

Pop Cabeça é mais um blog de Alexandre Inagaki. Aqui, o rapaz despeja seus pensamentos sobre a cultura pop e tudo o que a envolve.
Meu gênero cinematográfico predileto são os filmes de zumbis. Não sei explicar exatamente o porquê disso, mas o fato é que produções como "A Noite dos Mortos-Vivos", "Todo Mundo Quase Morto", "Extermínio", "Dia dos Mortos", "Rec" e "A Volta dos Mortos-Vivos" consolidaram, ao longo dos anos, o meu gosto por ver filmes em que mortos-vivos perambulam em busca de miooooooolos, garantindo-me risos nervosos e gargalhadas incontidas. Não é se admirar, pois, que assisti a "Zumbilândia" com enormes expectativas. Afinal de contas, a sinopse fala de um mundo dominado por zumbis, no qual o protagonista do filme é um típico nerd das comédias da Sessão da Tarde: um cara meio atrapalhado e desajeitado com as mulheres, interpretado por Jesse Eisenberg. Que, ao lado de um W.A.S.P. fanfarrão (Woody Harrelson, no papel de um típico "bad ass"), perambula por um mundo repleto de mortos-vivos por todos os lados.
Pois bem: posso dizer sem pestanejar que minhas expectativas foram plenamente realizadas. "Zumbilândia" é uma das comédias mais engraçadas dos últimos tempos, com ótimas gags visuais envolvendo mortes bizarras de zumbis (com destaque para as cenas em super slow motion dos créditos iniciais, dirigidas por Ruben Fleischer, ao som de Metallica). Mas destaco, principalmente, a participação hilariantemente antológica e surpreendente de um famoso ator no meio do filme, injustamente esquecida pelas indicações do Oscar deste ano.
Ao mesmo tempo que satiriza todos os clichês clássicos de filmes de zumbi, com direito a criaturas que nunca morrem a não ser com tiros na cabeça e pessoas contaminadas com mordidas de mortos-vivos, "Zumbilândia" também é uma daquelas típicas comédias juvenis em que o mocinho da história é um tímido desajeitado que não sabe exatamente como fazer para concretizar a sua paixão platônica; no caso do filme, é o personagem de Jesse Eisenberg (um nerd que poderia ter saído diretamente da Campus Party: um jogador de videogames ainda virgem e com pouco convívio social) que se atrapalha todo para ficar com a mocinha cínica interpretada por Emma Stone. O quarteto de sobreviventes nesta inóspita terra de zumbis é complementado pela irmã mais nova de Stone, cujo papel ficou com Abigail Breslin, mais conhecida por ter sido a "Pequena Miss Sunshine" há três anos.
O filme, garantia líquida e certa de diversão, justifica todo o sucesso de crítica e público que praticamente já garantiram a produção de uma continuação que, especula-se, será filmada em 3D. Pudera: em meio a um mundo sem perspectivas como o retratado por "Zumbilândia", é interessante ver como os personagens do filme prosseguem com suas vidas de modo hedonista, empiricamente remetendo à frase cunhada por Dostoiévski em "Os Irmãos Karamazov": "Se Deus não existe, tudo é permitido". E assim, dentro dessa filosofia carpe diem, desfrutam um dia após o outro, cientes de que, em um mundo onde a morte é onipresente, divertir-se é a melhor maneira de fazer com que a experiência de viver valha a pena.
"Ninja Assassino", além de ser uma expressão redundante, é o título do novo petardo cinematográfico produzido pelos irmãos Wachowski (os diretores de "Matrix") e Joel Silver (o homem por trás de blockbusters como "Máquina Mortífera"). De quebra, tem J. Michael Straczynski, criador da série de TV "Babylon 5" e de várias HQs para a DC e a Marvel, como um de seus roteiristas: cultura pop na veia.
Dirigido por James McTeigue, que em 2005 realizou "V de Vingança", a boa adaptação para os cinemas da graphic novel de Alan Moore, "Ninja Assassino" é um daqueles filmes destinados a se tornarem clássicos do Domingo Maior, sendo apresentados pelo locutor global como uma daquelas produções com "ação do começo ao fim". Para entender melhor o que digo, confira o trailer do filme.
Em tempo: o hotsite do filme está organizando a promoção Desafio dos Clãs, que oferece prêmios como um iPod Touch de 8GB, camisetas e ingressos. Destaco em especial a Galeria de Clãs, com fotos e grupos criados pelos participantes da disputa. Entre no site, crie seu próprio clã e conquiste seguidores para a sua causa ninja! Ou não.
