão tem me inspirado muito e me dado pouco tempo pra sentar e ser menos abstrata. A gente que vem do calor tropical sabe: calor dá preguica e o trabalho sempre fica pra amanhã: socorro, cadê o meu outono!? ;)

 

E por isso vou ficando por aqui, fechando o post com uma das minhas abstrações em múltiplas-linguas (que é como vem o pensamento hoje em dia) sobre uma certa saudade que dá entre as ocupações do dia-a-dia:

 

Até a próxima! ;)

 

Today i saw my rio in the pages of a foreign magazine: ipanema and the city sun setting over the sea: favelas and some of us at swim, at swim two lovers, several lovers: my rio too mega that doesnt fit in me: got homesick. And decided id go my way down to sit by the sun once again and let it burn my skin, burn it to the end, to its (un)natural brown, burn it with the salty water to the sound of foamy waves: to and fro: with closed eyes so not to see all that i detest: hot blooded violence at the age of 5. oh! the years old. But the smiles that i sometimes might fear are true smiles of hot blooded people i do not want to forget: while thinking of the pale faces tired through winter sitting helplessly while thinking randomly about daily nothings in a very difficult sprache: german. All i want sometimes is some english in my carioques: the yelling. The foolishness. The lies. The loving and adoring that that shooting-sun (...) into them. when i grow old i wanna be a turist: rio shall remain my home. So i look at the picture and feel the fresh breeze of this summer morning: soon it is winter again and my rio will burn under fire and carnival: its been a year. And i travel in my mind to that moment im sitting in a bus laughing about we-dont-remember-what: beer in hand and best girl completing the scene – she is by my side: hej virginia, you know how much you mean to me. And i think of being down there with u again: 35 degrees at morning, a bit of tea, waves, drummond in bronze but his stolen glasses, you and i: photos because we like to pose: i like to. I like to be with you and hate this heat, humidity: it ruins my hair: when im out of this heated yone i can be whatever and i dont need to be anything: they somehow used somehow to make somehow fun of me. These pale dreamy faces here are all very right: down there it is paradise, b-dream, carioca-sort-of-perfect-life. Cerveja com gosto de água but love in its greatest intensity: into another intensity: ipanema and that girl i so quickly fell in love with: all the little thingies you can feel through the days: so intense: so sun-burned: so permanent when the seasons do not really change. they will laugh about my piercings, call me a cow, i will be clown if wearing my blue hair and coffee and tea will be tasteless once again. I look at this blue shaded picture in a magazine: i sit down by the beach and observe the hard work of happy miserable ones: my ones. Think of giving it a try and fear being forever stuck and trapped: praising the unknown strange old europe of sad fulfilled dreams: havent seen england and vienna smashes my heart: brasilien, i can barely write in my portuguese: exactly like all of us down by the beach :)

 

postado por Erica Singui

The sun is high: coloca o meu vestido.

03/07/2009 07:53:59

Depois que Viena choveu desverãozando a estação: here it comes the sun. turururu...e eu quero falar de vestido.

Vestido que no início não me interessou muito, mas logo depois fiquei apaixonada: Dirndl - o terror das austríacas. O Dirndl é apenas um vestido, inofensivo, traje típico da região alpina: Sul da Alemanha, Lichtenstein e Áustria.  Sim, pense naquelas mulheres da Oktoberfest com seus litros de cerveja e você chegou ao ponto:

 

O Dirndl (sim, pronunciar esse L depois do D é coisa que ainda não sei fazer bem, ainda mais com esse R e N antes de tudo) é (geralmente): Uma blusa, um tipo de corset, uma saioooona e um avental. Super caro, pois não é coisa assim fácil de se fazer. Pra fazer vestido típico tem que estar na tradição, e ser artista. (Mas os second-hand shops - brechó? - estão sempre à disposição como plano B)

Acontece que as austríacas twenties and teens querem distância dessa coisa de se vestir caipira no meio da modernidade. Essa rebeldia-mais-que-normal de querer ser prá-frente faz as austríacas botarem careta quando eu pergunto - já supondo o que vai vir: Magst du Dirndl? Você gosta de dirndl? ... (careta)

eu: aaah...ich liebe Dirndl!! eu aaaaamo!

e elas riem um riso de quem não entende.

Dirndl pra pós-modernos:

 

 

 

Vai dizer que não é uma graça?

Acho que all in all pode-se comparar o Dirndl com vestido de caipira, nas nossas festas jun(l)inas. A palavra Dirndl, by the way, não é só usada pra dar nome ao vestido: Dirndl também é, de vez em quando, sinônimo de menina.

24 de outubro de 2008 : meu aniversário de 25 anos - and your body starts to decay - resolvi fazer um pacto com a cultura austríaca e me entreguei:

 

 

 

 

Numa mistura ericana, resolvi me integrar e, simbolicamente, austriaquizei no meio da diskothek:

 

 

 

inesquecível.

 

      (...) when i wake up, in my make up: its too early for that dress (...) Im glad I came here.

Celebrity Skin - Courtney Love (Billy Corgan!)

postado por Erica Singui
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