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Skol Beats aposta em variedade de estilos
07/05/2007 01:00 | 1014 visitas

Foram quase 26 horas de música. O Skol Beats 2007 foi marcado por artistas de menor peso, mais espaço, menos confusão e algumas decepções. Normalmente realizado em apenas um dia, desta vez o evento foi dividido em dois. O objetivo era tentar diminuir a aglomeração ocorrida no ano passado. Isso funcionou.

Desta vez, nenhum nome do porte do Prodigy – principal atração de 2006 – foi anunciado. Entre os grandes, alguns velhos conhecidos do público brazuca, como Afrika Bambaataa, Laurent Garnier e Miss Kittin. Outros, novas sensações da cena, como Simian Mobile Disco, Nathan Fake e MSTRKRFT. Este último, um dos mais esperados, não deu as caras.

Segundo a assessoria de evento, o duo canadense, que estava na Argentina, não conseguiu sair de Buenos Aires devido ao mau tempo. Mau tempo em Buenos Aires? Eita ironia!

Outro que deveria vir, mas não veio, foi Donnacha Costello, irlandês especializado em minimal, uma das muitas vertentes da música eletrônica que se ouviu na festa. O rapaz teve problemas de saúde.

A mistura de estilos foi um dos trunfos desta edição. Teve espaço até para o hip hop, que ganhou uma tenda só para ele na sexta-feira. Quem ficou de fora foi o psytrance, gênero eletrônico mais popular no Brasil. Com tantas raves de psy todo final de semana na região de São Paulo, acabou não fazendo tanta falta assim. E a quantidade reduzida de pessoas fazendo malabares pela pista foi um ótimo negócio.

Malabares eram raros, mas estavam lá
Malabares eram raros, mas estavam lá

Buscapé?

Destaque no início da madrugada, a dupla inglesa Addctive TV hipnotizou o público no Live Stage com seus experimentos de imagens sincronizadas com música eletrônica. Os cortes frenéticos de filmes antigos, comerciais e clipes famosos causaram uma mistura de sentidos - com direito a samples de Elvis Presley e introdução de New Order - nos dois dias de apresentação da dupla.

O remix do filme “Cidade de Deus” deu um viés abrasileirado para a apresentação, a multidão dançou com batidas e frases do menino Buscapé: “Sempre fui um mestre na arte de apertar um baseado, se tivesse esta mesma habilidade com as mulheres não teria queimado tanta chance de perder a virgindade”.

Com álbum recém lançado, Cromophobia, o DJ e produtor brasileiro Gui Boratto pegou carona no clima espaçoso e relaxado da dupla britânica e mandou ver no minimal tecno. Responsável por desenvolver um trabalho de divulgação da música eletrônica no exterior, trouxe seu viajado tecno e tech-house dançante para a maior festa de música eletrônica do país.

Gui Boratto fez boa apresentação
Gui Boratto fez boa apresentação

Suggar Daddy, dupla formada por Tom Findlay e Tim Hutton, conseguiu dispersar o público do maior palco do evento ao tocar um pop desconhecido numa misturada onda de Scissor Sisters e Marron 5. O espaço foi encher mesmo com o quarteto inglês 20:20 Soundsystem que contagiou com o som roqueiro de dois integrantes na parte eletrônica, além de um baixista e um baterista.

Psybarbies

De longe esta era a tenda mais homogênea da noite. Loiras perfumadas de saias curtas, cabelos lisos, óculos escuros e (claro!) botas de plataformas, mais bem apelidadas como “psybotas”. Órfãos do Psytrance as patricinhas e mauricinhos acharam um refúgio na tenda DJ com atrações como David Ghetta e Sander Van Door, vencedor do Trance Music Awards.

Se o palco principal ficou desfalcado de duas de suas principais atrações, coube à tenda Urban Beats fazer a noite valer a pena. E realmente fez. Mas antes de agradar, o público precisava aturar o Antônia.

Negra Li espertamente pulou fora desse engodo formado para um filme e uma série da Rede Globo. Sem o carisma de sua integrante mais famosa, as meninas Leilah, Quelynah e Cíndy sofreram para animar os poucos curiosos presentes.

Todas formadas na “Academia Raul Gil de Música”, as garotas tentam a todo custo emular congêneres gringos, como Beyoncé e Christina Aguilera. Por que essas cantoras acham que cantar significa cantar alto, forçando a voz ao seu máximo? Cindy ainda tentou improvisar num free style. Foi um tanto constrangedor...

Por outro lado, passado esse equívoco por parte da organização – afinal, quem vai ao Skol Beats para ver Antônia??? – a tenda finalmente ferveu. DJ Cia, membro do RZO, sofreu um pouco ainda com o público reduzido, mas mandou um set dançante e agradou.

Já Q-Bert, um dos maiores mestres do scratch em atividade, mostrou todo seu virtuosismo. O público, mais que dançar, admirava a técnica brilhante do rapaz californiano. Por outro lado, Zegon (novo nome artístico de Zé Gonzales, ex-Planet Hemp) fez todo mundo balançar.