"Não é um filme para crianças, e sim um filme sobre a infância". É desta maneira que Spike Jonze descreve seu terceiro filme como diretor, "Onde Vivem os Monstros", que estreia hoje nos cinemas brasileiros. Após uma brilhante carreira como diretor de videoclipes de bandas como Beastie Boys, Chemical Brothers e Daft Punk, Spike Jonze iniciou sua carreira no cinema com "Quero Ser John Malkovich". E logo em seu primeiro longa-metragem, de 1999, já recebeu uma indicação para o Oscar de melhor diretor. Depois, dirigiu outro sucesso de crítica, "Adaptação", em 2002. E agora, retorna aos cinemas com a adaptação de um clássico da literatura infanto-juvenil, "Onde Vivem os Monstros", livro de Maurice Sendak publicado originalmente em 1964 que conta a história de Max, um menino rebelde que foge para uma ilha habitada por criaturas misteriosas e imprevisíveis, que o ensinarão a compreender este mundo complicado em que vivemos.
Diz um dos trechos do livro de Sendak: "Dentro de todos nós, está: tudo o que já vimos, tudo o que já fizemos e todos os que já amamos." Desde que foi lançado, "Onde Vivem os Monstros" é presença constante nas listas de best-sellers de literatura infanto-juvenil. A explicação, segundo Spike Jonze, é simples: "É um livro que retrata os verdadeiros sentimentos das crianças e as leva a sério, sem passar a mão na cabeça delas. As crianças recebem muitos materiais que não são sinceros, então adoram quando encontram uma história assim. Quando eu tinha essa idade era ávido por ouvir que outras crianças estavam passando pelas mesmas coisas que eu, e que elas pensavam parecido comigo." O filme busca ser o mais fiel ao universo concebido por Sendak. E conta com uma boa ajuda da música. O belo trailer do filme é embalado por Arcade Fire, mas a trilha sonora de "Onde Vivem os Monstros" ficou a cargo de Karen O., a vocalista do Yeah Yeah Yeahs, e Carter Burwell.
O filme, produzido por Tom Hanks, tem em seu elenco nomes do porte de Catherine Keener e Mark Ruffalo, além das vozes de atores como Paul Gandolfini, Catherine O'Hara, Forest Whitaker e Paul Dano. Caso você queira concorrer a ingressos para "Onde Vivem os Monstros", recomendo que você siga o Twitter da Warner Bros. Pictures Brasil e fique de olho nas promoções. Enquanto isso, confira o trailer do filme.
O terceiro filme de Spike Jonze recebeu uma única indicação para o Globo de Ouro, pela sua trilha sonora original. Torço para que tenha melhor sorte no Oscar. Não é preciso ter assistido ainda ao filme para se embasbacar com sua direção de arte, por exemplo, ou com a sua fotografia, dirigida por Lance Acord (de "Encontros e Desencontros" e "Maria Antonieta"). Em tempo: o livro foi publicado no Brasil pela Editora Cosac & Naify.
Que tal conferir uma retrospectiva bem menos chata do que aquelas apresentadas pelo Sérgio Chapelin na Globo? Pois bem: desde 2007 o DJ Earworm pega a lista dos maiores sucessos do ano, publicada pela revista Billboard, seleciona os 25 principais hits e faz um mashup no capricho, tanto em áudio como em vídeo, sintetizando o Top 25 da Gringoland em uma única música. Esta mistureba musical é chamada pelo DJ de "United State of Pop", está disponível em arquivo mp3 no seu site pessoal e, em vídeo, aqui e agora.
Black Eyed Peas – BOOM BOOM POW
Lady Gaga – POKER FACE
Lady Gaga & Colby O’Donis – JUST DANCE
Black Eyed Peas – I GOTTA FEELING
Taylor Swift – LOVE STORY
Flo Rida – RIGHT ROUND
Jason Mraz – I’M YOURS
Beyonce – SINGLE LADIES (PUT A RING ON IT)
Kanye West – HEARTLESS
The All-American Rejects – GIVES YOU HELL
Taylor Swift – YOU BELONG WITH ME
T.I. & Justin Timberlake – DEAD AND GONE
The Fray – YOU FOUND ME
Kings Of Leon – USE SOMEBODY
Keri Hilson, Kanye West & Ne-Yo – KNOCK YOU DOWN
Jamie Foxx & T-Pain – BLAME IT
Pitbull – I KNOW YOU WANT ME (CALLE OCHO)
T.I. & Rihanna – LIVE YOUR LIFE
Soulja Boy Tell'em & Sammie – KISS ME THRU THE PHONE
Jay Sean & Lil Wayne – DOWN
Miley Cyrus – THE CLIMB
Drake – BEST I EVER HAD
Kelly Clarkson – MY LIFE WOULD SUCK WITHOUT YOU
Beyonce – HALO
Katy Perry – HOT'N'COLD
Toda lista é subjetiva, incompleta e sujeita a mudanças, em média, 1 minuto e 11 segundos após ter sido finalizada. Isto posto, vamos à relação daqueles que considerei serem os sete melhores videoclipes produzidos em 2009.
