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Sem vocal: Conheça o novo rock instrumental brasileiro!
14/08/2008 13:46 | 1441 visitas

E a voz?

Este ano está sendo marcado por uma ótima invasão de rock instrumental brasileiro. Festivais, selos indies e casas noturnas têm apostado cada vez mais nesse gênero sem vocal.

Nas décadas de 60 e 70, o rock instrumental fez sucesso, principalmente, com a surf music e o fusion.

No Brasil mesmo, o Tamba Trio, Zimbo Trio e outros misturavam jazz com samba, enquanto os Jordans tocavam surf.

Depois, os anos 80 foram a era dos guitarristas virtuoses, como Steve Vai e Joe Satriani. Mas na década seguinte o som instrumental ficou meio esquecido.


The Jordans nos anos 60

Agora uma nova geração retomou isso de uma forma inteligente, divertida e sem preconceitos musicais.

São nomes tão diferentes, quanto às influências sonoras. Tem rock vintage, experimental, surf music, vanguarda, rock pesado. E a lista dos grupos é grande: Macaco Bong, Pata de Elefante, Elma, Fóssil, Orquestra Abstrata, Gasolines, Astronauta Pingüim, Hurtmold, Luis Maldonalle, The Dead Rocks.

Para você saber um pouco mais, o mtv.com.br recomendou cinco bandas que têm feito bastante barulho no circuito alternativo. Anote e ouça!



Pata de Elefante

Estilo: rock

Ano: 2002

Cidade: Porto Alegre (RS)

Formação: Gabriel Guedes (guitarra e baixo)
Gustavo Telles (bateria) e Daniel Mossmann (guitarra e baixo)

Influências: Rock dos anos 60 e 70 e compositores de trilhas sonoras, como Henry Mancini, Enio Morricone e Nino Rota

Ouça: “Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha” (2008)

Contato: www.myspace.com/bandapatadeelefante

Música instrumental
Gustavo Telles (bateria): “O que importa é a música, não interessa se ela tem vocal ou não. E no caso da música instrumental, o bom é que ela não depende do vocal ou do idioma. Ou seja, a música é a própria linguagem.”

Preconceito
Gustavo Telles: “Nosso caso é bem peculiar, porque a guitarra faz as melodias, faz o que o vocal faria. Utilizamos o formato e a estrutura da música pop, ou seja, nossas músicas têm introdução, meio e fim. Por isso, desde o início sempre tocamos no mesmo circuito das bandas com vocal. Também circulamos no circuito estritamente instrumental, mas posso dizer, com toda a certeza, que a maioria do nosso público é exatamente o mesmo que gosta de rock com vocal.”

Cinema
Gustavo Telles: “Um dos nossos principais objetivos é criar trilhas para filmes. Várias músicas nossas já foram e ainda continuam sendo utilizadas em trilhas de curtas, documentários e longas.”

Novidades
Gustavo Telles: “Estamos na estrada fazendo os shows de Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha (2008) e acabamos de participar da gravação do DVD e CD Rumos Itaú Cultural 2007-2009. Também estamos com um pé em São Paulo, onde estaremos morando em breve.”



Macaco Bong

Estilo: rock instrumental, experimental

Ano: 2004

Cidade: Cuiabá (MT)

Formação: Bruno Kayapy (guitarra), Ney Hugo (baixo) e Ynaiã Bentrholdo (bateria)

Influências: Ebinho Cardoso, Helena Meireles, Dream Theater, Nirvana, Michael Jackson, Arthur Maia, Pat Metheny, Richard Bona, Charlie Parker, Van Halen, AC/DC

Ouça: “Artista Igual Pedreiro” (2008)

Contato: www.myspace.com/macacobong

Música Instrumental
Bruno Kayapy (guitarra): “O som instrumental nos remete ainda mais a imagens, ambientes e sensações. Além disso, foi um estilo que fez parte do nosso repertório quando éramos moleques. Ouvíamos muito os grupos que tinham a guitarra e o contrabaixo como uma coisa fundamental da música.”

Mercado
Bruno Kayapy: “A música instrumental está eternamente buscando por desafios na arte. É a construção e a desconstrução, o experimentalismo. E mercadologicamente falando, acho fundamental a música instrumental estar ocupando espaços em festivais e na internet.”

Conceito
Bruno Kayapy: “Na minha opinião, ter um grupo instrumental é o mesmo do que ter qualquer outra banda. Não achamos que exista um preconceito com isso e, sim, uma pré disposição de cada um ouvir música `burra´ ou música `inteligente´. Ou seja, uns querem ser mais informados quanto ao conceito de conteúdo e estética cultural e outros não.”