Zegon acertou em cheio
Zegon acertou em cheio

Apostando numa mistura de house e hip hop, Zegon promoveu uma “quase rave”, com batidas rápidas e secas. Seria a melhor apresentação da noite, se Afrika Bambaataa não tivesse no line up.

Toda a cultura do hip hop deve muito o nova-iorquino. Acompanhado por seu filho TC Izlam, o cara promoveu uma bela balhureira, com rap e raggaeton. Foi o auge da noite, com a tenda finalmente cheia (mas não lotada).

O único senão foi a enrolação inicial. Um problema na aparelhagem de som atrasou o show. Dois MCs até tentaram conter a irritação do público, mas algumas gritos de insatisfeitos se fizeram ouvir.

A lenda Bambaataa em versão DJ
A lenda Bambaataa em versão DJ

Sem traumas

O segundo dia da festa ficou mais com cara do velho Skol Beats, mas bem mais confortável. Segundo a organização da festa, cerca de 25 mil pessoas passaram pelo amplo espaço no sábado.

A disposição das tendas mostrou-se mais que acertada. O Live Stage era muito amplo, o que mostrava que a aglomeração causada no mesmo palco pelo Prodigy no ano passado traumatizou os organizadores.

O belíssimo palco principal recebeu as melhores atrações da noite. Ainda com pouco público, The Cuban Brothers e o Bonde do Rolê garantiram os momentos bem-humorados.

O Shapeshifters foi a boa surpresa da noite. O set apostou em house dançante e pop, com direito até a “Gravity´s Rainbow”, hit do Klaxons. Caiu bem para esquentar a galera, já bem numerosa, até o The Crystal Method.

Shapeshifters em ação
Shapeshifters em ação

Veteranos, os rapazes do Crystal são contemporâneos do Chemical Brothers. E têm semelhanças com a dupla mais famosa. O clima anos 90 impregnou toda a apresentação – e isso é um elogio.

A dupla apostou em gêneros variados, com ênfase no electro e no techno. “Smack My Bitch Up”, do Prodigy, foi um dos pontos altos. Outro foi o megahit “Killing in the Name”, do Rage Against the Machine. Apesar de parecer um pouco deslocada, a música fez a pista pular muito.

Crystal Method e o neon
Crystal Method e o neon

Guy Gerber pegou o bastão e deu uma esfriada na noite. Seu house de baixa rotação não agradou. Isso, somado ao atraso que a essa altura já somava quase uma hora, ameaçou estragar a festa. Isso até o Simian Mobile Disco aparecer.

A dupla inglesa vem sendo classificada como new rave, o mesmo saco onde costumam colocar o Klaxons, o MSTRKRFT, o Cansei de Ser Sexy e o Bonde do Rolê (???). No palco, o duo fez um dos melhores sets do festival, senão o melhor.

“It´s the Beat”, hit dos ingleses, mostrou sua força e levantou o público, já bem cansado. Afinal, já passava das 6h da manhã. Na área destinada aos fotógrafos, Iggor Cavalera, que havia se apresentado com seu Mix Hell naquela mesma noite, balançava a cabeça ao som da dupla.

Simian Mobile Disco: o melhor da noite
Simian Mobile Disco: o melhor da noite

Amigos de Marky

A tenda Marky & Friends fez a alegria dos amantes de drum´n´bass. Muito procurada, os destaques foram o DJ Andy, um dos melhores do mundo segundo publicações especializadas, e a parceria entre Marky e Laurent Garnier, que fechou o festival.

Em mais de uma hora de apresentação, os dois fizeram um set mais drum´n´bass, com Garnier interferindo nas escolhas de Marky. De surpresa, a inclusão de “Open You Eyes”, sucesso do grupo irlandês Snow Patrol.

Descolados

Renato Cohen foi quem começou a esquentar a tenda que levou o nome do clube “in” de Londres. Queridíssimo pelo público paulista, tocou por muito tempo em clubes como A Lôca e Lov.e e conquistando o público que fiel que gosta de Tecno pesado.

Sem muitas surpresas ele fez a galera pirar e serviu de ingrediente ideal para a chegada do francês Laurent Guarnier, que fez o público dançar e vibrar por 3 horas consecutivas, principalmente com a versão de “You Make Me Fell”, uma das mais aplaudidas do festival.

O
O "dinossauro" Laurent Garnier

Para os muitos que agüentaram a paulada da noite e lotaram a tenda esperando Miss Kittin, a recompensa foi uma performance marcada por simpatia e vocais sintetizados.

Mãos-brancas

Os corpos sobreviventes ainda dançavam estimulados procurando alguma onda sonora. Trânsito na saída e cabeças bombando na ressaca adiantada. Sobrou para a turma de preto e luvas brancas limpar a várzea mal cheirosa do rio, bom dia para a estranha turma “higienização” e nota zero para a organização do evento, que provocou um ato de deseducação ao não distribuir latas de lixo pelo local, contratando catadores profissionais, os mãos- brancas.

por Portal MTV

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