7. Bat For Lashes - "Daniel" (direção: Johan Renck).
É improvável não se encantar com Natasha Khan cantando suas reminiscências sobre o abrigo que havia encontrado nos olhos de um amor perdido. E quando essa voz mesmerizante é emoldurada por um vídeo em que ela personifica uma espécie de Chapeuzinho Vermelho perseguida por sombras do passado, o resultado só poderia ser um dos melhores clipes do ano, cuja cena final é pontuada pela aparição de um sósia de Daniel-San, personagem do filme Karatê Kid que também aparece na bela capa do primeiro single lançado pelo Bat For Lashes em 2009.
6. Eddie - "Eu Tou Cansado Dessa Merda" (direção: Helder Santos, Camilla Loyolla & CherryPlus).
A música da banda pernambucana Eddie, com vocais de Karina Burh, é a trilha sonora para uma bela animação, estreia em grande estilo da CherryBomb, braço de vídeos da agência CherryPlus. O clipe descreve um verdadeiro carnaval no inferno de desigualdades da Terra Brasilis.
5. Kanye West & Kid Cudi - "Welcome to Heartbreak" (direção: Nabil Elderkin).
Abstraia a tremenda patacoada provocada pelo rapper durante o VMA 2009, e que acabou dando origem a algumas das melhores piadas do ano. Incautos, ao assistirem a este clipe pela primeira vez, poderão achar que estão com problemas na conexão devido a cenas que aparecem pixeladas. Ledo engano: o diretor Nabil Elderkin explora com criatividade estes (d)efeitos típicos da era YouTube, em uma música que prova que, se Kanye West desse menos pitis e focasse mais na música, seria um cara mais feliz e bem resolvido.
4. Glasvegas - "Flowers and Football Tops" (direção: Martin de Thurah).
A música dos escoceses do Glasvegas já é boa por si mesma. Mas o fato é que os vídeos dirigidos pelo genial dinamarquês Martin de Thurah, que chamam a atenção pela fotografia fantástica e pelo universo oniricamente assombroso, têm a capacidade de tornar músicas ainda melhores. Quem assistiu a outros clipes de De Thurah (o diretor de videoclipes mais expressionante que surgiu desde Michel Gondry) como "Human" (Carpark North) e "Changes" (Will Young), entenderá bem o que digo.
3. Depeche Mode - "Wrong" (direção: Patrick Daughters).
Após uma longa e bem-sucedida parceria de clipes da banda dirigidos pelo cineasta Anton Corbijn, o Depeche Mode retornou em 2009 com esta jóia criada por Patrick Daughters, responsável por vídeos do naipe de "No I in Threesome" (Interpol) e "Maps" (Yeah Yeah Yeahs). Aqui, Daughters se superou ao dirigir um vídeo angustiante, um verdadeiro curta-metragem de terror que revela, aos poucos, o que se passa no interior de um carro desgovernado pelas ruas de Los Angeles.
2. Oren Lavie - "Her Morning Elegance" (direção: Oren Lavie, Yuval & Merav Nathan).
Postado no YouTube em janeiro deste ano, o vídeo original chegou à marca de mais de 9 milhões de exibições, revelando ao mundo o nome do cantor israelense Oren Lavie. O clipe, que mostra um sonho em animação stop-motion, inspirou dezenas de outros vídeos mundo afora. Pudera: o conceito original e sua realização final foram um verdadeiro achado.
1. Charlotte Gainsbourg & Beck - "Heaven Can Wait" (direção: Keith Schofield).
2009 foi um belo ano para a bela atriz e cantora francesa Charlotte Gainsbourg. Além de ter recebido o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes por sua atuação visceral em "O Anticristo", de Lars Von Trier, a filha de Jane Birkin e Serge Gainsbourg retomou sua carreira musical lançando seu terceiro álbum solo, "IRM", com músicas escritas e produzidas por Beck Hansen. O clipe, uma compilação aparentemente desconexa de imagens bizarras com gorilas na banheira, fugitivos fantasiados de Bob Esponja, garotos gordinhos empunhando violões e corpos boiando numa piscina em slow motion, foi inspirado por fotos publicadas na web por artistas como William Hundley, e o resultado é simplesmente estupefaciente.