Elma

Estilo: rock pesado

Ano: 2003

Cidade: São Paulo

Formação:
Fernando Seixlack (bateria), Ricardo Lopes (baixo), Paulo Cyrino (guitarra) e Bernardo Pacheco (guitarra)

Ouça: Elma (EP)

Influências: Melvins, Fugazi, Neurosis, Presto?, Shellac, King Crimson, Helmet, Sepultura, The Jesus Lizard, Patife Band, Black Sabbath

Contato: www.myspace.com/hellma

Música instrumental
Bernardo Pacheco (guitarra): “Não foi premeditado, o instrumental calhou de ser o caminho que a gente seguiu. E estão rolando várias bandas boas e instrumentais, mas não vejo isso como uma retomada específica. Bem, de qualquer forma, o chorinho sempre esteve por aí.”

Afinação
Bernardo Pacheco: “Nada particularmente é diferente no Elma, mas o baixo e a guitarra do Paulo são afinados em lá (afinação mais baixa que a tradicional em mi). No mais tentamos tirar o máximo da instrumentação tradicional de uma banda de rock na esperança de conseguir provar que aquele clichê `tudo já foi feito´ está errado.”

Independente
Bernardo Pacheco: “A música independente cresceu bastante. Existe, pelo menos no Brasil, muito artista com essa preocupação de reclamar que está à margem da mídia. Na verdade, a internet é uma ótima ferramenta para qualquer um com um pouco de curiosidade descobrir novas bandas ou mesmo divulgar seu trabalho. Na boa, a mídia é que está completamente a margem de qualquer coisa real que acontece em termos de música independente.”

Novidades
Bernardo Pacheco: “Continuamos compondo e prometemos gravar um disco em breve!”


The Dead Rocks

Estilo: surf music

Ano: 2002

Cidade: São Carlos (SP)

Formação: Johnny Crash (guitarra), Paul Punk (baixo) e Marky Wildstone (bateria)

Influências: The Surfaris, The Ventures, Dick Dale, Elvis Presley, Buddy Holly, Duanny Eddy

Disco Base: “International Brazilian Surfs” (2008)

Contato: www.myspace.com/thedeadrocks

Música Instrumental
Johnny Crash (guitarra): “A música instrumental surgiu da nossa paixão pelo estilo surf music e pela cultura dos anos 50 e 60. Mas música é música em qualquer lugar.”

Retomada
Johnny Crash: “Acho importante a retomada da produção de música instrumental brasileira. Mas também é importante não cairmos em estereótipos de que música instrumental brasileira tem que ser necessariamente samba-jazz ou com referências aos ritmos tradicionais do Brasil.”

Estigma
Johnny Crash: “Nosso objetivo é sempre divertir e entreter o público, por isso, nosso show é bem dançante. A música instrumental ficou estigmatizada, porque parte das pessoas acha que ela é uma música feita apenas para ouvir. A surf music, por exemplo, nasceu da vontade dos músicos fazerem um som dançante.”

Na Gringa
Johnny Crash: “Tocamos fora do Brasil e foi ótimo! Temos fãs na França, Itália, Alemanha, Bélgica.”

Cinema
Johnny Crash: “Já compusemos temas para trilhas para curtas metragens. No momento estamos com um convite para participar da trilha sonora de um longa espanhol.”

Novidade
Johnny Crash: “Nosso novo disco está na praça! One Million Dollar Surf Band (2008) foi mixado pelo lendário produtor americano Jack Endino (Nirvana). Acabamos de voltar da Europa e, em breve, vamos participar de uma coletânea em homenagem ao Mudhoney.”


Hurtmold

Estilo: rock, fusion, experimental

Ano: 1998

Cidade: São Paulo

Formação: Fernando Cappi (guitarra), Guilherme, Granado (teclado, vibrafone, eletrônicos), Marcos Gerez (baixo), Mario Cappi (guitarra), Mauricio Takara (bateria, trompete) e Rogério
Martins (percussão e clarone)

Influências: a música em geral e o cotidiano

Ouça: Hurtmold (2008)

Contato: www.myspace.com/hurtmold

Música Instrumental
Fernando Cappi: “A gente não faz música estritamente instrumental. Se a gente acha que tem a ver com a música, pode ter um vocal. Se alguém aparece com uma letra, uma idéia de voz, a gente põe como mais um instrumento.”

Cena Independente
Fernando Cappi: “Tem surgido muitas bandas de todos os tipos e estilos, boas e ruins. Está ficando cada vez mais fácil tocar, gravar e divulgar. É importante o surgimento de bandas novas, assim como é importante ter grupos como, por exemplo, o Uakti (grupo brasileiro que toca com instrumentos feitos com materiais pouco convencionais, como tubos de PVC).”

Na Gringa
Fernando Cappi: “Tocamos na Europa e a recepção foi excelente. Também temos discos lançados por lá e no Japão.”

Novidade
Fernando Cappi: “Vamos iniciar em setembro a turnê do trabalho solo do Marcelo Camelo (ex-Los Hermanos).”

por Daniel Vaughan

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